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Análise cinemática da marcha e a comparação das estratégias utilizadas por indivíduos com doença de Parkinson e seus controles durante diferentes demandas funcionais: um estudo transversal de caso-controle
(2025-09-08) Anjos, Amanda Lima Nogueira dos; Santos, Suhaila Mahmoud Smaili; Vitório, Rodrigo; Oliveira, Márcio Rogério de; Mazuquin, Bruno Fles
Introdução: Os comprometimentos da marcha são um dos aspectos mais desafiadores do dia-a-dia dos indivíduos com doença de Parkinson (DP). Muitos estudos, utilizando uma variedade de instrumentos, tentaram descrever quais são os principais parâmetros para compreender o desempenho da marcha nessa população. No entanto, esses instrumentos são limitados e não fornecem informações tridimensionais mais aprofundadas. Objetivo: avaliar e comparar as características cinemáticas da marcha em velocidade autos selecionada, marcha com dupla tarefa, marcha com obstáculo e durante o turning em indivíduos com DP e seus controles. Método: trata-se de um estudo transversal do tipo caso-controle, composto por 120indivíduos, sendo 60 indivíduos com DP (GDP) de leve a moderada, caracterizados pela Escala Unificada da doença de Parkinson (MDS-UPDRS) e pela Escala de Hoehne Yahr Modificada (H&Y) e 60 indivíduos controle (GC), pareados quanto a idade e sexo. A avaliação cognitiva foi realizada pelo Miniexame do Estado Mental (MEEM) e, para a análise cinemática da marcha, os participantes foram submetidos a quatro demandas funcionais: marcha em velocidade autos selecionada, marcha com dupla tarefa (DT), marcha obstáculo e durante o turning. Para a comparação das variáveis cinemáticas da marcha durante as diferentes demandas funcionais entre o GDP e o grupo controle (GC) foi utilizado o teste de Mann-Whitney. A comparação intragrupo entre as variáveis da marcha em velocidade autos selecionada e marcha com DT foi realizada pelo teste de Wilcoxon. Os dados das séries temporais dos ângulos do quadril, joelho e tornozelo do ciclo da marcha foram analisados pelo mapeamento paramétrico estatístico (SPM). A significância estatística adotada foi de p<0,05.Resultados: durante a marcha em velocidade autos selecionada foram observadas redução no comprimento do passo 1 (p= 0,009) e 2 (p<0,001; d= -0,45),cadência (p= 0,046) e velocidade média (p<0,001; d= -0,47), além de maiores valores de amplitude médio lateral (p=0,038), ângulo mínimo de joelho (p<0,001; d= 0,38),ângulo mínimo (p<0,001; d= 0,44) e máximo de tornozelo (p=0,002) no GDP em comparação ao GC. Na marcha com DT, o GDP apresentou redução do comprimento do passo 2 (p<0,001; d= -0,41), amplitude vertical (p= 0,004) e velocidade média (p=0,002), e maiores valores de ângulo mínimo de joelho (p=0,007) e quadril (p=0,022),ângulo mínimo (p<0,001; d=0,42) e máximo de tornozelo (p=0,002). A análise intragrupo dessas tarefas revelou que, diante de uma DT, o GDP apresentou redução do comprimento do passo 1 (p=0,001), e 2 (p=0,030), cadência (p<0,001), velocidade média (p< 0,001) e amplitude vertical (p=0,025), bem como aumento do ângulo mínimo de joelho (p=0,001). O GC apresentou redução nas mesmas variáveis (exceto comprimento do passo 2), somado ao aumento da largura do passo (p=0,023) e amplitude médio lateral (p=0,007) durante a marcha com DT. Dificuldades adicionais foram observadas em tarefas mais complexas, como durante a marcha com obstáculo, em que o GDP apresentou redução do comprimento do passo 1 (p=0,001;d= -0,37) e 2 (p=0,011), na distância depois do obstáculo (p=0,004), distância do centro de massa (p<0,001; d= -0,31) e velocidade média (p<0,001; d= -0,41), além de maiores valores de ângulo mínimo (p=0,001; d= 0,36) e máximo de quadril (p<0,001;d= 0,50) e máximo de tornozelo (p=0,011). Enquanto que durante o turning todas as variáveis analisadas apresentaram redução no GDP em comparação ao GC, exceto a cadência e a velocidade média no turning. A análise do SPM revelou redução dos movimentos do quadril e tornozelo durante todo o ciclo da marcha, e do joelho, principalmente durante a fase de balanço do GDP em comparação ao GC. Conclusão: os indivíduos com DP apresentam menor velocidade e menor comprimento do passo em comparação ao GC, além de diminuição dos movimentos de quadril, joelho e tornozelo. Essas características se tornam mais pronunciadas de acordo com a complexidade. A redução dos movimentos do quadril foi observada ao longo de praticamente todo o ciclo durante as três tarefas analisadas pelo SPM. No joelho, essa redução concentrou-se sobretudo na fase de balanço, enquanto no tornozelo foi observado maior plantiflexão em todo o ciclo. Estas evidências são importantes para o estabelecimento de planos terapêuticos eficazes para o manejo da marcha na DP
Atividade antiviral de pectina sulfatada derivada de Passiflora edulis na replicação de vírus respiratórios (RSV e SARS-CoV-2) in vitro
(2026-07-21) Bissochi, Isabella Maria Tomaz; Galhardi, Ligia Carla Faccin; Pereira, Nathalia de Sousa; Bigotto, Briani Gisele; Durigon, Edison Luiz
As infecções virais respiratórias representam um importante problema de saúde pública mundial, responsáveis por elevada morbidade, especialmente em populações vulneráveis. Destaca-se entre essas a COVID-19 e a bronquiolite infantil, causados, respectivamente, por Coronavírus da Síndrome Respiratória 2 (SARS-CoV-2) e Vírus Sincicial Respiratório (RSV). Apesar dos avanços terapêuticos observados nos últimos anos, as opções antivirais disponíveis ainda são limitadas, reforçando a necessidade da busca por novos compostos com potencial antiviral, seguros e de amplo espectro. Nesse contexto, polissacarídeos naturais e quimicamente sulfatados vêm sendo amplamente investigados devido às suas propriedades biológicas, incluindo a atividade antiviral. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar a citotoxicidade, atividade antiviral e possível mecanismo de ação da pectina sulfatada extraída da casca do fruto de Passiflora edulis f. flavicarpa (PecMS2.4) frente à infecção por SARS-CoV-2 e RSV, in vitro. Para isso, foram utilizadas, respectivamente, células Vero e HEp-2, cultivadas e mantidas a 37°C e 5% de CO2. A avaliação da citotoxicidade e da atividade antiviral foirealizada através dos ensaios CellTiter-Glo® Cell Viability Assay ou MTT, com determinação das concentrações citotóxicas (CC50) e inibitórias (IC50) de 50%, além do índice de seletividade (IS: CC50/ IC50). O mecanismo de ação nas etapas iniciais de infecção foi investigado através dos ensaios simultâneo, virucida e de inibição de adsorção viral, por TCID50 e MTT e confirmados por RT-qPCR. PecMS2.4 não apresentou citotoxicidade nas maiores concentrações testadas em células Vero e HEp-2, apresentando CC50 > 250 μg/mL. O composto demonstrou elevada atividade antiviral durante a triagem com IC50 < 1,9 μg/mL e IS > 131,6 para RSV e IC50 de 40,7 μg/mL eIS > 6,14 para SARS-CoV-2. Sua eficácia foi confirmada demonstrando inibir diferentes etapas iniciais da infecção viral para ambos os vírus. Até o momento, PecMS2.4demonstrou efeito simultâneo, virucida e na adsorção para SARS-CoV-2 e RSV. Dessa forma, os resultados obtidos demonstram que PecMS2.4 apresenta promissora atividade de amplo espectro antiviral in vitro, contra RSV e SARS-CoV-2. Destaca-se também a baixa citotoxicidade e seu potencial biotecnológico como candidatas ao desenvolvimento de novos agentes antivirais. Estudos futuros ainda são necessários para aprofundar a compreensão dos mecanismos de ação envolvidos em etapas posteriores da infecção e investigação em modelos in vivo.
Validação e confiabilidade do teste da argola de 6 minutos (TA6min) em indivíduos hospitalizados vítimas de queimaduras
(2024-08-16) Ferreira, Letícia Salete do Prado; Mantoani, Leandro Cruz; Ramos, Ercy Mara Cipulo; Casonatto, Juliano
A região corporal que as queimaduras atingem, a gravidade e a extensão da lesão impactam diretamente a funcionalidade da vítima. Assim, são necessários instrumentos válidos e confiáveis capazes de medir a capacidade funcional de região ou membro acometido pela queimadura. Contudo, em se tratando de indivíduos queimados, são escassos estudos sobre testes funcionais, principalmente aqueles que avaliam a capacidade funcional de membros superiores. Assim, o Teste da Argola de 6 Minutos (TA6min) pode ser uma alternativa capaz de preencher essa lacuna. Dessa forma, o objetivo do estudo foi verificar a validade e a confiabilidade intra-avaliador e interavaliador do TA6min em indivíduos hospitalizados, vítimas de queimaduras. Nesse interim, a presente dissertação de Mestrado foi redigida a partir de uma contextualização sobre o assunto, contemplando tópicos e conceitos pertinentes à anatomia da pele, classificação e fisiopatologia das queimaduras e impacto das queimaduras em membros superiores. Além disso, discorre-se sobre a lesão inalatória que pode estar presente em alguns casos e aumenta o score de gravidade da vítima, bem como o prognóstico de pacientes queimados. O tratamento das queimaduras e sua reabilitação funcional também foram abordadas, salientando a necessidade de recursos acurados de avaliação funcional nesse perfil de paciente. Foram elucidados as definições acerca do estado funcional e testes funcionais, onde, especialmente nesse tópico, foi explicado o desenvolvimento e forma de avaliação do TA6min. Por fim, apresentamos os principais conceitos referentes às propriedades métricas de testes funcionais no contexto clínico e de pesquisa. A partir da contextualização, foram reportados os dados pertinentes a elaboração de um artigo científico, realizado através de um estudo transversal envolvendo vítimas de queimaduras em até 72 horas antes da alta hospitalar. Por meio desse estudo - cujo informações podem ser consultadas no tópico “5 Artigo” da presente dissertação, foi possível observar que o TA6min mostrou-se como uma ferramenta com baixa validade concorrente e convergente, porém com boa confiabilidade intra-avaliador e interavalidores, para avaliação da capacidade funcional de membros superiores em queimados, antes da alta hospitalar. Esse achado demonstra que a avaliação da capacidade funcional de membros superiores em vítimas de queimaduras pode ser verificada com aplicação do TA6min.
