Repositório Institucional da Universidade Estadual de Londrina - RIUEL

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Submissões Recentes

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Influência da suplementação de quercetina sobre parâmetros metabólicos, inflamatórios e estado redox em pacientes com doença de Crohn
(2026-03-18) Arceni, Beatriz Suellen; Venturini, Danielle; Lozovoy, Marcell Alysson Batisti; Perugini, Marcia Regina Eches; Amarante, Marla Karine; Oliveira, Sayonara Rangel
A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica caracterizada por inflamação persistente da mucosa intestinal, alterações metabólicas e aumento do estresse oxidativo, decorrente da produção excessiva de espécies reativas de oxigênio. Apesar dos avanços terapêuticos, uma parcela significativa dos pacientes apresenta resposta inadequada ou perda de eficácia ao tratamento convencional, o que tem estimulado a investigação de estratégias terapêuticas complementares capazes de atuar em mecanismos adicionais da fisiopatologia da doença, como o estresse oxidativo (EO). Nesse contexto, a quercetina, um flavonoide amplamente presente em alimentos de origem vegetal, tem despertado interesse devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O objetivo geral desta tese foi de avaliar a influência da suplementação de quercetina na modulação dos marcadores metabólicos, inflamatórios e do estresse oxidativo em pacientes com doença de Crohn. Para isso, os resultados foram organizados em dois artigos científicos. O primeiro artigo consistiu em uma revisão sistemática que avaliou os efeitos da quercetina na DII, abordando estudos experimentais e clínicos disponíveis nos ultimos 10 anos. O segundo artigo correspondeu a um ensaio clínico cego por conveniencia e placebo-controlado, no qual 46 pacientes com DC foram alocados para receber suplementação com quercetina (n = 22) ou placebo (n = 24) por oito semanas, com análise de marcadores metabólicos, inflamatórios e de estresse oxidativo (EO). A revisão sistemática demonstrou que a quercetina apresenta potencial efeito antioxidante e anti-inflamatório, evidenciado principalmente em estudos experimentais, com redução de citocinas pró-inflamatórias como TNF-a; IL-1ß; IL-6 e INF-?, atenuação do dano oxidativo e preservação da integridade da mucosa intestinal. Entretanto, a revisão também evidenciou a escassez de estudos clínicos em humanos e a heterogeneidade metodológica dos trabalhos disponíveis, reforçando a necessidade de ensaios clínicos bem delineados. No ensaio clínico, embora alterações tenham sido observadas em ambos os grupos, a análise de delta revelou diferenças significativas entre o grupo quercetina e o grupo placebo, com aumento de produtos avançados de oxidação proteica no grupo placebo (p = 0,045) e ativação de componentes do sistema antioxidante no grupo suplementado com quercetina, especialmente do sistema glutationa, evidenciada pelo aumento da glutationa total (p = 0,008) e da glutationa reduzida (p = 0,002). Adicionalmente, análises de correlação no grupo quercetina indicaram associações significativas entre marcadores metabólicos, inflamatórios e parâmetros antioxidantes, sugerindo modulação do equilíbrio redox sistêmico. Em conjunto, os resultados desta tese indicam que a quercetina pode contribuir para a modulação do EO em pacientes com DC, especialmente por meio do fortalecimento de sistemas antioxidantes endógenos, como o sistema glutationa. Embora não tenham sido observadas diferenças clínicas marcantes em curto prazo, os achados reforçam o potencial da quercetina como estratégia adjuvante no manejo da doença e apontam para a necessidade de estudos futuros com maior duração e amostras mais amplas para a consolidação de seus efeitos clínicos
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Lei nº 10.639/2003 e lei nº 11.645/2008 no ensino básico do Estado do Paraná: contribuições para uma formação antirracista na atuação do professor(a) no contexto da sala de aula
(2026-08-07) Moreira, Elcio João Gonçalves; Platt, Adreana Dulcina; Duarte, Degelane Córdova; Souza, Alexsandro Eleotério Pereira de; Campos, Margarida de Cássia
Resumo: A educação básica brasileira foi historicamente estruturada a partir de narrativas eurocêntricas que invisibilizaram as contribuições dos povos africanos, afrodescendentes e indígenas na formação da sociedade nacional. A Lei nº 10.639/2003 e a Lei nº 11.645/2008 emergem como marcos políticos conquistados pelos movimentos sociais negros e indígenas, ao tornarem obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena em todas as etapas da educação básica. Esta dissertação tem como objetivo analisar as contribuições dessas legislações para a construção de uma formação antirracista na prática docente do Ensino Médio no Estado do Paraná, considerando as especificidades históricas de uma formação regional marcada pela valorização das imigrações europeias e pelo silenciamento sistemático da presença negra e indígena. A metodologia adota abordagem qualitativa, com análise documental dos currículos e referenciais de ensino estaduais e pesquisa bibliográfica fundamentada na teoria crítica do currículo, nos estudos sobre racismo estrutural, branquitude, interseccionalidade e perspectiva decolonial. Os resultados indicam que, embora os currículos oficiais incorporem orientações relacionadas à valorização da diversidade étnico-racial, persistem entraves significativos: formação inicial e continuada insuficiente, escassez de materiais didáticos adequados, reprodução de estereótipos e condições precárias de trabalho docente. Identificaram-se, contudo, experiências e caminhos pedagógicos que demonstram ser possível construir práticas antirracistas quando os professores assumem protagonismo crítico e contam com apoio institucional consistente. Como produto educacional vinculado a esta pesquisa, foi elaborada uma cartilha pedagógica destinada a professores do Ensino Médio da rede estadual paranaense, com sugestões práticas por componente curricular fundamentadas no marco legal e no referencial teórico aqui desenvolvido. Conclui-se que a efetividade das leis depende de políticas permanentes de valorização docente, revisão curricular de base decolonial e do reconhecimento da escola como espaço político e cultural de formação cidadã comprometida com a igualdade racial e a justiça social.
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Perdas de produtividade e econômicas decorrentes do complexo de enfezamento do milho no Paraná
(2025-02-25) Souza, Maria Beatriz Funari de; Telles, Tiago Santos; Bordin, Ivan; Caldarelli, Carlos Eduardo; Silva, Michele Regina Lopes da
O complexo de enfezamento do milho (CEM) é composto pelas bacterioses enfezamento pálido e enfezamento vermelho e pelas viroses risca do milho e mosaico estriado do milho. Os patógenos são transmitidos pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e podem levar a perdas de produtividade e consequentemente, econômicas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar as perdas de produtividade associadas à ocorrência do CEM no estado do Paraná e estimar a perda econômica nos anos agrícolas de 2020/2021 e 2022/2023 em 423 propriedades de 131 municípios paranaenses. Para isso, foram coletadas e analisadas amostras de folhas de milho sintomáticas, submetidas a análises laboratoriais para confirmação dos patógenos Spiroplasma kunkelii, Candidatus Phytoplasma asteris e Maize rayado fino virus. Além disso, foram aplicados questionários a produtores de milho de primeira e de segunda safra. As perdas de produtividade e econômicas foram quantificadas comparando a produtividade esperada com a obtida, conforme declarado pelos produtores, e os valores econômicos foram estimados a partir do preço do milho em cada safra. A análise estatística foi realizada por meio do teste t para comparar a diferença entre a produtividade esperada e obtida. Os resultados indicaram que 78% das amostras foram positivas para pelo menos uma das doenças do CEM, com incidência em todas as seis regiões intermediárias do estado do Paraná, sendo mais prevalente nas regiões de Cascavel e de Maringá. As perdas de produtividade foram registradas em todas as safras e regiões analisadas, variando conforme a incidência da doença. Na segunda safra de 2020/2021, o Paraná apresentou perdas de 45,8%, com perdas econômicas estimadas em R$ 11,6 bilhões, período em que o preço do milho estava elevado devido à quebra de safra e à alta demanda internacional. Para a primeira safra de 2021/2022, as perdas de produtividade médias foram de 31,2%, com perdas econômicas de R$ 1,9 bilhão. Já na segunda safra de 2021/2022 e 2022/2023, as perdas de produtividade foram de 40,4% e 29,9%, resultando em perdas econômicas de R$ 9 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente. A redução das perdas econômicas ao longo dos anos analisados está relacionada não apenas à variação na incidência das doenças do CEM e no aumento da produtividade, mas também à queda dos preços do milho, além de outros fatores, como condições climáticas e estratégias de manejo adotadas pelos produtores. Conclui-se que as doenças que compõem o CEM estão amplamente disseminadas no Paraná, com impactos tanto na primeira quanto na segunda safra. Embora as perdas econômicas tenham diminuído ao longo dos anos analisados, a persistência da doença e sua influência na produtividade reforçam a necessidade de estratégias eficazes de manejo para mitigar seus impactos e garantir a sustentabilidade da cultura