Repositório Institucional da Universidade Estadual de Londrina - RIUEL

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Submissões Recentes

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Maresina 2 (MaR2) reduz dor articular e ativação neuronal em modelo de dor induzidos pelo vírus Chikungunya inativado e sua proteína recombinante E2 em camundongos
(2024-03-25) Yaekashi, Kelly Megumi; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Bertozzi, Mariana Marques; Fattori, Victor
O vírus Chikungunya (CHIKV), desencadeia sintomas que normalmente são solucionados pelo próprio sistema imunológico, porém é na fase crônica que os pacientes mais sofrem. A artrite crônica de Chikungunya (ACC), gera implicações econômicas e sociais, incluindo o impacto na qualidade de vida dos pacientes infectados, pela perda da mobilidade e da produtividade econômica. ACC é normalmente confundida com a artrite reumática (AR), devido às similaridades clínicas, sendo assim, medicados com AINES ou opioides, que a longo prazo podem gerar efeitos colaterais, prejudiciais para o organismo. Dessa forma, a busca por moléculas que sejam mais efetivas e com menos efeitos colaterais se faz necessárias. Os mediadores lipídicos pró-resolução especializados (SPMs) são moléculas produzidas durante a fase de resolução da inflamação e possuem atividade pró-resolutiva e analgésica. A Maresina 2 (MaR2) um SPM, derivado do ácido graxo ômega-3, exibe efeitos anti-inflamatórios e analgésicos, com capacidade de modular atividade dos canais iônicos TRPV1 e TRPA1 dos nociceptores. O objetivo desse estudo foi de investigar o potencial analgésico da MaR2 em modelo de dor articular e ativação neuronal induzido pelo vírus CHIKV inativado (100 UFF/10µL) e a sua proteína envelope recombinante E2 (rE2) (100ng/10µL) pela via intra-articular (i.a.), além de confirmar e avaliar se os canais TRPA1 e TRPV1 apresentam alguma relação com a formação da hiperalgesia durante a infecção e se o lipídio é capaz de modular essa ativação. CHIKVi e E2 induzem hiperalgesia mecânica e térmica nos camundongos Swiss e esse estado consegue ser reduzido ao ser tratado com 10 ng de MaR2, via intratecal (i.t.), demonstrando o seu efeito analgésico. Para verificar como a parte neuronal está envolvida na formação da hiperalgesia, foi realizada a técnica de imageamento de cálcio, in vitro, com gânglio da raiz dorsal (DRG). Observou que os neurônios estimulados com CHIKVi tiveram um influxo de cálcio maior, quando comparado com o Mock (grupo controle) e isso se dá pela capacidade do vírus de modular a atividade dos canais TRPV1 e TRPA1, apresentando um influxo muito maior quando esses canais eram ativados. Quando foram pré-tratados com a MaR2, o influxo de cálcio reduziu mesmo na presença do CHIKVi e dos agonistas para TRPV1 e TRPA1. A imunofluorescência, in vivo, demonstrou a intensidade de fluorescência maior em DRG de animais estimulados com o vírus inativado, afirmando a capacidade do CHIKVi em agir diretamente na ativação dos canais iônicos para gerar a hiperalgesia. Esse estado foi revertido quando tratados com a MaR2, pela capacidade desse lipídio de reduzir/ inibir a ativação dos ambos os canais, o que leva a sua ação analgésica. Já se sabe que CHIKVi e rE2 tem capacidade em modular a atividade do canal TRPV1, porém ainda não há dados para TRPA1. Com os resultados in vitro e in vivo, há possibilidade do TRPA1 de ter a sua ativação modulada pelo vírus. Para confirmar isso, a hiperalgesia mecânica foi realizada em animais induzidos com CHIKVi ou rE2 e tratados após uma hora, via i.t., com o HC-030031, antagonista seletivo do TRPA1. Ao bloquear o canal, a hiperalgesia mecânica foi reduzida, demonstrando a relação do canal iônico na formação da hiperalgesia
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Caracterização fenotípica e genotípica de Escherichia coli resistentes à polimixina isoladas de hortaliças comercializadas no norte do Paraná
(2025-02-25) Nascimento, Arthur Bossi do; Rocha, Sérgio Paulo Dejato da; Kobayashi, Renata Katsuko Takayama; Vespero, Eliana Carolina
Hortaliças são componentes essenciais de uma dieta saudável e frequentemente consumidas cruas, o que pode facilitar a transmissão de patógenos como E. coli. Além de causar infecções, E. coli pode disseminar genes para outros microrganismos, como o mcr-1, que confere resistência às polimixinas. A resistência a antimicrobianos, especialmente à polimixina, um dos últimos recursos terapêuticos contra infecções por bactérias multirresistentes, tem se tornado uma preocupação crescente. Diante disso, torna-se importante avaliar a prevalência desses microrganismos em hortaliças. Este estudo teve como objetivo caracterizar fenotipicamente e genotipicamente cepas de E. coli resistentes à polimixina isoladas de hortaliças comercializadas em Londrina, PR, entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023. De 514 amostras analisadas, foram analisadas 10 cepas de E. coli resistentes à polimixina, sendo 5 provenientes de alface, 2 de almeirão e 3 distribuídos entre agrião, couve e rúcula. A resistência à polimixina foi determinada por microdiluição em caldo, onde 8 isolados apresentaram Concentração Inibitória Mínima (CIM) de 4 mg/L, enquanto 2 cepas demonstraram CIM de 8 mg/L e 16 mg/L, respectivamente. O teste de sensibilidade aos antimicrobianos mostrou que todas as cepas eram produtoras de AmpC, além de outras resistências. Quatro cepas transferiram a resistência à polimixina por conjugação, indicando a capacidade de transferência deste gene por plasmídeos. O sequenciamento do genoma revelou cepas de diferentes STs, sendo o mais prevalente o ST48 e presença de genes associados à patogenicidade, como csg, ibeC, ibeB, entre outros. Além de apresentar dois plasmídeos com o gene mcr-1, p0111_1__AP010962 e IncI1I(Alpha)_1__AP005147. A análise filogenética indicou relações das cepas com fontes diversas, como ambiente e animais. Este estudo reporta, pela primeira vez no Brasil, a presença de E. coli resistente à polimixina em hortaliças, destacando o risco zoonótico e a disseminação de genes de resistência por meio de plasmídeos móveis. Os resultados reforçam a necessidade de um monitoramento contínuo desses alimentos para mitigar a propagação da resistência antimicrobiana e proteger a saúde pública.
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Taxonomia polifásica de estirpes de Rhizobium isoladas de nódulos de Vigna unguiculata em solos do Mato Grosso do Sul e descrição de novas espécies
(2025-03-06) Delai, Caroline Vanzzo; Hungria, Mariangela; Ribeiro, Renan Augusto; Ercole, Tairine Graziella; Klepa, Milena Serenato
Determinados microrganismos do solo caracterizam-se como excelentes aliados na produção sustentável de alimentos, especialmente ao promover o crescimento vegetal de culturas de grande impacto econômico. Uma das culturas que se beneficia diretamente da ação de bactérias do solo é a do feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp), tendo em vista que a leguminosa possui a capacidade de se associar a uma variedade de rizóbios, grupo específico de bactérias que se distinguem por realizar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em simbiose com plantas leguminosas. Como o nitrogênio (N) é um componente essencial para o crescimento vegetal, os rizóbios se tornaram vitais para o setor agrícola, atuando como alternativas sustentáveis aos fertilizantes químicos, além de apresentarem grande importância para a manutenção dos ecossistemas naturais. Atualmente, sabe-se que o conhecimento acerca da diversidade microbiana é ainda muito limitado. Dessa forma, não apenas grande parte da diversidade microbiana é desconhecida, mas também todo potencial biotecnológico que poderia ser explorado a partir dela. Neste contexto, a sistemática bacteriana, área de estudo que busca identificar, classificar e nomear as bactérias, bem como investigar a história evolutiva desses microrganismos, pode ser a solução para esse grande desafio enfrentado, especialmente por microbiologistas e biotecnologistas. Em vista disso, o objetivo do presente estudo foi realizar uma análise polifásica em estirpes de Rhizobium isoladas de nódulos de feijão-caupi, utilizado como planta-isca, inoculado com solos de terras indígenas do Mato Grosso do Sul. Em geral, os principais microssimbiontes de feijão-caupi são reconhecidos como sendo pertencentes ao gênero Bradyrhizobium, contudo, em estudo conduzido anteriormente por nosso grupo de pesquisa, foi identificado um número representativo de estirpes de Rhizobium isoladas de nódulos de V. unguiculata, de maneira que o estudo foi concentrado nessas estirpes. Foram realizadas caracterizações fenotípicas, genotípicas e filogenéticas de dez estirpes de Rhizobium. Os resultados obtidos para as filogenias do gene 16S RNAr e de quatro genes housekeeping isolados e concatenados (glnII, gyrB, recA e rpoB), bem como para as características fenotípicas, validaram a posição filogenética das estirpes. A análise polifásica revelou quatro estirpes pertencentes a três possíveis novas espécies, além de duas estirpes classificadas como R. dioscoreae, uma como R. hainanense, uma como ‘R. aureum’, uma como ‘R. centroccidentale’ e outra como ‘R. atlanticum’, enfatizando a rica biodiversidade das terras indígenas do Mato Grosso do Sul. Nenhuma das estirpes pertencentes as possíveis novas espécies, porém, foi capaz de nodular novamente o feijão-caupi, ou as leguminosas promíscuas Phaseolus vulgaris e Macroptilium atropurpureum. Estudos futuros são cruciais para revelar o papel dessas estirpes na nodulação ou crescimento do feijão-caupi e o potencial biotecnológico dessas novas espécies na agricultura.