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Submissões Recentes
Uso da monitorização holter na avaliação cardíaca de cães com parvovirose
(2026-06-25) Lopes, Marina Scudeller; Gava, Fábio Nelson; Lunardi, Michele; Luz, Patrick Eugênio
A parvovirose canina é uma doença infectocontagiosa, com alta taxa de morbidade e mortalidade, causada pelo vírus CPV-2. Acomete cães filhotes e cursa com gastroenterite aguda. As lesões podem ser entéricas ou eventualmente miocárdicas. A miocardite é uma inflamação do miocárdio, pouco diagnosticada por suas manifestações clínicas inespecíficas. Dentre esses sinais clínicos, pode-se detectar sopro cardíaco e arritmias ventriculares. O eletrocardiograma (ECG) e o Holter são exames utilizados para avaliar o ritmo cardíaco e a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), com a finalidade de monitorar a ocorrência de arritmias e a modulação do sistema nervoso autônomo, respectivamente. O objetivo deste trabalho foi detectar a presença de arritmias, avaliar a VFC no domínio do tempo em cães infectados naturalmente pelo CPV-2, e elaborar um protocolo operacional padrão (POP) (material técnico) para o uso do Holter em cães. No grupo parvovirose (GP), foram avaliados 41 cães com parvovirose canina (GP, n = 41) confirmados por PCR, atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina durante 2 anos. O grupo controle (GC, n = 10) foi composto por 10 cães saudáveis. O aparelho Holter foi colocado nos animais no dia da chegada ao Hospital (D0), e a gravação do eletrocardiograma foi de 3 horas consecutivas. Houve prevalência da arritmia sinusal em ambos os grupos (GP 45%, GC 50%). No GP, 34% (n = 13) apresentaram taquicardia sinusal e 5,2% (n = 2) tiveram extrassístoles ventriculares. O Bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo grau foi identificado em 34,2% (n = 13) dos cães no GP. Houve diferença estatística entre os grupos nos índices SDNN (ms): GP=64.50 (30.7 – 89.9), GC=136 (74 – 191.3) p=0.006; SDANN (ms): GP=35 (18.5 – 47.5), GC= 62.5 (44.2 – 106.8) p=0.004; SDNNi (ms): GP=38 (19.5 – 71), GC=105.5 (58.7 – 146.3), p=0.006; rMSSD (ms): GP= 51 (18.2 – 79.5), GC=135.5 (61.5 – 191.3), p=0.01 e pNN50 (%): GP 6.7 (0.9 – 28.3); GC 38.7 (16 – 44.6), p=0.009. Conclui-se que cães com parvovirose podem desenvolver diversos tipos de arritmias cardíacas, redução da variabilidade da frequência cardíaca e alteração da modulação do sistema nervoso autônomo. Foram elaborados dois produtos técnicos que serão enviados para aprovação: um POP de instalação do Holter em cães e um POP de retirada do Holter
Desenvolvimento de formulação dermocosmética contendo rutina e óleo de maracujá para preservação da função barreira da pele de pacientes em terapia antineoplásica
(2026-03-27) Arrevolti, Mariana; Lonni, Audrey Alesandra Stinghen Garcia; Matsumoto, Andressa Keiko; Scandorieiro, Sara; Pangoni, Fernanda Belincanta Borghi
O tratamento antineoplásico compromete frequentemente a função barreira da pele, causando reações adversas e desconforto que impactam a qualidade de vida dos pacientes. Diante disso, este trabalho teve como objetivo desenvolver e caracterizar uma formulação dermocosmética tópica do tipo emulgel contendo rutina (RU) e óleo de maracujá (OM), visando a preservação da barreira cutânea em pacientes oncológicos. Inicialmente, a RU foi micronizada para a redução do seu tamanho de partícula e melhora da sua dispersão. Em seguida, foram desenvolvidos emulgéis variando as concentrações de RU (0,3% e 0,5%) e de OM (2,5% e 5,0%). As formulações passaram por avaliações de estabilidade preliminar e acelerada (ciclos gelo-degelo), bem como por análises organolépticas e físico-químicas, como pH, densidade e espalhabilidade. Adicionalmente, realizou-se a determinação do teor de RU por espectrofotometria UV-Vis, avaliação da atividade antioxidante (DPPH), análise do comportamento reológico, testes de retenção de umidade, permeação cutânea ex vivo por espectroscopia fotoacústica em pele suína, além de testes in vitro de citotoxicidade (MTT) e de capacidade regenerativa (ensaio de cicatrização) em culturas de fibroblastos humanos. Os resultados demonstraram que o processo de micronização reduziu de forma expressiva o tamanho das partículas (d50 de 1,987 µm), o que melhorou a homogeneidade macroscópica do sistema. As formulações exibiram estabilidade física adequada, pH fisiológico (variando entre 5,18 e 6,02), textura leve com boa espalhabilidade e um comportamento reológico não newtoniano do tipo pseudoplástico e tixotrópico. Constatou-se uma excelente capacidade de retenção de umidade, alcançando níveis superiores a 97%. As amostras FRU2 (0,5% de RU e 2,5% OM) e FRU4 (0,5% de RU e 5,0% OM) obtiveram os melhores percentuais de incorporação. Ambos os ativos demonstraram expressiva atividade antioxidante, além de alta biocompatibilidade caracterizada por baixa citotoxicidade celular. O ensaio fotoacústico confirmou a efetiva permeação da rutina na epiderme e na derme, efeito que foi potencializado na formulação com maior concentração de OM (FRU4). Conclui-se que o desenvolvimento de emulgel à base de RU micronizada e OM constitui uma estratégia farmacotécnica viável e inovadora, oferecendo estabilidade, sensorial agradável e segurança compatível com as necessidades de proteção e reparação em peles sensibilizadas por terapias antineoplásicas
Evidências sorológicas e padrões espaciais de exposição a Leishmania infantum e Paracoccidioides spp. em cães de Foz do Iguaçu, Brazil
(2026-04-22) Rivas, Açucena Veleh; Ono, Mário Augusto; Baeza, Lilian Cristiane; Petroni, Tatiane Ferreira; Suguiura, Igor Massahiro de Souza; Itano, Eiko Nakagawa; Viana, Kelvinson Fernandes
A presente tese busca contribuir para o avanço do conhecimento sobre a paracoccidioidomicose (PCM) em cães, tanto por meio da sistematização da produção científica disponível quanto pela geração de evidências originais em uma área de reconhecida importância epidemiológica. A tese foi estruturada em dois artigos científicos. O primeiro consistiu em uma revisão sistemática da literatura sobre infecção por Paracoccidioides spp. e PCM em cães, incluindo estudos experimentais, imunológicos, soroepidemiológicos e relatos de casos naturais. O segundo correspondeu a um estudo observacional realizado em Foz do Iguaçu, Paraná, no qual foram analisadas 250 amostras de soro canino por imunodifusão radial dupla (ID), avaliação clínica e análise espacial por densidade de Kernel, com comparação entre cães positivos e negativos para Leishmania infantum. Os resultados da revisão demonstraram que os cães são frequentemente expostos a Paracoccidioides spp. em áreas endêmicas, com elevadas taxas de soropositividade, embora a progressão para PCM clínica aparente ser rara. Os estudos experimentais confirmaram suscetibilidade biológica, mas com desfechos heterogêneos, enquanto os relatos de caso evidenciaram formas sistêmicas, cutâneas e mucocutâneas semelhantes às observadas em humanos. No estudo de campo, a leishmaniose visceral canina apresentou alta soroprevalência (35,6%), enquanto anticorpos contra Paracoccidioides spp. foram detectados em 8,4% dos cães, todos também soropositivos para L. infantum, com associação significativa entre os agentes e distribuição espacial heterogênea e agrupada. Conclui-se que os cães atuam como indicadores epidemiológicos relevantes da exposição ambiental a Paracoccidioides spp., sendo úteis para a vigilância sob a perspectiva de Saúde Única, e que a associação observada com L. infantum em áreas endêmicas reforça a necessidade de abordagens integradas de vigilância e de estudos adicionais para aprofundar a compreensão dessa interface epidemiológica
