02 - Mestrado - Patologia Experimental
URI Permanente para esta coleção
Navegar
Submissões Recentes
Item Sistema de liberação controlada para lipídio aumenta a sua eficácia de interferir na interação neruo-imune com redução da inflamação e dor em modelo de artrite gotosa em camundongos(2026-03-11) Aquino, Hiram Kohata; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Franciosi, Anelise; Manchope, Marília FernandesA artrite gotosa (AG) é uma doença inflamatória aguda e debilitante, desencadeada pela deposição de cristais de urato monossódico (MSU) nas articulações. A patogênese da AG envolve a maturação e liberação de IL-1ß através da ativação do inflamassoma NLRP3. Outro mecanismo envolvido é o eixo neuroimmune, no qual neurônios sensoriais localizados no Gânglio da Raiz Dorsal (DRG) liberam neuropeptídeos como o Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina (CGRP) nos terminais nervosos centrais e periféricos, o qual estimula a fagocitose dos cristais por macrófagos o qual leva a uma amplificação do processo inflamatório e doloroso. Mediadores especializados em resolução (SPMs) derivados do ácido ômega-3 e ômega-6, apresentam eficácia analgésica e pro-resolutiva sem causar imunossupressão. Em destaque a maresina-1 (MaR1), derivada do ácido docosahexaenóico (DHA), apresenta potentes efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. Apesar de seus efeitos promissores, como qualquer lipídio, a MaR1 é rapidamente metabolizada por oxidação. Diante disso, testamos a hipótese de que a nanoencapsulação da MaR1 (NanoMaR1), poderia proteger o lipídio, promover uma liberação controlada e prolongar a eficácia de uma dose subterapêutica do mediador livre. Para isso, foram utilizados camundongos Swiss estimulados pela injeção intra-articular (i.a.) com cristais de MSU (100 µg). Os resultados demonstraram que a administração intratecal (i.t.) de NanoMaR1, diferentemente da MaR1 livre na mesma dose, reverteu de forma significativa e prolongada a hiperalgesia mecânica e térmica, reduziu o edema articular, recrutamento de leucócitos e níveis de IL-1ß na articulação. Além disso, a NanoMaR1 promoveu o silenciamento funcional de neurônios peptidérgicos TRPV1⁺/CGRP⁺ no DRG e a fagocitose dos cristais de MSU. Conclui-se que a nanoencapsulação em ferritina pode ampliar a eficácia de doses subterapêuticas da MaR1, oferecendo uma estratégia farmacológica inovadora que, através de uma liberação sustentada, modula com maior eficácia o eixo neuroimune e promove a resolução ativa da dor e da inflamação na artrite gotosa induzida por cristais de MSUItem Mecanismos analgésicos do lipídio pró-resolução 15-epi-lipoxina A4 (15-epi-LXA4) em modelo murino de dor induzida por tumor de Ehrlich(2025-07-31) Miguel, Pamela Eduarda Garcia; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Seiva, Fábio Rodrigues Ferreira; Bertozzi, Mariana MarquesO câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre mulheres desde 2020, com 2,3 milhões de novos casos e 670.000 mortes em 2022. A dor oncológica acompanha o indivíduo desde o início da doença até seu estado avançado, debilitando o paciente e afetando negativamente a sua qualidade de vida. Essa dor tem origem multifatorial e envolve mecanismos inflamatórios e neuropáticos, além da participação de mediadores como citocinas, bradicinina, ATP, TRPV1, TRPA1 e espécies reativas de oxigênio. O tumor de Ehrlich é um modelo murino utilizado em estudos na área de oncologia experimental para investigar a capacidade terapêutica e/ou a atividade antitumoral de diversas substâncias. A 15-epi-lipoxina A4 (15-epi-LXA4) é um mediador lipídico pró-resolução com efeitos analgésicos e anti-inflamatórios sem ação imunossupressora. Este estudo investigou a atividade analgésica da 15-epi-LXA4 e seus mecanismos no modelo de dor oncológica induzida pelo tumor de Ehrlich em camundongos. Para estipular a dose mais eficaz do tratamento, células tumorais de Ehrlich (1x106) foram inoculadas via intraplantar (i.pl) em camundongos Swiss fêmeas (CEUA/UEL) e no 8° dia os animais foram tratados com 15-epi-LXA4 intraperitonealmente (i.p), e foram avaliados a hiperalgesia mecânica e a espessura da pata nos tempos 1, 3, 5 e 7h após o tratamento. A dose de 10ng, com pico de analgesia na 1° hora, foi a escolhida para os demais experimentos. Em outro set de experimentos, foi utilizado o protocolo de tratamento prolongado, os animais foram tratados diariamente por 12 dias e a hiperalgesia mecânica, hiperalgesia térmica, distribuição do peso nas patas traseiras e tamanho do tumor (espessura e peso da pata) foram avaliados. No 12°, os DRGs foram coletados para a avaliação de imageamento do influxo de cálcio (ativação neuronal). A dor espontânea foi avaliada no 8° dia após estímulo com as células tumorais de Ehrlich (1x107) e foi realizado tratamento diário até o 8° dia. O tratamento com 15-epi-LXA4 atenuou a hiperalgesia mecânica e térmica, a diferença na distribuição do peso nas patas traseiras e a dor espontânea, porém não reduziu o tamanho do tumor. O tratamento diminuiu a ativação neuronal avaliada por meio da redução do influxo de Ca2+ em canais TRPV1 e TRPA1. Desse modo, a 15-epi-LXA4 demonstrou ter efeito analgésico em modelo de dor oncológica induzida por tumor de Ehrlich, atuando por meio da diminuição da ativação de canais TRPV1 e TRPA1.Item Efeito analgésico, anti-inflamatório e antioxidante da PDX na dor e inflamação induzidas por ânion superóxido em camundongos(2024-08-09) Carneiro, Jessica Aparecida; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Kwasniewski, Fábio Henrique; Borghi, Sergio MarquesAs espécies reativas de oxigênio (ERO) são fundamentais para a inflamação. Contudo, a geração exacerbada excede a capacidade antioxidante do organismo, resultando em injúrias teciduais. O uso de moléculas antioxidantes demonstra que as ERO são componentes chave na fisiopatologia da dor inflamatória. Neste contexto, o superóxido de potássio (KO2), um doador de ânion superóxido, induz inflamação e dor. Os mediadores lipídicos pró-resolução (SPMs) são moléculas bioativas derivadas do ácido graxos ?-6 e ?-3 que promovem a resolução da inflamação. A Protectina DX (PDX) demonstra atividade anti-inflamatória, antioxidante, pró-resolutiva e analgésica em diversos modelos. Tendo em vista essas características, nosso objetivo foi avaliar o efeito analgésico, anti-inflamatório e antioxidante da PDX em modelo de dor e inflamação induzido por KO2 em camundongos. Camundongos Swiss ou LysM-eGFP machos foram tratados com PDX (1, 3 ou 10 ng) ou salina estéril via intraperitoneal (i.p.), 1h antes da injeção de KO2 (30 µg via intraplantar [i.pl.] ou 1 mg [i.p.]). Excepcionalmente, nos testes comportamentais de sensibilidade mecânica e térmica basal e de atividade locomotora, o estímulo não foi administrado. O teste de von Frey eletrônico e o teste manual de filamentos de von Frey foram utilizados para avaliar a hiperalgesia e alodinia mecânica, respectivamente. A hiperalgesia térmica foi determinada pelo método de placa quente e pelo teste de Hargreaves. As medidas experimentais foram feitas nos tempos 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7h após estímulo. A atividade locomotora foi avaliada por teste de rota-rod nos tempos 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7h. A dor manifesta foi determinada pelo número de contorções abdominais; o número de sacudidas de pata e o tempo de lambida da pata; ao longo de 20 e 30 minutos após estímulo, respectivamente. O desbalanço na distribuição de peso corporal sobre as patas traseiras foi avaliado pelo static weight bearing nos tempos 0, 1, 3, 5 e 7h após estímulo. O recrutamento leucocitário foi avaliado a partir da coleta de amostras plantares 7h após estímulo, com análise em microscopia de luz (coloração em hematoxilina-eosina) e microscopia confocal (imunofluorescência). A produção de citocinas (IL-1ß e TNF-a) foi avaliada por ELISA, 4h após estímulo. O estresse oxidativo foi avaliado pelos ensaios colorimétricos de catalase (coleta 1h após estímulo), NBT, ABTS, FRAP e GSH (coleta 3h após estímulo). A ativação do canal TRPV1 e a ativação de neurônios DRG foram avaliadas em microscopia confocal, 5h após estímulo. O potencial efeito tóxico do tratamento agudo com PDX foi avaliado pelos ensaios de ALT, AST, ureia, creatinina e atividade da mieloperoxidase estomacal, 7h após estímulo. Como resultados, obtivemos que a PDX reduz os comportamentos de dor analisados (hiperalgesia, alodinia, dor manifesta e desbalanço na distribuição de peso corporal), sem alterar a sensibilidade e capacidade motora normal dos animais. Como mecanismo, demonstramos que a PDX inibe a ativação de TRPV1 e, consequentemente, do neurônio DRG, demonstrando um inédito mecanismo analgésico. Além disso, a PDX diminuiu os níveis de citocinas pró-inflamatórias (TNF-a e IL-1ß) e os níveis de ânion superóxido, além de aumentar a capacidade antioxidante tecidual, sem alterar os níveis plasmáticos de ALT, AST, creatinina e ureia, ou a atividade da mieloperoxidase estomacal. Desta forma, este estudo evidenciou a propriedade analgésica, anti inflamatória e antioxidante segura da PDX em modelo de dor e inflamação desencadeada por uma ERO, sugerindo este SPM como uma promissora alternativa terapêutica.Item Efeitos analgésico e anti-inflamatório da Resolvina D5 (RvD5) no modelo de dor e inflamação induzido por carragenina em camundongos machos e fêmeas(2024-08-06) Maximiano, Thaila Kawane Euflazio; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Oliveira, Fernanda Soares Rasquel deA inflamação é uma resposta imediata causada por um agente agressor ou injúria tecidual. Mediadores químicos gerados durante o processo inflamatório agem sobre receptores específicos presentes nos neurônios nociceptivos primários, nociceptores, responsáveis pela detecção de estímulos dolorosos, promovendo dor. A Resolvina D5 (RvD5) é um mediador lipídico pró-resolução (MLPR) derivado do ácido docosahexaenóico, um metabólito do ômega 3, que apresenta propriedades analgésica, anti-inflamatória e antioxidante, no entanto, muito pouco se sabe sobre os mecanismos pelos quais a RvD5 promove seus efeitos. Este também é o primeiro MLPR em que se foi observado dimorfismo sexual. A carragenina, λ-carragenina, um polissacarídeo sulfatado derivado de algas marinhas vermelhas, é amplamente utilizada em modelos de dor e inflamação dada à sua resposta inflamatória aguda característica, com produção de mediadores pró-inflamatórios, recrutamento de leucócitos, principalmente neutrófilos, e produção de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Dito isso, esse projeto teve como objetivo avaliar o efeito analgésico e anti- inflamatório da RvD5 na dor e inflamação em dois modelos de dor e inflamação induzidos pelo estímulo de carragenina em camundongos machos e fêmeas. Para isso, camundongos Swiss machos e fêmeas foram tratados com RvD5 nas doses de 3, 10 e 30 nanogramas (ng) para determinação da melhor dose ou veículo via intraperitoneal, i.p., uma hora antes do estímulo de carragenina de 300 µg/ animal via intraplantar, i.pl. e 1 mg/ animal, i.p. Foram realizadas análises de hiperalgesia mecânica (von Frey), hiperalgesia térmica (placa quente e Hargreaves), edema, atividade das enzimas mieloperoxidase (MPO) e N-Acetil-b-d-Glucosaminidase (NAG) na pata de camundongos. Além disso, foi realizada contagem de leucócitos totais e perfil leucocitário e análise da produção de citocinas (interleucina (IL)-1ß, fator de necrose tumoral a (TNF-a), IL-6) em modelo de peritonite. Foi demonstrado que a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a indução de hiperalgesia mecânica e térmica em todos os pontos tempo avaliados. No que se refere ao efeito anti-inflamatório, a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a formação de edema em camundongos machos, mas não em fêmeas. RvD5 na dose 10 ng por animal foi capaz de prevenir a indução da atividade da enzima MPO em camundongos machos e fêmeas. Não houve alteração da atividade da enzima NAG em ambos os sexos. Também demonstramos que a RvD5 na dose de 10 ng por animal foi capaz de prevenir a migração de leucócitos totais, polimorfonucleares e mononucleares na cavidade peritoneal. RvD5 na dose de 10 ng por animal também foi capaz de prevenir a indução da produção de citocinas de uma forma sexo-dependente. Em camundongos machos, houve redução da produção de IL-1ß com a produção de TNF- a e IL-6 permanecendo inalteradas. Em fêmeas, houve redução da produção de TNF- a com a produção de IL-1ß e IL-6 permanecendo inalterada. Portanto, a RvD5 possui efeito analgésico e anti-inflamatório em modelos de dor e inflamação induzidos por carragenina por mecanismos distintos em machos e fêmeas, sendo a RvD5 uma droga promissora para o tratamento de doenças de cunho inflamatórioItem Exposição à baixas doses de malation durante a peripuberdade causa prejuízos reprodutivos em ratas Wistar : repercussões na fertilidade, placentação e parâmetros fetais(2024-07-29) Frigoli, Giovanna Fachetti; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Armani, Alessandra Cecchini; Seneda, Marcelo Marcondes; Favaron, Phelipe OliveiraO malation, um inseticida organofosforado amplamente utilizado desde a década de 1980, é ainda hoje um dos pesticidas mais usados, inclusive no combate ao mosquito Aedes em áreas endêmicas de dengue no Brasil. Sua pulverização expõe toda a população, incluindo crianças e adolescentes, ao pesticida. A puberdade é um período crítico para a maturação do sistema genital e o estabelecimento do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal. Com base no conceito DOHaD (Origens do Desenvolvimento da Saúde e Doença), que sugere que condições ambientais e nutricionais durante janelas de desenvolvimento podem influenciar a saúde futura por meio de reprogramação metabólica, este estudo busca avaliar se a exposição pré-concepcional a baixas doses de malation durante os períodos juvenil e puberal afeta a fertilidade, placentação e desenvolvimento intrauterino em ratas Wistar. No estudo, 36 ratas foram divididas em três grupos (n=12/grupo) e expostas diariamente via gavage ao malation nas doses de 10 e 50 mg/kg, do dia pós-natal (DPN) 22 ao 60. A partir do DPN 27, foi monitorada a abertura vaginal e a ocorrência do primeiro estro. No primeiro proestro após o DPN 60, as fêmeas foram acasaladas, e a prenhez foi confirmada pela presença de espermatozoides no lavado vaginal, marcando o dia gestacional (DG) 0. As fêmeas prenhes foram mantidas em condições controladas e com acesso ad libitum à água e ração até o DG 18, no qual foram anestesiadas e submetidas à eutanásia. Sangue foi coletado para dosagem hormonal e análises bioquímicas. Líquido amniótico, útero e ovários foram coletados para análises bioquímicas, do perfil oxidativo e histológicas. A exposição ao malation adiantou em um dia a instalação da puberdade nas fêmeas expostas à maior dose, porém, não houve comprometimento da fertilidade. Houve aumento dos níveis de sódio no líquido amniótico na prole e na concentração sérica de ureia nas fêmeas expostas à dose mais alta (M50). Observou-se ainda prejuízos na integridade uterina, placentação e desenvolvimento intrauterino em ambos os grupos expostos ao malation. Verificou-se estresse oxidativo no útero e nas placentas em ambos os grupos expostos ao inseticida, e redução na reserva placentária de glicogênio em M10. Contudo, a produção de estrógeno e progesterona pela placenta não foi alterada após a exposição ao inseticida. Este modelo experimental mostra que a exposição a baixas doses do inseticida malation durante os períodos juvenil e peripuberal adianta a instalação da puberdade, mas não afeta a fertilidade em ratas Wistar. Além disso, a exposição antes da concepção prejudica a placentação, afetando o tamanho dos fetos, sugerindo reprogramação metabólica nos animais. Nossos resultados indicam que o malation compromete a saúde reprodutiva de fêmeas expostas durante a puberdade.Item Araneísmo no norte do Paraná sob a ótica do centro de informação e assistência toxicológica do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina(2025-08-28) Bonfim, Flávia Queren Cordeiro de; Kwasniewski, Fábio Henrique; Girotto, Edmarlon; Costa, Idessânia Nazareth daIntrodução: O araneísmo representa um importante problema médico e epidemiológico, especialmente em regiões com alta incidência como o estado do Paraná. A compreensão do perfil epidemiológico dos acidentes por aranhas é fundamental para orientar ações de vigilância e manejo clínico eficaz. Objetivo: Analisar o panorama epidemiológico dos acidentes por aranhas nos municípios da 17ª Regional de Saúde do Paraná, com base em notificações ao CIATox-Londrina registradas no sistema DATATOX entre 2017 e 2023. Metodologia: Realizou-se um estudo epidemiológico transversal, com abordagem descritiva e analítica, a partir dos dados extraídos do DATATOX e do SINAN, utilizando-se os programas Microsoft Excel 2013 e IBM SPSS Statistics v.25.0, com cálculo de taxa de incidência, análise de sazonalidade, distribuição geográfica e associação entre variáveis sociodemográficas com uso do Odds Ratio, tendo como desfecho a gravidade do araneísmo. Resultados: O DATATOX registrou 1.304 notificações, superando o SINAN, com 1.286, observando-se queda durante a pandemia de COVID-19 com 149 casos em cada um dos anos de 2020 e 2021, e aumento de casos nos meses mais quentes, especialmente em dezembro (149 casos) e janeiro (174 casos), que juntos concentram 24,7% das ocorrências nesse período. O município de Londrina concentrou mais de 50% dos registros, sendo as vítimas majoritariamente homens (57,1%) brancos (67,2%), em idade economicamente ativa, com maior frequência nas faixas etárias de 20-39 anos (29,7%) e 40-59 anos (27,3%). O nível de escolaridade mais observado foi o ensino médio completo (31,4%). A maioria dos acidentes foi causada por aranhas do gênero Phoneutria (46,8%), com lesões principalmente em pés (31,8%) e mãos (27,3%). Em 36,2% dos casos, o atendimento médico ocorreu antes de três horas. Os sinais e sintomas mais frequentes foram dor (81%), hiperemia (35,5%) e edema (31,5%), com predomínio de casos leves (89,8%). Verificou-se divergência entre os casos que receberam soroterapia e os critérios clínicos estabelecidos, indicando falhas nos protocolos de atendimento. Conclusão: Este estudo evidenciou discrepâncias entre os registros do DATATOX e do SINAN, resultando em diferenças nas taxas de incidência dos municípios avaliados. A maior parte dos acidentes foi notificada em Londrina, com predomínio de casos envolvendo o gênero Phoneutria, diferentemente de outras regiões do país. Os dados sociodemográficos coletados fornecem subsídios importantes para aprimorar as ações de vigilância, prevenção e manejo clínico do araneísmo, considerando suas características sazonais, regionais e o perfil das populações mais vulneráveis. Além disso, o uso da soroterapia merece avaliação mais criteriosa, a fim de evitar sua aplicação inadequada ou desnecessáriaItem A exposição in vitro ao cloridrato de atomoxetina altera a expressão gênica e prejudica a morfofisiologia de células de Leydig TM3(2025-08-22) Quadreli, Débora Hipólito; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Erthal-Michelato, Rafaela Pires; Serpeloni, Juliana MaraA busca por medicamentos não estimulantes do sistema nervoso central vem aumentando para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma vez que possuem menor potencial de abuso e ainda assim são eficazes na redução dos sintomas. Dentre esses medicamentos, a atomoxetina atua como um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina, aumentando a concentração desse neurotransmissor na fenda sináptica. Embora seja eficaz na melhora dos sintomas característicos do TDAH, seus efeitos sobre sistemas específicos, especialmente sobre a função reprodutiva masculina, ainda não foram analisados. As células de Leydig, localizadas no interstício testicular, são fundamentais para a síntese de testosterona e, consequentemente, na fertilidade masculina. Sendo assim, este estudo objetiva avaliar os possíveis efeitos do cloridrato de atomoxetina em linhagem de células de Leydig TM3 in vitro. Para isso, as células foram expostas a concentrações de 250, 1000 ou 1750 ng/mL de cloridrato de atomoxetina por 4 horas para o ensaio cometa, 12 horas para a expressão gênica e 24 horas para os ensaios de viabilidade e morte celular, perfil oxidativo, dosagens de citocinas e testosterona e, por fim, ensaio clonogênico. As concentrações utilizadas foram baseadas nas concentrações plasmáticas de pacientes que utilizaram a dose terapêutica desse fármaco. Os resultados evidenciaram que nenhuma das concentrações do cloridrato de atomoxetina alterou a viabilidade celular e os níveis de citocinas pró-inflamatórias TNF-a e IL-1ß. No entanto, em concentrações mais altas (1000 e 1750 ng/mL) o fármaco induziu estresse oxidativo, danos ao DNA e morte celular com morfologia apoptótica e necrótica. Além disso, houve redução significativa dos níveis de testosterona, IL-33 e da capacidade clonogênica das células. A análise de expressão gênica revelou modulação negativa de genes anti-apoptóticos (Bcl-2) e positiva de genes pró-apoptóticos (BAX), relacionados ao estresse oxidativo (HO-1 e Nrf2) e ao receptor androgênico (AR). Esses achados sugerem que o cloridrato de atomoxetina promove prejuízos morfofisiológicos em células de Leydig in vitro, com possíveis implicações para a saúde reprodutiva masculinaItem Análise das variantes genéticas rs1800896, rs1800871 e rs1800872 do gene IL10 e sua correlação com a suscetibilidade à infecção pelo HPV e desenvolvimento de câncer cervical(2025-04-16) Silva, Pamella Rodrigues da; Oliveira, Karen Brajão de; Guembarovski, Roberta Losi; Ariza, Carolina BatistaA interleucina 10 (IL-10) é uma citocina anti-inflamatória e imunossupressora que regula a resposta inflamatória e a imunidade celular contra infecções virais, incluindo o Papilomavírus Humano (HPV). Alterações na expressão e secreção da IL-10, potencialmente causadas por variantes de nucleotídeo único (SNVs) na região promotora do gene IL10, influenciam a persistência viral e a progressão para lesões intraepiteliais escamosas e câncer cervical. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação dos alelos, genótipos e haplótipos das SNVs rs1800896 (-1082 A>G), rs1800871 (-819 C>T) e rs1800872 (-592 C>A) do gene IL10 com a infecção pelo HPV, o desenvolvimento de lesões intraepiteliais escamosas e câncer cervical em mulheres atendidas por serviços públicos de saúde no Paraná, Brasil. Trata-se de um estudo caso-controle, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina (CAAE 38937520.2.0000.5231). Foram incluídas 438 mulheres no estudo, agrupadas de acordo com a presença (n=257) ou ausência (n=181) de infecção por HPV. O grupo infectado foi subdividido conforme o grau da lesão cervical: sem lesão (n=91), lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LIEBG) (n=25), lesão intraepitelial escamosa de alto grau (LIEAG) (n=72) e câncer cervical (n=69). Foram coletadas amostras de sangue periférico para genotipagem das variantes genéticas de IL10 por PCR em Tempo Real, e amostras cervicais para detecção de HPV por PCR convencional. As análises estatísticas foram conduzidas no software SPSS 25.0 (p<0,05), e a inferência haplotípica foi realizada pelo programa PHASE. Os resultados mostraram que o alelo G da variante rs1800896 esteve associado a um efeito protetor contra a infecção por HPV no modelo dominante (AA vs AG+GG; OR = 0,646, IC95%: 0,439–0,950; p = 0,026). Em contrapartida, o alelo T da rs1800871, no modelo dominante (CC vs CT+TT), esteve associado a maior suscetibilidade (OR = 2,056, IC95%: 1,388–3,045; p < 0,001), assim como os genótipos CA+AA da rs1800872 (OR = 2,056, IC95%: 1,388–3,045; p < 0,001). A análise haplotípica indicou que o haplótipo ATA esteve significativamente associado à infecção por HPV quando presente em mulheres homozigotas (ATA/ATA: OR = 2,238, IC95%: 1,155–4,339; p = 0,017) e em combinação com outros haplótipos (ATA/others: OR = 1,807, IC95%: 1,202–2,718; p = 0,004). Já o haplótipo GCC apresentou efeito protetor contra a infecção por HPV em mulheres heterozigotas para o haplótipo (GCC/others: OR = 0,628, IC95%: 0,420–0,940; p = 0,024). No entanto, após ajuste por fatores de confusão em modelos de regressão logística, essas associações com lesões e câncer não se mantiveram estatisticamente significativas (p>0,05). Este é o primeiro estudo a avaliar a associação entre variantes e haplótipos do gene IL10 com a infecção por HPV em uma coorte da população brasileira. Nossos achados sugerem que variantes genéticas do gene IL10 podem influenciar a suscetibilidade à infecção por HPV, apontando os haplótipos como potenciais biomarcadores de risco. Apesar de não se associarem de forma independente à progressão para lesões ou câncer, essas variantes podem exercer papel relevante na carcinogênese quando combinadas a outros fatores predisponentesItem Avaliação multigeracional do efeito da exposição paterna e durante o desenvolvimento à N-nitrosodimetilamina (NDMA) sobre parâmetros prostáticos de ratos adultos(2025-02-28) De Souza, Karen Gabriela Favaro; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Andrade, Fábio Goulart de; Umbelino, Ana Paula Franco PunhaguiA N-nitrosodimetilamina (NDMA) é uma nitrosamina de reconhecido potencial mutagênico e carcinogênico, presente em diversas fontes ambientais. Este estudo investigou os efeitos da exposição à NDMA nos parâmetros prostáticos de ratos Wistar adultos, no contexto das Origens Paternas da Saúde e da Doença (POHaD). Machos da geração F0 foram expostos a 7,2 ng/kg/dia de NDMA por gavagem do DPN 60 ao 104 e posteriormente acasalados. Na geração F1, um filhote por ninhada foi avaliado no DPN 70 para exposição indireta, enquanto dois filhotes continuaram a exposição até o DPN 70, sendo um ao veículo e outro à NDMA. A exposição à NDMA aumentou significativamente o peso absoluto e relativo da próstata na geração F0, sem alterações na F1. A estereologia revelou aumento do epitélio e redução do lúmen na F0 e F1 (DPN 120), além de aumento do interstício no grupo com exposição paterna. A análise de colágenos indicou redução do tipo III na F0 e de ambos os tipos I e III na F1 (DPN 70), enquanto no DPN 120 a área de colágeno tipo I aumentou apenas no grupo exposto durante o desenvolvimento sexual. Na análise histopatológica, todas as gerações expostas apresentaram infiltrado inflamatório, células na luz e aumento da degranulação de mastócitos. No perfil oxidativo, não houve alterações significativas na peroxidação lipídica e na atividade de catalase e glutationa-S-transferase. No entanto, a superóxido dismutase aumentou e as concentrações de glutationa oxidada e total reduziram na próstata da geração F0 exposta. Os achados sugerem que a exposição a baixas doses de NDMA causa impactos estruturais e inflamatórios na próstata, além de desbalanço no sistema antioxidante, com efeitos persistentes em gerações subsequentes, mesmo sem exposição diretaItem Prejuízos causados pela administração de baixas doses de malation sobre os parâmetros placentários, reprodutivos e bioquímicos de ratas wistar em diferentes tempos gestacionais(2025-02-26) Faria, Gabrielle Chalupa; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Sakalem, Marna Eliana; Ferreira, Simone ForcatoO malation é um inseticida da classe dos organofosforados amplamente utilizado desde a década de 1980 em práticas veterinárias e agropecuárias. No Brasil, em 2015, devido ao aumento de casos de dengue, Zika e Chikungunya, foi decretado estado de alerta emergencial. Assim, esse pesticida passou a ser empregado no combate ativo ao mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças. Na literatura, poucos estudos associaram os efeitos do malation a possíveis efeitos teratogênicos, especialmente ao processo de placentação. Considerando o conceito DOHaD (Developmental Origins of Health and Disease) e reconhecendo que a placenta é um órgão essencial que se desenvolve ao longo de toda a gestação, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da exposição ao malation, administrado via gavage, durante diferentes períodos gestacionais, sobre a placentação e o desenvolvimento fetal em ratas da linhagem Wistar. Para isso, foi realizado um estudo in vivo em modelo animal, onde foram utilizadas ratas Wistar com idade inicial de 70 dias, mantidas no biotério do laboratório de Toxicologia e Distúrbios Metabólicos da Reprodução da Universidade Estadual de Londrina (Of. Circ. CEUA n° 019/2023) durante todo o experimento. Após três dias de aclimatação no biotério, as fêmeas foram submetidas a um protocolo de acasalamento. A prenhez foi confirmada a partir da detecção de espermatozoides no lavado vaginal. As ratas prenhes foram pesadas e redistribuídas em três grupos experimentais: Controle (C), que recebeu veículo (salina 0,9%), Malation 10 (M10) (10 mg/kg) e Malation 50 (M50) (50 mg/kg), todos administrados via gavage. Neste estudo, foram testados três diferentes tempos de exposição gestacional, sendo eles: DG1 ao DG8, DG1 ao DG15 e DG1 ao DG20. A eutanásia ocorreu por punção da veia porta hepática sob anestesia com a associação de quetamina e xilazina. Os ovários e os úteros gravídicos foram pesados, e a placenta e parte do tecido uterino foram coletados. Também foi coletado sangue periférico em tubos heparinizados, além de ter sido realizado um esfregaço sanguíneo materno. Foram contabilizados o número de corpos lúteos, de implantações, de fetos e de placentas. As análises realizadas demonstraram aumento do estresse oxidativo na placenta e útero das ratas que receberam o inseticida malation, além de aumento do número de micronúcleos no sangue materno. Porém, não houve interferência nos parâmetros de fertilidade dos animais. Dessa forma, pode-se concluir que o malation não interfere no potencial de fertilidade de ratas Wistar, mas causou danos placentários e uterinos, além de causar possíveis alterações mutagênicas no sangue maternoItem Implicações das variantes genéticas (rs822335 e rs4143815) do gene de PD-L1 na suscetibilidade e prognóstico do câncer de mama(2025-09-04) Silva, Mariane Ricciardi da; Oliveira, Karen Brajão de; Guembarovski, Roberta Losi; Vitiello, Glauco Akelinghton FreireO câncer de mama (CM) é a neoplasia maligna mais frequente em mulheres no mundo e pode ser classificado em ao menos quatro diferentes subtipos moleculares, sendo eles: luminal A (LA), luminal B (LB), HER2 superexpresso (HER2+) e triplo negativo (TN), com os subtipos LA e TN considerados de prognósticos opostos, sendo LA o CM de prognóstico mais favorável, e TN classificado entre os mais agressivos. Apesar dos mecanismos do sistema imune para a eliminação de tumores, as células tumorais possuem como característica evolutiva o desenvolvimento de mecanismos de evasão imunológica. Os principais alvos de modulação pelos tumores incluem as moléculas de checkpoint imunológico, como o ligante de morte programada 1 (PD-L1) e seu receptor, a proteína de morte programada 1 (PD-1). O eixo PD-L1/PD-1 é essencial para suprimir a atividade de células T, atuando na manutenção da tolerância imunológica e no controle da inflamação. A expressão e função de PD-L1 pode ser influenciada pela presença de variantes genéticas, como as variantes de nucleotídeo único (SNVs). O gene que codifica PD-L1 é chamado CD274, e possui cerca de 20 SNVs indexadas na literatura, incluindo rs4143815G>C e rs822335T>C. A SNV rs4143815G>C localiza-se na região 3’UTR de CD274, enquanto rs822335T>C se encontra na região promotora do gene. Ambas já se correlacionaram com maior expressão de PD-L1, tornando-se alvos promissores de estudo para a melhor compreensão dos mecanismos de modulação de expressão de PD-L1, e de sua possível correlação com a suscetibilidade e o prognóstico do CM. Por isso, o objetivo deste estudo foi avaliar a influência dos polimorfismos rs4143815G>C e rs822335T>C de CD274, e seus haplótipos, em pacientes com CM, e entre os subtipos moleculares de prognósticos opostos mais frequentes dentro do grupo de amostras selecionado, LA e TN. Participaram do estudo 490 mulheres, divididas em dois grandes grupos: controle (n=198) e câncer (n=292), com o grupo câncer sendo subdividido em LA (n=182) LB (n=36), HER2+ (n=16) e TN (n=58). Foram utilizadas amostras de DNA armazenadas em biorrepositório e a genotipagem das SNVs foi realizada por Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (qPCR). Apenas o polimorfismo rs822335T>C demonstrou associações significativas com os grupos estudados, sendo seu genótipo TT associado à maior suscetibilidade ao CMLA (OR: 2.091; IC 95%: 1.086-4.023; p=0.027) e seu genótipo CT associado à proteção para o CMTN (OR: 0.439; IC 95%: 0.231-0.832; p=0.012), quando comparadas ao grupo controle. Além disso, ao avaliar os modelos genéticos, o modelo dominante indicou que a presença do alelo T confere proteção para o desenvolvimento do CMTN (OR: 0.465; IC 95%: 0.254-0.851; p=0.013), e o modelo recessivo confirma o genótipo TT como fator de suscetibilidade para CMLA (OR: 2.319; IC 95%: 1.285-4.187; p=0.005). Na análise haplotípica, os resultados foram semelhantes: a presença do haplótipo C-G demonstra-se como fator protetor para CMLA (OR: 0.592; IC 95%: 0.361-0.971; p=0.038), e aumenta a suscetibilidade ao CMTN em aproximadamente 2,2 vezes (OR: 2.170; IC 95%: 1.151-4.092; p=0.017), enquanto a presença do haplótipo T-G diminui em 2,6 vezes a suscetibilidade ao CMTN (OR: 0.379; IC 95%: 0.185-0.778; p=0.008). Este é o primeiro trabalho a avaliar estas SNVs em conjunto no contexto do CM, e demonstra a relação entre o alelo C e o genótipo CC de rs822335T>C, correlacionados com a maior expressão de PD-L1 em células tumorais, com a suscetibilidade ao CMTN - tumores que possuem prognóstico desfavorável e são muito imunogênicos, podendo ser favorecidos pelo aumento desta molécula no microambiente tumoral. Em adição, demonstramos a associação do alelo T e do genótipo TT, com o CMLA. Estes resultados podem contribuir para o melhor entendimento do papel de PD-L1 no CM.Item Perfil temporal de ativação de neurônios do gânglio da raiz dorsal e células da glia espinais na artrite séptica causada por Staphylococcus aureus em camundongos(2025-02-24) Barbosa-Costa, Fernanda; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Fernandes, Glaura Scantamburlo Alves; Zaninelli, Tiago HenriqueStaphylococcus aureus é o principal agente causal da artrite séptica, uma infecção grave caracterizada presença de um agente infeccioso na cavidade articular, gerando dor, inflamação e destruição da articulação. No entanto, ainda não se sabe qual o papel das células da glia nessa infecção. Desta forma, este trabalho teve como objetivo avaliar a participação de células da glia em um modelo de dor e inflamação induzido pela infecção articular causada por S. aureus em camundongos. Para isso, foram utilizados camundongos Swiss machos (20-25g, n=7 por grupo). A artrite foi induzida pela injeção intra-articular (i.a.) de S. aureus (1×107, 10µL) na articulação traseira direita dos camundongos. Hiperalgesia mecânica (Von Frey eletrônico) e térmica (placa quente [52°C]), escore clínico, edema articular e teste de distribuição de peso corporal nas patas traseiras (Static Weight Bearing) foram avaliados nos tempos 0 (basal), 3, 7, 14, 21 e 28 dias após o estímulo. Amostras de medula espinal e DRG foram coletadas para análise de tempo-resposta da ativação de células da glia (astrócitos, micróglia e oligodendrócitos) e neurônios sensoriais (TRPV1+) através da técnica de imunofluorescência para pNFκB e marcadores específicos para cada tipo celular. Ainda, animais foram tratados com α-aminoadipate (100 nmol/animal, intratecal [i.t.]) um inibidor de astrócitos, minociclina (150 µg/animal, i.t.) um inibidor de micróglia e AMG 9810 (100 nmol/animal, i.t.) um antagonista de TRPV1, 7 dias após a indução da artrite. Foi realizada medidas de hiperalgesia mecânica e térmica, e edema nos tempos 0, 3 e 7 dias após o estímulo, e 1, 3 e 5 horas após o tratamento. A infecção por S. aureus induziu hiperalgesia mecânica e térmica, edema articular, aumento no score clínico, desbalanço na distribuição de peso corporal e ativação significativa de astrócitos, micróglia e neurônios TRPV1+. Com a administração dos inibidores seletivos, observou-se redução na hiperalgesia mecânica e térmica em diferentes momentos. Posto isto, este estudo demonstrou pela primeira vez a participação de células da glia da medula espinal no modelo de artrite séptica, mas também o envolvimento de um subconjunto de neurônios do DRG, fornecendo novas perspectivas para o manejo da dor e inflamaçãoItem Efeito de terapias isoladas e combinadas com benzoiltiouréias, benznidazol e aspirina sobre o plexo mioentérico do esôfago de camundongos infectados cronicamente por Trypanosoma cruzi(2024-10-31) Silva, Emanuel Perez Floro da; Araújo, Eduardo José de Almeida; Uchôa, Ernane Torres; Pavanelli, Wander RogérioA doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi), é atualmente uma das doenças de maior impacto global. O curso clínico bifásico da DC (fase aguda e fase crônica) pode levar ao desenvolvimento da forma indeterminada, cardiodigestiva, cardíaca e digestiva. Esta última se caracteriza por dismotilidade do tubo digestivo devido à denervação do plexo mioentérico. O tratamento convencional utilizado é com Benzonidazol (BZ), o qual possui limitações e pode causar muitos efeitos adversos na fase crônica da doença, o que compromete a adesão ao tratamento. Assim, o desenvolvimento de novas terapias para o tratamento da DC se faz necessário. Recentemente, demonstrou-se em testes in vitro o efeito tripanocida de benzoiltioureias (BTU) sobre o T. cruzi. Outro fármaco que tem demonstrado ser promissor para tratar DC é o ácido acetilsalicílico (ASA), o qual em doses controladas reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias, atenuando a denervação mioentérica observada na DC. Assim, este estudo objetivou avaliar o efeito do tratamento isolado e combinado de BZ, BTU e ASA sobre o plexo mioentérico de camundongos BALB/c infectados cronicamente com T. cruzi. Para tanto, dois grupos de animais machos, de 8 a 12 semanas de idade, foram formados: um que foi infectado com 5 × 10² formas tripomastigotas de T. cruzi (cepa Y) e o outro que permaneceu não infectado. Imediatamente após a infecção, os animais de cada grupo inicial foram separados em 16 grupos (n=5/grupo), sendo que um não recebeu nenhum tratamento (controle) e os demais foram tratados, via gavagem, com 25 mg/Kg de BZ, 25 mg/Kg de ASA, e/ou 12,5 de mg/Kg BTU de forma isolada ou combinada. Cada camundongo recebeu 0,1 mL de cada droga diluída em água potável. O grupo controle recebeu água potável autoclavada. Os tratamentos foram realizados durante as quatro primeiras semanas (fase aguda) após a infecção, e depois de 90 dias (fase crônica), foi feita a eutanásia, quando foram coletados os esôfagos, em sequência foram fixados em paraformoldeído (PFA) e divididos para a realização das análises histopatológicas de cortes transversais do esôfago corados em Hematoxilina e Eosina (H.E.) e imunofluorescência para visualização de neurônios que compõem o plexo mioentérico do esôfago. Ao total, 1600 fotos dos cortes em H.E., e 8000 dos preparados totais da camada muscular submetidos à técnica de imunofluorescência foram analisadas manualmente no software ImageJ e a análise estatística foi realizada utilizando o software R. As análises dos diferentes parâmetros avaliados, utilizando ferramentas do ImageJ, evidenciou que a infecção causou hipertrofia das camadas musculares, com aumento da espessura deste estrato e número de núcleos de células musculares por área, assim como causou denervação do plexo mioentérico, com hipertrofia das subpopulações neuronais (nitrérgicas e estimadamente colinérgicas). Os tratamentos em animais não infectados também demonstraram capacidade para alterar características das camadas musculares, como por exemplo os tratamentos que combinavam os fármacos que causaram hipertrofia da camada muscular longitudinal e, além disso, o tratamento com ASA, que chamou atenção por sua capacidade de aumentar o número de núcleos de células musculares do esôfago e hipertrofiar neurônios nitrérgicos. Em animais infectados, os tratamentos utilizando BZ isoladamente ou combinado com BTU demonstraram maior eficiência no controle das alterações das camadas musculares causadas pela infecção. E somando-se a isso, a terapia isolada BZ inibiu a hipertrofia dos neurônios nitrérgicos, o que não foi observado quando BTU foi combinada ao BZ. Conclui-se que, dentre os tratamentos avaliados, nenhum apresentou efeito completo de proteção a todas as alterações estruturais ocasionadas pela infecção crônica por T.cruzi no esôfago de camundongos, contudo os tratamentos isolados utilizando BZ ou utilizando ASA reduziram significativamente a hipertrofia neuronal colinérgica. A associação de BTU ao BZ demonstrou ser o tratamento mais eficiente para minimizar as alterações causadas pela infecção, preservando mais neurônios e reduzindo a hipertrofia muscular de ambas as camadas musculares do esôfago. Dessa maneira, há evidências que indicam que o estudo da associação de BTUs ao tratamento medicamentoso padrão da DC pode se tornar um protocolo com efeito desejado mais efetivo e com menores efeitos adversosItem A Resolvina D5 reduz a dor induzida pelo doador de ânion superóxido(2025-02-26) Martelossi-Cebinelli, Geovana; Junior, Waldiceu Aparecido Verri; Pereira, Maria Isabel Lovo Martins Busch; Zaninelli, Tiago HenriqueA inflamação é um mecanismo protetor que, ao produzir espécies reativas de oxigênio (ERO), regula funções fisiológicas, enquanto o excesso causa estresse oxidativo e intensifica a inflamação. A dor inflamatória resulta da interação entre tecidos lesionados e neurônios nociceptivos. As ERO, como o ânion superóxido (O2•-), possuem papel crucial na dor inflamatória, como evidenciado pelo superóxido de potássio (KO2), que libera O2•-, induzindo dor e inflamação. A resolução do processo inflamatório é essencial para limitar a dor e pode ser promovida por mediadores lipídicos pró-resolução, como a Resolvina D5 (RvD5), que possui efeitos anti-inflamatórios e analgésicos significativos. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos analgésicos da RvD5 em modelo de dor inflamatória induzida pelo doador de O2•-, o KO2, em camundongos. Para isso, foram utilizados camundongos Swiss machos e fêmeas e camundongos transgênicos LysM-eGFP machos (CEUA-UEL: 003.2021). Os animais foram pré-tratados com a RvD5 (1, 3 e 10 ng/100 µL/animal) ou com veículo (composto de salina isotônica e álcool) via intraperitoneal (i.p) ou intratecal, 30 min antes do estímulo com o KO2 ou veículo via intraplantar (30 µg/20 µL/animal) ou i.p. (1 mg/100 µL/animal). A hiperalgesia e alodinia mecânica foram avaliadas pela versão eletrônica dos Filamentos de von Frey e pelo método dos Filamentos de von Frey, respectivamente, nos tempos de 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7 h após o estímulo. A hiperalgesia térmica foi avaliada em uma placa quente (± 52ºC) nos mesmos tempos que os experimentos anteriores (0, 0.5, 1, 3, 5 e 7 h) e através do método de Hargreaves, nos tempos de 0, 1, 3, 5 e 7 h após o estímulo. O teste de distribuição de peso entre as patas traseiras foi avaliado por meio do Static Weight Bearing em tempos igual ao método de Hargreaves (0, 1, 3, 5 e 7 h). O comportamento de dor manifesta foi avaliado através da contagem total das contorções abdominais (20 min após o estímulo), sacudidas e lambidas de pata (30 min após o estímulo). A produção de antioxidantes (ABTS), redução do O2•- (NBT) e da peroxidação lipídica (TBARS) foram avaliadas 3 h após o estímulo, com exceção do ensaio de catalase, avaliado 1 h após o estímulo. A produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-a, IL-1ß e IL-6; ELISA) foi avaliado 3h e 30 min após o estímulo. A toxicidade do tratamento foi avaliado pelos ensaios de ALT, AST, ureia, creatinina e atividade da mieloperoxidase estomacal, 7 h após estímulo. O recrutamento de leucócitos (coloração hematoxilina & eosina e intensidade de fluorescência LysM-eGFP) e a presença de mastócitos (coloração azul de toluidina) foram avaliados 7 h após o estímulo. A expressão de astrócitos, de receptores GPR101 e de neurônios na medula espinal (intensidade de fluorescência) foi avaliada 5 h após o estímulo. Como resultados, a RvD5 reduz os comportamentos de dor (hiperalgesia, alodinia, desbalanço na distribuição de peso corporal e dor manifesta). Em conjunto, ela aumenta a capacidade antioxidante e reduz a produção de O2•-, a peroxidação lipídica, a produção de citocinas pró-inflamatórias, a migração de leucócitos e a presença de mastócitos, a expressão de astrócitos e de receptores GPR101. Tudo isso, sem causar danos gástricos, hepáticos ou renais. Dessa forma, este estudo evidenciou que a RvD5 demonstra uma ação analgésica segura em modelo de dor e inflamação desencadeada por EROItem Efeitos da melatonina sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e metabolismo energético hepático de ratos wistar pré-diabéticos(2024-11-01) Souza, Milena Cremer de; Seiva, Fábio Rodrigues Ferreira; Guarnier, Flávia Alessandra; Comar, Jurandir FernandoO quadro pré-diabético é associado com alterações no metabolismo glicolítico, lipídico e com o aumento do estresse oxidativo. A melatonina é uma indolamina lipofílica e pleiotrópica sintetizada na glândula pineal e em diferentes órgãos, como o fígado. Sua capacidade de modular o metabolismo energético em modelos diabéticos já é explorado. Considerando esse contexto, o intuito deste trabalho foi avaliar os efeitos da melatonina sobre o metabolismo energético hepático em um modelo de pré-diabetes induzido por dieta rica em sacarose associada à estreptozotocina (STZ). Para este fim foram utilizados 30 ratos Wistar machos de 30 dias de idade, inicialmente divididos nos grupos controle (C; n=10) e pré-diabético (PD; n=20). Ambos os grupos receberam ração comercial ad libitum e o grupo PD solução de sacarose 40% no lugar da água de beber. Após 4 semanas os animais do grupo PD receberam injeção i.p de STZ (50 mg/kg) para indução do quadro pré-diabético e foram divididos, aleatoriamente nos grupos PD e pré-diabético tratado com melatonina (PD-Mel). Este recebeu injeções i.p de melatonina (25 mg/kg) 3 vezes por semana durante 4 semanas. O tratamento com melatonina diminuiu a glicemia de jejum, mas a intolerância à glicose não foi diminuída e os parâmetros morfométricos corpóreos foram semelhantes nos 3 grupos experimentais. O consumo de ração nos grupos PD e PD-Mel foi cerca de 40% menor em comparação a C. No grupo PD os depósitos de gordura foram aumentados em 109,79% e a taxa de adiposidade em 100,28%. Após o tratamento com melatonina esses parâmetros foram diminuídos, respectivamente em 61,07% e 53,41%. O perfil lipídico dos animais foi modulado parcialmente pelo tratamento com melatonina. No soro os níveis de triglicérides (TG), aumentados em 42,85% no grupo PD foram normalizados no grupo PD-Mel. Os níveis de colesterol total (CT), aumentados em 21,83% em PD foram diminuídos em 12,8% em PD-Mel. No fígado a melatonina modulou o metabolismo energético. O grupo PD-Mel apresentou aumento de 187,27% na expressão de Glut2. A expressão de Ldha e atividade LDH, aumentadas em 99,7% e 62,67% em PD foram diminuídas em 45,98% e 26,11% no grupo PD-Mel, sugerindo diminuição da glicólise anaeróbica. A expressão de Hadh e atividade de ß-OHADH foram aumentadas, respectivamente, em 31,84% e 79,45% no grupo PD-Mel, inferindo aumento da ß-oxidação de ácidos graxos. O estresse oxidativo hepático foi evidenciado pela diminuição da atividade enzimática de SOD (23,55%), CAT (29,39%) e aumento da peroxidação lipídica (135,44%). O tratamento com melatonina aumentou a atividade de SOD em 16,42%, de CAT em 65,96% e diminuiu a peroxidação lipídica em 22,64%. Dessa forma é evidenciada a capacidade da melatonina em melhorar o perfil lipídico e modular o metabolismo energético e o estresse oxidativo em um quadro pré-diabéticoItem Estresse oxidativo sistêmico em pacientes com insuficiência venosa crônica(2023-12-07) Farias, Alanna Silva Huk; Armani, Alessandra Lourenço Cecchini; Cecchini, Rubens; Lopes, Natália Medeiros DiasInsuficiência Venosa Crônica (IVC) é definida como conjunto de manifestações clínicas causadas pela anormalidade do sistema venoso periférico. O "aprisionamento de leucócitos" é o mecanismo responsável pela elevada permeabilidade da parede venosa e estresse oxidativo nas veias doentes. O objetivo deste trabalho foi caracterizar o perfil da resposta oxidativa de pacientes com IVC em estágios iniciais e em estágios avançados. Um total de 101 pacientes foram recrutados no ambulatório de Cirurgia Vascular do Hospital Municipal Santa Alice – cidade de Santa Mariana - para participar da pesquisa entre setembro de 2022 e abril de 2023. Os pacientes responderam a um questionário sobre idade, hábitos e doenças crônicas e amostras de sangue foram coletadas para análise dos parâmetros de estresse oxidativo. Os pacientes foram estratificados em 2 grupos de acordo com a classificação da insuficiência venosa crônica CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica). O grupo 1 (n=73) inclui pacientes classificados como CEAP1, CEAP2 e CEAP3, enquanto o grupo 2 (n=28) inclui pacientes classificados como CEAP4, CEAP5 e CEAP6. Os eritrócitos foram utilizados para quantificar hidroperóxidos de membrana, glutationa reduzida (GSH), superóxido dismutase (SOD) e atividade da catalase (CAT). Os resultados da análise dos dados sociodemográficos mostraram a prevalência do sexo feminino nos dois grupos (p= 0,001) e o número de gestações (p= 0.002) teve uma relação significativa entre os dois grupos. Quanto aos parâmetros de estresse oxidativo, os pacientes do grupo 2 apresentaram níveis maiores (p= 0,002) de hidroperóxidos de membrana em relação ao grupo 1. A quantificação de GSH e SOD, e a atividade da CAT não se mostrou diferente entre os grupos. Baseado nos resultados pode-se inferir que há um desequilíbrio redox nos pacientes com IVC em estágios mais avançados pela presença importante de elevados níveis de hidroperóxidos de membranaItem Melatonina modula a atividade de lactato desidrogenase e reduz viabilidade e potencial migratório de células tumorais HuH7.5(2022-09-23) Cruz, Ellen Mayara Souza; Seiva, Fabio Rodrigues Ferreira; Mantovani, Mário Sergio; Venâncio, Emerson José; Pavanelli, Wander RogerioO Carcinoma Hepatocelular (CHC), uma neoplasia primária derivada dos hepatócitos, é um tipo agressivo de câncer, apresentando apenas 18% de sobrevida em 5 anos, baixa responsividade e recorrente quimiorresistência. Diversos estudos têm buscado por compostos alternativos capazes de diminuir o potencial proliferativo e que sejam efetivos no tratamento do CHC. A melatonina é uma indolamina secretada principalmente pela glândula pineal, contudo outros órgãos são capazes de produzir melatonina para seu próprio uso e em menor concentração, dentre eles o fígado. Estudos já demonstraram efeitos potenciais da melatonina em inibir a proliferação celular, antiangiogênese, imunomodulador e antimetastático. O presente estudo teve por objetivo explorar a atividade antitumoral da melatonina contra a linhagem celular de carcinoma hepatocelular HuH7.5. Inicialmente, foi avaliada a viabilidade celular da linhagem tratada com a melatonina (0,50 – 4 mM) nos tempos de 24 e 48h por ensaio de 3-(4,5-Dimethylthiazol-2-yl) -2,5-Diphenyltetrazolium Bromide (MTT). Após este ensaio, foram escolhidas as concentrações de 2 e 4 mM para os demais experimentos. Foram avaliadas alterações morfológicas e capacidade de migração celular por microscopia eletrônica de varredura e ensaio de cicatrização de ferida. Também foram feitas imunomarcações para N-caderina e TGF. Para avaliar as alterações no metabolismo energético foram dosadas as concentrações de glicose e lactato, bem como a atividade da enzima lactato desidrogenase (LDH). Realizou-se também o ensaio de clonogenicidade, para análise de formação de colônias. As células tratadas com 2 e 4 mM apresentaram migração comprometida, além de alterações morfológicas como redução na microvilosidade, rompimentos nas junções aderentes e dano a membrana celular. Houve redução acentuada de N-caderina e TGF após os tratamentos. A melatonina reduziu os níveis de glicose, lactato e LDH intracelular, bem como o número de colônias formadas. Desse modo, foi possível verificar a ação citotóxica e antiproliferativa direta da melatonina sobre a linhagem tumoral, sugerindo a melatonina como uma candidata promissora para ser avaliada como coadjuvante no tratamento do CHCItem Metformina no câncer de tireoide em cultura celular: ação citotóxica da droga através da geração de estresse oxidativo(2025-03-07) Carrijo, Michelle Sanchez; Cecchini, Rubens; Luiz, Rodrigo Cabral; Kwasniewski, Fábio HenriqueO câncer de tireoide tem se tornado cada vez mais incidente na população, sendo o carcinoma papilífero de tireoide (CPT) o subtipo mais comum. A metformina é um fármaco antidiabético amplamente utilizado não só no tratamento de diabetes mellitus tipo 2 mas também tem demonstrado potenciais efeitos antitumorais em diversos modelos experimentais Este estudo teve como objetivo investigar o impacto da metformina sobre a viabilidade, proliferação, ciclo celular, morte celular e estresse oxidativo em células da linhagem K1 de CPT tratadas com o fármaco por 24 horas em concentrações de 40 e 60 µM. Os experimentos foram realizados in vitro, as células foram tratadas com diferentes concentrações de metformina (40 µM e 60 µM) e a avaliação de seus efeitos foram utilizando ensaios de viabilidade celular (MTT), clonogenicidade, ciclo celular, apoptose por anexina V/PI em citometria de fluxo, além da análise de parâmetros oxidativos por detecção de espécies reativas de oxigênio (ERO), lipoperoxidação de membrana (QL), níveis de peróxido de hidrogênio e atividade de antioxidante da GSH. Os resultados indicaram que a metformina reduziu a viabilidade celular da linhagem K1 em ambas as concentrações testadas. O tratamento induziu apoptose, promovendo um aumento expressivo na população de células em fase sub-G1. A capacidade clonogênica das células tumorais foi significativamente reduzida, indicando um efeito antiproliferativo do fármaco. Além disso, a metformina elevou a produção de ERO e lipoperoxidação, sugerindo que o estresse oxidativo pode estar envolvido no mecanismo de morte celular.Item Avaliação da atividade antitumoral e imunomoduladora da Trans-Chalcona e efeitos do tratamento sobre parâmetros de caquexia em modelo murino de câncer cervical(2025-02-21) Silva, João Manoel De Sousa; Pavanelli, Wander Rogério; Venâncio, Emerson José; Rodrigues, Ana Carolina JacobO câncer do colo do útero ocorre pela infecção genital persistente por tipos oncogênicos do HPV. No Brasil, excluindo-se os casos de câncer de pele não melanoma, o câncer do colo do útero ocupa a 6ª posição dentre todos os tipos de câncer e, entre a população feminina, este ocupa a 3ª posição, tendo sido previstos 17.010 novos casos por ano, para o triênio 2023-2025. Existem, atualmente, alguns quimioterápicos que são utilizados no tratamento do câncer cervical. Entretanto, estes fármacos causam, com frequência, alta toxicidade às pacientes. Dessa forma, faz-se necessária a busca de novos fármacos que apresentem maior seletividade para as células tumorais, e que causem menos efeitos tóxicos. A Trans-Chalcona é um composto natural presente em diversas famílias de plantas. Ela é uma precursora da biossíntese de flavonóides, grupo de metabólitos secundários envolvidos em mecanismos de adaptação e defesa de plantas. Possui amplo espectro de ação biológica, tendo sua atividade anticâncer já sido bem discutida na literatura, frente à diferentes tipos de linhagens de células tumorais. Contudo, a atividade antitumoral da Trans- Chalcona em modelos in vivo é escassa. No presente estudo, investigamos a atividade antitumoral e imunomoduladora da Trans-Chalcona, bem como seu efeito sobre a caquexia associada ao câncer, em modelo animal de câncer cervical. Foram utilizados camundongos C57BL/6 isogênicos, fêmeas, com idade de 6 a 8 semanas, obtidas do biotério do Departamento de Ciências Patológicas. Nestas, foram inoculadas, na região dorsolateral, células TC-1 na concentração de 2x105 células/100 μl de meio RPMI. Quando o tumor se tornou palpável, os animais foram divididos, de forma aleatória, entre os diferentes grupos, sendo estes o Grupo Histopatologia e Imunomarcações (GHI), Grupo Homogenato do Tumor (GHT). Cada grupo possui 3 subgrupos, sendo estes o subgrupo Controle Veículo (CV), o qual foi tratado com tween 80 10% + salina (n=8); o subgrupo Trans-Chalcona (TCh), o qual foi tratado com a mesma, na dose de 30 mg/kg (n=8), e o subgrupo Controle Positivo (Cis), o qual foi tratado com a Cisplatina, na dose de 2 mg/kg (n=8). Ambos os grupos CV e TCh foram tratados durante 14 dias consecutivos, por via intraperitoneal. O grupo Cis foi tratado uma vez por semana, durante duas semanas. Ao final do tratamento, os animais foram anestesiados, em seguida foi realizada a eutanásia destes por deslocamento cervical, e os tumores, sangue e músculos gastrocnêmio esquerdo e direito destes foram coletados. Foram avaliados os parâmetros de volume tumoral e peso corporal ao longo do período de tratamento. Os tumores dos animais do grupo GHI foram direcionados para cortes histológicos, com os quais foi realizada coloração com hematoxilina e eosina para avaliação de scor patológico. Os tumores dos animais do grupo GHT foram direcionados para dosagem de citocinas dos perfis Th1, Th2 e Th17 por citometria de fluxo, dosagem de Óxido Nítrico, Ânion Superóxido, Malondialdeído, FRAP e ABTS para avaliar o estresse oxidativo no tumor. O sangue dos animais foi direcionado para dosagem de IL-6 e IFN-γ plasmáticos. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Universidade Estadual de Londrina, protocolo CEUA nº 015.2024. Ao fim dos experimentos, foi observado que o tratamento com a Trans-Chalcona promoveu inibição do crescimento tumoral de forma semelhante a cisplatina. Em elação à análise histopatológica, observou-se redução na vascularização no tecido tumoral. Quanto ao estresse oxidativo no microambiente tumoral, foi elucidado que o tratamento promoveu aumento dos níveis de ânion superóxido, de metabólitos do óxido nítrico e de malondialdeído, e diminuição do parâmetro de FRAP e uma tendência à diminuição do parâmetro de ABTS. Na avaliação da imunomodulação no microambiente tumoral, elucidou-se que o tratamento tanto com a TCh quanto com a Cis aumentou os níveis das citocinas IFN-γ e IL-17A, e reduziu os níveis das citocinas IL-4 e IL-6. Quanto aos efeitos sobre os parâmetros de caquexia, foi observado que ambos os tratamentos com a Trans-Chalcona e com a Cisplatina impediram a perda de peso e da massa muscular, promoveram redução dos níveis plasmáticos de IFN- γ e IL-6, reverteram a perda da força de preensão manual e a Trans-Chalcona atenuou a diminuição do consumo alimentar. De acordo com esses resultados, conclui-se que a Trans-Chalcona se mostra como um candidato promissor de fármaco antineoplásico para o tratamento de câncer do colo do útero associado ao HPV câncer cervicalItem Maresina 2 reduz dor e inflamação induzidas pela peçonha de Bothrops jararaca em camundongos(2023-11-24) Dantas, Kassyo Lenno Sousa; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Kwasniewski, Fábio Henrique; Bertozzi, Mariana MarquesAs picadas de serpentes podem induzir inflamação e dor. A peçonha de Bothrops jararaca (BjV) causa dor intensa e prolongada que não é revertida pelo antiveneno, além de hemorragia, infiltrado de células inflamatórias e edema. A Maresina 2 (MaR2) é um Mediador Lipídico Pro-Resolução Especializado (SPM's) com propriedades anti-inflamatórias, pró-resolutivas e analgésicas. Neste estudo, investigamos a eficácia da MaR2 na redução da dor e inflamação induzidas por BjV em camundongos. Para isso, foi utilizado a avaliação da hiperalgesia mecânica (versão eletrônica dos filamentos de von Frey), a hiperalgesia térmica (teste de placa quente) e a distribuição de peso (suporte de peso estático), bem como a atividade da mieloperoxidase (ensaio MPO), a produção de ânion superóxido (O2- ) (ensaio NBT), níveis totais de antioxidantes (ensaio ABTS) e os níveis de citocinas TNF-a, IL-1ß e IL-6 no tecido plantar de camundongos após injeção intraplantar de BjV em diferentes doses (0.01, 0.1 e 1 µg). O pré-tratamento intraperitoneal com MaR2 (0.3, 1 e 3 ng) reduziu de maneira dose-dependente a hiperalgesia mecânica e térmica, normalizou a distribuição do peso, inibiu a atividade da MPO, a produção de O2- e promoveu o aumento dos níveis totais de antioxidantes no tecido, bem como a redução dos níveis de TNF-a, IL-1ß e IL-6. Em modelo de peritonite induzida pela injeção intraperitoneal de BjV em diferentes doses (1, 3 e 5 µg), avaliamos o recrutamento de leucócitos (contagem de leucócitos totais), a hemorragia (contagem total de eritrócitos), os níveis de espécies reativas de oxigênio (ROS) e óxido nítrico intracelular (NO) (ensaio DCF e DAF, respectivamente), produção de O2- (ensaio NBT e células NBT-positivas) e a expressão de mRNA de gp91phox e óxido nítrico sintase induzível (iNOS) (RT-qPCR). O pré-tratamento intraperitoneal com MaR2 (0.1, 1 e 10 ng) reduziu de maneira dose-dependente o recrutamento de leucócitos, a hemorragia, os níveis de ROS, NO e O2-, bem como a expressão de mRNA de gp91phox e iNOS. Portanto, usando modelos de dor inflamatória na pata e a peritonite, demonstramos que a MaR2 é um mediador promissor para o tratamento da dor e inflamação induzidas por BjV.