Repositório Institucional da UEL - RIUEL

Foto: Portal UEL
 

Submissões Recentes

Item
Transcendência e imanência na filosofia da morte de Schopenhauer
(2025-12-05) Felipe, Ana Paula Manoel; Pavão, Aguinaldo; Weber, José Fernandes; Salviano, Jarlee Oliveira Silva
A presente dissertação visa analisar criticamente a filosofia imanentista de Schopenhauer. Para tanto, pretende-se investigar o possível comprometimento com teses transcendentes presentes em suas reflexões sobre a morte. Para tal fim, o tema do ascetismo e da palingenesia se sobressaem nessa investigação, não obstante, a sua metafísica da morte permeia toda a discussão, visto que a sua coerência está atrelada diretamente à utilização desses conceitos. Uma vez que, em tese, a vontade como coisa em si exclui qualquer fundamento transcendente, cabe investigar a possibilidade do afastamento de Schopenhauer do campo imanente. Essa investigação é necessária tendo em vista o seu distanciamento do domínio empírico em sua explicação sobre a palingenesia e a permanência do caráter inteligível no mundo. Dessa forma, investigarei como a filosofia de Schopenhauer trata e relaciona os conceitos de palingenesia, morte, vontade, metafisica, imanência e transcendência. Nesse contexto, defenderei a hipótese de que Schopenhauer não logrou êxito em depurar de sua filosofia imanentista elementos transcendentes e, por fim, ponderarei as consequências disso em sua metafísica da morte.
Item
Análise de erros ortográficos na escrita de estudantes brasileiros e portugueses sob a perspectiva da sociolinguística educacional
(2025-11-04) Ruiz, Silvia Helena de Freitas; Almeida, Joyce Elaine de; Cagliari, Luiz Carlos; Barbosa, Juliana Bertucci; Aguilera, Vanderci de Andrade; Altino, Fabiane Cristina; Santos, Ana Sucena
A aquisição da escrita, um sistema simbólico complexo, ocorre predominantemente no ambiente escolar por meio da alfabetização, que constitui um processo moldado pela interação social e pela exposição contínua às convenções ortográficas e gramaticais da língua (Cagliari, 1998, 2024). O objetivo geral da tese é investigar as diferenças na frequência e nas tipologias de erros ortográficos nas produções escritas de estudantes brasileiros e portugueses do ensino fundamental, de modo a compreender se as condições de inserção sociocultural e educacional influenciam os processos de aquisição da ortografia, sob a perspectiva da Sociolinguística Educacional. Participaram do estudo de cento e onze estudantes do Brasil e de Portugal. A coleta de dados foi realizada por meio de um ditado e da produção de um texto livre baseado no reconto de uma narrativa literária. A análise fundamentou-se na perspectiva da Sociolinguística Educacional. (Bortoni-Ricardo, 2004; 2005; Cyranka, 2013; Faraco, 2008; 2012), bem como em estudos sobre o sistema alfabético da escrita (Ehri, 2005; Cagliari, 2009). Os resultados revelaram que os erros mais frequentes nos anos iniciais do Ensino Fundamental estão relacionados às convenções ortográficas, como o uso indevido de letras e a ausência de marcas de segmentação. Nos anos finais, observamos a persistência de erros decorrentes da influência da oralidade sobre a escrita, especialmente na substituição de grafemas e na simplificação de estruturas morfossintáticas. A análise estatística demonstrou uma associação significativa entre o desempenho em leitura e a precisão ortográfica, indicando que estudantes com melhor habilidade leitora apresentaram menor incidência de erros. Além disso, variações socioeconômicas, como a escolaridade materna e o tempo de educação infantil, influenciaram significativamente o desenvolvimento da escrita, beneficiando aqueles expostos precocemente a habilidades preditoras da alfabetização. Os achados reforçam a importância de práticas sistemáticas distintas para as competências do sistema de escrita, conhecimento ortográfico e fluência leitora. O aprimoramento dessas habilidades, desde os primeiros anos escolares, contribui para o domínio mais consolidado da norma ortográfica e para a redução dos impactos da oralidade na escrita.
Item
Sobre futuros (in)imagináveis e (im)previsíveis: a produção contística da ficção científica feminista brasileira dos anos 2010
(2025-12-11) Ferreira, Priscila Aparecida Borges; Leite, Suely; Menon, Maurício Cesar; Oliveira, Marilu Martens; Ferreira, Cláudia Cristina; Fiuza, Adriana Aparecida de Figueiredo
Esta tese investiga a produção contística da ficção científica feminista brasileira publicada nos anos 2010, buscando compreender e responder à problemática: de que modo as autoras contemporâneas reconfiguram o gênero literário ficção científica ao problematizar questões de gênero, corpo, maternidade, tecnologia e poder? Ao constatar que a ficção científica nacional foi historicamente construída como espaço predominantemente masculino, a pesquisa propõe uma leitura crítica que coloca as escritoras brasileiras no panorama da ficção científica e da crítica feminista, reconhecendo nelas o gesto político de (re)escrever o futuro desde o corpo e o território. O estudo alicerça-se em referenciais da crítica feminista e dos estudos de ficção científica, articulando teóricas como Donna Haraway (1991), Sarah Lefanu (1988), Joanna Russ (1995), Judith Butler (2018), Michelle Perrot (2007), Silvia Federici (2019), DarkoSuvin (1977) e Adam Roberts (2018), entre outros, para discutir como o novum e outras categorias da ficção científica são mobilizados na construção de mundos que tensionam, questionam e reinventam a sociedade patriarcal contemporânea. Metodologicamente, adota-se uma análise qualitativa de caráter crítico-feminista e sociocultural, fundamentada na leitura comparativa e na análise discursiva das representações de gênero, corpo e tecnologia em contos das coletâneas Universo Desconstruído (Sybylla; Valek, 2013; 2014) e Aqui quem fala é da Terra (Caniato; Bianchi, 2018). As análises evidenciam que a ficção científica escrita por mulheres no Brasil transforma o espaço tradicionalmente masculino da ciência em arena de resistência, memória e reinscrição do ser mulher, promovendo o deslocamento da figura feminina de objeto narrativo para sujeito produtor de conhecimento e de futuros possíveis. Nos contos “Eu, incubadora”, “Cidadela” e “Amor fortemente elíptico”, a maternidade é representada como território biopolítico, em que a reprodução se torna campo de controle e também de insurgência. Em “Boneca”, a infância é problematizada como mercadoria afetiva, enquanto em “Codinome Electra” e “Memória sintética” o corpo feminino e a tecnologia se articulam na reconfiguração do sujeito ciborgue. Já em “Uma terra de reis” e “Réquiem para a humanidade”, desloca-se o centro da narrativa e reescreve-se o pós-apocalipse como espaço de crítica à colonização, à hierarquia e ao poder patriarca. Em “Projeto Áquila” e “BSS Mariana”, a memória funciona como forma de resistência e de reconstrução identitária frente à ruína e ao esquecimento. Há também contos que exploram o humor e a paródia, como “O morango de Itaipu”, “Dois ou um” e “O fantasma veio para a festa” que revelam o riso como estratégia de crítica social e de reconstrução de identidades. Conclui-se que a ficção científica feminista brasileira da década de 2010 reimagina a ficção científica como espaço de criação de mundos éticos, plurais, insurgentes e resistentes, em que o gesto de fabular é também o de resistir. Reconhecer essas vozes é reconhecer a potência política e estética da escrita de mulheres que, ao narrarem o futuro, intervêm criticamente no presente.