Repositório Institucional da Universidade Estadual de Londrina - RIUEL

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Submissões Recentes

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Exposição ao clorpirifós: panorama da literatura recente e estudo experimental em fígado e rins de ratos púberes
(2026-07-14) Silva, Lucas Marcelo Meira da; Andrade, Fábio Goulart de; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Gomes, Gislaine Garcia Pelosi; Levy, Sheila Michele
Resumo: O Brasil destaca-se como o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Entre eles, o clorpirifós, um organofosforado banido na União Europeia e restrito nos EUA devido a riscos ao neurodesenvolvimento e potencial carcinogênico, continua sendo amplamente utilizado em território nacional. O objetivo deste trabalho foi investigar os efeitos hepatorrenais subclínicos da exposição ao clorpirifós durante a janela crítica do desenvolvimento peripuberal em ratos Wistar, integrando os achados experimentais a uma revisão sistemática da literatura (2014-2024). Na etapa experimental, dez ratos Wistar machos receberam clorpirifós (5 ou 15 mg/kg) ou veículo via gavagem, totalizando 30 animais experimentais (n= 10/grupo), do 25º ao 65º dia pós-natal (DPN). No DPN 66, os animais foram anestesiados e submetidos à eutanásia por punção cardíaca, coletou-se plasma para avaliação de marcadores de função renal e hepática (ureia, creatinina, proteína total, ALT, AST, albumina), rins para análise histopatológica e fígado para análises de estresse oxidativo e histopatologia. Os resultados experimentais indicaram que os marcadores séricos e a morfologia renal permaneceram inalterados. No entanto, o clorpirifós induziu alterações redox hepáticas dose-dependentes: a dose de 5 mg/kg provocou uma resposta adaptativa (redução da lipoperoxidação e preservação de tióis), enquanto a dose de 15 mg/kg induziu desequilíbrio oxidativo (aumento de TBARS e carbonilação de proteínas, com esgotamento de tióis livres). Embora a coloração de Tricrômico de Masson tenha sugerido fibrose leve, a quantificação por Picrosirius Red não demonstrou alterações significativas. Complementarmente, a revisão de literatura revelou que a exposição ao clorpirifós está associada a um amplo espectro de danos. Em modelos aquáticos, observou-se danos ao DNA renal e hipometilação global, sugerindo ruptura molecular precoce. Entre os artigos, os efeitos hepáticos incluíram elevação de transaminases, lesões histopatológicas e mudanças transcriptômicas em vias metabólicas e inflamatórias. Mecanisticamente, a toxicidade envolve a bioativação em clorpirifós-oxon, resultando em disfunção mitocondrial e desregulação epigenética. Estudos de misturas indicam toxicidade sinérgica, e modificações epigenéticas persistentes levantam preocupações sobre danos a longo prazo mesmo após a interrupção da exposição. Coletivamente, os dados demonstram que a exposição puberal ao clorpirifós induz alterações oxidativas e histopatológicas hepáticas sutis na ausência de toxicidade enzimática evidente ou fibrose detectável. Conclui-se que o desequilíbrio redox subclínico pode preceder o comprometimento funcional hepático, evidenciando o potencial risco da exposição ao clorpirifós durante uma fase crítica do desenvolvimento
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Potencial de leveduras no biocontrole de diferentes espécies de Aspergillus ocratoxigênicos e detoxificação de ocratoxina A
(2018-11-27) Gimenes, Danielle Cardoso; Ono, Elisabete Yurie Sataque; Coelho, Alexandre Rodrigo; Santos, Joice Sifuentes dos; Furlaneto, Márcia Cristina; Borsato, Dionísio
Aspergillus ochraceus, A. westerdijkiae e A. carbonarius contaminam culturas de grãos, cereais e frutas e podem produzir ocratoxina A (OTA), uma micotoxina prejudicial para animais e seres humanos. O uso de leveduras é uma alternativa promissora para controle de fungos e micotoxinas em alimentos. Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial de leveduras no biocontrole de A. ochraceus, A. westerdijkiae e A. carbonarius e na detoxificação de OTA in vitro. Hanseniaspora opuntiae foi selecionada para um estudo detalhado sobre o biocontrole de A. ochraceus in vitro e em frutos de café. Foi analisada a inibição do crescimento de três cepas de A. ochraceus co-cultivadas com H. opuntiae e a influência dos compostos orgânicos voláteis, produzidos pela levedura, pela determinação da medida do diâmetro micelial. Foi avaliado o efeito inibitório do sobrenadante livre de células de H. opuntiae sobre os conídios e hifas de A. ochraceus através de análise microscópica. H. opuntiae foi aplicada em frutos de café pós-colheita, nas concentrações 105,107 e 109 células. mL-1, após os frutos serem contaminados com A. ochraceus (105 conídios. mL-1), a incidência de deterioramento no café foi observada nos dias 1, 3, 6, 9, e 12. As alterações morfológicas de A. ochraceus por ação de H. opuntiae foram observadas através de Microscopia Eletrônica de Varredura. Foi avaliado a inibição do crescimento micelial dos fungos A. ochraceus, A. westerdijkiae e A. carbonarius co-cultivados com H. opuntiae, Meyerozyma caribbica e Kluyveromyces marxianus e a influência da OTA sobre a viabilidade das leveduras. A eficiência das leveduras na detoxificação de OTA foi avaliada usando um delineamento estatístico Box Behnken (33) incompleto com triplicata no ponto central e as variáveis analisadas foram diferentes tamanhos de inóculo das leveduras, tempo de incubação e concentração de OTA. H. opuntiae inibiu o crescimento de A. ochraceus (82% a 87%) in vitro. Além disso, os compostos orgânicos voláteis reduziram o diâmetro micelial do fungo de 62% a 69%, enquanto que o sobrenadante livre de células inibiu a germinação de conídios, 77% a 93%, e o crescimento de hifas, 54% a 78%. H. opuntiae (107 e 109 células. mL-1) aplicada nos frutos de café retardou o deterioramento dos frutos por A. ochraceus até o 9º dia e foram observadas nas micrografias hifas pequenas e tortuosas do fungo. As três leveduras antagonistas foram capazes de inibir o crescimento fúngico in vitro com taxas de inibição variando de 13 % a 86 %. K. marxianus (108 células. mL-1) foi o mais eficiente na inibição das três espécies de Aspergillus, A. ochraceus (78%), A. westerdijkiae (81%) e A. carbonarius (84%). A análise de regressão múltipla mostrou que os três modelos quadráticos apresentaram uma boa predição, com R² = 0,94 (H. opuntiae), R² = 0,87 (M. caribbica) e R² = 0,86 (K. marxianus) e um desvio não significativo, p = 0,30, p = 0,20 e p = 0,13, respectivamente. Os modelos preditivos mostraram que a detoxificação máxima de OTA pelas três leveduras seria de 86,8% (H. opuntiae), 79,3% (M. caribbica) e 73,7% (K. marxianus). Não houve diferença significativa (p <0,05) entre os valores preditos pelos modelos estatísticos e os resultados obtidos experimentalmente, indicando que os modelos podem ser aplicados para prever a detoxificação de OTA in vitro por estas leveduras
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Microclima em áreas em restauração de 20 anos e em fragmentos florestais no Norte do Paraná
(2026-04-06) Teixeira, Pedro Lopes Pereira; Torezan, José Marcelo Domingues; Oliveira, Halley Caixeta de; Nascimento, Marcela Blagitz Ferraz do; Cavalheiro, Alba Lúcia; Salimon, Cleber Ibraim
O Paraná, pertencente à área de abrangência da Mata Atlântica, originalmente possuía cobertura vegetal predominantemente florestal. Atualmente a paisagem encontra-se alterada principalmente em função da atividade agrícola extensiva e da formação dos centros urbanos. O desmatamento pode alterar o clima regional, pois sabe-se que as florestas atuam como reguladoras e atenuam os índices meteorológicos. Por outro lado, alterações na paisagem também podem levar a mudanças no microclima das florestas remanescentes, assim como influenciar áreas em recuperação. O presente trabalho integra o conjunto de pesquisas do Sítio Mata Atlântica do Norte do Paraná do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração – PELD-MANP/CNPq – e tem como objetivo conhecer o comportamento das variáveis microclimáticas em fragmentos de floresta estacional semidecidual e em áreas em processo de restauração, visando dimensionar as diferenças entre estes ambientes. Para isso, foram instalados sensores de luminosidade, temperatura e umidade relativa do solo e temperatura e umidade do ar em três reflorestamentos com 20 anos de idade e em três fragmentos de mata adjacentes. As análises foram realizadas a partir de modelos lineares mistos (LMMs), generalizados (GLMMs) e modelos aditivos (GAMM). Os resultados demonstraram padrões consistentes e estatisticamente significativos, com os reflorestamentos apresentando, em média, maior luminosidade, maior umidade e temperatura do solo, menor umidade atmosférica e maior temperatura do ar, além de padrões sazonais bem definidos. Como consequência, indicam que, apesar dos avanços estruturais, os reflorestamentos ainda não apresentam condições microclimáticas semelhantes às observadas nos fragmentos florestais maduros, com possíveis consequências para o processo de restauração.