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Educação matemática realística e teoria socioepistemológica da matemática educativa: um diálogo
(2026-03-31) Marino, Darlini Ribeiro; Buriasco, Regina Luzia Corio de; Mendes, Marcele Tavares; Almeida, Lourdes Maria Werle de; Cury, Helena Noronha; Rodrigues, Paulo Henrique
Este trabalho apresenta uma configuração de um diálogo entre a Educação Matemática Realística (RME) e a Teoria Socioepistemológica da Matemática Educativa (TSME), no contexto das discussões contemporâneas da Educação Matemática. A pesquisa justifica-se pela identificação de uma ausência de interlocução sistemática na literatura: embora ambas as abordagens compartilhem uma crítica à concepção da matemática como corpo de verdades acabadas e descontextualizadas, não se encontram estudos que as coloquem em interlocução sistemática a partir de seus fundamentos epistemológicos. Essa interlocução revela-se necessária porque permite ampliar o horizonte analítico da Educação Matemática, articulando uma perspectiva didática orientada à reinvenção com uma perspectiva que problematiza a constituição social do conhecimento. O objetivo geral consiste em elaborar e analisar esse diálogo com base em quatro eixos analíticos: atividade humana, realidade, matematização e princípios estruturantes. Trata-se de uma investigação qualitativa de natureza teórica, interpretativa e especulativa, fundamentada nos eixos metodológicos de interpretar, argumentar e recontar (Martineau; Simard; Gauthier, 2001). O corpus constitui-se de textos das duas abordagens, examinados em movimento intertextual e organizados por meio de uma análise em rede, evitando correspondências lineares e privilegiando deslocamentos conceituais. Os resultados indicaram que o diálogo entre RME e TSME não conduziu a uma síntese integradora, mas evidenciou uma complementaridade crítica de focos analíticos: enquanto a RME estruturou uma organização didática orientada à reinvenção guiada e à matematização progressiva, a TSME problematizou os processos de constituição, legitimação e ressignificação social do conhecimento matemático. Esse diálogo configurou-se não como mera comparação descritiva entre as abordagens, mas como um movimento reflexivo que produziu aproximações, explicitou diferenças de ênfase e gerou deslocamentos conceituais, compreendidos como a ressignificação ou o reposicionamento de determinados conceitos à luz da articulação entre os referenciais. A articulação dos eixos possibilitou interpretar a aprendizagem simultaneamente como trajetória didática e como participação em práticas normativamente estruturadas, sugerindo que a atividade do estudante se constitui em sistemas de normas históricas e culturais, que a realidade produziu racionalidades contextualizadas e que a progressão conceitual se configurou como uma narrativa de ressignificações sucessivas. Conclui-se que a interlocução entre RME e TSME amplia o horizonte de reflexão para além da sala de aula, inserindo a prática de ensino-aprendizagem no espectro mais amplo da construção social do conhecimento, sem jamais perder de vista a possibilidade e a responsabilidade de guiá-la intencionalmente. A principal contribuição é a proposição de um quadro teórico que pode subsidiar novas investigações e reconfigurar a compreensão das relações entre ensino, cultura e produção de significados matemáticos, oferecendo ferramentas para uma educação matemática mais justa, crítica e humana
Efeitos dos óleos essenciais de alho e alecrim sobre o microbioma ruminal, metaboloma, desempenho produtivo e qualidade de carcaça e carne de ovinos confinados
(2025-05-16) Cavalheiro Junior, Elias Rodrigues; Calixto, Odimári Pricila Prado; Barrero, Nelson Mauricio Lopera; Daniel, João Luiz Pratti; Pilau, Eduardo Jorge; Prado, Rodolpho Martin do
Resumo: Este trabalho foi elaborado com o objetivo de avaliar os efeitos da suplementação com óleos essenciais (OEs) de alho e alecrim sobre o desempenho produtivo, características de carcaça, qualidade da carne, metaboloma ruminal e diversidade microbiana do rúmen de cordeiros confinados. O experimento foi conduzido com 35 cordeiros machos, não castrados, cruzados Texel × Dorper × Santa Inês, com peso inicial médio de 26,3 ± 6,2 kg, distribuídos em cinco tratamentos dietéticos: sem aditivo, alho (0,14 e 1,00 mL/L de líquido ruminal) e alecrim (0,40 e 1,00 mL/L de líquido ruminal). As dietas foram formuladas com base em 30% de silagem de milho e 70% de concentrado composto por milho moído e farelo de soja, sendo fornecidas ad libitum por 90 dias. Os dados resultaram em três artigos científicos. O primeiro avaliou o desempenho zootécnico, características de carcaça e qualidade da carne. A dieta com 0,40 mL/L de óleo essencial de alecrim (Alecrim B) proporcionou os maiores ganhos médios diários entre os dias 31–60 (0,233 kg/dia) e 61–90 (0,193 kg/dia), maior consumo de matéria seca, melhor conversão alimentar, maior peso final (45,16 kg) e espessura de gordura subcutânea (4,68 mm), sem alterações nos parâmetros de cor, pH ou oxidação lipídica da carne. Os tratamentos com óleo de alho não apresentaram diferença entre as dosagens. O segundo artigo avaliou a composição da microbiota ruminal por meio do sequenciamento da região V3–V4 do gene 16S rRNA. A menor dosagem de óleo de alecrim (0,40 mL/L) induziu alterações significativas na estrutura microbiana do rúmen, promovendo uma redução na abundância relativa de gêneros associados à produção excessiva de amônia e fermentações menos eficientes, como Prevotella, e favorecendo o crescimento de bactérias celulolíticas e lipolíticas como Ruminococcus e Butyrivibrio. Além disso, observou-se aumento da diversidade em nível de gênero e maior uniformidade entre os indivíduos do grupo Alecrim B, sugerindo uma microbiota mais estável e funcionalmente eficiente para a degradação de fibras e metabolismo energético. O terceiro artigo investigou o metaboloma do líquido ruminal por UHPLC-MS/MS em abordagem não direcionada, utilizando extrações com acetato de etila e éter metil-terc-butílico. Foram detectadas 7.064 entidades químicas e identificados 47 metabólitos. A dieta Alecrim B apresentou um metaboloma distinto, com destaque para compostos como ácido sebácico, aurantiamida e colestenona, sugerindo estímulo de rotas metabólicas associadas à digestão e ao aproveitamento de nutrientes. A integração dos dados zootécnicos, análise genética e metabolômica da microbiota ruminal demonstra que o óleo essencial de alecrim na dosagem de 0,40 mL/L melhora o desempenho produtivo e modula o ambiente ruminal de forma a favorecer processos fermentativos mais eficientes em cordeiros confinados, caracterizando-se como um aditivo funcional promissor para sistemas intensivos de produção
Incorporação de glicerina bruta e borra oleosa da indústria do biodiesel em cimento asfáltico de petróleo
(2023-05-23) Alves, Matheus Vinicius Almeida; Guedes, Carmen Luisa Barbosa; Paiva, Juliani Chico Piai; Andrade, Milena Martins; Faxina, Adalberto Leandro
O cimento asfáltico de petróleo (CAP) é regulamentado pela Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis (ANP) é classificado com base na sua penetração, a adotada neste estudo foi o CAP 50/70, produto amplamente utilizado em território nacional devido à sua recomendação para rodovias ou vias urbanas com tráfego de baixo a moderado. O objetivo desta pesquisa é avaliar as características e propriedades do ligante asfáltico de petróleo em mistura com glicerina bruta, coproduto do biodiesel, e borra oleosa resultante da neutralização do óleo vegetal, através da regulamentação ANP Nº 19 de 2006. Para esse propósito, foi selecionada uma amostra como referência padrão contendo 100% de CAP 50/70, além de outras doze amostras preparadas com CAP 50/70 em combinação com os ligantes alternativos: glicerina bruta em percentuais relativos (1, 2, 3, 4, 6 e 8%) e/ou borra oleosa (1, 2, 3, 4, 6 e 8%). Os ensaios conduzidos incluíram o ensaio de penetração, no qual as amostras com percentuais iniciais de glicerina e/ou borra oleosa (CAP 50/70 G2, CAP 50/70 G4, CAP 50/70 G6, CAP B2, CAP G1B1 e CAP 50/70 G2B2) obtiveram resultados de classificação para CAP 30/45, especificação recomendada para tráfego intenso. A amostra (CAP 50/70 B8) obteve uma classificação para CAP 85/100, pouco utilizado devido ao comportamento reológico do ligante asfáltico, capaz de causar deformações permanentes e inviabilizar sua utilização. No ensaio de ponto de amolecimento, todas as incorporações alcançaram o mínimo estabelecido pela norma ANP Nº 19 para o CAP 50/70, mesmo com resultados de classificação diferentes obtidos no ensaio de penetração para o CAP 50/70, não é viável utilizar os parâmetros dessas classificações, uma vez que as amostras são compostas majoritariamente por CAP 50/70. Para a viscosidade rotacional a incorporação de glicerina bruta e/ou borra oleosa resulta em uma redução da viscosidade comparado ao CAP 50/70, impactando a minimização de consumo de energia nos procedimentos aos quais os ligantes são submetidos. O ensaio de ponto de fulgor, apenas 5 amostras atingiram a temperatura mínima de 235 ºC exigida pela ABNT NBR 11341. Essas amostras foram o CAP 50/70 G2, CAP 50/70 G4, CAP 50/70 B2, CAP 50/70 B4 e CAP 50/70 G1B1, evidenciando as amostras com percentuais iniciais de incorporação de glicerina bruta e/ou borra oleosa não alteram bruscamente o ponto de fulgor do CAP 50/70 mantendo assim os padrões de segurança para o manuseio e aplicação do CAP. Com ensaio de ductilidade, todas as amostras atingiram o limite máximo de 100 cm, com exceção da amostra B8, que se rompeu a 90,8 cm, esses resultados preservam características essenciais para garantir a durabilidade e o desempenho adequado das vias asfaltadas. Quanto ao índice de susceptibilidade térmica, as amostras CAP 50/70 G8, CAP 50/70 B4, CAP 50/70 B6, CAP 50/70 B8, CAP 50/70 G3B3 e CAP 50/70 G4B4 estão dentro do padrão exigido pela ANP Nº 19 (-1,5 a +0,7) para um bom ligante asfáltico. Conclui-se que a incorporação de glicerina bruta e/ou borra oleosa apresentou resultados positivos no CAP, principalmente nos teores iniciais de incorporação, nos quais foram alcançados os parâmetros normatizados pela ANP, destacando-se a amostra CAP 50/70 B4, que atendeu a todos os parâmetros para o CAP 50/70
