Comunidades no RIUEL
Selecione uma comunidade para navegar por suas coleções
Submissões Recentes
Análise de erros ortográficos na escrita de estudantes brasileiros e portugueses sob a perspectiva da sociolinguística educacional
(2025-11-04) Ruiz, Silvia Helena de Freitas; Almeida, Joyce Elaine de; Cagliari, Luiz Carlos; Barbosa, Juliana Bertucci; Aguilera, Vanderci de Andrade; Altino, Fabiane Cristina; Santos, Ana Sucena
A aquisição da escrita, um sistema simbólico complexo, ocorre predominantemente no ambiente escolar por meio da alfabetização, que constitui um processo moldado pela interação social e pela exposição contínua às convenções ortográficas e gramaticais da língua (Cagliari, 1998, 2024). O objetivo geral da tese é investigar as diferenças na frequência e nas tipologias de erros ortográficos nas produções escritas de estudantes brasileiros e portugueses do ensino fundamental, de modo a compreender se as condições de inserção sociocultural e educacional influenciam os processos de aquisição da ortografia, sob a perspectiva da Sociolinguística Educacional. Participaram do estudo de cento e onze estudantes do Brasil e de Portugal. A coleta de dados foi realizada por meio de um ditado e da produção de um texto livre baseado no reconto de uma narrativa literária. A análise fundamentou-se na perspectiva da Sociolinguística Educacional. (Bortoni-Ricardo, 2004; 2005; Cyranka, 2013; Faraco, 2008; 2012), bem como em estudos sobre o sistema alfabético da escrita (Ehri, 2005; Cagliari, 2009). Os resultados revelaram que os erros mais frequentes nos anos iniciais do Ensino Fundamental estão relacionados às convenções ortográficas, como o uso indevido de letras e a ausência de marcas de segmentação. Nos anos finais, observamos a persistência de erros decorrentes da influência da oralidade sobre a escrita, especialmente na substituição de grafemas e na simplificação de estruturas morfossintáticas. A análise estatística demonstrou uma associação significativa entre o desempenho em leitura e a precisão ortográfica, indicando que estudantes com melhor habilidade leitora apresentaram menor incidência de erros. Além disso, variações socioeconômicas, como a escolaridade materna e o tempo de educação infantil, influenciaram significativamente o desenvolvimento da escrita, beneficiando aqueles expostos precocemente a habilidades preditoras da alfabetização. Os achados reforçam a importância de práticas sistemáticas distintas para as competências do sistema de escrita, conhecimento ortográfico e fluência leitora. O aprimoramento dessas habilidades, desde os primeiros anos escolares, contribui para o domínio mais consolidado da norma ortográfica e para a redução dos impactos da oralidade na escrita.
Sobre futuros (in)imagináveis e (im)previsíveis: a produção contística da ficção científica feminista brasileira dos anos 2010
(2025-12-11) Ferreira, Priscila Aparecida Borges; Leite, Suely; Menon, Maurício Cesar; Oliveira, Marilu Martens; Ferreira, Cláudia Cristina; Fiuza, Adriana Aparecida de Figueiredo
Esta tese investiga a produção contística da ficção científica feminista brasileira publicada nos anos 2010, buscando compreender e responder à problemática: de que modo as autoras contemporâneas reconfiguram o gênero literário ficção científica ao problematizar questões de gênero, corpo, maternidade, tecnologia e poder? Ao constatar que a ficção científica nacional foi historicamente construída como espaço predominantemente masculino, a pesquisa propõe uma leitura crítica que coloca as escritoras brasileiras no panorama da ficção científica e da crítica feminista, reconhecendo nelas o gesto político de (re)escrever o futuro desde o corpo e o território. O estudo alicerça-se em referenciais da crítica feminista e dos estudos de ficção científica, articulando teóricas como Donna Haraway (1991), Sarah Lefanu (1988), Joanna Russ (1995), Judith Butler (2018), Michelle Perrot (2007), Silvia Federici (2019), DarkoSuvin (1977) e Adam Roberts (2018), entre outros, para discutir como o novum e outras categorias da ficção científica são mobilizados na construção de mundos que tensionam, questionam e reinventam a sociedade patriarcal contemporânea. Metodologicamente, adota-se uma análise qualitativa de caráter crítico-feminista e sociocultural, fundamentada na leitura comparativa e na análise discursiva das representações de gênero, corpo e tecnologia em contos das coletâneas Universo Desconstruído (Sybylla; Valek, 2013; 2014) e Aqui quem fala é da Terra (Caniato; Bianchi, 2018). As análises evidenciam que a ficção científica escrita por mulheres no Brasil transforma o espaço tradicionalmente masculino da ciência em arena de resistência, memória e reinscrição do ser mulher, promovendo o deslocamento da figura feminina de objeto narrativo para sujeito produtor de conhecimento e de futuros possíveis. Nos contos “Eu, incubadora”, “Cidadela” e “Amor fortemente elíptico”, a maternidade é representada como território biopolítico, em que a reprodução se torna campo de controle e também de insurgência. Em “Boneca”, a infância é problematizada como mercadoria afetiva, enquanto em “Codinome Electra” e “Memória sintética” o corpo feminino e a tecnologia se articulam na reconfiguração do sujeito ciborgue. Já em “Uma terra de reis” e “Réquiem para a humanidade”, desloca-se o centro da narrativa e reescreve-se o pós-apocalipse como espaço de crítica à colonização, à hierarquia e ao poder patriarca. Em “Projeto Áquila” e “BSS Mariana”, a memória funciona como forma de resistência e de reconstrução identitária frente à ruína e ao esquecimento. Há também contos que exploram o humor e a paródia, como “O morango de Itaipu”, “Dois ou um” e “O fantasma veio para a festa” que revelam o riso como estratégia de crítica social e de reconstrução de identidades. Conclui-se que a ficção científica feminista brasileira da década de 2010 reimagina a ficção científica como espaço de criação de mundos éticos, plurais, insurgentes e resistentes, em que o gesto de fabular é também o de resistir. Reconhecer essas vozes é reconhecer a potência política e estética da escrita de mulheres que, ao narrarem o futuro, intervêm criticamente no presente.
Ensino de biologia evolutiva: análise de um curso de formação de continuada na cidade da Beira- Moçambique
(2025-05-15) Mirione, Nito Artur; Andrade, Mariana Aparecida Bologna Soares de; Araújo, Leonardo Augusto Luvison; Meglhioratti, Fernanda Aparecida; Souza, Rogerio Fernandes; Dutra, Matheus Ganiko
O estudo analisa a implementação de um curso de formação sobre a Evolução Biológica para professores do ensino secundário em Moçambique, onde ainda há poucos estudos sobre o ensino desse tema. A tese foi organizada no formato multipaper com uma abordagem vertical. Quatro objetivos orientaram a pesquisa: (1) analisar o perfil dos professores participantes do curso e fatores que influenciam o ensino de evolução; (2) analisar as representações sociais dos professores de Biologia quanto aos termos indutores histórico da Evolução Biológica, Evolução Biológica como eixo integrador e Evolução Biológica no ensino secundário; (3) conhecer representações sociais dos professores da educação básica que participaram no curso e (4) observar as interações dos professores e formandos nas aulas do curso de Evolução Biológica. Para tanto, usou-se a metodologia qualitativa baseada na análise de conteúdo. Envolveu-se 24 professores de Biologia da cidade da Beira. Os formadores do curso foram professores Brasileiros de diferentes Universidades. Cada multipaper resultou em 1 artigo. Usou-se questionário para coletar informações dos artigos 1, 2 e 3. A técnica de observação das aulas foi usada para artigo 4. Os resultados do artigo 1 mostram informações preliminares relevantes que devem ser considerados no processo de formação. Dificuldades que estão relacionadas ao contexto político, social e económico como falta de recursos financeiros que têm consequências turmas numerosas, falta de meios, falta de capacitação dos professores e dificuldade em continuação de estudo. No segundo estudo, os resultados mostraram que termos indutores históricos da evolução e biologia como eixo integrador têm uma representação social distante do esperado, enquanto que a representação sobre a evolução no ensino médio uma proximidade com o esperado. No artigo 3 os professores mostraram uma representação como proximidade aos esperados. Nota-se que estes tinham mais caráter avaliativo por que alguns enviavam tarde as questões, tendo tido a chance consultar materiais dos professores. No artigo (4) os professores especialistas usaram informações das pesquisas anteriores para definir estratégias de ensino que se adequam ao contexto dos professores em Moçambique. Os resultados demonstram a importância do curso para o desenvolvimento profissional: Aprenderam novas atividades práticas relacionadas com ensino de Evolução Biológica e tiveram oportunidades de aprender e aprofundar conhecimento relacionados a temática de evolução, para além de trocar experiências entre professores moçambicanos e brasileiros. Esses resultados despertam atenção aos professores, os gestores das escolas, os políticos, para refletirem a realidade do sistema educacional em Moçambique para uma abordagem integrada do ensino de Evolução Biológica e criar condições favoráveis de trabalho para o desenvolvimento profissional do professor.
