Comunidades no RIUEL
Selecione uma comunidade para navegar por suas coleções
Submissões Recentes
Editoras independentes e a ecologia de saberes: uma análise de domínio da editora Litwin Books com foco no selo editorial Library Juice Press
(2026-03-31) Almeida, Patrícia Ofélia Pereira de; Cervantes, Brígida Maria Nogueira; Miranda, Marcos Luiz Cavalcanti de; Machado, Gilnei; Contani, Miguel Luiz; Moraes, Marcos Antônio de; Alencar, Maíra Fernandes
Introdução: As editoras independentes são mediadoras relevantes na circulação e legitimação de saberes plurais, ao ampliarem a visibilidade de epistemologias historicamente marginalizadas. Tratando-se de editoras independentes no contexto da Biblioteconomia em âmbito internacional, o objeto deste estudo é a Litwin Books, em específico, seu selo editorial Library Juice Press. Objetivo: Caracterizar o selo Library Juice Press, da editora Litwin Books, a partir da Análise de Domínio (Hjørland, 2002), com ênfase nas articulações entre sua produção editorial e a perspectiva da Ecologia de Saberes. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa-quantitativa, descritiva, de natureza básica, com procedimentos bibliográficos e documentais. A estrutura metodológica fundamenta-se na matriz de análise de domínio, sob a perspectiva de duas abordagens: 1) estudos críticos e epistemológicos; e 2) estudos terminológicos, linguagens para propósitos específicos e estudos de discurso. O corpus da pesquisa é composto pelos livros publicados pelo selo, no período de 2006 a 2024. Foram analisados metadados bibliográficos, notas biográficas e a dimensão terminológica presente nas obras, com apoio de ferramentas de análise de dados e visualização de redes. Resultados: Os resultados evidenciam que o selo Library Juice Press configura-se como um domínio editorial de cunho crítico e decolonial, estruturado por uma comunidade discursiva marcada por interesses interseccionais e pela articulação entre Biblioteconomia, Organização do Conhecimento, Ciência da Informação e campos afins. Foram analisados 85 livros, organizados em 16 eixos temáticos da editora. Os eixos Social Justice e Theory & Philosophy operam como fundamentos epistemológicos recorrentes, conectando diferentes áreas temáticas e sustentando uma produção orientada à problematização das práticas, dos valores e das relações de poder no campo. Quanto aos autores, foram identificadas 128 pessoas, cujas trajetórias acadêmicas, profissionais e interesses temáticos dialogam com pautas como justiça social, gênero, raça, deficiência, ativismo bibliotecário e crítica institucional. A análise terminológica revelou a recorrência de termos associados à ecologia de saberes, à justiça epistêmica e à crítica aos sistemas hegemônicos de organização do conhecimento, indicando coerência entre o projeto editorial, os discursos produzidos e as práticas de mediação do conhecimento adotadas pela editora. Conclusão: Concluise que as editoras independentes, representadas pela Litwin Books & Library Juice Press, desempenham papel estratégico na ampliação da diversidade epistemológica e na promoção da justiça informacional e epistêmica. Ao atuarem como mediadoras contra-hegemônicas, essas iniciativas contribuem para a democratização do acesso ao conhecimento e para a valorização de saberes plurais no campo da Biblioteconomia. O estudo reforça a relevância da análise de domínio como instrumento para compreender dinâmicas editoriais e comunidades discursivas, oferecendo subsídios teóricos e metodológicos para pesquisas críticas em Organização do Conhecimento.
Uso de PVPI tópica para assepsia em injeções intravítreas seriadas e alterações de superfície ocular: um estudo caso-controle
(2024-03-14) Casemiro, José Henrique; Casella, Antonio Marcelo Barbante; Fornazieri, Marco Aurélio; Sampaio, Elaine Regina Ferraresi; Oguido, Ana Paula Miyagusko Taba
O uso de iodopovidona para a assepsia da superfície ocular é profusamente difundido, tanto para procedimentos cirúrgicos como para injeções intravítreas (IVIS). Cirurgias para catarata, glaucoma e injeções intravítreas, tornaram-se procedimentos comuns e frequentes na oftalmologia, levando a exposições seriadas dos olhos dos pacientes às soluções iodadas. A síndrome do olho seco pode ser causada ou agravada por essa agressão química. Objetivo: Identificar as diferentes alterações de superfície ocular relacionadas ao uso do PVPI 2% tópico para assepsia em IVIS seriadas, analisando: questionário OSDI, NIBUT, análise do piscar, altura do menisco lacrimal, osmolaridade lacrimal, interferometria lacrimal e perda das glândulas de Meibomius. Métodos: Estudo caso-controle com 34 indivíduos, 14 homens e 20 mulheres, idade entre 48 e 94 anos, desses, 68 olhos foram analisados. Os critérios de inclusão foram os indivíduos que receberam a aplicação de colírio de PVPI a 2% para assepsia do tratamento com IVIS de anti-VEGF, e o olho contralateral que não tinha indicação de tratamento nem recebeu qualquer medicação tópica durante o mesmo período de estudo foi utilizado como controle. Foram realizados os testes de osmolaridade da lágrima, interferometria do filme lacrimal, altura do menisco lacrimal, teste de tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado, percentagem de perda de glândulas meibomianas em tarso inferior, eficiência do piscar e o questionário Ocular Surface Disease Index (OSDI). Toda a análise estatística foi realizada através do Software STATA® 18.0 e foi considerado um p-valor = 0,05 como valor de significância estatística em todos os testes. Resultados: A média do número de aplicações de IVIS nos olhos tratados foi de 12 (6-20). Os resultados nos olhos tratados comparados com os não tratados em relação ao OSDI foi de 16 (6-39) e 12,5 (8-39, p = 0,830); o tempo de ruptura do filme lacrimal automatizado ou non invasive break up time foi de 10,30 (2,62) e 10,78 (2,92) (s, p=0,476); a qualidade do piscar foi de 100 (100) e 100 (100) (%, p = 0,188); a medida da camada lipídica 87 (77-90) e 86 (74-100) (nm, p = 0,451); a medida da altura do menisco foi de 0,22 (0,19-0,31) e 0,24 (0,20-0,27) (mm, p = 0,862); da percentagem de perda de glândulas de Meibomius foi de 33 (24-45) e 31,5 (25-39) (%, p = 0,524); e da medida da osmolaridade foi de 305,6 (21,13) e 313,8 (29) (mOsm, p = 0,297). Não houve relação estatisticamente significativa entre o uso repetitivo de solução iodada a 2% com piora nos sinais ou sintomas relacionados a síndrome do olho seco pelos métodos utilizados. Conclusões: o PVPI a 2% foi seguro para assepsia de superfície ocular para IVIS repetidas, sem provocar alterações de superfície ocular significativas. Uma possível ação anti-inflamatória e protetiva do anti-VEGF pode ser considerada, e estudos com uso repetido de PVPI em diferentes procedimentos serão necessários para suporte desses resultados
Maresina 2 (MaR2) reduz dor articular e ativação neuronal em modelo de dor induzidos pelo vírus Chikungunya inativado e sua proteína recombinante E2 em camundongos
(2024-03-25) Yaekashi, Kelly Megumi; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Bertozzi, Mariana Marques; Fattori, Victor
O vírus Chikungunya (CHIKV), desencadeia sintomas que normalmente são solucionados pelo próprio sistema imunológico, porém é na fase crônica que os pacientes mais sofrem. A artrite crônica de Chikungunya (ACC), gera implicações econômicas e sociais, incluindo o impacto na qualidade de vida dos pacientes infectados, pela perda da mobilidade e da produtividade econômica. ACC é normalmente confundida com a artrite reumática (AR), devido às similaridades clínicas, sendo assim, medicados com AINES ou opioides, que a longo prazo podem gerar efeitos colaterais, prejudiciais para o organismo. Dessa forma, a busca por moléculas que sejam mais efetivas e com menos efeitos colaterais se faz necessárias. Os mediadores lipídicos pró-resolução especializados (SPMs) são moléculas produzidas durante a fase de resolução da inflamação e possuem atividade pró-resolutiva e analgésica. A Maresina 2 (MaR2) um SPM, derivado do ácido graxo ômega-3, exibe efeitos anti-inflamatórios e analgésicos, com capacidade de modular atividade dos canais iônicos TRPV1 e TRPA1 dos nociceptores. O objetivo desse estudo foi de investigar o potencial analgésico da MaR2 em modelo de dor articular e ativação neuronal induzido pelo vírus CHIKV inativado (100 UFF/10µL) e a sua proteína envelope recombinante E2 (rE2) (100ng/10µL) pela via intra-articular (i.a.), além de confirmar e avaliar se os canais TRPA1 e TRPV1 apresentam alguma relação com a formação da hiperalgesia durante a infecção e se o lipídio é capaz de modular essa ativação. CHIKVi e E2 induzem hiperalgesia mecânica e térmica nos camundongos Swiss e esse estado consegue ser reduzido ao ser tratado com 10 ng de MaR2, via intratecal (i.t.), demonstrando o seu efeito analgésico. Para verificar como a parte neuronal está envolvida na formação da hiperalgesia, foi realizada a técnica de imageamento de cálcio, in vitro, com gânglio da raiz dorsal (DRG). Observou que os neurônios estimulados com CHIKVi tiveram um influxo de cálcio maior, quando comparado com o Mock (grupo controle) e isso se dá pela capacidade do vírus de modular a atividade dos canais TRPV1 e TRPA1, apresentando um influxo muito maior quando esses canais eram ativados. Quando foram pré-tratados com a MaR2, o influxo de cálcio reduziu mesmo na presença do CHIKVi e dos agonistas para TRPV1 e TRPA1. A imunofluorescência, in vivo, demonstrou a intensidade de fluorescência maior em DRG de animais estimulados com o vírus inativado, afirmando a capacidade do CHIKVi em agir diretamente na ativação dos canais iônicos para gerar a hiperalgesia. Esse estado foi revertido quando tratados com a MaR2, pela capacidade desse lipídio de reduzir/ inibir a ativação dos ambos os canais, o que leva a sua ação analgésica. Já se sabe que CHIKVi e rE2 tem capacidade em modular a atividade do canal TRPV1, porém ainda não há dados para TRPA1. Com os resultados in vitro e in vivo, há possibilidade do TRPA1 de ter a sua ativação modulada pelo vírus. Para confirmar isso, a hiperalgesia mecânica foi realizada em animais induzidos com CHIKVi ou rE2 e tratados após uma hora, via i.t., com o HC-030031, antagonista seletivo do TRPA1. Ao bloquear o canal, a hiperalgesia mecânica foi reduzida, demonstrando a relação do canal iônico na formação da hiperalgesia
