02 - Mestrado - Ciências da Saúde

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    Qual variável do teste de caminhada de 6 minutos é melhor determinante da atividade física moderada-a-vigorosa em indivíduos com DPOC: a distância percorrida ou o produto distância-saturação?
    (2025-11-24) Santos, Amanda Pucca dos; Pitta, Fábio de Oliveira; Hernandes, Nidia Aparecida; Sant'Anna, Thaís Jordão Perez; Tofoli, Thais Moçatto
    O teste da caminhada de 6 minutos (TC6min) é muito comumente utilizado em todo o mundo na avaliação de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Para além disso, a distância percorrida no teste (DTC6min) é um importante preditor de mortalidade e se mostrou como um dos maiores determinantes do nível de atividade física na vida diária (AFVD) nessa população. Mais recentemente, uma nova variável derivada do TC6min tem sido proposta como útil na interpretação dos resultados do teste. Essa variável, o produto distância-saturação (DSP), considera não apenas a distância percorrida, mas também a saturação de oxigênio (SpO2) durante o teste. No entanto, ainda não se sabe se o DSP apresenta associação mais robusta com a principal variável da AFVD, o tempo gasto/dia em atividade física de intensidade moderada-a-vigorosa (AFMV), do que a DTC6min isoladamente. Objetivo: Comparar o DSP e a DTC6min enquanto determinantes do tempo diário em AFMV em indivíduos com DPOC estável. Métodos: Indivíduos com DPOC tiveram a AFVD (em especial o tempo gasto/dia em AFMV) avaliada ao longo de sete dias consecutivos por meio de um acelerômetro (ActiGraph wGT3X-BT). O TC6min foi realizado conforme as diretrizes internacionais, sendo o DSP calculado como DTC6min x menor SpO2 atingida durante o teste. Os desfechos secundários incluíram função pulmonar, força muscular, composição corporal, dispneia, qualidade de vida relacionada à saúde, estado de saúde geral e sintomas de ansiedade e depressão. Resultados: Foram estudados 56 indivíduos (27 homens; 69±6 anos; VEF1 48±20% do previsto). A média da DTC6min foi de 429±104 metros, da menor SpO2 foi de 87±4% e do DSP foi de 378±100. A mediana do tempo gasto/dia em AFMV foi de 6 [5–10] minutos, enquanto o tempo sedentário (TS) por dia foi de 530±133 minutos. O DSP apresentou correlações moderadas com tempo gasto/dia em AFMV em minutos (r = 0,53) e em % do dia (r = 0,52), TS/dia em minutos (r = -0,43) e em % do dia (r = -0,54), além de correlações com variáveis espirométricas (0,37 < r < 0,48), limitação por dispneia (r = -0,41) e sintomas depressivos (r = -0,34). A DTC6min mostrou correlações de magnitude similar ao DSP com tempo gasto/dia AFMV em minutos (r = 0,54) e em % do dia (r = 0,55), TS/dia em minutos (r = -0,39) e em % do dia (r = -0,54), limitação por dispneia e sintomas depressivos, além de correlações ligeiramente mais fracas com as variáveis espirométricas. Regressões lineares simples também mostraram valores similares de associação do DSP e DTC6min com o tempo gasto/dia em AFMV. Por fim, foram construídos dois modelos de regressão múltipla independentes. No modelo com o DSP, a variação do tempo gasto/dia em AFMV foi explicada pelo DSP (41%) e pelo VEF1 (9%), com R² do modelo = 0,50 (p<0,001). No modelo com a DTC6min, a variação do tempo gasto/dia em AFMV foi explicada pela DTC6min (40%) e pelo VEF1 (13%), com R² do modelo = 0,53 (p<0,001). Conclusão: Em indivíduos com DPOC estável, o tempo gasto/dia em AFMV pode ser explicado de forma similar pelo DSP e pela DTC6min. Esse é o primeiro estudo evidenciando o potencial do produto distância-saturação como determinante da inatividade física nessa população.
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    Análise de responsividade de três índices derivados do teste da caminhada de 6 minutos na interpretação dos efeitos da reabilitação pulmonar em indivíduos com DPOC
    (2025-12-05) Vicentin, Mariana Rosalem; Pitta, Fábio de Oliveira; Malaguti, Carla; Di Lorenzo, Valéria Amorim Pires; Tofoli, Thais Moçatto
    Introdução: A reabilitação pulmonar (RP) é eficaz na melhora das repercussões sistêmicas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). No que diz respeito à avaliação dos efeitos da RP especificamente na capacidade funcional de exercício em indivíduos com DPOC, o teste de caminhada de 6 minutos (TC6min) é comumente utilizado, especialmente a distância percorrida no teste (DTC6min), em metros. Porém, há formas diferentes de explorar os resultados do TC6min, como por exemplo utilizando-se índices compostos derivados dele. Dentre esses, destacam-se as razões Borg dispneia e fadiga por DTC6min (Borg D/DTC6min e Borg F/DTC6min, respectivamente), que levam em consideração a dispneia e fadiga relatadas ao final do teste; e o 6-minute walk work (6MWT_WORK), que é o produto da DTC6min pelo peso corporal do indivíduo. Contudo, ainda não se conhece a responsividade desses índices e se seriam uma forma melhor do que simplesmente a DTC6min para avaliar as respostas da RP. Objetivos: Analisar a responsividade dos índices Borg D/DTC6min, Borg F/DTC6min e 6MWT_WORK após um programa de RP em indivíduos com DPOC, verificar se algum desses índices é mais responsivo do que a DTC6min isoladamente; e correlacioná-los com os demais desfechos do estudo. Métodos: Trata-se de um estudo longitudinal com avaliações pré- e pós-RP, que incluiu indivíduos com DPOC estável submetidos a um programa de 8 semanas que envolvia treinamento físico de alta intensidade (aeróbico e resistido) e educação em saúde. Os indivíduos realizaram o TC6min antes e após o programa de RP, com o cálculo dos respectivos índices. Foram também realizadas avaliações da função pulmonar, força muscular periférica, composição corporal, qualidade de vida, estado funcional, limitação pela dispneia na vida diária, ansiedade e depressão. Resultados: Dezoito indivíduos com DPOC completaram o programa de RP (56% homens; VEF1 44 [32-57]%pred; mediana [IQR]). Ao comparar as avaliações pré vs pós RP, houve melhora da DTC6min (413 [369-502]vs 488 [426-537] metros, respectivamente; P=0,002) e redução da dispneia ao final do teste (Borg D: 6 [4-7] vs 4 [3-5]; P=0,027), sem mudança significativa na fadiga ao final do teste (Borg F: 5 [4 –8] vs 4 [3–6]; P=0,435) e no peso corporal (58 [52-65] vs 59 [52-69] kg; P=0,114). No que diz respeito aos índices, houve redução na razão Borg D/DTC6min (12,62 [10,66 – 18,60] vs 8,96 [5,9 – 10,64]; P=0,018) e aumento do 6MWT_WORK (26695[20396–33766] vs 29450[21126 – 34224]; P=0,019), porém sem melhora na razão Borg F/DTC6min (11,94 [7,71 – 15,15] vs 9,88 [7,51 – 11,88]; P=0,102). A DTC6min apresentou maior magnitude de mudança após RP pelo valor de ‘g de Hedges’ (0,88), seguido da razão Borg D/DTC6min (0,70), do 6MWT_WORK (0,61) e por fim, da razão Borg F/DTC6min (0,39). Já o escore de Borg D isolado apresentou ‘g de Hedges’ de 0,62, enquanto para o Borg F isolado foi de 0,27. Houve correlação fraca do ΔBorg D/DTC6 (pós-pré RP) com ΔDLCO e ΔDTC6min (r= -0,36 e -0,39, respectivamente), enquanto o Δ6MWT_WORK correlacionou-se de forma moderada com ΔCAT (r= -0,45), níveis basais de ansiedade (r=0,44) e de qualidade de vida (r=0,51). Ao comparar os índices categorizando os indivíduos em dois grupos de acordo com atingirem ou não a diferença mínima importante (MID) de melhora no TC6min após RP, o 6MWT_WORK foi o único a mostrar diferença significativa entre os grupos. Conclusão: A DTC6min apresentou maior magnitude de mudança após um programa de RP do que os seus índices derivados, refletindo de forma mais sensível a melhora da capacidade de exercício. Por outro lado, adicionar a DTC6min na avaliação do sintoma de dispneia no TC6min (i.e., razão Borg D/DTC6min) potencializou a responsividade do índice em detectar a resposta clínica ao programa de RP em relação à simples avaliação da dispneia por meio da escala de Borg; o mesmo ocorreu com relação à fadiga, embora em menor magnitude. Por fim, o 6MWT_WORK reflete melhor que os outros índices o fato de os indivíduos atingirem ou não a MID de melhora do TC6min após a RP.
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    Concordância entre a percepção de incapacidade relatada por pacientes com insuficiência cardíaca e por seus entes próximos
    (2026-06-09) Aquino, Débora Camila Lobo de; Hernandes, Nidia Aparecida; Pitta, Fábio de Oliveira; Mesquita, Rafael Barreto de
    Introdução: Estudos têm buscado mensurar a incapacidade em diferentes condições de saúde, incluindo a insuficiência cardíaca (IC). Adicionalmente, essas investigações têm se expandido para a comparação entre as percepções de pacientes e de seus entes próximos (proxies), buscando verificar se os relatos dos proxies podem ser considerados válidos para complementar ou substituir o relato do paciente, bem como identificar possíveis limitações na comunicação. Embora a literatura aponte divergências significativas entre essas percepções, a existência e a magnitude dessas discrepâncias na díade composta por pacientes com IC e seus informantes ainda permanecem inexploradas. Objetivo: Descrever e comparar a incapacidade (global e em seis domínios) de pacientes com IC autorrelatada e a relatada por seus proxies, analisar a concordância entre esses relatos e investigar diferenças na percepção de acordo com distintas características sociodemográficas. Métodos: Em um estudo transversal, foram incluídos indivíduos com diagnóstico de IC e seus respectivos proxies. A incapacidade foi avaliada por meio do World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS 2.0) de 36 itens (versões autorrelatada e proxy), com escores que variam de 0 (nenhuma incapacidade) a 100 (incapacidade extrema), tanto na pontuação global quanto em seis domínios de vida. O Mini Exame Estado Mental (MEEM) foi utilizado para avaliação do estado mental dos pacientes e proxies. Os pacientes também foram avaliados quanto à fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE), qualidade de vida (Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire, MLHFQ) e classe funcional da New York Heart Association (NYHA). O teste de Wilcoxon foi utilizado para comparação entre as pontuações e o coeficiente de correlação intraclasse (CCI) e de Kappa ponderado (K) para análise das concordâncias, complementados por análises visuais de Bland-Altman. Para o cálculo do K, os escores foram classificados em: nenhuma incapacidade (0-4), leve (5-24), moderada (25-49), grave (50-95) e incapacidade extrema (96-100). Um nível de significância estatística de 5% foi adotado. Resultados: 58 pacientes (31H, 62±8 anos; NYHA I/II/III 20/28/10; FEVE 48 [36-60] %, MEEM 27 [26-28]) e seus respectivos proxies (44M, 50±16 anos; MEEM 28 [27-29]) foram avaliados. Não houve diferença estatística entre as percepções de incapacidade (P>0,05). A concordância na pontuação total foi moderada (CCI=0,56 e k=0,44; P<0,001) e variou de baixa a moderada entre os domínios (0,140,05). Além disso, uma concordância baixa no escore total foi identificada quando as díades eram compostas por proxies filhos (CCI=0,47) e mais jovens (CCI=0,49) e pacientes do sexo feminino (CCI=0,48). Conclusões: Não houve diferença estatística entre os relatos, no entanto, a concordância entre pacientes com IC e seus proxies foi apenas moderada. Menores valores de concordância foram observados em díades compostas por pacientes do sexo feminino, bem como naquelas em que os proxies eram filhos e apresentavam menor idade
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    Avaliação de biomarcadores do estresse oxidativo/nitrosativo na exposição ocupacional à fumaça cirúrgica
    (2026-04-17) Xavier, Jamaira do Nascimento; Barbosa, Décio Sabbatini; Michelin, Ana Paula; Ribeiro, Renata Perfeito
    Introdução: A fumaça cirúrgica gerada pelo uso do eletrocautério contém material particulado e compostos químicos potencialmente tóxicos, capazes de induzir estresse oxidativo/nitrosativo, condição caracterizada pelo desequilíbrio entre espécies reativas de oxigênio e nitrogênio e os sistemas antioxidantes, podendo representar risco à saúde ocupacional de trabalhadores que atuam em um centro cirúrgico. Objetivo: avaliar e comparar biomarcadores de estresse oxidativo/nitrosativo em trabalhadores da saúde expostos à fumaça cirúrgica. Materiais e métodos: trata-se de um estudo transversal, realizado com 100 participantes, sendo que 50 trabalhadores eram de um centro cirúrgico (grupo exposto) e 50 trabalhadores de uma unidade de terapia intensiva (grupo controle). A coleta de dados ocorreu in loco, com aplicação de formulários on-line contendo dados sociodemográficos, ocupacionais, hábitos de vida e dados antropométricos. Além disso, amostras sanguíneas foram coletadas antes e após procedimentos cirúrgicos com uso de eletrocautério. Foram analisados os seguintes biomarcadores de estresse oxidativo/nitrosativo: paraoxonase-1, superóxido dismutase, catalase, glutationa total, glutationa reduzida, glutationa oxidada, subprodutos de óxido nítrico, hidroperóxidos lipídicos e produtos avançados de oxidação de proteínas. Realizaram-se testes estatísticos de Wilcoxon e Mann–Whitney, correlação de Spearman e curvas Receiver Operating Characteristic, adotando-se p<0,05. Resultados: observou-se redução significativa da paraoxonase-1 e dos hidroperóxidos lipídicos após a exposição aguda à fumaça cirúrgica. Comparado ao controle, o grupo exposto apresentou menores níveis de glutationa total, glutationa reduzida e glutationa oxidada, tanto no pré- quanto no pós-exposição à fumaça do eletrocautério, sugerindo comprometimento do sistema antioxidante basal. Biomarcadores relacionados ao sistema glutationa e à peroxidação lipídica apresentaram capacidade discriminatória moderada nas análises de curva Receiver Operating Characteristic. Conclusão: a exposição à fumaça cirúrgica associa-se a alterações no equilíbrio redox, evidenciando consumo de defesas antioxidantes e possível estado oxidativo cumulativo, reforçando a necessidade de medidas preventivas, prezando pela saúde ocupacional desses trabalhadores.
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    Fatores determinantes do tempo sedentário em indivíduos com DPOC
    (2024-07-15) Tofoli, Thais Moçatto; Pitta, Fábio de Oliveira; Hernandes, Nidia Aparecida; Oliveira, Magno Markus Ferreira Formiga Gonçalves de; Santin, Laís Carolini
    Introdução: Os fatores que influenciam o tempo sedentário (TS) de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) não foram completamente explorados. Objetivo: Identificar os fatores determinantes do TS em indivíduos com DPOC estável. Métodos: Indivíduos com DPOC tiveram seu TS e variáveis de atividade física (AF) avaliadas transversalmente durante sete dias por um monitor de AF. As principais variáveis foram TS/dia (<1.5 METs), passos/dia, tempo/dia em AF leve (1.5-2.9 METs) e em AF moderada a vigorosa (AFMV/dia, =3METs). Avaliações adicionais incluíram teste de caminhada de 6 minutos (TC6min), escala de dispneia do Medical Research Council (MRC), função pulmonar e composição corporal. Modelos de regressão linear múltipla foram construídos com variáveis que se correlacionaram significativamente com TS/dia. Resultados: 50 indivíduos foram analisados (44% homens; 66±8 anos; VEF1 50±19%pred). O TS/dia foi de 488±160 minutos (61±15% do dia). TC6min, escala MRC, índice de massa livre de gordura (IMLG), passos/dia e AF leve/dia correlacionaram-se com TS expresso em minutos/dia (r= -0.23, 0.30, -0.25, -0.51 e -0.93, respectivamente) e em % do dia (r= -0.36, 0.28, -0.30, -0.67 e -0.99, respectivamente). Nas análises de regressão múltipla, as variáveis que explicaram a variância do TS em minutos/dia foram escala MRC (13%), passos/dia (25%) e AF leve/dia (17%)(R2 do modelo= .547, p<0.001) e em % do dia foram TC6min (12%), IMLG (7%), passos/dia (33%) e AF leve/dia (47%)(R2 do modelo= .994, p<0.001). Conclusão: Em indivíduos com DPOC estável, a variação no tempo sedentário pode ser explicada pela capacidade de exercício, dispneia, massa livre de gordura, contagem de passos e especialmente tempo/dia em AF leve, o que reforça o aumento da AF leve (em vez de necessariamente AFMV) como estratégia para reduzir o comportamento sedentário.
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    A baixa ingestão proteica está associada ao pior desempenho físico em pacientes com câncer urológico : um estudo transversal
    (2024-05-20) Borges, Mayra Bossa dos Santos; Deminice, Rafael; Carreira, Clisia Mara; Miola, Thais Manfrinato
    A incidência de câncer urológico no Brasil tem sido uma preocupação crescente devido ao aumento dos casos diagnosticados nos últimos anos. Uma complicação importante associada a essa doença é a sarcopenia, caracterizada por baixa força muscular, baixa quantidade ou qualidade muscular e baixo desempenho físico. Essa condição tem sido frequentemente observada em pacientes com câncer urológico e está associada à redução da qualidade de vida e sobrevida. O objetivo desse estudo foi verificar a associação entre massa muscular, força e função física, risco nutricional e consumo proteico em pacientes com câncer urológico. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 32 pacientes do sexo masculino (idade 64,0 + 12,4), diagnosticados com câncer urológico (sendo 43,7% de bexiga, 34,3% de próstata, 15,6% de rim, 3,2% de testículo e 3,2% de pênis), todos com indicação cirúrgica, que foram divididos em dois grupos de acordo com a ingestão de proteínas: menor que 1,2g/kg (n = 19) e maior que 1,2g/kg (n = 13). A ingestão proteica foi avaliada através do recordatório de 24 horas e analisada através do programa Diet Box®. A separação dos grupos foi realizada considerando a recomendação de ingestão proteica mínima de 1,2g/kg para pessoas em tratamento oncológico de acordo com a diretriz Braspen (2019). Para determinar a força, foi utilizado o teste sentar e levantar, para verificar a massa muscular apendicular, foi utilizada a impedância bioelétrica, já a função muscular, foi utilizado o teste Short Physical Performance Battery-SPPB. Resultados: Os dados demonstraram que o grupo com baixa ingestão proteica apresentou um pior desempenho físico avaliado pelo SPPB (8,26 ± 2,82 versus 10,15 ± 1,81, p=0,042). Além disso, a análise univariada revelou que esse grupo possui 46% mais probabilidade de desenvolver baixa função física quando comparado ao grupo com ingestão proteica recomendada (p=0,04). Ainda, 15,8% dos pacientes com baixa ingestão proteica apresentaram baixa massa muscular, enquanto 62,1% deles tinham baixa força muscular (p=0,005). Não houve diferenças significativas de desfechos clínicos entre os grupos. Discussões: O estudo evidenciou que pacientes com câncer urológico com baixa ingestão proteica apresentaram piora dos resultados em relação a função física, bem como menor força, porém não houve associação entre os desfechos clínicos. Ainda, apresentaram maior risco nutricional quando comparados com o grupo ingestão proteica adequada, reforçando a relevância do acompanhamento e suporte nutricional nessa população. Conclusão: Estes dados revelam a necessidade diagnóstico precoce e suporte nutricional adequado a fim de minimizar os desfechos negativos.
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    Avaliação dos efeitos da suplementação com flavonoide diosmina na dor muscular de início tardio em humanos
    (2024-08-09) Cunha, Fabiana Cristina Barreiros; Borghi, Sergio Marques; Bertozzi, Mariana Marques; Gil, André Wilson de Oliveira
    Os benefícios do exercício físico para a prevenção e o tratamento de algumas doenças metabólicas, cardiovasculares, neurológicas, inflamatórias crônicas e psiquiátricas, têm sido citados e documentados na literatura científica, impactando na qualidade de vida e saúde da população. Devido aos resultados proporcionados pelo exercício físico, esse teria a possibilidade de alterar o desenvolvimento de algumas doenças e seu desfecho. Órgãos governamentais e profissionais de saúde, orientam a prática de atividade e exercício físico para prevenção e tratamento de doenças. No entanto, a prática habitual pode ser prejudicada por alguns fatores, como a dor. Nesse sentido, a dor muscular de início tardio (DMIT), presente no período de recuperação pós-exercício, essa manifestação dolorosa desta condição pode representar um impedimento na população em geral para prática de atividade física e dificultar alto desempenho em atletas profissionais. Verificamos os efeitos do flavonoide diosmina no tratamento na DMIT em atletas de futsal feminino. Os grupos receberam diosmina 750 mg e placebo (cápsula de amido de milho) via oral, passaram por modalidade de exercício dinâmico intenso proposto até a falha, foram realizadas as avaliações de dor através da escala visual analógica (EVA) realizando as seguintes atividades, palpação do quadríceps, sentar e levantar da cadeira, subir e descer escada, teste de recuperação muscular em cadeira extensora com isometria, avaliação do equilíbrio postural, postura bipodal e unipodal direito e esquerdo, coleta de sangue para verificação de marcadores de lesão muscular e capacidade antioxidante, todos os testes foram realizados nos períodos basal (antes da intervenção), 24 e 48 horas da realização de exercício dinâmico intenso. Embora o DSM não tenha tido um efeito maior do que o placebo no desempenho atlético, apresentou efeitos de pequeno a moderado, contendo danos oxidativos (através da redução da peroxidação lipídica) e efeitos analgésicos triviais a moderados sobre a dor muscular, dependendo da condição. Além disso, o DSM forneceu efeitos pequenos a moderados na prevenção da força muscular reduzida e na melhoria do equilíbrio postural
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    Descrição clínica e genética de uma família com neoplasia endócrina múltipla tipo 2A
    (2025-11-11) Arruda , Anna Catarina Gatzk de; Carrillo, Alexandre José Faria; Almeida, Sílvio Henrique Maia de; Hoff, Ana Amelia Fialho de Oliveira; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Montemor, Cláudia Nascimento; Mazzuco, Tânia Longo
    A Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A (NEM2A) e considerada uma doença rara e que pertence a um grupo heterogêneo de doenças hereditárias que predispõem ao desenvolvimento de tumores em glândulas endócrinas. E causada por mutações germinativas no proto-oncogene RET, sendo que diferentes variantes causam fenótipos distintos da doença. A forma clássica da NEM2A, fenótipo mais comum, e caracterizada pelo desenvolvimento de carcinoma medular de tireoide (CMT), feocromocitoma (FEO) e hiperparatireoidismo primário (HPTP). Existe forte correlação genótipo-fenótipo descrita na literatura, a qual influência não apenas as formas de apresentação clínica da doença, assim como a agressividade do CMT. O CMT ocorre em praticamente todos os pacientes e representa, na maioria das vezes, a primeira manifestação da doença, além de ser considerado a principal causa de morbimortalidade. A identificação de mutações no gene RET permitiu a estratificação de risco e a implementação de intervenções profiláticas em carreadores assintomáticos, possibilitando a tireoidectomia profilática, assim como monitoramento periódico para rastreamento de FEO e HPTP. O objetivo do presente estudo e descrever a apresentação clínica e genética de uma família com NEM2A. Foi realizada revisão de prontuários e entrevistas do caso-índice e seus familiares, coletando informações clínicas, laboratoriais e genéticas relacionadas a síndrome. O caso index foi diagnosticado após apresentação de FEO bilateral em idade jovem. Pelo rastreamento familiar, 11 pacientes foram diagnosticados com NEM2A. O CMT estava presente em todos os 12 pacientes com o diagnóstico. A idade média de diagnóstico do CMT foi 28,6 anos (8-35). A prevalência do FEO foi de 58,3% dos casos, todos com acometimento bilateral e majoritariamente sincrônicos; a idade de diagnostico variou de 12 a 34 anos e os sintomas mais comuns foram cefaleia e sudorese. Um paciente apresentou acometimento extra-adrenal e outro teve recorrência da doença 8 anos após adrenalectomia inicial. HPTP foi pouco prevalente (16,7%), manifestando-se de forma normocalcemica. Dessa forma, conclui-se que o rastreamento genético e fundamental no diagnóstico e na identificação de portadores assintomáticos do CMT, permitindo intervenção precoce e eficaz, com redução da morbimortalidade. Os dados desse estudo reforçam a heterogeneidade fenotípico da NEM2A, e destacam a importância da detecção precoce de doenças genéticas raras para a melhor qualidade de vida de pacientes e familiares
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    Avaliação da vasculatura profunda da coroide na coriorretinopatia serosa central ativa unilateral : comparação com olhos contralaterais
    (2024-03-21) Campiolo, Fernando; Casella, Antonio Marcelo Barbante; Oguido, Ana Paula Miyagusto Taba; Sampaio, Elaine Regina Ferraresi; Lima, Luiz Henrique Soares Gonçalves de
    Objetivo: A coriorretinopatia serosa central (CSC) é a quarta patologia retiniana mais prevalente, afetando principalmente homens entre os 20 e 50 anos, com vários fatores de risco. Apesar da sua ocorrência frequente, a fisiopatologia completa da CSC permanece indefinida. O objetivo desta pesquisa é investigar biomarcadores do CSC ativo unilateral e dos seus homólogos contralaterais utilizando técnicas de imagem avançadas, em particular a angiografia com verde de indocianina (ICG). Métodos: O estudo avaliou 44 olhos de 22 indivíduos diagnosticados com CSC, comparando olhos com CSC ativo (Grupo 1) com olhos homólogos contralaterais (Grupo 2). Foram utilizadas várias técnicas de imagem, incluindo fotografia colorida, ICG e tomografia de coerência óptica. Foram analisados parâmetros como espessura da coroide, densidade vascular, vasodilatação e quebras de meridianos. A análise estatística foi efetuada com auxílio do SPSS 20.0. Resultados: Vinte e dois indivíduos com CSC ativo, todos de raça branca, com uma idade média de 56,9 anos, demonstraram uma prevalência notavelmente mais elevada de quebras de meridianos (90,9%) em comparação com os seus olhos homólogos contralaterais (22,7%) (P<0,001). A vasodilatação da coroide foi mais comum nos olhos com CSC ativa (95,5%) em comparação com o olho contralateral (50,0%) (P=0,002). Embora a densidade vascular coroidal tendesse a ser mais elevada nos olhos afetados (50,38%±15,90) do que nos olhos do lado oposto (50,00%±12,30), esta diferença não atingiu um significado estatístico (P=0,929). Os olhos com CSC ativo apresentaram maior espessura da coroideia (393.87 µm ± 66.87) em comparação com os olhos normais (334.37 µm ± 66.22) (P=0,007). Conclusão: Os resultados do nosso estudo podem melhorar a compreensão da fisiopatologia do CSC, uma vez que as quebras dos meridianos e a espessura da coroide podem ter o potencial de serem biomarcadores da atividade da doença no CSC.
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    Dessaturação de oxigênio induzida pelo exercício e características do sono noturno em indivíduos com DPOC
    (2025-06-16) Ferreira, Thaiuana Maia; Pitta, Fábio de Oliveira; Nerbass, Flávia Baggio; Silva, Danilo Rodrigues Pereira da; Dala Pola, Daniele
    Introdução: A dessaturação de oxigênio induzida pelo exercício (DIE) é relativamente comum em indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e já foi associada à rigidez arterial, baixa capacidade de exercício e mortalidade nessa população. Outros fatores reconhecidamente associados à DIE são a obesidade, limitação ao fluxo aéreo e baixa saturação de oxigênio (SpO2) em repouso. Sabe-se também que indivíduos com DPOC frequentemente apresentam distúrbios do sono. No entanto, ainda não se sabe se a DIE está associada às características do sono nesta população. Objetivo: Verificar se há associação das variáveis respiratórias poligráficas do sono noturno com a DIE durante testes simples de força muscular e de capacidade funcional de exercício em indivíduos com DPOC. Métodos: Neste estudo transversal, indivíduos com DPOC foram submetidos à avaliação da função pulmonar pela espirometria e registro contínuo da SpO2 por um oxímetro de pulso durante os seguintes testes: contração isométrica voluntária máxima de quadríceps femoral dominante (força de QF) e os testes funcionais Sit-to-Stand (STS), Timed Up and Go (TUG) e Four-Meter Gait Speed (4MGS). Os distúrbios respiratórios do sono foram avaliados por poligrafia (ApneaLinkTM Air, Resmed, Austrália) por uma noite. De acordo com a ocorrência de SpO2 abaixo do ponto de corte (i.e., <90%) durante os testes, os indivíduos foram alocados nos grupos com DIE e sem DIE. Para análise estatística, o teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para verificar a normalidade dos dados, que posteriormente foram comparados pelo Teste T ou de Mann-Whitney. Correlações foram avaliadas pelo coeficiente de Pearson, e foi realizada regressão logística para investigar em mais profundidade a associação da ocorrência de DIE como variável dependente e outras variáveis independentes. Foi utilizado o software SPSS (20.0) e adotada significância estatística de p<0,05. Resultados: Foram avaliados 28 indivíduos com DPOC (69±7 anos; IMC: 26±5 Kg/m2; índice de apneia e hipopneia 14±8). Na comparação entre os grupos com e sem DIE, o grupo com DIE no teste de força de QF apresentava maior idade (73±5 vs 66 ±7 anos; p=0,029), enquanto o grupo com DIE nos testes TUG e STS apresentava pior VEF1 (respectivamente 44 [31-58] vs 64 (50-77) %; p=0,013 e 45±13 vs 65±16 %; p=0,012). Com relação às características do sono, o grupo com DIE no teste de força de QF apresentava menor SpO2 média e maior tempo em SpO2 <85% e <80%. O grupo com DIE no TUG apresentava menor SpO2 média e basal. O grupo com DIE no STS apresentava menor SpO2 média, mínima e basal, além de maior tempo em SpO2 <85% e <80%. Foram observadas correlações consistentes e significantes de diversas variáveis da poligrafia com a SpO2 mínima atingida nos quatro testes, principalmente no STS. A regressão logística mostrou associação significativa da probabilidade de ocorrência de DIE em diferentes testes com SpO2 média mais baixa durante a poligrafia, maior idade, pior VEF1 e SpO2 mais baixa ao repouso. Conclusão: Indivíduos com DPOC que dessaturam em diferentes testes físicos apresentam piores desfechos respiratórios durante o sono noturno em comparação àqueles que não dessaturam nos testes. SpO2 média mais baixa durante a poligrafia, maior idade, pior VEF1 e SpO2 mais baixa ao repouso se associaram significativamente à probabilidade de ocorrência da DIE em diferentes testes. De forma geral, o teste que melhor evidenciou a associação entre DIE e dessaturação noturna foi o STS. Portanto, a aplicação nessa população de testes simples de força muscular e de capacidade funcional de exercício, em especial o STS, ajuda na identificação de indivíduos com DIE que apresentam piores desfechos respiratórios durante o sono noturno
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    Efeitos longitudinais da intoxicação alcoólica na adolescência em um modelo de Transtorno por Uso de Álcool em ratos Wistar adultos machos e fêmeas
    (2025-09-19) Leeuwen, Marinus van; Estanislau, Célio Roberto; Bressan, Gláucia Maria; Gonçalves, Fábio Leyser; Uchôa, Ernane Torres
    Introdução: A exposição pesada ao álcool na adolescência já foi associada a desfechos negativos na vida adulta, incluindo aumento do risco de desenvolver Transtorno por Uso de Álcool (TUA). Embora pesquisas pré-clínicas tenham contribuído para o entendimento dessas consequências a longo prazo, muitos estudos não incorporaram características importantes do TUA em seus modelos, como diferenças sexuais, protocolos de consumo voluntários e desenhos experimentais de alta replicabilidade. O presente estudo teve como objetivo suprir essas lacunas, avaliando os efeitos a longo prazo da intoxicação alcoólica na adolescência sobre comportamentos tipo TUA em ratos Wistar adultos de ambos os sexos. Método: 110 ratos Wistar (55 machos e 55 fêmeas) foram divididos em oito grupos de acordo com as variáveis: (1) sexo (masculino ou feminino), (2) intoxicação alcoólica na adolescência (expostos ou não expostos) e (3) exposição ao álcool na fase adulta (expostos ou não expostos). O primeiro protocolo ocorreu entre os dias pós-natais (DPN) 30 e 48, período em que os ratos receberam solução alcoólica a 3,5 g/Kg via intraperitoneal (i.p.). Foram avaliadas a latência e a duração da Perda do Reflexo Postural (LORR). Ao término do protocolo, os animais foram submetidos a aproximadamente três semanas de privação de álcool. No DPN 72, o consumo voluntário de álcool e água foi avaliado por meio do protocolo Two-bottle choice (TBC) por cerca de cinco semanas (total de 14 sessões). Os ratos foram colocados em gaiolas individuais por 24 horas, com uma garrafa contendo água potável e outra com solução alcoólica a 20% v/v em água potável. Após o término do TBC, o comportamento de pressão à barra foi modelado para autoadministração operante de álcool. Quando a resposta-alvo foi selecionada, os animais passaram por 10 sessões do protocolo de esvanecimento de sacarose (sucrose fading). Posteriormente, ocorreu a fase de testes, composta por cinco sessões de autoadministração operante de álcool. Os ratos foram privados de álcool para avaliação dos efeitos tipo abstinência no labirinto elevado em cruz (EPM) e em uma sessão única de autoadministração de álcool. O método de clusterização Fuzzy C-Means foi aplicado para avaliar possíveis subgrupos mais susceptíveis ao consumo de álcool. Resultados: Os ratos apresentaram aumento da sensibilidade aos efeitos do álcool no protocolo LORR. Os resultados do TBC indicaram que a exposição alcoólica na adolescência pode aumentar a preferência e o consumo de álcool na vida adulta. Foi observada diferença significativa entre os sexos na autoadministração operante de álcool. A exposição alcoólica na adolescência também foi associada a prejuízos na avaliação de risco no EPM. As análises provenientes da clusterização sugeriram a existência de subgrupos com maior motivação para o consumo operante de álcool. O tratamento LORR alterou o peso corporal no grupo que recebeu álcool na adolescência. Ratos machos exibiram crescimento compensatório (catch-up), recuperando o peso típico na fase adulta, enquanto as fêmeas não apresentaram tal recuperação. Conclusão: A exposição intensa ao álcool durante o início da adolescência pode gerar consequências duradouras na vida adulta, aumentando comportamentos semelhantes ao TUA, particularmente em subgrupos de animais.
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    Uso de PVPI tópica para assepsia em injeções intravítreas seriadas e alterações de superfície ocular: um estudo caso-controle
    (2024-03-14) Casemiro, José Henrique; Casella, Antonio Marcelo Barbante; Fornazieri, Marco Aurélio; Sampaio, Elaine Regina Ferraresi; Oguido, Ana Paula Miyagusko Taba
    O uso de iodopovidona para a assepsia da superfície ocular é profusamente difundido, tanto para procedimentos cirúrgicos como para injeções intravítreas (IVIS). Cirurgias para catarata, glaucoma e injeções intravítreas, tornaram-se procedimentos comuns e frequentes na oftalmologia, levando a exposições seriadas dos olhos dos pacientes às soluções iodadas. A síndrome do olho seco pode ser causada ou agravada por essa agressão química. Objetivo: Identificar as diferentes alterações de superfície ocular relacionadas ao uso do PVPI 2% tópico para assepsia em IVIS seriadas, analisando: questionário OSDI, NIBUT, análise do piscar, altura do menisco lacrimal, osmolaridade lacrimal, interferometria lacrimal e perda das glândulas de Meibomius. Métodos: Estudo caso-controle com 34 indivíduos, 14 homens e 20 mulheres, idade entre 48 e 94 anos, desses, 68 olhos foram analisados. Os critérios de inclusão foram os indivíduos que receberam a aplicação de colírio de PVPI a 2% para assepsia do tratamento com IVIS de anti-VEGF, e o olho contralateral que não tinha indicação de tratamento nem recebeu qualquer medicação tópica durante o mesmo período de estudo foi utilizado como controle. Foram realizados os testes de osmolaridade da lágrima, interferometria do filme lacrimal, altura do menisco lacrimal, teste de tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado, percentagem de perda de glândulas meibomianas em tarso inferior, eficiência do piscar e o questionário Ocular Surface Disease Index (OSDI). Toda a análise estatística foi realizada através do Software STATA® 18.0 e foi considerado um p-valor = 0,05 como valor de significância estatística em todos os testes. Resultados: A média do número de aplicações de IVIS nos olhos tratados foi de 12 (6-20). Os resultados nos olhos tratados comparados com os não tratados em relação ao OSDI foi de 16 (6-39) e 12,5 (8-39, p = 0,830); o tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado ou non invasive break up time foi de 10,30 (2,62) e 10,78 (2,92) (s, p=0,476); a qualidade do piscar foi de 100 (100) e 100 (100) (%, p = 0,188); a medida da camada lipídica 87 (77-90) e 86 (74-100) (nm, p = 0,451); a medida da altura do menisco foi de 0,22 (0,19-0,31) e 0,24 (0,20-0,27) (mm, p = 0,862); da percentagem de perda de glândulas de Meibomius foi de 33 (24-45) e 31,5 (25-39) (%, p = 0,524); e da medida da osmolaridade foi de 305,6 (21,13) e 313,8 (29) (mOsm, p = 0,297). Não houve relação estatisticamente significativa entre o uso repetitivo de solução iodada a 2% com piora nos sinais ou sintomas relacionados a síndrome do olho seco pelos métodos utilizados. Conclusões: o PVPI a 2% foi seguro para assepsia de superfície ocular para IVIS repetidas, sem provocar alterações de superfície ocular significativas. Uma possível ação anti-inflamatória e protetiva do anti-VEGF pode ser considerada, e estudos com uso repetido de PVPI em diferentes procedimentos serão necessários para suporte desses resultados
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    Maresina 2 (MaR2) reduz dor articular e ativação neuronal em modelo de dor induzidos pelo vírus Chikungunya inativado e sua proteína recombinante E2 em camundongos
    (2024-03-25) Yaekashi, Kelly Megumi; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Bertozzi, Mariana Marques; Fattori, Victor
    O vírus Chikungunya (CHIKV), desencadeia sintomas que normalmente são solucionados pelo próprio sistema imunológico, porém é na fase crônica que os pacientes mais sofrem. A artrite crônica de Chikungunya (ACC), gera implicações econômicas e sociais, incluindo o impacto na qualidade de vida dos pacientes infectados, pela perda da mobilidade e da produtividade econômica. ACC é normalmente confundida com a artrite reumática (AR), devido às similaridades clínicas, sendo assim, medicados com AINES ou opioides, que a longo prazo podem gerar efeitos colaterais, prejudiciais para o organismo. Dessa forma, a busca por moléculas que sejam mais efetivas e com menos efeitos colaterais se faz necessárias. Os mediadores lipídicos pró-resolução especializados (SPMs) são moléculas produzidas durante a fase de resolução da inflamação e possuem atividade pró-resolutiva e analgésica. A Maresina 2 (MaR2) um SPM, derivado do ácido graxo ômega-3, exibe efeitos anti-inflamatórios e analgésicos, com capacidade de modular atividade dos canais iônicos TRPV1 e TRPA1 dos nociceptores. O objetivo desse estudo foi de investigar o potencial analgésico da MaR2 em modelo de dor articular e ativação neuronal induzido pelo vírus CHIKV inativado (100 UFF/10µL) e a sua proteína envelope recombinante E2 (rE2) (100ng/10µL) pela via intra-articular (i.a.), além de confirmar e avaliar se os canais TRPA1 e TRPV1 apresentam alguma relação com a formação da hiperalgesia durante a infecção e se o lipídio é capaz de modular essa ativação. CHIKVi e E2 induzem hiperalgesia mecânica e térmica nos camundongos Swiss e esse estado consegue ser reduzido ao ser tratado com 10 ng de MaR2, via intratecal (i.t.), demonstrando o seu efeito analgésico. Para verificar como a parte neuronal está envolvida na formação da hiperalgesia, foi realizada a técnica de imageamento de cálcio, in vitro, com gânglio da raiz dorsal (DRG). Observou que os neurônios estimulados com CHIKVi tiveram um influxo de cálcio maior, quando comparado com o Mock (grupo controle) e isso se dá pela capacidade do vírus de modular a atividade dos canais TRPV1 e TRPA1, apresentando um influxo muito maior quando esses canais eram ativados. Quando foram pré-tratados com a MaR2, o influxo de cálcio reduziu mesmo na presença do CHIKVi e dos agonistas para TRPV1 e TRPA1. A imunofluorescência, in vivo, demonstrou a intensidade de fluorescência maior em DRG de animais estimulados com o vírus inativado, afirmando a capacidade do CHIKVi em agir diretamente na ativação dos canais iônicos para gerar a hiperalgesia. Esse estado foi revertido quando tratados com a MaR2, pela capacidade desse lipídio de reduzir/ inibir a ativação dos ambos os canais, o que leva a sua ação analgésica. Já se sabe que CHIKVi e rE2 tem capacidade em modular a atividade do canal TRPV1, porém ainda não há dados para TRPA1. Com os resultados in vitro e in vivo, há possibilidade do TRPA1 de ter a sua ativação modulada pelo vírus. Para confirmar isso, a hiperalgesia mecânica foi realizada em animais induzidos com CHIKVi ou rE2 e tratados após uma hora, via i.t., com o HC-030031, antagonista seletivo do TRPA1. Ao bloquear o canal, a hiperalgesia mecânica foi reduzida, demonstrando a relação do canal iônico na formação da hiperalgesia
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    Avaliação dos potenciais efeitos do tratamento com o flavonoide hesperidina metil chalcona em modelo de dor muscular de início tardio em camundongos
    (2024-03-08) Cortez, Giovana Bobato; Borghi, Sergio Marques; Moreira, Estefânia Gastaldello; Ferraz, Camila Rodrigues
    Dor muscular de início tardio (DMIT) é um tipo de lesão muscular causada por exercícios excêntricos, de alta intensidade ou de longa duração. As manifestações dolorosas desta condição podem representar uma barreira considerável para um estilo de vida fisicamente ativo na população em geral, bem como podem dificultar o alcance de alto desempenho em atletas profissionais. Investigamos os efeitos protetores da hesperidina metil chalcona (HMC) contra DMIT. Os camundongos receberam duas vezes HMC nas doses de 1, 3 ou 10mg/kg (30 min antes e 12h após) por via i.p. e foram submetidos à água por 30 segundos (condição simulada) ou a uma única sessão ininterrupta de natação de 120 minutos. O imageamento de cálcio dos neurônios DRG foi usado para avaliar a ativação do nociceptor. A hiperalgesia muscular mecânica foi avaliada 12-48 horas após a sessão. Parâmetros oxidativos (ânion superóxido, peroxidação lipídica e capacidade antioxidante) e recrutamento de leucócitos (imunofluorescência e atividades mieloperoxidase e N-acetil-beta-D-Glucosaminidase) foram avaliados 2 e 24 horas após a sessão de natação, respectivamente. Neurônios DRG de camundongos DMIT apresentaram um nível basal mais alto de influxo de cálcio e foram mais responsivos à capsaicina e AITC do que camundongos naive. HMC (3 mg/kg) reduziu a hiperalgesia mecânica muscular, a maior atividade basal e o aumento da responsividade à capsaicina e AITC dos neurônios DRG e inibiu o estresse oxidativo e o recrutamento de neutrófilos e macrófagos para o tecido muscular em camundongos DMIT. A HMC preveniu a DMIT em camundongos após exercícios não habituais. Os mecanismos subjacentes podem estar relacionados ao direcionamento da inflamação, o que resulta na redução da atividade dos neurônios nociceptores musculares
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    Desfechos de sobrevivência em lesões epiteliais respiratórias malignas da cavidade nasal e seios paranasais: um estudo de coorte baseado em subtipos
    (2025-12-08) Tomazini, Vinícius Simon; Fornazieri, Marco Aurélio; Almeida, Sílvio Henrique Maia de; Tepedino, Miguel Soares
    Introdução: Tumores malignos do nariz e dos seios paranasais são raros, representando cerca de 3% dos tumores de cabeça e pescoço, com alta morbimortalidade e maior incidência em homens. Os principais tipos histológicos são carcinoma de células escamosas e adenocarcinomas, que correspondem aproximadamente 80% dos casos, apresentando sintomas inespecíficos. O diagnóstico definitivo é realizado por análise histopatológica, e o tratamento varia de acordo com tipo e o estágio do tumor, sendo a cirurgia a principal modalidade terapêutica. A recorrência local é uma causa significativa de falha no tratamento, especialmente devido ao diagnóstico tardio. Este estudo avalia o desfecho de sobrevida e investiga dados epidemiológicos de pacientes com lesões epiteliais respiratórias malignas do nariz e seios paranasais. Esses tipos de câncer são raros, e os dados sobre suas características e prognóstico ainda são limitados na literatura brasileira. Objetivo: Avaliar os desfechos de sobrevida de pacientes com lesões epiteliais respiratórias malignas da cavidade nasal e dos seios paranasais tratados em um hospital terciário, além de definir o perfil epidemiológico desses pacientes. Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo com base em prontuários médicos de 2007 a 2021, utilizando amostra de conveniência. O desfecho primário foi a mortalidade por todas as causas, com a mediana de sobrevida medida em meses. O desfecho secundário incluiu a análise epidemiológica dos casos. As curvas de sobrevida de Kaplan-Meier foram utilizadas para avaliar a mediana de sobrevida, e o teste log-rank comparou as diferenças de sobrevida entre o carcinoma de células escamosas (CCE) e outros subtipos histológicos. Resultados: Foram incluídos 15 pacientes, com idade média de 54,13 anos, sendo 73,33% do sexo masculino. O CCE foi o subtipo mais frequente (60%), seguido por adenocarcinomas e outros subtipos raros. A mediana de sobrevida foi de 65 meses, sem diferenças estatisticamente significativas de sobrevida entre o CCE e os outros subtipos (p = 0,10). O tratamento cirúrgico foi a abordagem mais comum, realizada em 80% dos casos. Conclusão: Este estudo fornece dados relevantes sobre a sobrevida de carcinoma e adenocarcinoma no Brasil com uma mediana de sobrevida geral de 65 meses, destacando a maior prevalência do carcinoma de células escamosas. Ressalta a importância do acompanhamento contínuo e evidencia a necessidade de estudos maiores e de um banco de dados nacional. Pesquisas multicêntricas podem aprimorar a compreensão do prognóstico desses pacientes, possibilitando um acompanhamento mais adequado às particularidades do contexto brasileiro
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    Desafios enfrentados por mulheres com lesão medular que realizam cateterismo vesical intermitente : um estudo qualitativo
    (2025-04-09) Kasuya, Felipe Vessoni Barbosa; Almeida, Sílvio Henrique Maia de; Fornazieri, Marco Aurélio; Rodrigues, Marco Aurélio de Freitas
    Introdução: A lesão medular (LM) pode causar disfunção neurogênica do trato urinário inferior (DNTUI), impactando significativamente a qualidade de vida (QV) devido a complicações orgânicas e psicossociais. O manejo dessas disfunções requer abordagem multidisciplinar para lidar com os desafios únicos a que os pacientes são submetidos. O cateterismo vesical intermitente limpo (CVIL) é a melhor forma de manejo do esvaziamento urinário quando a DNTUI se instala, entretanto se relaciona com difícil aderência e eventuais complicações. Considerando o limitado conhecimento existente sobre o impacto da DNTUI e do cateterismo em mulheres — devido à predominância de estudos focados no público masculino — optou-se por uma pesquisa qualitativa. Essa escolha foi fundamentada na necessidade de explorar as nuances das experiências femininas, que abordam desde diferenças anatômicas até complexidades sociais e emocionais. A abordagem qualitativa é especialmente adequada para este estudo, pois permite um foco profundo nos aspectos psicossociais, oferecendo uma compreensão abrangente das diferenças de gênero na convivência com a DNTUI e seu tratamento. Diferentemente dos métodos quantitativos, que se concentram em mensurações e dados estatísticos, o método qualitativo facilita uma exploração rica e detalhada das experiências pessoais, subjetivas, e contextuais das participantes, proporcionando reflexões sobre suas percepções e vivências. Objetivos: Compreender as percepções e experiências vividas por mulheres que realizam o CVIL devido a DNTUI de instalação aguda, investigando o impacto dessa prática na QV, autonomia e independências em diversas áreas. Métodos: Estudo qualitativo, conduzido por meio de entrevistas com mulheres usuárias de CVIL em Londrina-Pr, entre junho de 2023 e outubro de 2024. Inicialmente, foram contactadas 19 mulheres, mas a amostra final consistiu em 13 participantes, após desistências e recusas. As entrevistas, conduzidas presencialmente em um consultório médico privado ou por videoconferência, através do aplicativo Zoom®, permitiram que as pacientes expressassem livremente suas experiências e respondessem a 15 perguntas semi-estruturadas. A duração média das entrevistas foi de 47 minutos. As sessões foram gravadas em áudio e vídeo. Para transcrição, utilizou-se a ferramenta Happy Scribe, que possibilitou transcrições automáticas de alta qualidade em português, seguidas de revisões manuais humanas para garantir a exatidão dos conteúdos transcritos. Os dados qualitativos foram analisados por meio do software MAXQDA, aplicado conforme os princípios da análise de discurso. O processo analítico identificou formações discursivas e efeitos de sentido, permitindo a apreciação das complexidades psicossociais e experiências individuais relatadas no contexto do uso do CVIL. Resultados: A análise das entrevistas revelou três formações discursivas principais entre as participantes: 1) Ruptura e Adaptação Inicial, destacando o choque emocional e a perda de controle após a instalação aguda da DNTUI; 2) Aprendizagem e Normalização, onde as mulheres relatam dificuldades iniciais, mas também caminhos para adquirir autonomia e integrar o CVIL em suas rotinas diárias; e 3) Ressignificação e Nova Realidade, mostrando a aceitação gradual e a adaptação às mudanças pessoais, sociais e profissionais impostas pelo uso contínuo do CVIL. As participantes também abordaram desafios em diversas esferas da vida, incluindo o impacto nos relacionamentos amorosos, vida profissional e viagens, salientando a importância das redes de apoio e da adaptação criativa para lidar com as adversidades. Conclusão: O estudo destaca a resiliência das mulheres ao adaptar-se ao CVIL e à DNTUI, enquanto revela a necessidade de abordagens clínicas e sociais mais personalizadas. As experiências compartilhadas pelas participantes sublinham a importância de estratégias de saúde que reconheçam as realidades distintas dessas mulheres, promovendo intervenções mais empáticas e inclusivas que garantam uma melhoria na qualidade de vida, autonomia e integração social. Esta investigação oferece contribuições valiosas, como a necessidade de estruturação em períodos para que a análise seja coerente e organizada, a identificação da necessidade de suporte integrado e multidisciplinar que aborde não apenas as necessidades médicas das pacientes, mas também seus desafios emocionais e psicossociais.
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    Frequência de tromboembolismo pulmonar crônico e suas características nos pacientes COVID-longa no Hospital Universitário de Londrina
    (2025-02-26) Nogueira, Rafaela Rodrigues Sampaio; Fornazieri, Marco Aurélio; Carrilho, Alexandre José Faria; Ribeiro, Marcos; Cerci Neto, Alcindo
    Introdução: O tromboembolismo pulmonar é a terceira causa de doença cardiovascular, mais comum, no mundo e sua fisiopatologia está relacionada a fatores da tríade de Virchow (estase, hipercoagulabilidade e lesão endotelial). Em dezembro de 2019 houve o reconhecimento de uma nova doença, coronavirus disease-2019 ou doença pelo coronavírus-2019 (COVID-19), caracterizada por intensa atividade inflamatória e maior incidência de eventos tromboembólicos agudos. Diante desse cenário, levantou-se a hipótese de um aumento na ocorrência de eventos crônicos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a frequência de tromboembolismo pulmonar crônico e suas características nos pacientes COVID-longa do Hospital Universitário de Londrina. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo, com amostra consecutiva por conveniência, realizado a partir da revisão de prontuários. Foram incluídos 133 pacientes, com diagnóstico de tromboembolismo pulmonar (TEP) agudo e COVID-19, submetidos a anticoagulação por pelo menos 3 meses. Um paciente foi excluído por ter diagnóstico prévio de hipertensão pulmonar. Os critérios de inclusão foram: pacientes com COVID-19 confirmado por RT-PCR ou sorologia e TEP diagnosticado por angiotomografia arterial de tórax. Os critérios de exclusão foram: antecedente de tromboembolismo pulmonar crônico (TEPC), hipertensão pulmonar, doença intersticial fibrosante, uso de oxigênio domiciliar e diagnóstico prévio de COVID-19. Dentre os pacientes incluídos, avaliou-se a presença de TEPC naqueles que mantiveram dispneia após o período de anticoagulação e/ou nos que apresentavam fatores de risco para TEPC no evento agudo (falha de enchimento central, ecocardiograma transtorácico sugestivo de hipertensão pulmonar na fase aguda). O diagnóstico de TEPC foi realizado por cintilografia pulmonar ou angiotomografia arterial de tórax, a partir dos quais foi calculada sua frequência na amostra. Além disso, foram analisados fatores de risco relacionados ao TEPC, como comorbidades, necessidade de oxigênio durante a internação, extensão do acometimento intersticial e gravidade da embolia, com base no índice PESI. Resultados: A frequência de TEPC por COVID-19 foi de 8,33%. Houve evidências de maior risco de tromboembolismo pulmonar crônico em pacientes com COVID-19 e neoplasia associada (27.27% vs 1.65%, p < 0.01). Observou-se que os fatores de risco durante a fase aguda têm maior relevância na predição de TEPC do que a presença de sintomas após período de anticoagulação. Conclusão: A frequência de TEPC associada à COVID-19 foi superior à incidência observada em outras etiologias, não relacionadas a COVID-19, corroborando as expectativas iniciais. A presença de fatores de risco na fase aguda demonstrou maior relevância na predição de TEPC do que os sintomas, assim como a presença de neoplasias ativas. No entanto, estudos prospectivos são necessários para confirmar esses achados.
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    Comparação entre treinamento de força periodizado e não-periodizado: impacto sobre a força muscular, composição corporal, aptidão funcional e biomarcadores cardiometabólicos em mulheres idosas.
    (2025-04-12) Tricolli, Ian; Cyrino, Edilson Serpeloni; Almeida Junior, Ademar Avelar de; Ribeiro, Alex Silva
    Introdução: A prática do treinamento de força (TF) tem sido uma alternativa amplamente recomendada para combater os efeitos deletérios do envelhecimento, com destaque para o declínio da força, massa muscular e aptidão funcional. Entretanto, muitos dos benefícios associados ao TF podem ser influenciados pela forma de sobrecarga imposta durante as sessões de treinamento. Objetivo: Comparar os efeitos de 24 semanas de TF periodizado e não periodizado sobre a força muscular, a composição corporal, a aptidão funcional e os biomarcadores cardiometabólicos em mulheres idosas. Métodos: Uma amostra de 100 mulheres (> 60 anos) foi dividida em dois grupos: periodizado (PER) e não-periodizado (N-PER), para serem treinadas por meio de programa de TF de corpo inteiro, constituído por oito exercícios que foram executados em três séries cada, em três sessões semanais, em dias alternados. O grupo PER treinou as 12 primeiras semanas em uma faixa de 10-15 repetições e as últimas 12 semanas em uma faixa de 8-12 repetições, ao passo que grupo N-PER permaneceu treinando na faixa de 8-12 repetições por todo o período. Medidas antropométricas, composição corporal, força muscular, testes motores e biomarcadores cardiometabólicos foram analisados. Resultados: O TF promoveu aumentos de força nos exercícios supino, cadeira extensora, rosca Scott e, consequentemente, na carga total levantada, em ambos os grupos (P < 0,05). No exercício supino vertical, embora o tamanho do efeito tenha sido grande em ambos os grupos, maiores aumentos foram revelados no grupo NPER (P < 0,05). Para rosca Scott, o grupo PER apresentou melhor desempenho do que o grupo N-PER (P < 0,05), com tamanho do efeito grande. Ganhos de massa muscular de pequena magnitude e similares foram revelados em ambos os grupos (P < 0,05), sem diferença entre eles. O grupo PER apresentou uma melhoria de desempenho superior ao grupo N-PER, sobretudo, nos testes de caminhada de 6 min e velocidade habitual da marcha (P < 0,05). O comportamento metabólico foi relativamente similar entre os grupos, embora uma redução na glicose tenha sido identificada no grupo N-PER em comparação ao grupo PER (P < 0,05). Vale destacar que o TF promoveu redução nos triglicerídeos e na VLDL-c, em ambos os grupos (P < 0,05). Conclusão: Nossos resultados sugerem que 24 semanas de TF periodizado e não periodizado produzem respostas relativamente similares, no que tange aos aumentos de força, melhoria da massa muscular e de biomarcadores de risco cardiometabólico, em mulheres idosas fisicamente independentes. Por outro lado, o TF periodizado parece ser mais adequado para otimizar a melhoria da aptidão funcional.
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    O volume de treinamento resistido influencia a força muscular, composição corporal e saúde metabólica em mulheres idosas com obesidade?
    (2025-02-24) Santos, Aline Prado dos; Cyrino, Edilson Serpeloni; Costa, Bruna Daniella Vasconcelos; Avelar, Michele Caroline Costa Trindade; Santos, Leandro dos
    A obesidade é uma doença crônica multifatorial caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura, especialmente na região visceral, sendo um importante problema de saúde pública, especialmente para a população idosa. Por outro lado, o treinamento resistido (TR) é uma estratégia não farmacológica que pode proporcionar diversos benefícios para a saúde de idosos e obesos. Entretanto, muitas das respostas adaptativas acarretadas pelo TR podem ser influenciadas pelo volume adotado nas sessões de treinamento, uma temática que tem sido pouco explorada pela literatura, sobretudo, em mulheres idosas obesas. Portanto, o propósito deste estudo foi comparar o efeito de diferentes volumes de TR sobre a força muscular, composição corporal e biomarcadores cardiometabólicos em mulheres idosas com obesidade. Quarenta e nove mulheres obesas (> 60 anos), fisicamente independentes, foram separadas em dois grupos e submetidas a um programa de TR executado em duas (OB-2S, n = 23) ou três séries de 10-15 repetições (OB-3S, n = 26) por exercício. A obesidade foi definida com base no atendimento simultâneo a dois critérios, a saber: IMC = 30 kg/m2 e circunferência de cintura = 88 cm. O programa de TR foi composto por oito exercícios para os diferentes segmentos corporais, sendo executado em três sessões semanais ao longo de 12 semanas. Medidas de força muscular, composição corporal, circunferências e biomarcadores cardiometabólicos foram determinados antes e após a intervenção. Os maiores ganhos de força muscular foram encontrados no grupo OB-3S para os exercícios chest press (OB-3S = 21,4% vs. OB-2S = 4,2%; P = 0,001) e Rosca Scott (OB-3S = 25,0% vs. OB-2S = 1,8%; P = 0,002). Por outro lado, na cadeira extensora os aumentos encontrados não foram diferentes entre os grupos (P = 0,120). Adicionalmente, incrementos similares foram revelados para a massa muscular esquelética (OB-3S = 0,3 kg vs. OB-2S = 0,5 kg; P = 0,142). Diferenças entre os grupos foram encontradas para circunferência de abdômen (OB-3S = -1,3% vs. OB-2S = 1,8%; P < 0,001) e cintura (OB-3S = -1,7% vs. OB-2S = -0,4%; P = 0,001). O tecido gordo foi reduzido somente no grupo OB-3S em termos absoluto (0,8 kg; P < 0,05) e relativo (45,6% vs. 44,7%; P < 0,05), sem diferença entre os grupos (P > 0,05). O TR promoveu redução nos triglicerídeos (OB-3S = -13,2% vs. OB-2S = 19,0%; P < 0,001) e VLDL-c (OB-3S = -13,5% vs. OB-2S = 18,5%; P < 0,001), somente no grupo OB-3S. Nenhuma diferença entre os grupos foi encontrada para glicemia (P = 0,202), HbA1c (P = 0,201), colesterol total (P = 0,055), HDL-c (P = 0,072), LDL-c (P = 0,592), índice de Castelli I (P = 0,548), índice de Castelli II (P = 0,674) e proteína C-reativa (P = 0,382). Os resultados do presente estudo sugerem que 12 semanas de TR foram eficazes para promover melhorias na força muscular, composição corporal e alguns biomarcadores cardiometabólicos em mulheres idosas com obesidade, independentemente do volume adotado. Entretanto, um maior volume de treinamento (OB-3S) proporcionou ganhos mais expressivos na força muscular de membros superiores e tronco, além de reduções mais acentuadas nas circunferências do abdômen e do quadril e nas concentrações de triglicerídeos e VLDL-c.
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    Avaliação de variantes alélicas nos genes ABCG5 e ABCG8 associadas a correlações clínico-laboratoriais em uma família com sitosterolemia.
    (2023-10-04) Coutinho, Jean Gabriel Vieira; Carrilho, Alexandre José Faria; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Marquezine, Guilherme Figueiredo
    Introdução: a sitosterolemia é uma doença autossômica recessiva rara caracterizada pelo acúmulo de esteróis vegetais na corrente sanguínea e tecidos devido ao aumento da absorção e diminuição da excreção biliar dessas substâncias. É causada por variantes em ambos os alelos dos genes ABCG5 ou ABCG8, localizados no cromossomo 2p21. Os pacientes costumam apresentar xantomas tuberosos e tendíneos, além de aterosclerose coronariana precoce e, assim como nas hipercolesterolemias familiares, aumento do risco para infarto agudo do miocárdio e morte súbita. A terapia farmacológica inclui sequestradores de ácidos biliares e inibidores da absorção intestinal de esteróis; orientações dietéticas fazem parte do tratamento. Entender melhor os mecanismos de transmissão gênica de uma patologia rara, bem como avaliar a eficácia dos tratamentos instituídos, contribui para o tratamento e aconselhamento genético do paciente e familiares. Objetivo: verificar a presença de variantes alélicas nos genes ABCG5 e ABCG8 em um paciente com diagnóstico de sitosterolemia e seus familiares, bem como analisar alterações no perfil lipídico e de sitoesterois. Além disso, pretendeu-se avaliar a resposta do tratamento instituído ao paciente durante o período de acompanhamento. Método: relato de caso de um paciente com sitosterolemia em acompanhamento por 17 anos. Foi realizada a coleta e análise de DNA obtido por esfregaço oral e sangue periférico do paciente índice e nove familiares, bem como dosagem de perfil lipídico e sitoesterois. Também foi realizada avaliação clínica e exames de imagem para verificação da resposta clínica ao tratamento realizado. Resultados: o paciente avaliado apresentou mutação em heterozigose composta no gene ABCG5 e em relação aos seus familiares de primeiro grau, três apresentaram uma variante alélica cada sem apresentação do fenótipo da doença. O paciente foi tratado ao longo dos 17 anos de acompanhamento com ezetimiba 20mg/dia, bem como seguiu orientações dietéticas, não tendo havido aumento dos xantomas tendíneos nem desenvolvimento de aterosclerose carotídea significativa, embora as concentrações de sitosterol tenham permanecido elevadas. Conclusão: a sitosterolemia permanece como uma doença rara e pouco diagnosticada. Os achados relacionados às variantes alélicas podem servir para entender melhor a expressão fenotípica da patologia. O tratamento prescrito ao paciente não normalizou as concentrações plasmáticas de fitosteróis, porém foi capaz de estabilizar a progressão dos xantomas e da doença aterosclerótica.