Repositório Institucional da UEL - RIUEL

Foto: Portal UEL
 

Submissões Recentes

Item
Cartografias sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na rua
(2024-02-28) Elias, Gabriel Pinheiro; Bortoletto, Maira Sayuri Sakay; Baduy, Rossana Staevie; Almeida, Daniel Emílio da Silva
As pessoas que vivem na rua expressam modos de vida diversificados e singulares que implicam em suas demandas de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com os Consultórios na Rua (CnaR), dispositivo que visa prestar assistência e articular tais demandas in loco, garantindo a integralidade de seus cuidados. O objetivo deste trabalho foi cartografar uma vivência sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na rua, referenciado a um CnaR. É um estudo cartográfico conforme a obra Cartografia Sentimental, de Suely Rolnik. Tal abordagem consiste ao pesquisador trazer as afetações vividas em campo enquanto material analítico à temática. O campo em questão foi o CnaR de um município no Paraná no qual me integrei à rotina de trabalho da equipe no decorrer do segundo semestre de 2022. A partir dessa imersão, foi utilizado como dispositivo o usuário-guia que consistiu, então, em elencar um usuário do CnaR conhecido pela equipe por representar um alto grau de complexidade na dinâmica do serviço. Esse dispositivo preconiza buscar ir de encontro a esse usuário e se permitir afetar por tal. No caso, esse trabalho ressaltou um casal que vive na rua, de feição alegre, que tencionava a equipe à uma disputa de perspectivas pela produção do cuidado. Assim, essas afetações vividas foram registradas em diário cartográfico e discutidas à luz de autores da esquizoanálise. A análise dessas afetações apontou os eixos de discussão: biopoder, biopolítica e biopotência. O desejo de maternidade nesse casal convocou em nós uma postura de dissuasão, com ofertas majoritariamente de anticoncepcionais, e nos trouxe um conflito ético-moral sobre o controle do desejo do outro. Logo, se discorreu que quando esse casal buscou adotar um estilo de vida de moradia regular que atendeu nossas expectativas de cuidados em saúde, que supostamente legitimassem seu desejo – porém, o antes alegre casal agora aparentava apático e sem projeções como quando estavam na rua. Por fim, após cerca de duas semanas, retornaram à rua. Tal evento trouxe alívio, pois, a ótica de que a moradia regular seria o melhor para eles, pensado enquanto profissional de saúde, minou o que se entende enquanto a potência de vida desse casal. Independente do debate das condições adequadas a uma maternidade, nosso trabalho deve se voltar ao diálogo com a potência de vida, não ao controle sobre ela. A cartografia evidenciou tanto os elementos velados de uma perspectiva de cuidado orientada pelo controle do outro, quanto aqueles voltados à potência de vida – exercício analítico fundamental para práticas ampliadas e integrais de cuidado
Item
Staphylococcus aureus sensível a oxacilina, mecA positivo, isolados de infecção de corrente sanguínea em um hospital do sul do Brasil: análise epidemiológica, molecular e caracterização clínica dos pacientes
(2023-12-15) Duarte, Felipe Crepaldi; Perugini, Marcia Regina Eches; Vespero, Eliana Carolina; Lopes, Gilselena Kerbauy; Capobiango, Jaqueline Dario; Tano, Zuleica Naomi; Yamada-Ogatta, Sueli Fumie
Staphylococcus aureus possui elevada importância clínica e epidemiológica, seja pela sua capacidade de colonizar pacientes saudáveis ou de ocasionar processos infecciosos, que podem ser restritos aos tecidos superficiais ou invasivos, como é nas pneumonias, sepse e endocardite. O objetivo desse estudo foi avaliar a frequência e epidemiologia molecular de isolados Oxacillin-Sensible Methicillin Resistant S. aureus (OS-MRSA) isolados de hemocultura, bem como, avaliar os aspectos clínicos de pacientes com infecção de corrente sanguínea ocasionada por OS-MRSA. A identificação dos isolados, bem como a determinação do perfil de sensibilidade aos antimicrobianos, foi realizada por metodologia manual, de acordo com o CLSI, 2021, e automatizada utilizando os sistemas Vitek® 2 (bioMeriéux-USA), Phoenix® (Becton, Dickinson) e Microscan® (Siemens-Califórnia). A concentração inibitória mínima para vancomicina, linezolida, teicoplanina, daptomicina e oxacilina foi determinada utilizando tiras de e-test® (bioMeriéux-USA). A formação de biofilme foi avaliada por técnica de cristal violeta, e o DNA total dos isolados, extraído por protocolo enzimático, foi utilizado para pesquisa dos genes mecA, vanA, nuc, icaA, pvl e tst-1, além da análise dos Complexos Clonais (CC) e Sequence Typing (ST). Avaliamos 801 isolados de S. aureus, provenientes de infecções de corrente sanguínea, coletados de pacientes internados em um hospital do sul do Brasil entre janeiro de 2011 a dezembro de 2020. Desses, 96 isolados foram identificados como sensíveis a meticilina. Todos os isolados foram identificados, molecularmente, através da amplificação do gene nuc. Quanto ao gene mecA, 27% (26/96) dos isolados foram positivos, sendo caracterizados como OS-MRSA. O gene vanA não foi encontrado nessa pesquisa. O gene pvl foi encontrado em 92% (24/26) dos isolados e o gene tst-1 estava presente em 61% (16/26) dos isolados. Ainda, todos os isolados foram positivos para o gene icaA e, ao teste fenotípico, foram caracterizados como forte formadores de biofilme. Quanto aos elementos SCCmec, o tipo I foi o mais prevalente, presente em 46% (12/26) dos isolados, seguido pelo tipo IV 23% (6/26) e tipo II 4% (1/26). Ainda, 27% (7/26) foram caracterizados como não tipáveis. Quanto aos CC e ST, os isolados foram categorizados em 6 CC´s diferentes, sendo mai prevalente o CC5 41% (9/22) e 11 ST´s, prevalecendo o ST99 41% (9/22). Quanto ao desfecho da infecção 19/26 pacientes (73%) receberam alta hospitalar e 7/26 (27%) evoluíram para óbito. Com esse estudo foi possível observar elevada prevalência de isolados OS-MRSA, entre os S. aureus causadores infecção de corrente sanguínea, em um hospital do sul do Brasil. A identificação destes isolados é importante, pois eles podem representar dificuldades clínicas no tratamento dos pacientes, uma vez que são falsamente caracterizados como sensíveis, e podem induzindo ao de-escalonamento, errôneo, na terapia antimicrobiana com oxacilina. Os OS-MRSA se mostraram virulentos e epidemiológicamente diversos, tanto pela análise dos SCCmec, quanto dos CC´s
Item
Estresse oxidativo sistêmico em pacientes com insuficiência venosa crônica
(2023-12-07) Farias, Alanna Silva Huk; Armani, Alessandra Lourenço Cecchini; Cecchini, Rubens; Lopes, Natália Medeiros Dias
Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é definida como conjunto de manifestações clínicas causadas pela anormalidade do sistema venoso periférico. O "aprisionamento de leucócitos" é o mecanismo responsável pela elevada permeabilidade da parede venosa e estresse oxidativo nas veias doentes. O objetivo deste trabalho foi caracterizar o perfil da resposta oxidativa de pacientes com IVC em estágios iniciais e em estágios avançados. Um total de 101 pacientes foram recrutados no ambulatório de Cirurgia Vascular do Hospital Municipal Santa Alice – cidade de Santa Mariana - para participar da pesquisa entre setembro de 2022 e abril de 2023. Os pacientes responderam a um questionário sobre idade, hábitos e doenças crônicas e amostras de sangue foram coletadas para análise dos parâmetros de estresse oxidativo. Os pacientes foram estratificados em 2 grupos de acordo com a classificação da insuficiência venosa crônica CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica). O grupo 1 (n=73) inclui pacientes classificados como CEAP1, CEAP2 e CEAP3, enquanto o grupo 2 (n=28) inclui pacientes classificados como CEAP4, CEAP5 e CEAP6. Os eritrócitos foram utilizados para quantificar hidroperóxidos de membrana, glutationa reduzida (GSH), superóxido dismutase (SOD) e atividade da catalase (CAT). Os resultados da análise dos dados sociodemográficos mostraram a prevalência do sexo feminino nos dois grupos (p= 0,001) e o número de gestações (p= 0.002) teve uma relação significativa entre os dois grupos. Quanto aos parâmetros de estresse oxidativo, os pacientes do grupo 2 apresentaram níveis maiores (p= 0,002) de hidroperóxidos de membrana em relação ao grupo 1. A quantificação de GSH e SOD, e a atividade da CAT não se mostrou diferente entre os grupos. Baseado nos resultados pode-se inferir que há um desequilíbrio redox nos pacientes com IVC em estágios mais avançados pela presença importante de elevados níveis de hidroperóxidos de membrana