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Submissões Recentes
Governança como prática: governança e participação cidadã em cidades inteligentes à luz da ontologia do lugar de Schatzki
(2025-11-06) Cezar, Natasha de Araujo; Pegino, Paulo Marcelo Ferrarese; Chiusoli, Cláudio Luiz; Tezza, Rafael
Esta dissertação investiga criticamente o fenômeno das cidades inteligentes, partindo da premissa de que, apesar de prometerem eficiência por meio da tecnologia, elas frequentemente reforçam estruturas tecnocráticas e marginalizam a participação cidadã. O estudo buscou compreender como as práticas sociais constroem a governança nesses contextos, tomando a cidade de Londrina/PR — classificada como inteligente em rankings nacionais — como estudo de caso. A pesquisa foi fundamentada na Teoria das Práticas Sociais de Theodore Schatzki, onde entende a vida social como um emaranhado de “práticas” (atividades organizadas) e “arranjos materiais” (tecnologias, infraestruturas). Esse arcabouço permitiu analisar a governança não como uma estrutura fixa, mas como um processo dinâmico e em constante construção. Para avaliar a participação do cidadão, se utilizou a “escada da participação cidadã” de Arnstein, na qual classifica os níveis de envolvimento, da mera simbologia até o controle efetivo. Metodologicamente, o trabalho adotou uma abordagem qualitativa, com coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas, análise documental e observação participante. A análise revelou um cenário de contradições. Embora Londrina possua uma estrutura formal de governança que articula poder público, setor privado e academia, os cidadãos são tratados principalmente como usuários finais e não como coprodutores ativos da cidade. A retórica da “cidade centrada no cidadão” não se materializa em práticas inclusivas. Portanto, a pesquisa conclui que a inteligência de uma cidade não é um atributo meramente técnico, porém uma qualidade relacional e política, constantemente negociada e contestada nas malhas de suas práticas e arranjos materiais. A principal contribuição do estudo foi articular de forma inovadora a ontologia de Schatzki com o campo crítico das cidades inteligentes, oferecendo uma lente analítica para desvendar a governança como um fenômeno em constante (re)configuração
Godllywood Girls: um projeto colonizador de corporalidades e imaginários de meninas no âmbito da Igreja Universal do Reino de Deus
(2025-10-29) Rodrigues, Franciele; Lanza, Fábio; Burity, Joanildo Albuquerque; Silva, Ileizi Luciana Fiorelli; Rezende, Maria José de; Moreira, Reginaldo; Buzalaf, Márcia Neme
Esta pesquisa busca identificar quais são os sentidos pretendidos pelos discursos do programa Godllywood Girls para a educação de gênero. A iniciativa é desenvolvida pela Igreja Universal do Reino de Deus e chegou ao Brasil em 2010, mesmo ano em que as manifestações antigênero começaram a obter maior projeção no país, tendo como um de seus principais alvos, o rechaço à inclusão dos debates sobre gênero nos espaços escolares (BIROLI, 2018; MARTINEZ, 2020). O programa conta a Godllywood School: “uma escola para a vida” voltada exclusivamente para meninas de 6 a 15 anos, localizada no Templo de Salomão, sede nacional da Universal. De dimensão transnacional, a iniciativa tem como finalidade principal “resgatar a essência feminina” (UNIVERSAL, 2023). Diante disso, esta investigação parte das seguintes questões: quais são os materiais e estratégias de comunicação produzidos pelo programa Godllywood Girls? Quais sentidos podem ser apreendidos dos discursos presentes nestes materiais no que tange à educação de gênero? As hipóteses iniciais partem da compreensão de que o programa Godllywood Girls opera como uma tecnologia colonial de gênero (LAURETIS, 1994; LUGONES, 2020; CASANOVA, 2006) responsável por estabelecer um discurso universalizante sobre “ser mulher” e acerca da noção de família, concepções estas assentadas em uma leitura dominante da cultura cristã ocidental e, portanto, reprodutora de estigmas e violências de gênero. Neste estudo, a perpetuação de opressões de gênero é vislumbrada tanto em cenário nacional, haja vista a invisibilidade às identidades, sexualidades dissidentes bem como a outros modelos de famílias para além do arranjo patriarcal, mas também em contexto internacional, já que o programa está presente em 77 países, apresentando crescimento, principalmente, no continente africano. A premissa leva a considerar a participação da Igreja Universal na ofensiva antigênero no Brasil, visto que além de propagar discursos contra o debate de gênero nos currículos escolares, a denominação cria a sua própria escola para ensinar garotas a serem mulheres que “agradem a Deus”. Neste estudo foram empregados os seguintes passos teórico-metodológicos: pesquisa bibliográfica, análise de discurso e de conteúdo. No total, foram analisados 42 vídeoaulas ofertadas para as garotas e dois livros empregados pelo programa, a saber: “Tecnicamente virgem – Qual é o limite?” e “Sexy Girls”. O trato de todas as informações coletadas ocorreu por meio da triangulação de dados. Foi possível apreender que através do programa, a Universal tem propagado uma série de regras que são repassadas às meninas visando moldar seus comportamentos e pensamentos. Além disso, constata-se que com o Godllywood Girls, a igreja tem fabricado uma modelo de feminilidade conservadora neoliberal (BROWN, 2019; MARTINEZ, 2020), que busca reafirmar papeis tradicionais de gênero, alicerçados no binarismo e heterossexualidade compulsória ao mesmo tempo em adota valores neoliberais como o “empreendedorismo de si”, a entrega de resultados, o controle do tempo, a meritocracia como sensores de conduta. A iniciativa também legitima apenas o arranjo de família patriarcal, violentando a existência de outros modelos e, ainda, associa identidades de gênero e sexualidades a “modismos” que estariam, segundo a igreja, difundindo “valores antifamiliares”. Verifica-se também que através do programa, a igreja contraria conquistas dos movimentos feministas, reconhecendo apenas aquelas que encampadas, sobretudo, pelo feminismo neoliberal. Nota-se que com o programa, a Universal objetiva a construção da “mulher virtuosa”, que é aquela multitarefa, que cuida da aparência, da casa, carreira, da família e dá suporte ao marido – sempre privilegiando o espaço doméstico ante o público. Percebe-se que através do Godllywood Girls, a Universal anseia incutir desde a infância e a adolescência a “política da prosperidade” (TEIXEIRA, 2018) entre as garotas, recorrendo ao controle do corpo e imaginários para estabelecer uma disciplina individual e familiar orientada pela lógica do desempenho. Assim, a igreja torna-se uma força importante na propagação do conservadorismo e da agenda antigênero na medida em que oferta um letramento de gênero que biologiza e universaliza as identidades bem como individualiza as desigualdades e violências
Uso de algoritmos de Machine Learning: predição de sinais e sintomas relacionados a exposição ocupacional de trabalhadores da saúde à fumaça cirúrgica
(2025-10-14) Lopes, Larissa Padoin; Ribeiro, Renata Perfeito; Leachi, Helenize Ferreira Lima; Chiavegatto Filho, Alexandre Dias Porto
Introdução: A exposição à fumaça cirúrgica é um importante desafio para a saúde ocupacional em hospitais. A pesquisa busca evitar que os sinais e sintomas em trabalhadores expostos evoluam para doenças graves, e o uso de algoritmos de Machine Learning surge como uma estratégia inovadora para a detecção precoce e prevenção de adoecimentos ocupacionais. Objetivo: Investigar os impactos da exposição à fumaça cirúrgica na saúde ocupacional de trabalhadores de saúde que atuam em centros cirúrgicos, utilizando abordagens de Machine Learning para predição de sinais e sintomas. Método: A dissertação é composta por dois estudos. O primeiro é um estudo transversal com abordagem preditiva, realizado com dados coletados entre 2021 e 2023 em três instituições de saúde: duas no norte do Paraná e uma no centro do Rio Grande do Sul. A amostra incluiu 364 trabalhadores da saúde, com coleta de dados sociodemográficos, ocupacionais e de intensidade de sinais e sintomas relacionados à exposição ocupacional à fumaça cirúrgica. Para a análise quantitativa, foi utilizada uma Rede Neural Artificial, com o desempenho avaliado por métricas como acurácia, especificidade e sensibilidade. O segundo estudo é uma revisão sistemática, realizada em setembro de 2024, para identificar modelos de Machine Learning aplicados na predição de doenças em trabalhadores da saúde. A análise foi qualitativa, sintetizando os resultados de 14 artigos incluídos. Resultados: Os resultados do estudo quantitativo demonstraram que o modelo de Rede Neural Artificial foi eficaz na predição de sinais e sintomas. Para o sistema respiratório, o modelo alcançou uma acurácia média de 86,59% no treinamento e 76,50% em operação, apresentando uma alta especificidade de 96,36%, o que indica sua capacidade de identificar corretamente a ausência de sintomas. Para o sistema ocular, a acurácia foi de 77,87% no treinamento e 69,44% em operação, com especificidade de 84,06% e sensibilidade de 67,21%. O estudo de revisão sistemática (estudo qualitativo) revelou que as doenças mais preditas por modelos em trabalhadores da saúde são os transtornos psicossociais (50,0%), seguidos pelas doenças respiratórios (42,86%) e doenças neurológicas (7,14%). Os algoritmos com melhor desempenho foram o Random Forest, com valores de área sob a curva (AUC-ROC) de até 0,90, e as Support Vector Machines, com AUC-ROC de até 0,94. Conclusão: O modelo preditivo utilizado no primeiro estudo, demonstrou desempenho satisfatório, confirmando o potencial das Redes Neurais Artificiais para a identificação precoce de sinais e sintomas associados à exposição à fumaça cirúrgica, respondendo assim ao objetivo e lacuna da pesquisa. A revisão sistemática reforçou que algoritmos de Machine Learning têm um bom potencial na predição de doenças em trabalhadores da saúde, especialmente nas áreas mental e respiratória, embora a falta de padronização e a escassez de estudos em países latino-americanos sugerem a necessidade de mais pesquisas e validações de algoritmos em diferentes contextos ocupacionais
