02 - Mestrado - Ciência Animal
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Item Eficácia da solução de ringer com lactato enriquecida com lactato de sódio para a correção da acidose metabólica em ovelhas(2026-02-27) Kioquetta, Julio Adriano; Lisbôa, Júlio Augusto Naylor; Flaiban, Karina Keller Marques da Costa; Ribeiro Filho, José DantasEste estudo objetivou comparar os efeitos da solução de Ringer com lactato (SRL) e da solução de Ringer com lactato enriquecida com lactato de sódio (SRLE), contendo 84 mEq/L de lactato, para o tratamento da acidose láctica ruminal aguda (ALRA) induzida em ovelhas. Foram utilizadas oito ovelhas saudáveis, em delineamento cross-over. Cada ovelha foi submetida a dois procedimentos de indução de ALRA com sacarose (15 g/kg de peso corporal) administrada no interior do rúmen por sondagem esofageana. Em cada indução, foram tratadas com lavagem ruminal e com uma das duas soluções, administradas por infusão intravenosa contínua (25 mL/kg/h) em volume correspondente a 10% do peso corporal. A ordem dos tatamentos foi estabelecida por sorteio. A SRLE foi preparada imediatamente antes da infusão, adicionando-se 12,4 mL de lactato de sódio 50% a cada litro de SRL. Amostras de sangue venoso e de urina foram colhidas antes da indução (-18h), e antes (0h), durante (2 e 4h) e após o tratamento intravenoso (6, 12, 24, 48, 72, 96 e 120h). As seguintes variáveis foram mensuradas ou calculadas: VG, pH, pCO2, HCO3-, BE, Na+, K+, Cl-, AG, lactato L, diferença de íons fortes (SID3), hiato de íons fortes (SIG), concentração total de ácidos fracos não voláteis (Atot), variação percentual do volume plasmático (VVP) e excreções fracionadas (EF) de Na+, K+, Cl- e lactato L na urina. A análise de variância de medidas repetidas bifatorial foi usada para comparação entre os momentos e entre os tratamentos. A indução resultou em quadro clássico de ALRA com desidratação e acidose metabólica de graus moderados. Ambas as soluções promoveram a correção da desidratação com eficiência e sem distinção. A SRL não corrigiu a acidose metabólica e a intensidade do desequilíbrio diminuiu a partir de 96h; não afetou a concentração de Na+ mas manteve a de Cl- elevada o que reduziu a SID3; e não interferiu com a lactatemia L. A SRLE, ao contrário, promoveu alcalinização ao término da infusão; manteve a concentração de Na+ mais alta até 12h e a de Cl- mais reduzida até 6h, o que elevou a SID3 até 12h; e provocou hiperlactatemia L e aumento da EF de lactato L durante a infusão. O SIG, reduzido pela indução da ALRA, normalizou-se mais rapidamente com a SRLE (6h) em comparação à SRL (24h). O consumo médio diário de feno foi maior no tratamento com SRLE. A SRLE provou-se, portanto, eficaz para a correção da acidose metabólica induzida, promovendo recuperação mais rápida, sem provocar efeitos adversos. Apesar do discreto acréscimo de custo em relação ao traramento com SRL (R$ 1,98/L; US$ 0,36/L), essa alternativa mostrou-se economicamente viável e de preparo fácil e rápido, com potencial para aplicação até mesmo em condições de trabalho a campoItem Hemodinâmica testicular em touros jovens e sua relação com o perímetro escrotal(2025-02-27) Bronoski, Lukas Gaudencio; Seneda, Marcelo Marcondes; Barca Junior, Flavio Antonio; Giovannetti, Camila Bortoliero CostaAtualmente a utilização de touros em monta natural é a principal forma de reprodução em bovinos no Brasil, embora as biotecnologias reprodutivas estejam crescendo nos últimos anos. Para que a utilização dos touros ocorra com sucesso é imprescindível que esses animais estejam aptos à reprodução. Para a produção de espermatozoides viáveis acontecer é necessário uma série de fatores, entre eles a adequada termorregulação testicular, em especial nos locais com temperaturas desafiadoras a esses animais. O melhor entendimento dos mecanismos de termorregulação testicular é essencial para otimizar e possibilitar a utilização de touros em regiões de clima quente. Dessa forma, o presente estudo avaliou a hemodinâmica testicular de touros da raça Nelore com diferentes perímetros escrotais e com idade entre 14 e 18 meses e verificar as diferenças entre os grupos de maior e menor perímetro escrotal. O experimento foi realizado em Londrina – PR, com coletas mensais nos meses de janeiro a março de 2024. A amostra geral foi composta por 48 touros da raça Nelore, com idade entre 14 e 18 meses, dos quais foram estabelecidos, após medição do perímetro escrotal, dois grupos experimentais: G1 - composto pelos 12 animais com maior perímetro escrotal (média de 39,2 ± 2,8 cm); e, G2 – composto pelos 12 animais com menor perímetro escrotal (média de 29,6 ± 2,9 cm). Com auxílio da ultrassonografia Doppler pulsado foram coletadas as informações de velocidade média, velocidade de pico sistólico, velocidade de pico diastólico, índice de pulsatilidade e o índice de resistividade referente à artéria supra testicular para os grupos experimentais. Foi realizada também a correlação de Pearson entre as variáveis mensuradas. A velocidade média foi de 15,37 ± 3,88 cm/s, sendo maior nos animais com maior perímetro escrotal (16,96 ± 3,9 cm/s) em comparação com os de menor perímetro (13,78 ± 3,1 cm/s) (p < 0,001). A velocidade de pico sistólico também foi superior nos animais com maior perímetro escrotal (21,9 ± 5,1 cm/s vs. 19,6 ± 4,7 cm/s, p = 0,038). Os índices de pulsatilidade e resistividade foram menores nos touros com maior perímetro escrotal (0,45 ± 0,18 vs. 0,61 ± 0,21, p < 0,001; e 0,49 ± 0,15 vs. 0,57 ± 0,13, p = 0,019, respectivamente). Assim através dos resultados foi possível observar diferenças dos parâmetros mensurados entre os dois grupos de animais (animais com maior perímetro e menor perímetro escrotal) Além disso, foi observada uma alta correlação positiva entre o perímetro escrotal e o fluxo sanguíneo testicular, indicando que touros com maior perímetro escrotal possuem melhor perfusão sanguínea testicular e potencialmente maior eficiência reprodutiva. Conclui-se que a ultrassonografia Doppler pulsado é uma ferramenta eficaz para avaliar a hemodinâmica testicular em touros Nelore jovens, demonstrando que animais com maior perímetro escrotal apresentam melhor perfusão sanguínea testicular, o que pode estar relacionado à maior eficiência na termorregulação e na produção espermáticaItem Uso da escala abreviada para avaliar sedação e monitoramento eletrocardiográfico por holter em cães saudáveis submetidos a administração de óleo full spectrum rico em canabidiol(2025-03-27) Martins, Rodrigo Cavalcante; Gomes, Lucas Alécio; Gava, Fábio Nelson; Matsubara, Lídia MitsukoO canabidiol (CBD), composto derivado da Cannabis sativa, tem demonstrado potencial terapêutico na medicina veterinária no tratamento adjuvante de afecçoes neurologicas como epilepsia e tratamento de dor crônica, devido à sua segurança e efeitos benéficos. Este estudo avaliou os efeitos de uma dose orala única de 2mg//kg de óleo full sectrum rico em canabidiol (CBD) sobre a frequência cardíac, o ritmo cardiáco e o escore de sedação de cães saudáveis. Dez cães participaram do estudo controlado por placebo. Os animais foram monitorados por Holter e avaliado escore de sedação durante seis horas. Após duas horas de avaliação basal, foi administrado o óleo rico em CBD ou placebo. A sedação foi avaliada na chegada e aos 30, 60, 120, 180 e 240 minutos após a administração. Foram analisadas as frequências cardíacas mínima, média e máxima e asa alterações de ritmo. A frequência cardíaca mínima diferiu somente na segunda hora (p= 0,04), antes da administração, sendo interpretado como variaçao basal. Não houve diferenças significatica nos demais periodos. Paradasa sinusais ocorreram em 6/10 cães (60%), principalmente durante os momentos de repouso ou sono, sem diferença entre os tratamentos. Após a administração do óleo rico em CBD, 3/10 dos cães (30%) apresentaram escores de 1 a 2 aos 30 minutos. E 5/10 (50%) aos 120 minutos apresentaram o maior grau de sedação durante a avaliação. Os escores foram superiores aos do placebo aos 60, 120 e 180 minutos (p < 0,05). A análise dos dados foi realizada por meio dos testes estatísticos Shapiro-Wilk, test t pareado e Wilcoxon. Não foram identificadas alterações cardíacas clinicamente relevantes associadas ao tratamento, enquanto se observou sedação discreta a moderada, embora sejam necessários estudos adicionais para confirmar sua segurança e eficácia clínicaItem Influência do sexo na toxicidade de LMED-136 e RTB-182: análise histopatológica e oxidativa em camundongos Swiss(2026-05-05) Xavier, João Victor Sobreira; Bracarense, Ana Paula Frederico Rodrigues Loureiro; Borges, Fernando Henrique; Gerez, Juliana RubiraA pandemia de COVID-19 reforçou a necessidade de identificar terapias antivirais seguras e eficazes. Este estudo investigou o perfil toxicológico e a resposta ao estresse oxidativo das substâncias antivirais experimentais LMed-136, molécula do grupo das benzoilguanidinas identificada como um potencial inibidor de protease principal (Mpro), e RTB-182, molécula derivada de cumarina e candidata a inibidor da RNA polimerase dependente de RNA (RdRp), administradas nas concentrações de 0,66 mg/mL e 0,545 mg/mL, respectivamente. O delineamento experimental compreendeu oito grupos (n = 8 por grupo), expostos às substâncias durante sete dias consecutivos. Após o período de tratamento, foram coletados fígado, rins, baço e jejuno para análises histopatológicas, com determinação de escores de lesão tecidual, marcadores de dano oxidativo por lipoperoxidação (TBARS/MDA) e parâmetros do potencial antioxidante, avaliados por meio da atividade da glutationa S-transferase (GST) e da capacidade antioxidante total (FRAP). Observou-se dimorfismo sexual acentuado nas respostas toxicológicas: os machos apresentaram maior suscetibilidade a lesões hepáticas e renal, com incremento significativo nos marcadores de estresse oxidativo, enquanto fêmeas exibiram resposta antioxidante mais robusta, associada a maior proteção tecidual. O padrão dimórfico foi especialmente evidente no fígado, possivelmente relacionado a diferenças hormonais e metabólicas. Nos demais órgãos, as alterações foram heterogêneas e sem relevância morfológica significativa. Entre os compostos avaliados, LMed-136 demonstrou menor hepatotoxicidade em comparação ao RTB-182. Conclui-se que a resposta biológica ao estresse oxidativo e à toxicidade induzida pelos compostos testados é substancialmente modulada pelo sexo, reforçando a importância da estratificação por sexo em investigações toxicológicas de moléculas antivirais experimentaisItem Vacina multigênica de DNA em gatos para redução da excreção de oocistos de Toxoplasma gondii(2025-02-27) Cavallieri, Ana Carolina; Garcia, João Luis; Rodrigues, Fernando de Souza; Zulpo, Dauton LuizResumo: Os gatos são considerados os hospedeiros definitivos do Toxoplasma gondii. O presente estudo teve como objetivo avaliar uma vacina de DNA com uso da nanotecnologia utilizando PLGA Poly (lactic-co-glycolic acid) associado aos genes rop2, rop18, sag1, gra5 e gra7 contra a eliminação de oocistos em gatos domésticos. Os gatos foram divididos em três grupos de três animais cada, G1, G2 e G3. Os animais do G1 receberam: 20 ng de cada plasmídeo contendo pcDNASAG1, pcDNAROP2, pcDNAROP18, pcDNAGRA5 e pcDNAGRA7, num total de 100ng mais 4 ng de PLGA, os animais do G2 receberam 100 ng de vetor pcDNA + 4 ng de PLGA, e finalmente, os animais do G3 receberam PBS + 4 ng de PLGA. Foram realizadas quatro doses com intervalo de 21 dias por via intranasal. Após 30 dias da última dose vacinal, todos os gatos foram desafiados com 200 cistos da cepa VEG administrados através de sonda nasogástrica. Foi realizado exame coproparasitológico e posterior contagem dos oocistos e a média total de oocistos eliminados por grama de fezes durante o período patente mostrou que os gatos do G1 (OoPG: 563) eliminaram menos oocistos do que os animais do G2 (OoPG: 2.486,4) e do G3 (OoPG: 4.962,7). O cálculo da eficácia entre os grupos 1 e 3 (G1 x G3) foi de 88,65%. A resposta imune humoral de IgG, IgM e IgA foi avaliada através de ELISA (ensaio imunoenzimático), sendo que IgG se manteve em níveis baixos em todos os grupos até o dia do desafio, e 14 dias após, houve um aumento que se manteve até o final. Para IgM houve aumento no grupo vacinado conforme as doses de vacina foram sendo aplicadas e IgA manteve níveis baixos e aumentou de forma relevante 14 dias após o desafio. Os gatos que receberam a vacina multigênica de DNA pela via nasal eliminaram menos oocistos que os felinos dos grupos controlesItem Avaliação da progesterona injetável e PGF2a no pós parto precoce sobre a saúde uterina, atividade ovariana e fertilidade em fêmeas nelore (Bos indicus)(2024-02-24) Cardoso, Rafaela Schoma; Seneda, Marcelo Marcondes; Cavalieri, Fabio Luiz Bim; Barreiros, Thales Ricardo Rigo; Morotti, FábioNosso objetivo foi avaliar vacas Nelore (Bos indicus) durante o período pós-parto (PP) em dois experimentos, envolvendo a dinâmica folicular, a citologia uterina e a taxa de prenhez na IATF. Para o primeiro estudo (n=40), os animais foram distribuídos aleatoriamente da seguinte forma: Grupo controle, n=10: 2mL de NaCl 0,9%; Grupo prostaglandina (PGF2a, n=10): 0,5mg de cloprostenol; Grupo progesterona (iP4, n=10): 150mg de P4 injetável; Grupo progesterona e prostaglandina combinados (PGF2a+iP4, n=10): 0,5mg de cloprostenol + 150mg de P4 injetável. No primeiro experimento, os tratamentos foram realizados 10 dias após o parto, juntamente uma citologia uterina. Trinta dias após os tratamentos, os animais foram submetidos a outra citologia uterina e a um protocolo de IATF. A dinâmica folicular ovariana foi avaliada diariamente por ultrassonografia do D4 ao D10 e a cada 12 horas do D10 até a ovulação. No Experimento 2, os tratamentos foram distribuídos em média de 10 dias pós-parto (intervalo de 0 a 12). Foram avaliadas vacas primíparas precoces (24 meses) (n=455), primíparas convencionais (36 meses) (n=775) e multíparas (n=830) da mesma fazenda e igualmente distribuídas, tratadas e inseminadas como no Experimento 1 (GC, n=520; PGF2a, n=513; iP4, n=521; e PGF2a+iP4, n=506). As vacas passaram pela IA nos dias 30,4 ± 3,2 PP e foram inseminadas por dois técnicos. A taxa de ovulação foi menor (P=0,02) no grupo controle (60%) em comparação aos grupos tratados (iP4: 100%, PGF2a: 100% e PGF2a+ iP4: 90%; sem diferença entre os grupos tratados P > 0,05). A porcentagem de células PMN no útero não diferiu (P=0,68) entre os grupos, porém foi maior (P=0,03) no D10 PP em comparação ao D30 PP. O grupo PGF2a+iP4 apresentou maior P/IA (70%) que os grupos GC (62,5%), PGF2a (64,9%), GP4i (63,5%) (P=0,05). Concluímos que os tratamentos com PGF2a, iP4 e a combinação de ambos melhoraram resposta ao protocolo de IATF e a associação entre iP4 e PGF2a aumenta a prenhez na primeira IATF de vacas Nelore no período pós-partoItem Identificação molecular de Scutavirus chelonidalpha5 em tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) de vida livre no Brasil(2025-03-11) Cesário, Gabriela Donini; Alfieri, Amauri Alcindo; Santos, Marcelo Renan de Deus; Lunaridi, Michele; Miguel, CamilaA tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) é a única espécie de tartaruga presente na costa brasileira que se encontra criticamente ameaçada de extinção globalmente e em perigo nacionalmente. Apesar desta espécie ter distribuição global em águas tropicais, os estudos relacionados ao seu ciclo de vida e suas patologias são ainda muito escassos. A fibropapilomatose (FP) é a doença de maior impacto em tartarugas-marinhas, principalmente nas populações de tartaruga-verde que é a espécie mais afetada. FP é uma doença epizoótica de ocorrência mundial, que promove o crescimento de tumores benignos em todas as áreas do corpo. A etiologia da FP é considerada multifatorialrelacionada à infecção de tartarugas com Chelonid alphaherpesvirus 5 (ChAHV5), atualmente denominado Scutavirus chelonidalpha5. Também foi relacionada à infecção com Caretta caretta papillomavirus 1 (CcPV-1) e Chelonia mydas papillomavirus 1 (CmPV-1). O objetivo deste estudo foi identificar ChAHV5 em tartarugas-de-pente de vida livre, capturadas intencionalmente no Recife de Coroa Vermelha, Bahia, região nordeste do Brasil. Foram capturados 13 animais que passaram por exames físicos, morfométricos e colheita de sangue, fragmentos de pele e de swabs ocular e cloacal. O DNA extraído do material biológico foi submetido à técnica de PCR para a detecção dos genes UL27 (glicoproteína B) e UL30 (DNA polimerase) de ChAHV5 e E1 de papilomavírus. Em dois indivíduos, um com lesão de FP e outro sem, foi obtida a amplificação parcial do gene que codifica a DNA polimerase de ChAHV5. Análises filogenéticas realizadas na sequência de nucleotídeos dos amplicons revelaram que as cepas de ChAHV5 identificadas neste estudo em E. imbricata diferem das já descritas no Brasil em outras espécies de tartarugas marinhas. Os animais positivos para ChAHV5, apesar de estarem com boa condição corporal, apresentaram-se com hipocalcemia, hipomagnesemia, diminuição nos valores de globulina, sódio e linfócitos. Valores aumentados de eosinófilos, heterófilos, ácido úrico, albumina, além de um aumento acentuado de ferro sérico também foram encontrados. Este é o primeiro relato da identificação de ChAHV5 e de lesão de FP nesta espécie de tartaruga marinha de vida livre na costa brasileira. Os achados sugerem uma dieta deficiente ou incapacidade de assimilar os nutrientes, e um sistema imune comprometido. Foi observado anemia na tartaruga CV478, podendo ser secundária FP e leucopenia na tartaruga CV477, possivelmente secundária a má-nutrição ou a infecção viral.Item Tratamentos de água de bebida sobre o desempenho e qualidade de frangos de corte(2025-02-27) Hasegawa, Cinthia Miyuki; Oba, Alexandre; Silva, Caio Abércio da; Carvalho, Rafael Humberto deA água é um nutriente essencial à vida e possui grande relevância na avicultura. Porém, pouca atenção é dada em relação à qualidade da água ofertada às aves. Dada a importância, o seu tratamento é um fator que impacta diretamente a saúde e desenvolvimento dos animais. O consumo de água de má qualidade pode acarretar a transmissão de diversos patógenos e causar diversas doenças infecciosas, o que influencia diretamente na saúde intestinal, comprometendo a absorção de nutrientes e o desempenho dos animais. Assim, a utilização de produtos sanitizantes podem auxiliar no tratamento da água e na eliminação de microrganismos nocivos à saúde. Deste modo, este trabalho tem como objetivo investigar os impactos do tratamento de água de bebida provinda de poço artesiano ao adicionar cloro (Cl), dióxido de cloro (ClO2) e ácidos orgânicos (AOs) no consumo de água, desempenho zootécnico, características de carcaça e qualidade de carne em frangos de corte. Foram utilizados 910 pintainhos machos Cobb500â, ao total de 42 dias de criação, divididos em quatro fases: pré-inicial (1-7 dias), inicial (8-21 dias), crescimento (22-35) e terminação (36-42 dias), submetidos a sete tratamentos e cinco repetições. Os tratamentos consistem em: A) água de poço artesiano, B) água de poço artesiano tratada com 3 a 5 ppm de Cl, C) água de poço artesiano tratada com 3 a 5 ppm de Cl + AOs (full), D) água de poço artesiano tratada com 3 a 5 ppm de Cl + AOs em dias estratégicos, E) água de poço artesiano tratada com 1 a 2 ppm de ClO2 + AOs, F) água de poço artesiano tratada com 10 ppm de ClO2 e G) água de poço artesiano tratada com 50 ppm de ClO2. Não houve diferença no consumo de água entre os diferentes tratamentos. Em relação ao desempenho, os resultados mostraram que os animais apresentaram melhor conversão alimentar (CA = 1,380) no período de 8 a 21 dias quando foi fornecido água de bebida tratada com cloro e ácidos orgânicos (full e dias estratégicos), comparados com a água não tratada (CA = 1,458) e água tratada com 1-2 ppm de dióxido de cloro e ácidos orgânicos (CA = 1,449). Houve resultado significativo (p<0,05) no Índice de Eficiência Produtiva (IEP) para as aves que foram submetidas aos tratamentos de água com cloro e ácidos orgânicos (full) (IEP = 409) e 50 ppm de dióxido de cloro (IEP = 391) comparados com o tratamento controle (IEP = 302). Não houve diferença nas características de carcaça e qualidade de carne das aves submetidas aos diferentes tratamentos de água. Como conclusão, a utilização de produtos sanitizantes como o cloro juntamente com ácidos orgânicos na água de bebida influenciam no desempenho de frangos de corte, sem influenciar no consumo de água, características de carcaça e qualidade de carne de frangos de corteItem Função diastólica de cães com doença degenerativa valvar mitral em tratamento com vasodilatador (inibidor da eca)(2025-02-27) Silva, Douglas Magalhães; Gava, Fábio Nelson; Gomes, Lucas Alécio; Dionisio, Andressa de Freitas MendesA doença degenerativa valvar mitral (DDVM) é a cardiomiopatia mais comum nos cães, encontrada principalmente em cães de pequeno porte e com idade superior a seis anos. A DDVM é caracterizada pela degeneração crônica e progressiva dos folhetos valvulares e pode ser classificada em quatro estágios, no estágio B2 da doença, se encontra cães ainda assintomáticos, mas com a presença da doença identificada pelo exame de diagnóstico ecocardiograma transtorácico, com a progressão da doença o cão pode apresentar uma evolução para a insuficiência cardíaca congestiva (ICC). A função diastólica é a capacidade do coração de se encher com volumes e pressões dentro dos valores normais, tornando a disfunção diastólica, a incapacidade ventricular de realizar o enchimento adequado, essa alteração está presente na DDVM. Neste estudo, foi utilizado o maleato de enalapril, que é inibidor da enzima conversora de angiotensina que atua como vasodilatador, utilizado no tratamento da DDVM, com intuito de inibir a progressão da doença, tendo como objetivo, a avaliação e comparação dos valores de função diastólica em dois grupos de cães, um com o tratamento de maleato de enalapril 0,5 mg/kg BID (GE) e outro com a administração de placebo (GC), durante o período de 60 dias. Foram utilizados 12 cães provenientes de atendimento clínico, que constituiram os grupos tratado (GE) (n=6) e o grupo controle (GC) (n=6). Os cães foram avaliados pelo ecocardiograma em diferentes tempos (D0 D15 D30 D60), observando-se as alterações nos parâmetros de função diastólica que, em comparação entre os grupos GE e GC, não apresentou diferenças estatísticas em suas variáveis, desde o tempo D0 ao D60, tempo esse, que apresentou relação E/A (GE 1,15 ± 0,31; GC 1,18 ± 0,32; p=0,903); relação Em/Am (GE 0,86 (0,68 1,21); GC 0,80 (0,73 – 0,83); p=0,937); TRIV (GE 71 (52,25 – 73,25); GC 69 (62,25 – 69,75); p=0,810); relação E/TRIV (GE 1,82 ± 1,34; GC 1,09 ± 0,35; p=0,229) e TDE (GE 7,23 ± 4,04; GC 6,29 ± 3,45; p=0,676). Com base nos achados desse estudo, conclui-se que a função diastólica de cães com a doença degenerativa valvar mitral em estágio B2, assintomáticos e tratados com maleato de enalapril, pode não apresentar alterações significativas em estágios iniciais da doença. Em pacientes assintomáticos a percepção de alterações em parâmetros pode se tornar mínima, o que dificulta a identificação de melhora na função diastólicaItem Detecção e quantificação de RNA de astrovírus suíno 3 em sistema nervoso central de suínos com polioencefalomielite no Brasil(2025-02-26) Yasumitsu, Carolina Yuka; Alfieri, Amauri Alcindo; Dall’Agnol, Alais Maria; Headley, Selwyn Arlington; Lorenzetti, Elis; Agnol, Alais Maria DallResumo: Astrovírus suíno 3 (PAstV3) é um vírus emergente na suinocultura mundial responsável por causar polioencefalomielite e sinais clínicos neurológicos em suínos. O objetivo deste estudo foi relatar a identificação de RNA de PAstV3 no sistema nervoso central (SNC) de suínos desmamados, provenientes de um rebanho do estado de São Paulo, sudeste do Brasil, apresentando tetraplegia, opistótono, nistagmo e febre ocasional, compatíveis com doença neurológica associada à polioencefalomielite. Fragmentos em duplicata de SNC de três animais com 24 a 26 dias de idade foram submetidos a avaliação histopatológica pela técnica de hematoxilina e eosina. As amostras de SNC foram também avaliadas por cultura bacteriana e técnicas moleculares (PCR e suas variações) para identificar os principais agentes de doenças infecciosas associados à doença neurológica em suínos (teschovírus suíno, sapelovírus suíno, enterovírus G suíno, pestivírus suíno atípico, senecavírus A, vírus da encefalomiocardite e PAstV3). As principais alterações neuropatológicas ocorreram na substância cinzenta da medula espinhal e tronco encefálico, sendo semelhantes em intensidade e distribuição e apresentando rombencefalite aguda, moderada, multifocal a coalescente, não supurativa e polioencefalomielite. Na cultura bacteriana nenhuma bactéria foi isolada. O RNA do PAstV3 foi detectado por nested-PCR, confirmado por sequenciamento de nucleotídeos (Sanger) e quantificado por RT-qPCR (Cq 24,55 a 32,51) nas amostras de SNC dos três suínos com evidência histopatológica de polioencefalomielite. Outros vírus já descritos em infecções no SNC de suínos não foram detectados pelas técnicas moleculares utilizadas. Esta é a primeira confirmação molecular de PAstV3 em suínos com doença neurológica e lesões consistentes com polioencefalomielite no Brasil e destaca a importância do monitoramento de eventos de saúde animal como a emergência de novos agentes etiológicos, que podem comprometer a produtividade da suinocultura e o bem-estar animalItem Transplante de microbiota fecal em gatos com doença hepatobiliar(2025-02-27) Consulo, Aline Del; Gomes, Lucas Alécio; Pereira, Patrícia Mendes; Pereira, Giorgio QueirozAs doenças hepatobiliares são frequentes em gatos. O transplante de microbiota fecal (TMF) tem se mostrado promissor como terapia adjuvante tanto para humanos como para os animais. Assim sendo, o objetivo dessa pesquisa foi investigar os efeitos do TMF na recuperação clínica de gatos adultos com doença hepatobiliar. Para isso foram considerados os seguintes parâmetros: tempo de internamento; resolução do vômito e/ou diarreia; retorno ou melhora do apetite. Foram incluídos no estudo 14 gatos com doença hepatobiliar, todos sem raça definida (SRD), com média de idade de 10 anos, sendo machos e fêmeas presentes na mesma proporção. Os gatos foram distribuídos de forma randomizada em dois grupos: controle (CON, n=7), que recebeu terapia convencional, e outro grupo que recebeu tratamento convencional mais TMF (GTMF, n=7). No GTMF o tempo de internamento em dias foi menor com mediana de 8 dias, em relação ao CON com mediana de 13 dias. Além disso, no GTMF a mediana de retorno de apetite foi de 3 dias, enquanto no CON foi de 13 dias. O TMF também foi associado à melhora de sinais gastrointestinais, como vômito e diarreia, e não apresentou efeitos colaterais detectáveis, demonstrando ser uma técnica segura. Em relação as enzimas hepáticas (ALT, FA) foi possível observar por meio do Friedman uma tendência à maior redução dos valores no grupo TMF (ALT p = 0.0372; FA p = 0.015). Perante a essas informações, conclui-se que o TMF foi associado a melhor clínica mais rápida de gatos com doença hepatobiliarItem Validação do espectrofotômetro Nix Spectro 2 na avaliação da cor de carnes de diferentes espécies(2026-02-23) Ferreira, Natalia Alves; Bridi, Ana Maria; Melquiades, Fábio Luiz; Pedrão, Mayka Reghiany; Carvalho, Rafael Humberto deA mensuração instrumental da cor de carnes constitui uma etapa fundamental no controle de qualidade, padronização e no suporte a estudos científicos. A cor exerce influência direta na percepção do consumidor e está associada a fatores bioquímicos, estruturais e tecnológicos da carne. Entretanto, a ausência de padronização entre dispositivos, aliada à crescente diversidade de equipamentos portáteis disponíveis no mercado, dificulta a comparabilidade direta dos resultados e reforça a necessidade de validar novas tecnologias. Neste contexto, torna-se necessário avaliar métodos que permitam a conversão e a equivalência entre diferentes sistemas. Este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho do espectrofotômetro portátil Nix Spectro 2 na determinação dos parâmetros colorimétricos CIELAB (L*, a*, b*) em carnes bovina, suína, de frango e peixe (n˜30 por espécie), comparando-o aos colorímetros de referência CR10 e CR400 da Konica Minolta Inc. Inicialmente, realizou-se a análise descritiva e a correlação dos dados de cor obtidos pelos três equipamentos. Os resultados das médias mostraram que o CR10 frequentemente exibiu os valores mais elevados de L*, seguido pelo CR400. Por outro lado, o Nix Spectro 2 registrou os menores índices desse parâmetro. Observou-se forte correlação entre os valores dos três equipamentos, especialmente entre o Nix Spectro 2 e o CR400, sendo L*(r = 0,91), a* (r = 0,66) e b* (r= 0,79) enquanto a associação entre Nix Spectro 2e CR10 foi um pouco inferior, exceto no parâmetro L* (r= 0,93), a* (r=0,62) e b* (r= 0,72). Na sequência, foram desenvolvidas equações de conversão específicas por espécie, baseadas em regressão linear simples, descritas pela forma geral LabCR = a· LabNIX SPECTRO 2 + b, em que LabCR representa o valor estimado na escala dos colorímetros de referência (CR10 ou CR400), LabNIX SPECTRO 2 o valor medido pelo Nix Spectro 2, a o coeficiente angular e b o intercepto. Uma etapa adicional de validação independente do Nix Spectro 2 foi realizada por meio da comparação com o padrão de cores ColorChecker, utilizado como referência internacional para avaliação da precisão colorimétrica com seis cores semelhantes às tonalidades das carnes, além do preto e do branco. Os coeficientes de determinação (R²) foram superiores a 0,99 para todos os parâmetros: L* (y = 1,1371x + 0,6638; R² = 0,9955), a* (y = 1,2089x + 0,757; R² = 0,9975) e b* (y = 1,2946x – 0,134; R² = 0,9906). Esses resultados indicam elevada linearidade e confirmam que, sob protocolos padronizados de medição e com a aplicação das equações de conversão propostas, o Nix Spectro 2 fornece estimativas confiáveis da cor da carne, podendo atuar como alternativa prática e complementar aos colorímetros convencionais em contextos de pesquisa e monitoramento industrial.Item Avaliação cardíaca em gatos com doença do trato urinário inferior obstrutiva(2025-02-26) Romero, Ana Carolina Zenckel; Gava, Fábio Nelson; Matsubara, Lídia Mitsuko; Pereira, Patrícia MendesA doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF obstrutiva) é uma enfermidade frequente em gatos e pode causar distúrbios eletrolíticos e ácido-base, os quais podem afetar a atividade elétrica e estrutural do miocárdio. O objetivo desse trabalho foi avaliar níveis séricos de creatinina, ureia, CK-MB massa, troponina I, além de realizar hemogasometria venosa e eletrocardiograma para investigação de lesão miocárdica in vivo em felinos portadores de DTUIF obstrutiva, pré e pós 48 horas do procedimento de desobstrução uretral. Foram avaliados 10 felinos hígidos (GC) e 20 felinos obstruídos (GO), todos machos, com idade, raça e pesos variados. No GC, as amostras foram colhidas em um único momento, para comparação com o momento basal do GO, que foi avaliado no momento zero pré-procedimento (GO1) e 48 horas após o procedimento (GO2). Os resultados demonstraram que na comparação entre GC e GO1 houve diferença estatística entre as variáveis: creatinina (p <0,001), ureia (p 0,003), potássio (p <0,001), CK-MB (p <0,001) e troponina I (p <0,001).Já na comparação entre GO1 e GO2 demonstraram diferença estatística entre as variáveis: creatinina (p <0,001), ureia (p <0,001), potássio (p <0,001), CK-MB (p <0,001) e troponina I (p 0,013). Com os resultados obtidos no presente trabalho, concluímos que a presença de azotemia pós renal e o aumento dos níveis de potássio estão relacionados ao aumento dos níveis de CK-MB e troponina I em gatos obstruídos e que a miocardite deve ser considerada no atendimento desses pacientesItem Monitoramento não invasivo das ondas da pressão intracraniana em cães saudáveis anestesiados com propofol, sob diferentes angulações do leito(2025-05-28) Silva, Matheus Henrique Dário; Arias, Mônica Vicky Bahr; Merlini, Natalie Bertelis; Gava, Fábio NelsonResumo: A elevação da cabeceira do leito (ECL) é um procedimento de enfermagem que auxilia na redução da hipertensão intracraniana (HIC) de seres humanos, pois facilita a circulação do líquido cerebroespinhal para o sistema venoso e para fora da caixa craniana. Estudos sugerem que a inclinação ideal do leito deve ser de aproximadamente 30°. O mesmo procedimento é recomendado em cães com provável HIC, mas não existem estudos na medicina veterinária sobre a angulação ideal. Um dos métodos indiretos de avaliação da pressão intracraniana (PIC) é o monitoramento não invasivo das ondas da PIC (PIC-Ni). Um parâmetro extraído através desta técnica é a razão entre o segundo e o primeiro pico de onda de pulso, conhecido como razão P2/P1, que, quando maior que 1,2, pode indicar HIC. Este estudo teve como objetivo analisar as ondas da PIC-Ni e a razão P2/P1 em cães saudáveis, anestesiados apenas com propofol em taxa de infusão contínua, posicionados sob diferentes graus de ECL. Foram selecionados 16 cães hígidos que, após a indução e manutenção anestésica com propofol em taxa variável de infusão contínua, foram posicionados em decúbito lateral esquerdo sobre uma prancha reclinável, com ajuste de angulação. Em seguida, as ondas da PIC-Ni foram monitoradas com o monitor do tipo “stain-gauge” (Brain4care® BCMM/2000) posicionado sobre a pele do crânio na região parietal. O monitoramento foi realizado com a ECL em 0o , 15º, 30º e, novamente, 0º. Durante a anestesia foram computados os dados de frequência cardíaca, frequência respiratória, Sp02, pressão arterial sistólica e EtCO2. A idade média dos cães foi de 1,7 anos (1 a 3 anos), com peso médio de 4,4 kg (2 a 7 kg). Cada animal foi monitorado, em média, durante cinco minutos em cada posição (em 0º, 15º, 30º e, novamente em 0º). A relação P2/P1 nos cães em 0º foi de 0,91±0,17, em 15º foi de 1,00±0,22, em 30º foi de 0,93±0,26 e, ao retornar para 0º, a média foi de 0,91±0,23. Não houve diferença estatística na comparação entre médias da relação P2/P1 em relação ao grau de ECL. Na angulação de 30º houve maior dificuldade em obter o sinal da onda, houve maior artefatos na captação das ondas da PIC-Ni e maior amplitude na relação P2/P1. Isso foi consequência da maior dificuldade em manter o posicionamento adequando nesta angulação, pois os cães deslisavam na prancha reclinável. Nas condições deste estudo, as ondas da PIC-Ni se mantiveram inalteradas em cães saudáveis, anestesiados com propofol, sob diferentes graus de ECL. Este é um dado importante para futuros estudos de dinâmica das ondas da PIC em pacientes com afecções que causam aumento agudo da pressão intracraniana, como por exemplo no trauma cranioencefálicoItem Validação da cultura de explantes uterinos de cadelas em diestro e alterações induzidas pela micotoxina zearalenona(2024-10-30) Sambatti, Natália Ribeiro; Martins, Maria Isabel Mello; Saut, João Paulo Elsen; Gerez, Juliana Rubira; Bracarense, Ana Paula Frederico Rodrigues LoureiroA frequente incidência de problemas uterinos em cadelas demanda estudos aprofundados para compreensão e prevenção dessas afecções. A cultura de explantes surge como uma alternativa ética e eficiente, permitindo procedimentos experimentais mais controlados, realizados em um menor espaço de tempo e com a redução no número de animais em experimentação. Micotoxinas, como a zearalenona, afetam negativamente o desenvolvimento reprodutivo. Contudo, seus efeitos específicos no útero ainda não estão completamente compreendidos. Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi padronizar em cadelas um método de cultivo uterino in vitro, bem como avaliar os efeitos histológicos e metabólicos, provocados pelo a-zearalenol (a-Zol), metabólito proveniente da zearalenona, no útero de cadelas em diestro, utilizando o modelo ex vivo. Dez úteros foram obtidos de cadelas saudáveis, entre um e oito anos, submetidas à ovariohisterectomia na fase estral de diestro. Os explantes uterinos foram obtidos com o auxílio de punch de 6mm e posteriormente incubados a 38ºC, em meio de cultivo DMEM enriquecido, sob agitação. Os explantes foram divididos em: controle, a-Zol em baixa (0,68 µM) e alta (3,4 µM) concentração. Após 24 horas de incubação em estufa, uma parte dos explantes foram fixados e processados para a realização do escore lesional e morfometria por meio da histologia e outra parte foi armazenada em freezer a – 80ºC para posterior análise da resposta ao estresse oxidativo. Além disso, parâmetros de homeostasia celular foram avaliados no sobrenadante do meio de cultivo. Os principais achados histológicos nos explantes expostos ao a-Zol foram achatamento do epitélio de revestimento e apoptose do epitélio de revestimento e glandular. Aumento significativo no escore lesional foi observado nos explantes expostos a ambas as concentrações de a-Zol em relação ao controle; o escore lesional não diferiu entre os grupos tratados. Não houve diferença significativa na morfometria entre os tratamentos, bem como na análise do sobrenadante do meio de cultivo. A maior concentração de a-Zol induziu aumento de carbonilação de proteínas e, em ambos os tratamentos ocorreu a oxidação de lipídeos de membranas. Conclui-se que o modelo ex vivo utilizado demonstrou efetividade na avaliação da toxicidade induzida pelo metabólito a-Zol em explantes uterinos de cadelas, resultando em alterações histológicas e alteração do estado redox, mesmo na menor concentração de a-Zol (0,68 µM)Item Avaliação do átrio esquerdo por método de Simpson em cães com doença degenerativa crônica mitral classe B2(2025-02-25) Tutida, Valéria Ferraz; Gava, Fábio Nelson; Gomes, Lucas Alécio; Dionisio, Andressa de Freitas MendesA doença degenerativa valvar mitral (DDVM) é uma enfermidade comum em cães, sendo a principal causa da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) nessa espécie. Segundo o American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM) os pacientes podem ser classificados em quatro estágios básicos (A, B1/B2, C e D) de acordo com a doença cardíaca e os sinais clínicos da ICC, sendo que o tratamento medicamentoso pode ser iniciado no estágio B2 e tem como propósito reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Um animal é considerado B2 quando apresenta alterações valvares e remodelamento cardíaco, porém ainda não apresenta sinais clínicos. Rotineiramente a medida mais utilizada para avaliar o remodelamento atrial é a relação entre átrio esquerdo (AE) e aorta (Ao) por meio do ecocardiograma, apesar de não ser o método mais indicado para mensurações de volume nem o mais sensível quando se trata de mudanças sutis nessa câmara. Este trabalho teve como objetivo utilizar o uso do método uniplanar de Simpson para avaliar o átrio esquerdo e compará-lo com o método clássico linear conhecido como relação Ae: Ao por meio do ecocardiograma. Foram avaliados no total 12 cães (N=12) com DDVM, classificados como B2, estes pacientes foram distribuídos em dois grupos, sendo um deles o grupo controle (GC) que recebeu placebo enquanto o segundo grupo foi tratado com o maleato de enalapril (GE), esses animais foram avaliados ao longo de 60 dias nos momentos: D0, D15, D30 e D60, nos quais foram realizados exames físicos, dosagem de NT-pro-BNP e ecocardiograma convencional além do método uniplanar de Simpson. Como resultado houve alterações ecocardiográficas no GE apenas no D60, no método convencional, que evidenciou diminuição Ae: Ao: 1,65 (1,60 – 1,70) e PGmitral: 133 (107,2 – 141). Quanto ao método de Simpson realizado no GE, demonstrou diferença estatística significativa em diversas variáveis na diástole atrial como VdFAE NP: 1,79 (1,71 – 3,95); AAEd NP: 0,78 (0,60 – 1,00); VdFAE MOD NP: 1,51 (1,38 – 3,53); VdFAE NA: 75,4 (37,30 – 107,20); AAEd NA: 15,50 (13,93 – 23,10); VdFAE MOD NA: 33,60 (30,20 – 76,70). Por fim o Pro-BNP não demonstrou alterações ao longo do tempo em nenhum dos grupos. Conclui-se, portanto, que o maleato de enalapril pode ser utilizado no tratamento da DDVM pré-clínica, o Pro-BNP não foi capaz de auxiliar no diagnostico dos pacientes B2 e o método de Simpson uniplanar diferiu da ecocardiografia tradicional, e não pode ser utilizado no diagnóstico dos pacientes B2 utilizando as imagens de rotinaItem Efeito do tratamento com prostaglandina e progesterona injetável no puerpério precoce sobre a ocorrência de endometrite subclínica e a fertilidade de fêmeas bovinas leiteiras de alta produção(2025-02-26) Soares, Pamela Mara Celestino; Seneda, Marcelo Marcondes; Bonato, Denis Vinicius; Cavalieri, Fábio Luiz Bim; Morotti, FábioO objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do tratamento com prostaglandina (PGF2a) e/ou progesterona injetável (iP4) no puerpério precoce na saúde uterina e fertilidade de vacas leiteiras de alta produção. Para isso, foram utilizadas vacas holandesas (n = 536), criadas em sistema free-stall, com produção diária de 39 ± 5,79 litros (M±EP), e escore de condição corporal médio de 2,8 ± 0,03. Após o parto (d-57), semanalmente, uma lista de vacas leiteiras de 9 a 15 dias pós-parto (DPP) foram inseridas no experimento (d-45), e as vacas foram distribuídas aleatoriamente em um dos quatro grupos experimentais: 1) 2 mL, i.m de solução Salina (Controle); 2) 0,5 mg de análogo de prostaglandina (PGF2a), 3) 300 mg de P4 injetável (P4i) e 4) 0,5 mg de cloprostenol sódico + 300 mg de P4 injetável (PGF2a + P4i). Na quinta semana pós-parto (33 ± 1,10 dias), foi realizada citologia uterina para avaliação de endometrite subclínica (d 24). Em seguida, os animais foram inseridos em um programa reprodutivo de inseminação artificial (IA) convencional ou protocolo de inseminação artificial em tempo-fixo (IATF). Após 30 dias da inseminação, foi realizado o diagnóstico gestacional e após 60 dias foi realizado o segundo diagnóstico para confirmar a gestação e possíveis perdas embrionárias. Durante o protocolo de IATF, um subgrupo de vacas foi avaliado (n = 37) para mensurar os diâmetros dos ovários e folículos. A produção e qualidade do leite foram monitoradas diariamente para um grupo de animais (N=304) e as médias foram registradas em produção diária (litros), ureia, proteína, gordura, contagem de células somáticas (CCS). A influência dos grupos experimentais sobre a taxa de concepção e a perda gestacional foi analisada pelo Modelo de Regressão Logística Multivariada. Os dados de produção e qualidade de leite foram analisados por ANOVA empregando Modelo Linear Generalizado (GLM). O efeito de grupos experimentais para variáveis contínuas das avaliações ultrassonográficas foi analisado por ANOVA. A relação entre a ocorrência de metrite clínica e endometrite subclínica com os grupos experimentais realizados no puerpério foi analisada por análise de regressão logística. Foi considerado diferença significativa quando P = 0,05. A taxa de concepção acumulada da IA convencional foi de 36,2% (55/152) e não houve efeito dos grupos experimentais. De outro modo, a taxa de concepção acumulada da IATF foi de 38,5% (102/271) e foi influenciada pelos grupos experimentais, sendo o grupo PGF2a+P4i [ 47,6% (40/84), P = 0,03 ] superior ao grupo controle [ 31,9% (30/94) ] e PGF2a [ 34,3% (35/102) ], no entanto, não diferiu do grupo P4i [ 41,3% (43/104) ]. Além disso, não houveram diferenças na incidência das doenças uterinas entre os grupos experimentais. No entanto, foi elucidado um efeito da ocorrência de endometrite subclínica (P = 0,009; vacas positivas 15,8% vs. vacas negativas 35,3%) e o resultado foi influenciado pela perda gestacional, vacas positivas perderam [50% (3/6) ] e vacas negativas [10,6% (5/47) ]. Diante disso, evidenciamos que a presença da endometrite subclínica reduz significativamente a taxa de concepção do rebanho. Além disso, a aplicação de PGF2a+P4i no puerpério precoce pode melhorar a taxa de concepção de vacas de alta lactação submetidas a IATF.Item Avaliação do potencial do capim-elefante (Cenchrus purpureus) cv. BRS Capiaçu em bovinos de corte confinados no noroeste do estado do Paraná(2025-12-11) Abrão, Paula Duarte; Junior, Valter Harry Bumbieris; Ribeiro, Edson Luis de Azambuja; Bett, VanderleiResumo: As gramíneas representam a maior e mais econômica parcela da alimentação do sistema de produção de ruminantes, e a busca por alternativas para que a pecuária brasileira seja mais barata e produtiva, se faz fundamental. O capim-elefante (Cenchrus purpureus.) cv. BRS Capiaçu surgiu como uma alternativa para alimento na produção animal, podendo ser utilizado na produção de silagem ou picado verde, além de garantir boa disponibilidade de volumoso durante a entressafra, apresenta produção satisfatória mesmo em solos de baixa fertilidade, como os do Arenito Caiuá, no Noroeste do Paraná. Portanto, este estudo teve como objetivo avaliar o valor nutricional do capim-elefante cultivar BRS Capiaçu em tourinhos jovens mestiços. O experimento foi conduzido em Paranavaí/PR, utilizando um delineamento experimental com cinco tratamentos e sete repetições, testando diferentes proporções de substituição da silagem de sorgo pela silagem de BRS Capiaçu (0%, 25%, 50%, 75% e 100%). O delineamento experimental utilizado foi através da análise de regressão, com cinco tratamentos e sete repetições, totalizando 35 unidades experimentais. Para a ensilagem, o capim-elefante cv. BRS Capiaçu foi colhido com 110 dias de crescimento. A ração fornecida apresentou, em média, 54% de volumoso e 46% de concentrado entre os tratamentos. As unidades experimentais foram formadas por novilhos inteiros mestiços Purunã x Zebu, tinham idade entre 21 ± 1 meses e peso médio de 390 ± 30 kg. Foram avaliadas as composições bromatológicas das silagens e suas substituições, e realizado a análise de degradação de carboidratos in vitro. Os tourinhos mestiços foram avaliados quanto ao consumo, ganho de peso, ganho médio diário e espessura de gordura subcutânea. Os resultados sugerem que o aumento do Capiaçu na silagem elevou o tamanho das partículas, reduzindo o consumo e a digestibilidade, além de intensificar a seletividade pelos tourinhos. Na análise cinética, a composição da ração mista (50% BRS Capiaçu) promoveu uma maior eficiência na degradação dos nutrientes no rúmen. Quanto ao ganho de peso dos animais, não houve resposta significativa (p>0,05) entre as substituições de silagem. Os resultados indicam que o BRS Capiaçu apresenta potencial para ser utilizado como volumoso alternativo ao sorgo, uma vez que o desempenho animal é semelhante. Dessa forma, possibilita a formulação de uma boa dieta, atendendo às demandas de pequenos e médios produtores, e da pecuária desenvolvida em áreas de baixa produtividadeItem Sarcocystis spp. em animais silvestres mortos por atropelamento no estado do Paraná(2025-02-21) Silva, Douglas Aparecido da; Bracarense, Ana Paula Frederico Rodrigues Loureiro; Rodrigues, Fernando de Souza; Garcia , João LuísResumo: A crescente urbanização tem intensificado a interação entre a fauna silvestre e os ambientes urbanos. As modificações nos ecossistemas podem alterar a dinâmica de transmissão de patógenos e favorecer a disseminação de agentes infecciosos. Dentre os parasitos, o gênero Sarcocystis é composto por protozoários apicomplexos de grande relevância veterinária, conhecidos por infectarem uma ampla variedade de hospedeiros, incluindo mamíferos, aves e répteis. Este estudo teve como objetivo detectar a presença de Sarcocystis spp. em animais atropelados, utilizando diagnóstico molecular e análises anatomopatológicas. Entre 2020 e 2022, carcaças de animais mortos por atropelamento foram submetidas a necropsia, com coleta de fragmentos de órgãos para avaliação histológica e molecular. Na análise histológica, os tecidos foram fixados, processados e corados com hematoxilina-eosina. Para a detecção molecular, realizou-se a extração de DNA e amplificação por nested-PCR, utilizando primers específicos para a região 18S rRNA. Os produtos amplificados foram submetidos à clivagem enzimática (DdeI, HPY188III e MspI) e sequenciados. Foram analisadas 128 amostras provenientes de 23 quatis e gambás, com amplificação de DNA de Sarcocystis em 10 animais pela n-PCR e em 5 pela RFLP. Em 3 deles, o sequenciamento confirmou similaridade com Sarcocystis spp. e no exame microscópico não foram detectados cistos teciduais. Além disso, duas aves da espécie Guira guira apresentaram amostras amplificadas para Sarcocystis spp. após a clivagem enzimática e esquizontes compatíves com Sarcocystis spp. foram visualizados em músculos esqueléticos e tecido pulmonar das aves. A presença de Sarcocystis em diferentes hospedeiros reforça a necessidade de estudos adicionais sobre a diversidade e patogenicidade desse parasita em animais silvestres. A caracterização molecular e a análise histopatológica são essenciais para compreender a dinâmica da infecção e seus impactos na fauna. Estudos futuros devem explorar não apenas a identificação de do parasita, mas também os possíveis efeitos da infecção na saúde dos hospedeiros e seu papel na transmissão do protozoário em ecossistemas naturais e antrópicosItem Doppler velocimetria da artéria testicular de padreadores Spitz Alemão e correlação com a morfologia e cinética espermática(2024-08-27) Buzato, Bruno Alcantara; Martins, Maria Isabel Mello; Sant’anna, Marcos Cezar; Souza, Fabiana Ferreira deO interesse na raça Spitz Alemão como cães de companhia tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, portanto, é crucial estabelecer exames complementares ao andrológico, na seleção de padreadores da raça. O objetivo deste estudo foi correlacionar a Doppler velocimetria da artéria testicular de cães Spitz Alemão com as características da cinética e morfologia espermática. Foram utilizados dezoito cães padreadores, com idades entre 2 a 4,5 anos e peso médio de 3,2 kg, pertencentes a canis comerciais. Foi realizada ultrassonografia testicular em modo-B para avaliação de ecogenicidade, ecotextura e presença de degeneração mediastinal. A avaliação Doppler foi realizada em cinco regiões da artéria testicular e as variáveis velocidade de pico sistólico (PSV), velocidade diastólica final (VDF), índice de resistividade (RI) e índice de pulsatilidade (PI) foram aferidas. O sêmen, colhido por manipulação digital, foi analisado no sistema CASA. A morfologia e integridade de membrana espermática foram avaliadas por eosina/nigrosina. Para a comparação entre as variáveis de ecotextura e ecogenicidade e as variáveis quantitativas do espermograma foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney. A ecotextura testicular revelou que testículos com ecotextura heterogênea estão associados a pior qualidade espermática. Para correlação das variáveis quantitativas de ultrassonografia Doppler da artéria testicular (PSV, EDV, PI e RI) e cinética espermática foi utilizado o teste de correlação de Pearson. Testículos hipoecogênicos em relação ao mediastino apresentaram maior integridade de membrana espermática do que testículos isoecogênicos. Quando comparada a ecotextura testicular e a análise espermática, houve diferença entre as variáveis integridade de membrana, motilidade total, porcentagem de espermatozoides rápidos, lentos e estáticos. Dos 18 animais do estudo, sete apresentaram testículos com algum grau de degeneração mediastinal e 11 animais não, houve diferença entre as variáveis integridade de membrana, STR (%) e LIN (%). Ocorreu diferença em relação à análise Doppler velocimétrica nas cinco regiões. Nas regiões supratesticular distal, marginal e intratesticular foi observado um padrão parabólico de baixa resistividade; nas regiões supratesticular média e proximal, foi observado um padrão semiparabólico de resistividade intermediaria a alta. Houve correlações negativas entre o PSV e a IR de diversas regiões da artéria testicular, especialmente na região intratesticular, com variáveis como a motilidade total; porcentagem de espermatozoides rápidos; lentos; e retilinearidade. Embora animais que tenham apresentado testículos isoecogênicos em relação ao mediastino tenham no ejaculado pior integridade de membrana espermática, não houve animais com testículos hiperecogênicos, característicos de cães inférteis. No presente trabalho houve uma tendência na diminuição do movimento espermático em cães com mediastinos degenerados. As correlações negativas entre a motilidade e as variáveis Doppler velocimétricas evidenciaram a necessidade da redução da velocidade sanguínea ao adentrar ao testículo, especialmente devido à baixa resistência vascular no parênquima do órgão. Isso fica claro quando exemplificado pelas correlações negativas entre a VPS e IR e a motilidade total e a porcentagem de espermatozoides rápidos na região intratesticular. Conclui-se, que a ultrassonografia em modo-B e Doppler são importantes exames auxiliares ao andrológico em cães da raça Spitz Alemão, assim como os valores Doppler velocimétricos da artéria testicular estão correlacionados com a cinética espermática