02 - Mestrado - Psicologia
URI Permanente para esta coleção
Navegar
Submissões Recentes
Item “É tipo uma punição”: conversando com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação(2026-03-06) Padovezi, Camila Lombardi; Mansano, Sonia Regina Vargas; Guedes, Olegna de Souza; Oliveira, Cynthia Bisinoto Evangelista deA presente pesquisa tem por objetivo conhecer e analisar como adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa (MSE) de internação percebem e interpretam essa medida e as práticas institucionais que a constituem. O estudo toma como objeto as experiências de adolescentes internados em um Centro de Socioeducação (CENSE) localizado no norte do Paraná. A MSE de internação, prevista no Art. 112 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), configura-se como a resposta mais severa do sistema de justiça juvenil diante da prática de ato infracional, pois se fundamenta na privação de liberdade. Em razão de seus impactos na trajetória de adolescentes, sua aplicação deve observar os princípios da excepcionalidade, da brevidade e do respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, devendo ser executada em “estabelecimento educacional” (Brasil, 1990). A pesquisa problematiza o distanciamento entre a finalidade pedagógica prevista nas legislações e as práticas efetivamente realizadas no cotidiano das instituições de internação socioeducativa. O referencial teórico articula contribuições da Psicologia Social com autores que discutem institucionalização, poder disciplinar e controle social, especialmente Foucault e Goffman, além de estudos contemporâneos sobre a MSE de internação e normativas que orientam sua execução no estado do Paraná. Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, que utiliza a história oral como estratégia metodológica, valorizando os relatos dos adolescentes como via de acesso às suas experiências, percepções e afetos. Participaram do estudo cinco adolescentes do sexo masculino, com idades entre 15 a 18 anos, privados de liberdade havia, no mínimo, 90 dias. As entrevistas foram realizadas a partir de um roteiro semiestruturado, respeitando-se os princípios éticos da pesquisa com seres humanos. A análise dos relatos organizou-se em três eixos temáticos: o ingresso e a rotina inicial na instituição; as relações estabelecidas com pares, profissionais e familiares; e as atividades pedagógicas, o Plano Individual de Atendimento (PIA) e as interpretações acerca da MSE de internação. Os resultados indicam que os adolescentes percebem a internação predominantemente como uma punição, ainda que reconheçam a existência de ofertas pedagógicas e de relações pautadas no diálogo e no respeito. Os relatos evidenciam tensões constantes entre os discursos oficiais de responsabilização e educação e práticas institucionais que reproduzem dinâmicas punitivas, hierárquicas e adultocentradas. As relações interpessoais, especialmente com profissionais, exercem papel central na produção das experiências de internação, podendo tanto amenizar quanto intensificar os efeitos da privação de liberdade. A participação dos adolescentes no PIA mostrou-se limitada, relatada como um procedimento formal, com pouca escuta efetiva de suas demandas e expectativas. Conclui-se que a MSE de internação, tal como experenciada e interpretada pelos adolescentes, permanece fortemente atravessada por práticas institucionais orientadas pelo controle, pela vigilância e pelo disciplinamento, tensionando e, em muitos casos, esvaziando seu caráter pedagógico. Ao dar centralidade às vozes dos adolescentes, o estudo contribui para a compreensão crítica do funcionamento institucional da internação socioeducativa e reafirma a importância da escuta, da participação juvenil e da reflexão sobre as práticas profissionais para a efetivação da garantia de direitos.Item Psicodiagnóstico interventivo familiar em um CAPS II: um estudo psicanalítico(2026-02-27) Oliveira, Ian Bandeira de; Sei, Maíra Bonafé; Santiago, Eneida Silveira; Inácio, Amanda Lays MonteiroNo âmbito da Avaliação Psicológica, especialmente no contexto da Psicologia Clínica, o Psicodiagnóstico Interventivo constitui-se como uma modalidade que articula investigação e intervenção de forma concomitante. Dentre suas funções, pode-se destacar a compreensão da dinâmica psíquica e relacional envolvida na queixa apresentada, a formulação de hipóteses diagnósticas, a delimitação da demanda e a indicação de encaminhamentos possíveis, considerando tanto os aspectos individuais quanto os contextuais. Quanto à sua apropriação pela Psicanálise, o Psicodiagnóstico Interventivo é compreendido como um dispositivo no qual a avaliação se articula à compreensão do sofrimento e à construção de sentidos sobre a experiência do paciente, produzindo efeitos clínicos desde os primeiros contatos. Neste contexto, pode-se lançar mão de entrevistas, observações e instrumentos projetivos, a fim de compreender e intervir sobre o funcionamento individual ou familiar. No campo da saúde mental, todavia, o trabalho com a família é muitas vezes secundarizado, embora os vínculos familiares estejam diretamente implicados na constituição e manutenção de muitos sofrimentos psíquicos. Nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços substitutivos ao modelo hospitalocêntrico instituídos pela Reforma Psiquiátrica brasileira, a atenção à família é prevista como parte do cuidado integral, mas ainda pouco sistematizada na prática cotidiana. Assim sendo, este trabalho teve como objetivo investigar o processo do Psicodiagnóstico Interventivo Familiar com usuários de um CAPS II e seus familiares, de modo a responder à seguinte pergunta: “Afinal de contas, quem está doente? O indivíduo ou o grupo?”. Para chegar a essa resposta, o estudo adotou uma metodologia qualitativa, com delineamento em estudo de dois casos, a partir de uma abordagem teórico-clínica fundamentada na Psicanálise. Foram realizados atendimentos com dois núcleos familiares distintos - um casal jovem e uma díade mãe-filho - vinculados a um CAPS II no interior do Paraná. Os encontros do Psicodiagnóstico Interventivo Familiar ocorreram por intermédio de entrevistas semidirigidas e por recursos artístico-expressivos, como a linha da vida, o genograma, o espaçograma e o Arte-Diagnóstico Familiar (ADF), que se mostraram potentes instrumentos de acesso às narrativas individuais e coletivas. Os resultados indicam que todo o processo de pesquisa possibilitou a emergência de conteúdos relevantes sobre o sofrimento psíquico dos participantes, favorecendo a avaliação e intervenção sobre as dinâmicas familiares, bem como a percepção coletiva de que os impasses vividos não se restringiam a um único indivíduo, mas atravessavam os vínculos estabelecidos entre o grupo. A partir do Psicodiagnóstico Interventivo Psicanalítico, centrado numa abordagem vincular, pôde-se delinear um enquadre preliminar que evidenciou o que, de fato, precisava ser tratado por cada núcleo familiar, reafirmando a importância da continuidade do cuidado em saúde mental e também a pertinência desse tipo de avaliaçãoItem Psicoterapia de casal na clínica psicológica da Universidade Estadual de Londrina : a visão de ex-pacientes(2025-12-18) Almeida, Marisa de Cássia Domingues Subtil de; Sei, Maíra Bonafé; Reis, Maria Elizabeth Barreto Tavares dos; Gomes, Isabel CristinaOs vínculos de aliança, filiação e fraternidade têm passado por intensas transformações ao longo dos anos, reverberando em mudanças na maneira como casais e famílias se organizam. Neste contexto, entende-se que a busca pela psicoterapia de casal pode surgir como uma alternativa face a impasses no relacionamento amoroso e familiar, ofertando um espaço para reflexão acerca dos papéis desempenhados, das alianças e pactos estabelecidos e aspectos concernentes às heranças geracionais. Tendo em vista tal contexto, objetivou-se investigar a visão de casais acerca da psicoterapia de casal, empreendida de forma presencial, na Clínica Psicológica da UEL, por meio de um projeto de extensão. Para tanto, foram entrevistados, de forma individual e após seis meses do término da psicoterapia, homens e mulheres que tivessem sido atendidos em psicoterapia de casal. A partir dos critérios de inclusão e exclusão, foram convidados sete casais que estavam nessas condições, tendo aceitado participar do estudo dois homens e cinco mulheres. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas a partir da análise de conteúdo temática. Foram estabelecidas as seguintes categorias de análise: Vivências e percepções dos ex-pacientes referentes à psicoterapia; Atuação profissional: intervenções e aliança terapêutica; A psicoterapia no serviço-escola e os atravessamentos institucionais. As categorias foram discutidas à luz do enfoque teórico da Psicanálise de Casal e Família. Como resultados, pôde-se observar que a psicoterapia psicanalítica de casal operou transformações nas relações estabelecidas entre os cônjuges, melhorando a comunicação, desvelando conteúdos inconscientes e que produziam impasses nas interações e até mesmo, os preparando para um desfecho de separação como a melhor saída para os cônjuges, inclusive, favorecendo a saúde mental dos filhosItem Ativismos de mulheres: entraves institucionais(2026-02-10) Stefano, Marina Soares; Mansano, Sonia Regina Vargas; Ferrazza, Daniele de Andrade; Emidio, Thássia SouzaNesta pesquisa, buscamos evidenciar os afetos e embates que constituem os movimentos de ativismo institucional realizados por mulheres na atualidade. No decorrer da problematização contemplamos a mulher enquanto ser em construção, movimento e constante interação com o mundo, considerando os atravessamentos culturais e históricos, de estrutura patriarcal, que tendem a cercear sua existência e seus desejos. Definimos como objetivo analisar como se efetuam as ações de mulheres ativistas inseridas na Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra a Mulher. Teórica e historicamente, lançamos um olhar analítico sobre os processos de enfrentamento em meio a uma realidade social demarcada pela violência de gênero, bem como os caminhos abertos pelo ativismo e o engajamento com a coletividade para vislumbrar focos de transformação social. Dialogamos, no tecer desta análise, com epistemologias que abordam a experiência da mulher, dos ativismos e dos corpos institucionalizados, tendo como balizadores os conhecimentos produzidos pela Psicologia Social na interface com a Sociologia, Filosofia da Diferença e Política. Adotamos a metodologia qualitativa, organizando a pesquisa em dois momentos: na parte teórica, composta por três seções, investigamos os processos históricos e culturais nos quais as mulheres e suas relações são construídas, explorando as nuances sociais que compõem suas experiências. Na parte empírica, as mulheres foram convidadas a expor suas vivências de ativismo no contexto das políticas públicas, abordando especificamente o combate à violência de gênero. Através da estratégia História Oral foram acessados relatos silenciados de resistência e fortalecimento coletivo, perpassados por elementos estruturais que compõem a sociedade patriarcal e desqualificam as ações de ativismo. Como resultado, as trocas de experiências com outras mulheres destacam-se nos depoimentos recolhidos enquanto dispositivo gerador de alianças. Dessa forma, os encontros no contexto da referida Rede demonstram-se potentes para a expansão de ações micropolíticas. Compreendemos tais ações enquanto meio de transformação estrutural ante as instituições sociais. A resistência à misoginia institucionalizada que persiste em compor a experiência das mulheres evoca a potência coletiva observada através de processos históricos de conquistas de direitos, especialmente no campo das políticas públicas. Por fim, consideramos, no decorrer da pesquisa, a importância em dar visibilidade às ações dessas mulheres e conhecer suas estratégias cotidianas para fortalecer os movimentos micropolíticos de lutas sociaisItem O livro de imagem para pequenos leitores: uma proposta de avaliação e intervenção(2026-02-13) Naves, Nayara Tiemi; Oliveira, Katya Luciane de; Sei, Maíra Bonafé; Fernandes, Geuciane Felipe GuerimA cultura visual traz uma nova forma de relacionamento em que somente a fala e o texto parecem não comportar mais a totalidade de uma informação. A aprendizagem, experimentação e expressão das crianças na contemporaneidade estão relacionadas com os meios audiovisuais. Nesse interim, a leitura de livro de imagem se apresenta como diferencial ao valorizar a narrativa visual, aspectos materiais e estéticos do objeto. Tratou-se de uma pesquisa descritiva de levantamento, quase-experimental, com o objetivo geral de validar a eficácia de um programa interventivo com a proposta de leitura de imagem buscando evidências para o desenvolvimento de crianças da Educação Infantil e como objetivos específicos: analisar a evidência de validade de conteúdo da “Entrevista Diagnóstica” adaptada para ser aplicada junto aos participantes; desenvolver uma proposta de intervenção em oficinas de estratégias de leitura de imagem com crianças de cinco anos e investigar a compreensão e o uso de estratégias de leitura de imagens antes e depois da intervenção; realizar a análise de conteúdo dos dados e comparar os resultados. Participaram da oficina 31 crianças de cinco até cinco anos, 11 meses e 29 dias, matriculados na turma do P5 de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) do município de Londrina. Dessas, 24 responderam a Entrevista Diagnóstica. Houve diferenças nos níveis de cinco estratégias de compreensão leitora depois da oficina de leitura de imagens e produção artística, contudo, não houve associação estatisticamente significativa. Por meio da análise de conteúdo, verificou-se houve ganhos evidentes na mobilização de estratégias, tais como conhecimentos prévios, utilização de esquemas e conexões, o que ocorreu principalmente durante os encontros “Descrição” e “Interpretação” da oficina interventiva. Entender a linguagem visual requer observar e buscar por um significado ou sentidos possíveis que partem da própria imagem, que tem como resultado um conteúdo discursivo, envolvendo habilidades cognitivas. Verificou-se que as crianças mobilizaram todas as estratégias de compreensão leitora durante os encontros quando interagiram com a pesquisadora, entre si e tiveram acesso a outros livros de imagem, criaram e realizaram as atividades voltadas para melhorar a compreensão. Por essa via, a leitura de imagem está associada ao desenvolvimento da criança e é uma habilidade essencial para a formação da identidade leitoraItem (Des)enlaces amorosos mediados pelo virtual: vivências de mulheres em aplicativos de relacionamento(2026-03-20) Canezin, Ana Julia Milani; Cordeiro, Sílvia Nogueira; Seixas, Cristiane Marques; Lima, Marli Machado deO amor é inseparável da cultura e dos modos pelos quais as práticas amorosas são vivenciadas e significadas. Nesse sentido, não é possível conceber o amor como um significado único, mas sim como atrelado aos movimentos subjetivos de uma época, articulados também aos movimentos sociais e políticos, inclusive no que diz respeito à história das mulheres. Nesse horizonte, a pesquisa adotou como recorte a escuta de mulheres quanto às suas vivências em aplicativos de relacionamento. No contemporâneo atravessado pelo neoliberalismo e pelos objetos de consumo, como os aplicativos de relacionamento, estudos apontam que há efeitos de fragilização dos laços, o que corrobora um mal-estar do desenlace, frequentemente relatado nas experiências em aplicativos. A psicanálise transmite, por outro lado, que o enlace amoroso nunca é completo, mas faltoso, tendo em vista que, no amor, se trata de dar o que não se tem. Diante disso, a presente pesquisa partiu do questionamento: de quais modos os usos de aplicativos de relacionamento podem se articular aos movimentos de (des)enlace amoroso na experiência de mulheres? A partir do método psicanalítico e de entrevistas como instrumento de pesquisa, o estudo identificou que os usos dos aplicativos de relacionamento parecem acompanhar os movimentos de (des)enlace amoroso das mulheres entrevistadas. Nesse contexto, o aplicativo pode ultrapassar a função de mediação virtual, ocupando o lugar de objeto de investimento para as mulheres entrevistadas, isto é, o objeto com o qual se relacionam, cujos usos produzem (in)satisfaçõesItem Envelhe(ser) mulher: escutas psicanalíticas de mulheres na envelhescência(2026-04-06) Costa, Josiane Santos; Cordeiro, Sílvia Nogueira; Soares, Flávia Maria de Paula; Winograd, MonahO termo envelhescência foi cunhado na psicanálise brasileira e trata-se do desencontro entre a temporalidade do corpo organismo que envelhece e a atemporalidade do inconsciente, experiência que impõe ao sujeito o trabalho psíquico singular de elaboração da própria velhice. O presente trabalho objetivou investigar a experiência psíquica de envelhecer para mulheres usuárias de um ambulatório de saúde da mulher, pretendendo analisar os efeitos subjetivos de envelhecer que emergiram em suas falas e; discutir a possível relação entre o mal-estar psíquico endereçado ao serviço de saúde, na forma do adoecimento do corpo, e a experiência psíquica da envelhescência. Assim, para o percurso dessa investigação, foi utilizado o método psicanalítico de pesquisa, sendo que os achados foram recolhidos pela observação direta do campo e pelo instrumento de entrevista individual semi-dirigida, material cujas análises possibilitaram uma leitura metapsicológica das experiências relatadas. Esta pesquisa apontou que, para as mulheres participantes, as perdas que suas velhices lhes impõem, como as perdas no corpo, de familiares, dos ideais narcísicos e do lugar simbólico no laço social, parecem lhes desvelar algo do real da castração. Real, diante do qual, parecem produzir como efeito um rechaço da velhice que lhes retorna como o estranho recalcado, a velhice transformada em tabu, o desamparo psíquico manifesto na forma de solidão, e ainda, o que pareceu se configurar como uma questão sobre a feminilidade, sobre o tornar-se mulher, agora, idosa. Para além disso, esta investigação também indicou, para essas mulheres, uma possível relação entre o adoecimento do corpo e suas envelhescências, na medida em que o endereçamento de seus corpos adoecidos ao serviço de saúde, parece ser uma tentativa de recobrir as perdas de insígnias fálicas e de significantes nos quais ancoravam seus lugares simbólicos no laço com o outro e suas identificações imaginárias como mulher. Nesse sentido, o traço “cuidadora” pareceu se fragilizar para elas colocando-as em certo desamparo e, como efeito, fazer emergir a pergunta: como envelhe(ser) mulher? Por fim, compreendemos que a envelhescência pode ser uma inovação diante do real da castração descortinado na velhice e que, o lugar privilegiado à palavra das pacientes desse ambulatório, representa um espaço potencial e frutífero em que essas mulheres-sujeitos podem tocar em algo de seus furos e, no trabalho singular e no laço coletivo, podem tecer novos remendos em suas experiências de envelhe(ser) mulher, cada uma a seu modoItem Estudo descritivo da violência contra a mulher em relacionamentos íntimos(2026-02-27) Araújo, Nathalia Maria Gouveia de; Oliveira, Katya Luciane de; Santiago, Eneida Silveira; Gallo, Alex EduardoResumo: A presente pesquisa tem como objetivo identificar e mapear os diferentes tipos de violência cometidos contra mulheres, com foco na violência perpetrada por parceiros íntimos. Para tal, adota-se como referencial teórico as contribuições de Martín-Baró, segundo o qual a violência constitui uma ferramenta de manutenção de poder e estrutura social, articulada às relações de dominação e desigualdade, e a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que define e busca coibir cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. A relevância deste estudo reside na constatação de que há uma naturalização de comportamentos violentos que são considerados como “normais” dentro da dinâmica dos relacionamentos afetivos como resultado de uma sociedade marcada por uma lógica estruturalmente patriarcal. Assim, a pesquisa assume um compromisso ético e científico com a construção de instrumentos que contribuam para a identificação e compreensão dessas violências menos visíveis, favorecendo estratégias de enfrentamento mais eficazes. Participaram do estudo 377 mulheres adultas, a amostra majoritariamente composta por mulheres jovens com idades entre 25 a 29 anos, residentes das regiões sul e sudeste do Brasil, com alto nível de escolaridade com ensino superior completo e pós-graduadas, autodeclaradas brancas e que já haviam vivenciado algum tipo de relacionamento afetivo ou sexual. A coleta de dados foi realizada de forma remota, por meio de um formulário online divulgado em redes sociais e espaços universitários, utilizando a técnica Bola de Neve para o recrutamento de participantes. O formulário, composto por quatro seções, incluiu itens de levantamento sociodemográfico, questões de autopercepção da violência e o Questionário de Avaliação da Violência contra a Mulher Perpetrada por Parceiro Íntimo (QAVCMPPI), elaborado a partir da adaptação e integração de diferentes instrumentos nacionais e internacionais de avaliação da violência de gênero. O instrumento contemplou itens sobre violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, organizados em escala Likert, e foi submetido à validação de conteúdo por juízas especialistas. A validação de conteúdo demonstrou alta concordância entre as juízas, indicando consistência teórica e clareza nos itens avaliativos. Após a coleta, os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas e inferenciais, utilizando o software SPSS, com vistas à verificação de médias, desvios-padrão e Teste-t de Student para amostras independentes. A análise dos resultados evidenciou a complexidade e a persistência da violência contra a mulher em relacionamentos íntimos, o que revela que as múltiplas formas de violência continuam a se manifestar de maneira naturalizada nas dinâmicas conjugais. A caracterização da amostra apontou diversidade quanto à idade, escolaridade, renda, religião e situação conjugal, no qual o caráter transversal da violência de gênero é reforçado. Os resultados revelaram índices expressivos de violência psicológica e moral, seguidos pelos índices de violência sexual e patrimonial, com a violência física apresentando menor frequência, o que confirma que as formas de violência não física frequentemente representam um risco invisibilizado para as mulheres, ainda que elas também causem prejuízos funcionais importantes. De modo geral, os achados demonstram que a violência contra a mulher perpetrada por parceiro íntimo é um fenômeno que atinge mulheres independente da classe, mesmo que mulheres em condição de vulnerabilidade socioeconômica estejam expostas a um risco significativamente maior. A violência perpetrada por parceiro íntimo é um fenômeno que se adapta as condições de vida da mulher para continuar atuando como ferramenta de manutenção das relações de poder estruturadas pela lógica patriarcal. O estudo indica também a importância de existir ferramentas de identificação e desnaturalização de violências mais veladas, e por vezes invisíveis, para que as mulheres possam ter acesso aos seus direitos assegurados, e para que a população geral e os serviços de atendimento atuem no sentido de mitigar os efeitos dessas violênciasItem A prática de lembrar como estratégia de correção do neuromito dos estilos de aprendizagem(2026-03-24) Caetano, Renata Naomi Sugiyama; Souza, Roberta Ekuni de; Oliveira, Katya Luciane de; Jaeger, AntônioResumo: A disseminação de neuromitos, entendidos como informações equivocadas sobre o funcionamento do cérebro, pode afastar educadores de práticas pedagógicas baseadas em evidências. Um dos neuromitos mais prevalentes no campo educacional é a crença de que estudantes aprendem melhor se forem ensinados de acordo com seu estilo de aprendizagem favorito, podendo ser visual, auditivo, cinestésico ou intelectual. Devido a persistência dessa crença, é comum serem feitas correções utilizando como estratégia os textos de refutação. Embora esse formato demonstre resultados positivos no curto prazo, observa-se que os efeitos tendem a diminuir com o tempo, possivelmente em função de processos cognitivos que limitam a manutenção da informação corretiva. O presente estudo investigou se a prática de lembrar, uma estratégia amplamente reconhecida para otimizar a retenção de informações na memória de longo prazo, poderia potencializar e prolongar os efeitos da correção do neuromito dos estilos de aprendizagem. Para isso, foram conduzidos dois experimentos com estudantes universitários. Após responderem a um questionário inicial sobre o neuromito e realizarem a leitura de um texto de refutação, os participantes foram distribuídos em duas condições: um grupo fez a prática de lembrar, na qual responderam a um quiz sobre o conteúdo do texto, enquanto o outro grupo realizou a navegação na internet, na qual buscaram informações adicionais relacionadas ao tema. O Experimento 1 avaliou os efeitos imediatos da intervenção, enquanto o Experimento 2 investigou a retenção da correção após um intervalo de uma semana. Esperava-se que a prática de lembrar produzisse benefícios mais evidentes no longo prazo. No entanto, os resultados indicaram que não houve diferenças entre as condições na correção do neuromito, tanto no curto quanto no longo prazo, indicando que a prática de lembrar não apresentou benefícios adicionais em comparação à navegação na internet. Esse padrão, contrário às hipóteses do segundo experimento, pode estar relacionado ao baixo desempenho inicial na tarefa de recuperação, bem como ao possível engajamento cognitivo promovido pela busca ativa de informações online, contribuindo para efeitos comparáveis entre as estratégias. Em conjunto, esses achados corroboram com a literatura sobre a resistência à atualização da memória para concepções equivocadas fortemente endossadas, bem como para a necessidade de estudos futuros que prossigam na investigação de práticas de correção mais robustas e duradourasItem Atendimento a casais mediado por recursos expressivos face à perda gestacional: estudo de casos(2026-05-29) Kaster, Manuela Almeida; Sei, Maíra Bonafé; Inácio, Amanda Lays Monteiro; Emidio, Thássia SouzaA presente pesquisa aborda a vivência conjugal perpassada por uma perda gestacional, seja ela precoce (entre a concepção e a 20ª semana), tardia (a partir da 28ª semana) ou também a morte neonatal (bebê nasce vivo e vem a falecer após o nascimento). Por mais traumático que seja lidar com a perda do bebê imaginário e do bebê real, esta especificidade de luto é desvalorizada socialmente. De acordo com a literatura, o processo de elaboração da perda gestacional acarreta inúmeros desafios aos envolvidos, sendo frisado o sofrimento por parte da mulher e frequentemente excluída a participação do homem neste processo elaborativo. Além da baixa quantidade de estudos que descrevem as implicações psicológicas e emocionais pela perspectiva do homem, há um número menor ainda de estudos que associam a conjugalidade com a ocorrência do óbito fetal. Ou seja, a significativa relevância acadêmica desta pesquisa é apresentada na proposição de um estudo que analise a dinâmica conjugal face à perda gestacional. Sendo assim, o principal objetivo deste estudo é investigar o papel de uma intervenção psicológica mediada por recursos artístico-expressivos para acolhimento de casais face à perda gestacional tardia. A partir deste objetivo central, foram delineados os seguintes objetivos específicos: refletir sobre os encontros como espaço de holding para casais que vivenciaram perda gestacional tardia e identificar as contribuições de recursos mediadores como linha da vida, genograma, espaçograma e arte-diagnóstico familiar nas entrevistas iniciais com casais. Para o alcance dos objetivos citados, a metodologia seguida foi da pesquisa qualitativa, por meio do estudo de casos múltiplos, cuja amostra foi composta por casais unidos em matrimônio ou legalmente em união estável que passaram por perda gestacional entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025 e que desejassem participar voluntariamente da pesquisa. Foram realizadas entrevistas com dois casais, perfazendo um total de até oito sessões, cada qual com duração de uma a duas horas, realizadas na Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina, por meio do projeto extensionista da universidade intitulado por “Clínica Psicanalítica de Casal e Família na Clínica Psicológica da UEL - Fase 2”. Por meio do estudo dos casos clínicos múltiplos, com discussões amparadas pelos aportes psicanalíticos, observou-se que os atendimentos realizados propiciaram o compartilhamento das vivências dos casais, favorecendo o processo de elaboração do luto. Notou-se que os recursos artístico-expressivos estabelecem uma diferente via de comunicação em sessão, pertinente especialmente face ao indizível advindo da perda de um filho. Tratou-se de uma intervenção psicológica que se diferencia tanto por acolher os casais, e não como atendimento individual que propõe escutar apenas um dos pais, como por ter sido disponibilizada aos casais pouco tempo após a vivência da perda. Com isso, teve-se um espaço para que o casal pudesse se expressar estabelecendo um diálogo nem sempre possível em outros contextos. Considera-se, então, que a proposta interventiva delineada desempenhou um papel relevante na promoção da saúde dos casais, minimizando a chance de agravos futuros, cabendo estudos com casais que vivenciaram perda em outros momentos da gestação.Item Associações do bullying e a desregulação emocional com automutilação em adolescentes(2025-02-06) Gotelip, Aline Miranda Tavares; Oliveira, Katya Luciane de; Soares, Marcos Hirata; Ferraz, Adriana SaticoA automutilação é um tema de relevância mundial, sendo crucial abordá-lo de forma aprofundada para colaborar com a sociedade por meio de estudos. Este trabalho teve como objetivo geral investigar o bullying, desregulação emocional e automutilação em adolescentes, bem como identificar diferenças entre os anos escolares. Participaram da coleta de dados 376 alunos, do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental II e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, com idade média de 14 anos (DP = 1,49), sendo 175 meninas (46,5%), 200 meninos (53,2%) e uma pessoa que optou por não declarar seu gênero. Os dados foram coletados em uma escola pública localizada no norte do Paraná, por meio da aplicação de três instrumentos: a Escala de Bullying Escolar, a Escala de Desregulação Emocional Infantojuvenil e o Questionário de Bullying e Automutilação. Os resultados apontaram diferenças significativas entre os anos escolares em diversas dimensões. Na Escala de Bullying Escolar, verificou-se que na Dimensão 1 (Vítimas de Bullying) houve diferença entre o 2º e o 8º ano. Já na Dimensão 2 (Agressores de Bullying), foram observadas diferenças entre o 1º e o 8º ano. Na Escala de Desregulação Emocional Infantojuvenil (EDEIJ), identificaram-se diferenças na Dimensão 1 entre o 1º e o 2º ano, o 2º e o 7º ano, e o 2º e o 8º ano. Na Dimensão 3 (Pessimismo), houve diferenças entre o 1º e o 2º ano e entre o 2º e o 8º ano. No Questionário de Bullying e Automutilação, na Dimensão de Bullying e Família, observaram-se diferenças entre o 1º e o 9º ano, o 2º e o 9º ano, e entre o 8º e o 9º ano. Na Dimensão de Bullying e Sexualidade, as diferenças ocorreram entre o 1º e o 9º ano, assim como entre o 2º e o 9º ano. Na Dimensão de Bullying e Automutilação, diferenças foram 5 identificadas entre o 1º e o 2º ano e o 2º e o 8º ano. Por fim, na Dimensão de Automutilação, houve diferenças entre o 1º e o 2º ano, o 2º e o 8º ano, e o 2º e o 9º ano. Dos 376 alunos avaliados, 94 declararam praticar automutilação ou ter se automutilado nos últimos meses, evidenciando uma alta prevalência do problema. As análises estatísticas realizadas indicaram diferenças significativas entre os anos escolares em diversas dimensões das escalas utilizadasItem A relação entre os processos de trabalho e subjetivação de psicólogas(os) que exercem a função de orientador(a) fiscal no Conselho Regional de Psicologia do Paraná – CRP-PR(2025-03-17) Quinelato, Débora Larissa Lopes; Santiago, Eneida Silveira; Vieira, Talita Machado; Bicalho, Pedro Paulo Gastalho de; Roosli, Ana Cláudia Barbosa da SilvaTrabalho e subjetividade são processos intrincados em uma condição inerente de manifestação da vida absoluta e de relação social. As situações de trabalho exigem das pessoas o engajamento da personalidade, do corpo, da inteligência, além da habilidade de refletir, interpretar e agir. Nesse contexto, a relação entre os processos de trabalho e subjetivação das(os) psicólogas(os) responsáveis pela orientação e fiscalização no Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) foi analisada para identificar dimensões que favorecem ou dificultam o engajamento profissional, impulsionando a reinvenção dos modos de trabalhar. A partir da aproximação com os conceitos da Clínica do Trabalho, notadamente de abordagens, como a Ergonomia da Atividade, a Clínica da Atividade e a Psicodinâmica do Trabalho, e com base em uma metodologia qualitativa, buscou-se mapear estratégias cotidianas de expressão pessoal e coletiva para concretizar o trabalho prescrito, reconhecendo as singularidades presentes no trabalhar e suas repercussões para as(os) trabalhadoras(es). Os resultados evidenciam a complexidade do trabalho das(os) Orientadoras(es) Fiscais, destacando as contribuições individuais e coletivas que revelam indícios de uma mobilização subjetiva engendrada. Isso fomenta reflexões sobre os recursos organizacionais que favorecem a ação no trabalho e garantam a sustentabilidade das iniciativas positivasItem Clínica psicanalítica com gêmeos adolescentes: uma análise a partir de fatos clínicos(2026-02-26) Santos, Beatriz Leal; Reis, Maria Elizabeth Barreto Tavares dos; Inácio, Amanda Lays Monteiro; Velano, Marilia Franco e SilvaOs estudos sobre a gemelaridade, em sua maioria, versam sobre as semelhanças e diferenças relacionadas aos fatores genéticos e a influência do ambiente. Quanto aos estudos psicológicos, geralmente abordam a investigação sobre o vínculo familiar, a personalidade, aspectos educacionais e de socialização. No entanto, a literatura psicanalítica ainda se mostra restrita quanto aos aspectos relacionados à constituição da identidade, bem como a interação fraterna, a relação com os cuidadores e outras pessoas. Alguns estudos mencionam a possibilidade de haver uma triangulação precoce, visto que desde a vida intrauterina gêmeo e cogêmeo coexistem e compartilham a atenção da mãe, o que se mostra relevante para pensar sobre o processo de individualização e a construção da identidade. Questões relacionadas à identidade se intensificam no período da adolescência, momento em que ocorrem diversas transformações que precisam ser elaboradas: mudanças no corpo, novas demandas, novas perspectivas, rumo à independência das figuras parentais e a busca por reconhecimento. Dessa forma, convém questionar a existência de alguma especificidade no que tange a vivência da adolescência em gêmeos, visto que as questões da individualidade, identificação, reconhecimento e conquista de um lugar próprios podem ser atravessadas pelas semelhanças da imagem e as crenças e ideais construídos diante desses indivíduos que nascem juntos. O objetivo da presente pesquisa foi investigar as questões afetivo-emocionais apresentadas por gêmeos adolescentes atendidos em psicoterapia breve psicanalítica, considerando especificamente a investigação de fatos clínicos relacionados à individualização e diferenciação entre gêmeos no contexto da adolescência. Os participantes foram dois pares de gêmeos adolescentes com 12 e 13 anos de idade, seus pais e respectivos terapeutas. O estudo foi realizado com a utilização do método psicanalítico de pesquisa, especialmente com a construção de fatos clínicos psicanalíticos O material utilizado se constitui por relatórios de atendimento em psicoterapia psicanalítica breve. Os fatos clínicos detectados foram organizados em duas categorias temáticas analisadas a partir de fundamentos da psicanálise: relação fraterna e transformações da adolescência. A partir dessas categorias, foram elaboradas subcategorias que destacam os seguintes aspectos: diferenciação, comparação e disputa entre os cogêmeos; simbiose e individualização; relações triangulares; luto pela infância vivida; necessidade de reconhecimento e pertencimentoItem Ventres insubmissos: costurando histórias e reimaginando possibilidades de saúde na maternidade de mulheres negras pelo SUS(2025-02-24) Lopes, Julia Gindre Soreano; Silva, Jefferson Olivatto da; Santiago, Eneida Silveira; Santos, Thais Rodrigues dosEsta pesquisa investigou como o determinante raça/etnia atravessa as experiências de parto, gestação e puerpério de mulheres negras no Sistema Único de Saúde - SUS, bem como as estratégias de resistência por elas adotadas diante das violências vivenciadas. Em um contexto marcado por desigualdades sociais, raciais e de gênero, o SUS representa um avanço significativo no campo da saúde coletiva. No entanto, o acesso e a qualidade da assistência permanecem desiguais entre mulheres negras e brancas. Para que o SUS cumpra efetivamente seus princípios, é fundamental identificar as barreiras que se interpõem entre os serviços de saúde e a população. Entre essas barreiras, destaca-se a necessidade de compreender os efeitos das vivências sociais e subjetivas de mulheres negras no ciclo gravídico-puerperal. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, fundamentada pelo método das constelações de aprendizagem. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com três mulheres negras que vivenciaram o parto, a gestação e o puerpério pelo SUS nos últimos cinco anos. A pesquisa buscou compreender as particularidades do nascimento negro no SUS, bem como as práticas de cuidado e assistência em saúde direcionadas a gestantes e puérperas negras, reconhecendo raça, classe e gênero como eixos estruturantes do processo saúde/doença. Conclui-se que a raça é um determinante central no cuidado em saúde de mulheres negras que se tornam mães sob o acompanhamento do SUS. A racialidade intensifica a vivência de violência obstétrica, negligência e negação de acesso, tornando essas experiências mais frequentes e prováveis entre mulheres negras. Apesar disso, as mulheres negras seguem construindo formas de resistência e possibilidades de existência. Entre as principais estratégias de resistência identificadas estão a coletividade e o fortalecimento através do poder de autodefiniçãoItem Um estudo da história do racismo e das práticas silenciadoras: limites e possibilidades de sujeitos racializados(2024-03-27) Abranches, Vitória Cristina de Oliveira; Lima, Alexandre Bonetti; Silva, Jefferson Olivatto da; Santos, Hernani Pereira dosDe maneira participativa e sensível (Spink, 2008), a pesquisa está voltada para a identificação de afetações e manifestações de práticas vinculadas às relações étnico-raciais. Na passagem por estes campos, o trabalho se concentrar em a partir de um levantamento teórico: fundamentar o processo da construção da categoria racial enquanto termo-ferramenta para os sistemas coloniais e para a modernidade (Almeida, 2018), elaborar sua função para as matrizes históricas que norteiam a organização das sociedades ocidentais, assim como visa pontuar a relação entre a função da raça enquanto ferramenta e o racismo sofrido especificamente pelas populações pretas. Dá ênfase aos impactos e processos que ocorrem nas constituições de subjetividade dos sujeitos e nas lógicas de sociabilidade presentes na contemporaneidade decorrentes de tais organizações histórico-sociais. A partir da leitura teórica realizada no primeiro momento do trabalho, na parte prática do trabalho, um conteúdo discursivo de participantes é analisado. A coleta de informações ocorre de maneira participativa entre pesquisadora e convidados, e recolher para a pesquisa quais são os efeitos e papéis sociais construídos pelas matrizes históricas coloniais atravessadas pela categorização racial. Por essa via, relaciona-se as funções descritas teoricamente na primeira etapa da pesquisa aos conteúdos produzidos pelos participantes acerca de seus cotidianos, visa-se circunscrever as estratégias de enfrentamento e lida individuais e coletivas emergentes nesses contextos. Aposta-se no campo da linguagem como campo-tema de análise e intervenção, contando com a noção de território e cotidiano (Spink, 2008, 2017). O trabalho compreende o campo da linguagem enquanto lugar da construção de narrativas, descrição da realidade e, portanto, criador das materialidades através das ações que se produzem a partir deste lugar. A aposta é que contando com tal leitura a respeito da linguagem, espaços de contato com o trabalho e fala, proporcionem produção de novas formas de elaboração da história e de narrativas desestabilizadoras dos parâmetros coloniais. Partindo do fomento de conversação da própria história, circulação de dados teoricamente e politicamente embasados contrários a discursos alienantes, exercício de produção de novas nomeações e elaborações a respeito de si e do outroItem Mães de gêmeos: vivências emocionais em psicoterapia psicanalítica breve(2025-07-10) Silva, Mariana Elise Santa Rosa; Reis, Maria Elizabeth Tavares Barreto dos; Okamoto, Mary Yoko; Maireno, Daniel PolimeniAs gestações gemelares frequentemente apresentam problemas ao longo do ciclo gravídico puerperal que podem impactar as relações iniciais entre mães e filhos gêmeos. Considerando- se, além disso, a escassez de literatura publicada sobre o tema, torna-se essencial investigar e compreender as questões relacionadas às vivências das mães nesse contexto. O objetivo geral deste estudo consiste em investigar as questões emocionais apresentadas por mães de gêmeos atendidas em psicoterapia psicanalítica breve. A pesquisa tem um caráter exploratório e foi realizada com a utilização do método de construção de fatos clínicos psicanalíticos. Participaram da pesquisa duas mães de gêmeos, as quais foram atendidas em psicoterapia psicanalítica breve. Após cada sessão, foram elaborados relatórios constando os fatos clínicos ocorridos, bem como as percepções da psicoterapeuta a respeito das questões emocionais vivenciadas/relatadas pelas mães. Tais relatórios foram analisados pela psicoterapeuta, bem como por três auxiliares de pesquisa, com o intuito de identificar os fatos clínicos relatados. Os fatos clínicos identificados foram validados em reunião científica, com a presença de pesquisadores auxiliares. Os fatos clínicos selecionados foram analisados a partir de fundamentos teóricos da psicanálise e organizados em três categorias temáticas: descoberta da gestação e expectativas do parto; relação mãe-bebês; e maternidade e rede de apoio. Por fim, verificou-se a importância da psicoterapia breve de orientação psicanalítica como possibilidade de atendimento às gestantes, bem como a necessidade de capacitação de profissionais para essa demanda específica.Item Etapas iniciais da construção de instrumento e busca de evidência de validade para uma medida de avaliação da felicidade no contexto profissional(2025-05-27) Niero, Thaís Mitugui Bruschi; Soares, Marcos Hirata; Oliveira, Katya Luciane de; Ambiel, Rodolfo Augusto MatteoEste estudo teve como objetivo atuar nas etapas iniciais dos procedimentos teóricos para a construção de um instrumento de avaliação da felicidade no contexto profissional e a busca de evidências de validade de conteúdo para sua aplicação. Partindo da concepção de que a felicidade no contexto profissional e um construto multifatorial, composto por três dimensões - proposito, qualidade de vida e reconhecimento - foi adotado o modelo teórico da Teoria da Autodeterminação como base conceitual, associando essas dimensões a teoria das necessidades básicas, sendo autonomia, relacionamento e competência. A pesquisa seguiu um delineamento metodológico com foco nos procedimentos teóricos, incluindo revisão integrativa da literatura, levantamento de instrumentos existentes, realização de grupo focal com 15 participantes efetivos e análise de conteúdo. A partir da triangulação dos dados obtidos, foram estabelecidas as definições constitutivas, os descritores das dimensões e, a partir disso, foram elaborados 60 itens para o instrumento que foram avaliados por um comitê de cinco juízes especialistas quanto a clareza, relevância e pertinência teórica. Os itens foram submetidos a análise do Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC), e os que apresentaram índices abaixo de 0,80 foram reformulados e 4 itens foram excluídos. Após nova rodada de avaliação, os itens reescritos tiveram performance acima de 0,90. O instrumento foi então aplicado em estudo piloto com 34 sujeitos para análise semântica, obtendo retorno positivo quanto a clareza e aplicabilidade. Os resultados sugerem que o instrumento apresenta evidencias iniciais de validade de conteúdo, podendo prosseguir para as fases seguintes da construção de instrumentos psicométricos. E importante considerar que este e um estudo preliminar e deve ser ampliado por meio dos procedimentos empíricos e da submissão as análises estatísticas pertinentes em psicometria para dar sequência a validação do instrumentoItem Mulheres em campo de batalha: a maternidade de filhos autistas e os atravessamentos do sujeito(2025-06-09) Oliveira, Nathany Ferreira de; Cordeiro, Sílvia Nogueira; Brasil, Katia Tarouquella Rodrigues; Pereira, Mario Eduardo CostaEsta pesquisa teve como objetivo investigar a experiência da maternidade em mulheres, mães de filhos com diagnóstico médico de Transtorno do Espectro Autista. Para isso, foram realizadas cinco entrevistas, com o intuito de analisar os significantes atribuídos à maternidade, discutir os possíveis desdobramentos da maternidade na subjetividade da mulher enquanto sujeito e articular as repercussões do mal-estar social em torno da maternidade de filhos com esse diagnóstico. Com base no método psicanalítico e no referencial teórico de Freud e Lacan, o estudo indicou que a maternidade convoca a mulher a um movimento subjetivo contínuo, atravessado pela função de Outro. Nesse contexto, o ideal de maternidade, sustentado socialmente por exigências de performance, pode produzir um mal-estar subjetivo em relação à mulher enquanto sujeito e incidir nos processos de constituição psíquica dos filhosItem Percepções sobre a formação acadêmica dos(as) psicólogos(as) que atuam nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da Região Metropolitana de Londrina-PR(2025-07-07) Leonardi, Jacqueline Montilha; Silva, Rafael Bianchi; Santiago, Eneida Silveira; Cordeiro, Mariana PrioliA Psicologia possui uma diversidade de saberes e práticas, podendo atuar em diferentes contextos, sendo um destes, a política de Assistência Social. A partir dessa inserção, enquanto contexto de emergência do trabalho psicológico, essa pesquisa analisou as percepções dos(as) psicólogos(as) que atuam nos CRAS em equipe técnica de referência nos municípios de abrangência do Núcleo Regional de Londrina-PR, levantando as possíveis contribuições que a formação acadêmica proporcionou para sua prática profissional nesse campo. Para tanto, buscamos identificar, a partir de suas falas, se os(as) psicólogos(as) tiveram em suas formações iniciais discussões a respeito da política de Assistência Social e, se positivo, em quais disciplinas foram realizadas. Para além disso, quais temas trabalhados em diferentes disciplinas do curso, consideram contribuir para a sua prática. Também foram levantadas quais estratégias utilizam para suprir os possíveis déficits que identificam em suas formações iniciais. Partimos dos pressupostos de que: os(as) psicólogos(as) que se encontram atuando no contexto do CRAS não tiveram, em suas formações iniciais, debates específicos sobre a política de Assistência Social e, mesmo sem a presença de tal elemento formativo, esses profissionais utilizam, no desenvolvimento de suas práticas profissionais, diferentes conhecimentos adquiridos na graduação que auxiliam, de algum modo, a operar com os desafios do cotidiano de seu trabalho. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com sete psicólogos(as) que atuam nos municípios do referido núcleo regional. A análise foi realizada por meio da análise de conteúdo conforme procedimentos indicados por Bardin (2011). Os resultados foram organizados em duas categorias: “Formação acadêmica: conhecimentos sobre a política de Assistência Social e inserção no CRAS” e “Formação acadêmica: elementos de outras disciplinas e as contribuições para a prática profissional no CRAS”. De maneira geral, os resultados apontaram que inicialmente o(as) psicólogo(as) se sentiu(ram) despreparado(as) quando deu(ram) início ao trabalho no campo da Assistência Social, pois a formação acadêmica não ofereceu contribuição suficiente para atuação nesse campo. Foi perceptível que os cursos ofertaram uma formação voltada às práticas mais tradicionais da Psicologia, em sua maioria direcionadas às ações individualizantes e com pouco foco para as questões sociais, não contemplando conteúdos específicos sobre a política de Assistência Social. Ainda que reconheçam que elementos de outras disciplinas contribuem em suas práticas profissionais, indicam a importância das capacitações ofertadas por meio da educação permanente, no qual participam como profissionais da política de Assistência Social. A partir dos dados encontrados, entendemos que os currículos precisam ser repensados para que alcancem as necessidades dos(as) profissionais que trabalham nesse campo. Acreditamos ser necessária uma formação que desenvolva uma percepção crítica da realidade e das demandas sociais, assim como das competências e habilidades para o exercício da profissão, independentemente do local ou área de atuação, para que o(a) profissional esteja capacitado(a) a intervir em todos os espaços de trabalho. Indicamos, assim, a necessidade de revisão dos percursos formativos, de modo a preparar os(as) profissionais para atuação interdisciplinar e intersetorial, com olhar voltado para o coletivo, articulando teoria e prática, para alcançar os objetivos que a política de atendimento propõeItem Espelho, espelho meu: implicações do sujeito na relação entre imagem e virtualidade na perspectiva psicanalítica(2025-03-31) Pompilho, Polyana Almeida; Cordeiro, Silva Nogueira; Lazzarini, Eliana Rigotto; Lemos, Maria Teresa Guimarães de; Tavares, Leandro Anselmo TodesquiMundialmente, sistemas tecnológicos são usados diariamente, seja por meio do trabalho, dos estudos ou entretenimento, nesse sentido, inevitavelmente o ser humano tem suas relações afetadas pelo campo virtual, seja com o outro ou consigo. A tela está presente quase o tempo todo, mostrando, por meio de imagens, como cada um escolhe se apresentar e enaltecendo a imagem corporal. Para a psicanálise, a imagem do eu não é dada a priori, ela é construída, fazendo parte da constituição subjetiva e de um corpo pulsional, revestido de libido e representações inconscientes. Este trabalho dedicou-se a investigar, por meio da fundamentação teórica de Freud e Lacan, a relação entre a imagem, o virtual e o feminino, buscando compreender algumas consequências desse enlaçamento para o sujeito contemporâneo. Para abarcar essa dimensão, propusemos, como objetivo geral desta pesquisa, investigar a relação da mulher com sua própria imagem atravessada pelo campo virtual, seguido dos objetivos específicos: identificar o que permeia o imaginário da mulher em relação à própria imagem e à demanda advinda do social; compreender as implicações do uso do filtro para a assimilação da própria imagem e suas consequências. Para esta investigação, empregamos a metodologia da pesquisa psicanalítica, utilizando a entrevista como ferramenta para a coleta de dados, logo após, fazendo a análise de trechos na íntegra utilizando o arcabouço teórico discutido anteriormente. Ao final, percebemos como a experiência subjetiva revela a complexidade do conflito identitário, no qual o sujeito, alienado de sua falta, engaja seu corpo na busca por uma solução. Notamos que os dispositivos de edição amplamente acessíveis, como os filtros, parecem intensificar essa dinâmica, reforçando a demanda por uma imagem ideal. No contexto da visibilidade contemporânea, corpo e imagem tornam-se cenários de múltiplas representações, direcionando a existência.