Repositório Institucional da UEL - RIUEL

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Submissões Recentes

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Resistência à seca em mudas de espécies nativas da floresta estacional semidecidual
(2025-03-18) Rodrigues, Larissa Cerqueira Dias; Torezan, José Marcelo Domingues; Moreira, Renata Stolf; Podadera, Diego Sotto
O objetivo deste estudo foi pesquisar a resistência à seca de espécies arbustivas e arbóreas abundantes em fragmentos florestais ou amplamente utilizadas em projetos de restauração da Floresta Estacional Semidecidual (FES). Foram conduzidos experimentos de déficit hídrico (DH) severo em casa de vegetação com 34 espécies nativas da FES. O DH foi aplicado em 10 mudas de cada espécie, e outras 10 mudas foram mantidas em capacidade de campo, atuando como o grupo controle (CC). A condutância estomática (gs) de todos os indivíduos foi medida diariamente até haver uma redução de ~50% da gs inicial, quando alcançaram esse valor, foi feita a medição do potencial de água (Ψw) do caule de cinco mudas de cada tratamento. O restante das mudas foi observado até sua morte com a utilização de um Protocolo de Identificação Visual do DH (PIV) que é utilizado para atribuir notas ao nível de DH. Quando atingiram a nota 5 (morte da parte aérea), elas foram reidratadas para avaliar a capacidade de rebrota. A influência das espécies e dos tratamentos sobre a gs e o Ψw foram analisadas por Modelos Lineares Generalizados (GLMs), e por comparações múltiplas post-hoc par a par, visando compreender quais espécies responderam de forma semelhante ao DH. O mesmo procedimento foi aplicado para analisar o efeito das espécies sobre o tempo para as plantas atingirem a nota 5 do PIV. Também foi utilizado um GLM para averiguar a influência das respostas fisiológicas sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. E uma Regressão Linear Multipla (RLM) para investigar a influência dos traços funcionais - área foliar específica (AFE) e razão raiz/parte aérea (R/PA) - sobre o tempo para as espécies sofrerem morte da parte aérea. Os resultados indicaram que as espécies apresentam diferentes repostas de gs e de Ψw quando submetidas ao DH (p < 0.01). Além disso, também foi encontrada diferença significativa no tempo para atingirem a nota 5 do PIV (p < 0.01). Para estes três modelos, houve um gradiente de respostas e a formação de vários grupos pelas comparações múltiplas. As espécies que sofreram a morte da parte aérea mais rapidamente foram C. pachystachya, T. micrantha, A. virgata, I. vera e R. armata, dessa forma, essas espécies são mais sensíveis à seca. Enquanto C. speciosa, F. guaranítica, E. contortisiliquum e P. rígida foram as que demoraram mais tempo para apresentar a morte da parte aérea, sendo mais resistentes à seca. O Ψw influenciou positivamente o tempo para a morte da parte aérea (p = 0.04), enquanto a gs, a AFE e a razão R/PA não causaram efeito significativo (p=0.93, p = 0.28). Além disso após serem reidratadas no viveiro, foi observada rebrota das espécies A. integrifolia, A. virgata, Cordia ecalyculata, Eugenia pyriformis, F. guaranitica e T. micranta. Os resultados desta pesquisa contribuem para a compreensão das respostas de espécies nativas da FES ao DH e permitem identificar espécies com maior ou menor resistência à seca. Espera-se que estes achados auxiliem na escolha estratégica de espécies mais resistentes à seca para a utilização em projetos de restauração florestal e que estes dados sejam utilizados para prever as respostas desse ecossistema às mudanças climáticas.
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Capas da vogue: do padrão a "inclusão"
(2024-05-30) Silva, Jackeline; Guirado, Maria Cecília; Klein, Alberto; Hoffmann, Maria Luisa
A presente pesquisa visa compreender as representações da beleza na Vogue, passando pelo histórico da publicação até chegar aos corpos antes marginalizados pela revista, mas que ao longo dos últimos anos estamparam algumas capas. Investiga-se como - no contexto atual, em meio à conscientização sobre diversidade e inclusão - a Vogue está respondendo a essas mudanças. Para alcançar esse propósito, serão analisadas quatro capas da revista que representam um impacto editorial de relevância na construção do respeito pelas mulheres negras, trans, albinas e acima do peso padrão. Por meio de abordagem multidisciplinar, este estudo permite uma análise crítica e contextualizada dessas representações de beleza na cultura contemporânea, sem perder de vista a importância das transformações em curso na indústria da moda. A metodologia empregada fundamenta-se na perspectiva semiótica de Roland Barthes (1979), pelos veios históricos de Angeletti & Oliva (2012) e Bozinoski (2022), enriquecida pelo suporte teórico de jornalismo de Ali (2009), Buitoni (1990) e Scalzo (2011), e dos estudiosos de Moda Lipovetsky (2009), Modesto (2018) e Barnard (2003).
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Ecos da rua: um livro-reportagem acerca da aporofobia e resistência
(2025-02-19) Santos, Luiza Arlindo dos; Zanardi, Reinaldo César; Moreira, Reginaldo; Nalesso, Ana Patricia Pires
Este trabalho apresenta uma investigação jornalística sobre como a aporofobia — neologismo cunhado em 1995 pela filósofa espanhola Adela Cortina— afeta o cotidiano de cidadãos em situação de vulnerabilização social. Ao elaborar o conceito, Cortina analisa o medo e a rejeição direcionados a pessoas em condições de pobreza e desamparo, bem como a manifestação de atitudes e políticas discriminatórias que perpetuam essa exclusão. A aporofobia atravessa a vida de indivíduos invisibilizados pela sociedade e, frequentemente, pelo Estado. Para embasar essa discussão, foi utilizado o livro “Elite do Atraso: da escravidão à Lava Jato”, de Jessé Souza, que explora, entre outros temas, a história da pobreza no Brasil. A obra oferece um contexto histórico e social sobre como as populações pobres foram marginalizadas e abandonadas à própria sorte. O crescente número de pessoas em situação de rua, bem como o aumento de refugiados no Brasil, reforça a urgência de compreender e enfrentar essa questão. Nesse cenário, o objetivo deste trabalho vai além da análise, busca dar visibilidade a personagens que superaram a situação de rua, assim como a imigrantes e refugiados que deixaram seus países de origem. A abordagem inclui a documentação de suas histórias de vida, a análise de suas rotinas e a reflexão sobre o impacto da aporofobia em suas trajetórias. O resultado dessa investigação culmina no livro-reportagem “Ecos da rua: retratos de sonhos e lutas”. Guiado pelos conceitos de Edvaldo Pereira Lima, o trabalho opta por não se concentrar em figuras individuais, mas em uma região geográfica, um setor da sociedade e um segmento econômico. O objetivo é traçar um retrato coletivo, evidenciando o impacto da exclusão e, simultaneamente, as narrativas de resiliência e superação. A obra visa promover a compreensão, a inclusão social e a humanização dessas pessoas, contribuindo para o debate e para a construção de uma sociedade mais empática e igualitária