Repositório Institucional da Universidade Estadual de Londrina - RIUEL

Foto: Portal UEL
 

Submissões Recentes

Item
A Resolvina D5 reduz a dor induzida pelo doador de ânion superóxido
(2025-02-26) Martelossi-Cebinelli, Geovana; Junior, Waldiceu Aparecido Verri; Pereira, Maria Isabel Lovo Martins Busch; Zaninelli, Tiago Henrique
A inflamação é um mecanismo protetor que, ao produzir espécies reativas de oxigênio (ERO), regula funções fisiológicas, enquanto o excesso causa estresse oxidativo e intensifica a inflamação. A dor inflamatória resulta da interação entre tecidos lesionados e neurônios nociceptivos. As ERO, como o ânion superóxido (O2•-), possuem papel crucial na dor inflamatória, como evidenciado pelo superóxido de potássio (KO2), que libera O2•-, induzindo dor e inflamação. A resolução do processo inflamatório é essencial para limitar a dor e pode ser promovida por mediadores lipídicos pró-resolução, como a Resolvina D5 (RvD5), que possui efeitos anti-inflamatórios e analgésicos significativos. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos analgésicos da RvD5 em modelo de dor inflamatória induzida pelo doador de O2•-, o KO2, em camundongos. Para isso, foram utilizados camundongos Swiss machos e fêmeas e camundongos transgênicos LysM-eGFP machos (CEUA-UEL: 003.2021). Os animais foram pré-tratados com a RvD5 (1, 3 e 10 ng/100 µL/animal) ou com veículo (composto de salina isotônica e álcool) via intraperitoneal (i.p) ou intratecal, 30 min antes do estímulo com o KO2 ou veículo via intraplantar (30 µg/20 µL/animal) ou i.p. (1 mg/100 µL/animal). A hiperalgesia e alodinia mecânica foram avaliadas pela versão eletrônica dos Filamentos de von Frey e pelo método dos Filamentos de von Frey, respectivamente, nos tempos de 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7 h após o estímulo. A hiperalgesia térmica foi avaliada em uma placa quente (± 52ºC) nos mesmos tempos que os experimentos anteriores (0, 0.5, 1, 3, 5 e 7 h) e através do método de Hargreaves, nos tempos de 0, 1, 3, 5 e 7 h após o estímulo. O teste de distribuição de peso entre as patas traseiras foi avaliado por meio do Static Weight Bearing em tempos igual ao método de Hargreaves (0, 1, 3, 5 e 7 h). O comportamento de dor manifesta foi avaliado através da contagem total das contorções abdominais (20 min após o estímulo), sacudidas e lambidas de pata (30 min após o estímulo). A produção de antioxidantes (ABTS), redução do O2•- (NBT) e da peroxidação lipídica (TBARS) foram avaliadas 3 h após o estímulo, com exceção do ensaio de catalase, avaliado 1 h após o estímulo. A produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-a, IL-1ß e IL-6; ELISA) foi avaliado 3h e 30 min após o estímulo. A toxicidade do tratamento foi avaliado pelos ensaios de ALT, AST, ureia, creatinina e atividade da mieloperoxidase estomacal, 7 h após estímulo. O recrutamento de leucócitos (coloração hematoxilina & eosina e intensidade de fluorescência LysM-eGFP) e a presença de mastócitos (coloração azul de toluidina) foram avaliados 7 h após o estímulo. A expressão de astrócitos, de receptores GPR101 e de neurônios na medula espinal (intensidade de fluorescência) foi avaliada 5 h após o estímulo. Como resultados, a RvD5 reduz os comportamentos de dor (hiperalgesia, alodinia, desbalanço na distribuição de peso corporal e dor manifesta). Em conjunto, ela aumenta a capacidade antioxidante e reduz a produção de O2•-, a peroxidação lipídica, a produção de citocinas pró-inflamatórias, a migração de leucócitos e a presença de mastócitos, a expressão de astrócitos e de receptores GPR101. Tudo isso, sem causar danos gástricos, hepáticos ou renais. Dessa forma, este estudo evidenciou que a RvD5 demonstra uma ação analgésica segura em modelo de dor e inflamação desencadeada por ERO
Item
Museu Paranaense de Ciências Forenses: um estudo a partir de Foucault
(2024-08-26) Sierra, Cristine Lois Coleti; Arruda, Sergio de Mello; Rivelini, Angélica Cristina; Broietti, Fabiele Cristiane Dias; Corrêa, Hugo Emmanuel da Rosa; Passos, Marinez Meneghello
O Museu Paranaense de Ciências Forenses (MPCF) embora tenha passado pela sua institucionalização formal apenas no ano de 2022, durante algumas décadas tem angariado em seu acervo diversas peças anatômicas, instrumentos utilizados em investigações criminais e realizado visitas técnicas que auxiliaram na formação acadêmica de diversos profissionais das áreas da Saúde e do Direito da região. No entanto, nos últimos anos, seu movimento de abertura ao público deu possibilidade para que o conhecimento, até então restrito a uma parcela da população, passasse a poder circular entre outras pessoas. Observar essa circulação de saber, de conhecimento científico é interessante e produtivo para quem se propõem a pensar sobre o Aprender e o Ensinar Ciências. Sendo assim, a pesquisa consistiu em buscar respostas para três questões de pesquisa: 1) O MPCF pode ser caracterizado como uma heterotopia?; 2) Que movimento é realizado pelo MPCF entre os anos de 2008 e 2023 no que diz respeito a sua espacialidade?; e 3) Em que medida há um aprofundamento do caráter heterotópico do MPCF entre os anos de 2008 e 2023?. Para realizar a pesquisa, utilizaram-se de maneira geral conceitos desenvolvidos por Michel Foucault, em especial o de heterotopia, a partir do qual podemos pensar sobre relações de poder e saber e de discurso que permeiam este espaço museal estudado. A metodologia aplicada nesta pesquisa foi elaborada fundamentada a partir da teoria dos conceitos de precauções de métodos e análise do discurso foucaultianos. Sendo assim, foram realizadas sete visitações aos espaços do MPCF entre os anos de 2008 e 2023. Nas ocasiões foram observados, registrados e analisados o acervo do museu, o espaço dedicado à instituição, a modo de visitação, o direcionamento ao público e eventuais discursos produzidos então. Nestas visitas, observaram-se três aspectos elementares, cada um deles a fim de responder respectivamente uma das questões de pesquisa: 1) a constatação dos seis princípios da heterotopologia – espécie de ciência da heterotopia de Foucault – durante às idas ao museu; 2) as modificações amplas ocorridas no arranjo do espaço museal, tendo em vista o contexto histórico de cada época, que por sua vez interfere em aspectos como a organização do espaço, a disponibilidade ao público e o sentido que se dá às visitas; e 3) as mudanças ocorridas quanto à história, à geografia e ao acesso em cada uma das sete visitas, balizadas por uma perspectiva foucaultiana, a fim de verificar o aprofundamento heterotópico deste espaço. Dentre as principais constatações feitas ao longo das visitações, as mais intrigantes foram o fato de que, embora geralmente o ganho de institucionalização gere um ganho de burocracia, no MPCF ocorre o movimento contrário. Também foi constatado que a institucionalização não foi capaz de conter a heterotopia do museu, também contrariando o que ocorre geralmente. Esse movimento pode ser explicado pelas formas de exercício de poder propostos por Foucault, que por sua vez impactam em pontos importantes quando pensamos em Ensino de Ciências, como a divulgação científica, propostas de aplicações curriculares e engajamento da curiosidade popular
Item
Efeitos da melatonina sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e metabolismo energético hepático de ratos wistar pré-diabéticos
(2024-11-01) Souza, Milena Cremer de; Seiva, Fábio Rodrigues Ferreira; Guarnier, Flávia Alessandra; Comar, Jurandir Fernando
O quadro pré-diabético é associado com alterações no metabolismo glicolítico, lipídico e com o aumento do estresse oxidativo. A melatonina é uma indolamina lipofílica e pleiotrópica sintetizada na glândula pineal e em diferentes órgãos, como o fígado. Sua capacidade de modular o metabolismo energético em modelos diabéticos já é explorado. Considerando esse contexto, o intuito deste trabalho foi avaliar os efeitos da melatonina sobre o metabolismo energético hepático em um modelo de pré-diabetes induzido por dieta rica em sacarose associada à estreptozotocina (STZ). Para este fim foram utilizados 30 ratos Wistar machos de 30 dias de idade, inicialmente divididos nos grupos controle (C; n=10) e pré-diabético (PD; n=20). Ambos os grupos receberam ração comercial ad libitum e o grupo PD solução de sacarose 40% no lugar da água de beber. Após 4 semanas os animais do grupo PD receberam injeção i.p de STZ (50 mg/kg) para indução do quadro pré-diabético e foram divididos, aleatoriamente nos grupos PD e pré-diabético tratado com melatonina (PD-Mel). Este recebeu injeções i.p de melatonina (25 mg/kg) 3 vezes por semana durante 4 semanas. O tratamento com melatonina diminuiu a glicemia de jejum, mas a intolerância à glicose não foi diminuída e os parâmetros morfométricos corpóreos foram semelhantes nos 3 grupos experimentais. O consumo de ração nos grupos PD e PD-Mel foi cerca de 40% menor em comparação a C. No grupo PD os depósitos de gordura foram aumentados em 109,79% e a taxa de adiposidade em 100,28%. Após o tratamento com melatonina esses parâmetros foram diminuídos, respectivamente em 61,07% e 53,41%. O perfil lipídico dos animais foi modulado parcialmente pelo tratamento com melatonina. No soro os níveis de triglicérides (TG), aumentados em 42,85% no grupo PD foram normalizados no grupo PD-Mel. Os níveis de colesterol total (CT), aumentados em 21,83% em PD foram diminuídos em 12,8% em PD-Mel. No fígado a melatonina modulou o metabolismo energético. O grupo PD-Mel apresentou aumento de 187,27% na expressão de Glut2. A expressão de Ldha e atividade LDH, aumentadas em 99,7% e 62,67% em PD foram diminuídas em 45,98% e 26,11% no grupo PD-Mel, sugerindo diminuição da glicólise anaeróbica. A expressão de Hadh e atividade de ß-OHADH foram aumentadas, respectivamente, em 31,84% e 79,45% no grupo PD-Mel, inferindo aumento da ß-oxidação de ácidos graxos. O estresse oxidativo hepático foi evidenciado pela diminuição da atividade enzimática de SOD (23,55%), CAT (29,39%) e aumento da peroxidação lipídica (135,44%). O tratamento com melatonina aumentou a atividade de SOD em 16,42%, de CAT em 65,96% e diminuiu a peroxidação lipídica em 22,64%. Dessa forma é evidenciada a capacidade da melatonina em melhorar o perfil lipídico e modular o metabolismo energético e o estresse oxidativo em um quadro pré-diabético