01 - Doutorado - Ciências da Saúde
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Item Aneurismas de artérias viscerais: avaliação angiotomográfica e proposta de protocolo de mensuração multiplanar(2026-03-26) Schimit, Gustavo Teixeira Fulton; Almeida, Sílvio Henrique Maia de; Fornazieri, Marco Aurélio; Carrilho, Alexandre José Faria; Silvestre, José Manoel da Silva; Sardinha, Wander EduardoOs aneurismas das artérias viscerais (AAVs) são lesões vasculares incomuns, porém com importantes implicações clínicas. Elas têm apresentado aumento da detecção incidental devido ao uso da angiotomografia computadorizada (ATC) para várias indicações. A abordagem dessas lesões depende de múltiplos fatores, como as características das lesões, bem como de fatores clínicos associados. A ATC é considerada o método padrão-ouro para o diagnóstico, além de ser fundamental para a indicação do tratamento intervencionista ou acompanhamento clínico. Geralmente, a conduta que direciona essa abordagem está baseada no que está descrito nos laudos radiológicos. No entanto, já foi demonstrado em estudos em outros territórios vasculares que existem diferenças significantes entre os achados obtidos pelos laudos radiológicos e aqueles obtidos por medidas estruturadas. Entretanto, não encontramos em nossa revisão publicações que realizaram a mesma abordagem no território das artérias viscerais. Desta forma, esta equipe de pesquisa propôs a realização de dois estudos em um centro terciário de referência para doenças vasculares. O primeiro estudo, de caráter mais descritivo, com o objetivo de avaliar o perfil de descrição destas lesões nos laudos, analisou a presença de heterogeneidade nas descrições e informações faltantes. Já o segundo, de caráter mais analítico, avaliou a concordância e a reprodutibilidade das medidas obtidas pela nossa equipe de pesquisa utilizando a avaliação estruturada multiplanar orientada pelo eixo da artéria nas angiotomografias com as descrições encontradas nos laudos. Os exames selecionados para a amostra foram realizados entre 1 de maio de 2017 e 31 de maio de 2025. O estudo mais descritivo consistiu na avaliação exclusiva de laudos de tomografias contrastadas, angiotomografias e urotomografias realizadas neste período. Foram incluídas na análise 130 laudos de 87 pacientes, nos quais foram identificados 153 AAVs. Observou-se heterogeneidade significante nas descrições dos laudos, sendo que em 10,5% não havia descrição do diâmetro máximo da lesão, em 31,4% não havia a descrição da morfologia do aneurisma e em 35,9% não havia a descrição da localização da lesão na artéria. Entre os aneurismas com o maior diâmetro descrito no laudo, a mediana foi de 1,4 cm (IIQ 1,06–1,75 cm). O aneurisma de artéria renal foi a lesão mais prevalente nesta amostra, seguido pelas lesões de artéria esplênica. Além disso, nosso trabalho identificou lesões raras como as de artérias pancreaticoduodenais, mesentérica inferior e até um caso de aneurisma em um rim transplantado. Por fim, nosso trabalho encontrou uma prevalência de aneurisma aortoilíaco em 16,9% dos exames. Nosso segundo estudo, de caráter analítico, analisou 62 ATCs de 46 pacientes. Foram identificados 69 aneurismas distintos, o que determinou um total de 105 mensurações para pareamento e comparação com os laudos. A avaliação da concordância das variáveis categóricas analisadas foi excelente (artéria acometida, tipo de aneurisma, morfologia do aneurisma, localização do aneurisma na artéria, presença de trombo parietal e presença de aneurisma aortoilíaco associado), sem presença de viés sistemático para a análise dessas variáveis, quando estas eram dicotômicas. Os laudos radiológicos apresentaram uma sensibilidade de 86,7%, sendo que 14 aneurismas identificados pelo pesquisador não foram identificados nos laudos. Foi encontrada uma diferença significante nas medidas de maior diâmetro (p < 0,001) e no comprimento das lesões (p = 0,024), sendo que o pesquisador encontrou medidas maiores em ambas as análises. Apesar dessa diferença, a avaliação do índice de correlação interclasse demonstrou boa concordância entre a avaliação do maior diâmetro (ICC = 0,855) e excelente concordância nos comprimentos (ICC = 0,966). Por fim, nosso trabalho demonstrou que os desafios para a abordagem diagnóstica dos AAVs em um grande centro de referência não dependem somente da avaliação e interpretação adequadas das imagens das ATCs, mas também da presença de heterogeneidade e informações faltantes nos laudos radiológicos de rotina. Nosso trabalho sugere que a avaliação multiplanar orientada pelo eixo da artéria e um protocolo de avaliação e descrição são estratégias reprodutíveis de análise que podem ter impacto no aprimoramento do diagnóstico e melhorar a decisão terapêutica, bem como o acompanhamento clínico destes pacientesItem Asma em crianças e adolescentes: comparação entre instrumentos de avaliação do controle da doença e entre valores de referência de espirometria(2024-10-30) Amorim, Claudio Luiz Castro Gomes de; Pitta, Fábio de Oliveira; Hernandes, Nidia Aparecida; Linck Júnior, Arnildo; Cerci Neto, Alcindo; Silva, Débora Carla Chong e; Furlanetto, Karina CoutoIntrodução: A asma é uma condição crônica que resulta em inflamação das vias aéreas inferiores, sendo uma das principais causas de morbidade em crianças em todo o mundo. No Brasil, a prevalência de asma entre crianças e adolescentes é elevada, com uma considerável subnotificação da doença. Diferentes questionários podem ser utilizados para avaliação do controle da asma, como a Global Initiative for Asthma (GINA) e o Teste de Controle da Asma (para crianças: Childhood Asthma Control Test [c-ACT] e para adolescentes: Asthma Control Test [ACT]). Ambos os questionários são amplamente utilizados, porém não se sabe até o momento se seus resultados são concordantes ou até mesmo intercambiáveis. Outra ferramenta muito utilizada na asma é a espirometria, um exame fundamental no diagnóstico e acompanhamento da doença, permitindo a avaliação da função pulmonar e a resposta ao tratamento. No entanto, equações de referência podem subestimar valores espirométricos e a gravidade da doença em crianças e adolescentes, o que pode levar a um manejo inadequado da asma. Objetivos: Esta tese teve como objetivos principais: 1) Investigar a concordância entre dois questionários clínicos utilizados para avaliar o nível de controle da asma (GINA e ACT/c-ACT); e comparar características clínicas, laboratoriais e espirométricas dos pacientes classificados como tendo asma controlada e não controlada de acordo com esses dois instrumentos; e 2) Comparar os valores espirométricos de crianças e adolescentes asmáticos brasileiros utilizando dois diferentes valores de referência, desenvolvidos por Jones et al. e Pereira et al., e avaliar a capacidade dessas fórmulas na diferenciação entre asma controlada e não controlada e na identificação de distúrbio espirométrico obstrutivo. Métodos: Setenta e seis pacientes com asma entre 6 e 14 anos de idade foram avaliados transversalmente no Ambulatório de Pneumologia Pediátrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A amostra foi composta por pacientes acompanhados no ambulatório supracitado entre maio de 2019 e agosto de 2023. Os critérios de inclusão envolviam o diagnóstico clínico de asma, uso corrente de corticosteroides inalatórios, estabilidade clínica e ausência de outras condições respiratórias. Foram aplicados os dois questionários para avaliação do controle da asma, além da avaliação espirométrica e realização de exames laboratoriais para análise de eosinofilia, imunoglobulina E (IgE) e vitamina D para caracterização da amostra. Resultados: A amostra contou com 38% meninas e teve mediana de idade de 10 (9-12) anos. Foram desenvolvidos dois estudos, de acordo com os objetivos da tese. No primeiro estudo, de acordo com GINA e ACT, respectivamente 42% e 20% apresentavam asma não controlada. Houve concordância moderada (Kappa=0,505, p<0,0001) entre os métodos. Na classificação de acordo com a GINA, indivíduos com asma não controlada apresentavam piores resultados nas variáveis dose diária do corticóide inalatório, gravidade da asma, presença de tabagismo passivo e parâmetros espirométricos. Por outro lado, não houve diferença significativa entre indivíduos classificados como tendo asma controlada ou não controlada de acordo com o ACT. Já no segundo estudo, os valores preditos por Pereira et al. foram significativamente menores para o VEF1, CVF e FEF25-75% em comparação aos de Jones et al. Ambas as fórmulas diferenciaram significativamente entre asma controlada e não controlada. No entanto, houve divergência importante no diagnóstico de distúrbio obstrutivo: 82% das crianças foram classificadas como obstrutivas por Jones et al. e 46% por Pereira et al. Conclusões: Em crianças e adolescentes brasileiros com asma, a concordância entre GINA e ACT foi moderada, enquanto a GINA identificou maior número de indivíduos com asma não controlada e, ao contrário do ACT, diferenciou pacientes não controlados dos controlados por meio de piores parâmetros clínicos e espirométricos. Tais resultados indicam que o questionário para avaliação do controle da asma tem o potencial de impactar diretamente em eventual subnotificação de asma não controlada, influenciando tanto a avaliação clínica quanto a terapêutica medicamentosa dos pacientes. Além disso, os valores de referência de Pereira et al. subestimaram os valores espirométricos e o diagnóstico de distúrbio obstrutivo em crianças asmáticas, o que pode subestimar a gravidade da doença e impactar negativamente o seu manejo clínico. Portanto, os valores de referência de Jones et al. se mostraram de fato mais adequados para a população pediátrica, ressaltando a necessidade de considerar-se as especificidades da população alvo na interpretação de resultados espirométricosItem Nephrocheck®: avaliação de injúria renal aguda após angioplastia coronariana percutânea com contraste(2026-03-18) Maioli, Mariana Espiga; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Carrilho, Alexandre José Faria; Mezzaroba, Ana Luiza; Almeida, Sílvio Henrique Maia de; Delfino, Vinicius Daher AlvaresA injúria renal aguda induzida por contraste (IRA-IC) é uma das causas mais frequentes de injúria renal aguda (IRA) adquirida no ambiente hospitalar, sendo frequentemente descrita como a terceira etiologia mais comum, após hipoperfusão renal e uso de drogas nefrotóxicas. Pacientes submetidos à angioplastia coronariana percutânea apresentam elevada prevalência de comorbidades e podem cursar com distúrbios hemodinâmicos agudos, tornando a IRA-IC uma complicação relevante nesse contexto. Os critérios diagnósticos convencionais, baseados na creatinina sérica e no débito urinário conforme o Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO), são marcadores que podem retardar a adoção de medidas renoprotetoras. Assim, biomarcadores de estresse tubular, como o produto urinário [TIMP-2] × [IGFBP-7], mensurado pelo teste NephroCheck® > 0,3, possibilitam a identificação precoce do risco de injúria renal, embora seu desempenho específico na IRA-IC ainda não esteja totalmente estabelecido. O objetivo geral foi avaliar a frequência de risco de IRA com base no teste NephroCheck® (produto TIMP-2 × IGFBP7), realizado entre 6 e 12 horas após angioplastia coronariana percutânea com uso de contraste. O objetivo específico foi comparar a frequência de risco de IRA identificada pelo NephroCheck® com aquela determinada pelos marcadores convencionais, correspondentes aos critérios diagnósticos do KDIGO, baseados na creatinina sérica e no débito urinário. O estudo é longitudinal prospectivo realizado entre março e agosto de 2025 em unidade de terapia intensiva (UTI) de hospital terciário. Foram incluídos 60 pacientes adultos submetidos à angioplastia coronariana percutânea com contraste e com pelo menos um fator de risco para IRA. O teste NephroCheck® foi realizado entre 6 e 12 horas após o procedimento. Concomitantemente, avaliaram-se creatinina sérica e débito urinário, sendo a IRA definida segundo os critérios do KDIGO. A concordância entre os métodos diagnósticos foi avaliada pelo coeficiente Kappa. Esta pesquisa foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) por meio do Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 73804423.7.00000.5231 e pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina/Hospital Universitário Regional Norte. Entre os 60 pacientes avaliados, 13 (21,6%) apresentaram NephroCheck® positivo, enquanto 5 (8,3%) desenvolveram IRA conforme os critérios KDIGO. Observou-se predomínio de fraca concordância entre os métodos, com 44 pacientes (73,3%) classificados como negativos por ambos os métodos. O NephroCheck® identificou uma relevante proporção de pacientes com risco aumentado de desenvolver IRA nas primeiras 12 horas após à exposição ao contraste. Foi observada baixa concordância entre o NephroCheck® e os critérios do KDIGOItem Fatores de risco e complicações pós-operatórias em pacientes admitidos na terapia intensiva(2024-06-18) Sanches, Caroline Tolentino; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Carrilho, Alexandre José Faria; Mezzaroba, Ana Luiza; Lopes, Gilselena Kerbauy; Almeida, Sílvio Henrique Maia deIntrodução: As complicações pós-operatórias estão comumente associadas ao aumento na morbimortalidade dos pacientes e podem levar ao surgimento de sequelas e à morte. Sabe-se que a mortalidade dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva é variável, pois depende de fatores relacionados às características dos pacientes, gravidade e evolução da doença. O Projeto ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-operatória) surgiu com a finalidade de minimizar a ocorrência das complicações pós-operatórias, reduzir o tempo de internação e a mortalidade em pacientes cirúrgicos. Objetivo: Caracterizar as complicações pós-operatórias e os preditores de mortalidade em pacientes admitidos na UTI em pós-operatório imediato. Avaliar a adesão às recomendações do Projeto ACERTO. Métodos: Estudo longitudinal retrospectivo incluindo pacientes adultos submetidos a procedimentos cirúrgicos e admitidos em pós-operatório imediato em unidades de terapia intensiva de um hospital universitário de alta complexidade, no período de março a julho de 2022. Como fontes de dados para esta pesquisa, foram utilizados os prontuários dos pacientes e o sistema eletrônico de informações do hospital. As variáveis do estudo foram divididas em categorias, que correspondem desde o momento da internação até o desfecho hospitalar, e incluíram: variáveis sociodemográficas, clínicas, epidemiológicas, comorbidades, dados referentes ao período perioperatório, tais como características dos procedimentos cirúrgicos, condutas, complicações pós-operatórias e desfecho hospitalar. Os escores Simplified Acute Physiology Score 3 (SAPS 3) e Sequential Organ Failure Assesment (SOFA) foram calculados. Os resultados das variáveis contínuas foram descritos como média, desvio padrão (DP) ou mediana e intervalo interquartílico (ITQ), dependendo da distribuição dos dados. As variáveis categóricas foram analisadas com o teste de qui-quadrado e foram apresentados como frequência absoluta e relativa. A presença de associações entre potenciais fatores de risco foi apresentada como odds ratio (OR) não-ajustado e intervalo de confiança de 95% (IC 95%), obtidas por meio do modelo de regressão logística em modo Stepwise (análise multivariada). O nível de significância utilizado foi de 5%. Resultados: Foram analisados 202 pacientes, com mediana de idade de 67 anos (ITQ 55-74), predominância do sexo masculino (62,4%) e elevada prevalência de comorbidades (87,1%). A mortalidade hospitalar foi de 26,2%. As principais características dos procedimentos cirúrgicos foram cirurgias realizadas em caráter de urgência (52,5%), cirurgias de grande porte (69,3%) e limpas (38,6%). A anestesia geral foi a mais frequente (74,8%). Os procedimentos cirúrgicos mais frequentes foram as cirurgias do aparelho digestivo, órgãos anexos e parede abdominal (25,7%) seguidos pelas cirurgias do sistema nervoso central (20,3%) e cirurgias do aparelho geniturinário (13,9%). As complicações pós-operatórias ocorreram em 85,1% dos pacientes e as mais frequentes foram as cardiovasculares (53,4%), infecciosas (49,5%) e gastrointestinais (48,5%). A maioria das complicações foram associadas com o risco para morte, destacando-se as renais (OR 14,09) e do sistema de coagulação (OR 9,38). Quanto às recomendações do ACERTO, observou-se que o não cumprimento destas está relacionado com maior risco para o desenvolvimento de complicações. A realimentação precoce pós-operatória ocorreu em 34,2% dos casos e observou-se que quanto maior a demora no início da realimentação, maior foi o risco para o desenvolvimento de complicações. A profilaxia de náuseas e vômitos foi administrada em 61,9% dos pacientes no intraoperatório e 96% no pós-operatório, e a analgesia com opioides no pós-operatório foi associada com maior incidência de complicações (87,3%). A reposição volêmica não teve diferença entre os grupos. Na análise da regressão logística, o sexo feminino, cirurgia de urgência e a pontuação no SAPS 3 foram fatores de risco independentes para a morte. Conclusões: Houve alta incidência de complicações pós-operatórias, sendo as complicações renais e do sistema de coagulação as principais associadas ao risco de morte. A adesão às recomendações do ACERTO como a profilaxia de náuseas e vômitos e a realimentação precoce foram associadas com redução na frequência de complicações. Os fatores de risco para a morte encontrados foram sexo feminino, pontuação no SAPS 3 e cirurgias de urgência.Item Abordagens multidimensionais na depressão resistente ao tratamento : variantes genéticas de MTHFR, mecanismos epigenéticos, características clínicas e aspectos psicossociais(2026-02-26) Moraes, Juliana Brum; Nunes, Sandra Odebrecht Vargas; Reiche, Edna Maria Vissoci; Liboni, Marcos; Soares, Maria Rita Zoéga; Urbano, Mariana RagassiINTRODUÇÃO: A depressão resistente ao tratamento (DRT) constitui um importante desafio clínico e científico, desde a heterogeneidade de seus critérios de definição e dificuldades na comparabilidade dos estudos publicados, até a maior gravidade de sintomas, recorrência, prejuízo funcional e aumento do risco de suicídio. Evidências crescentes indicam que a DRT resulta da interação entre fatores genéticos, epigenéticos, clínicos e psicossociais. Entre eles, variantes genéticas do MTHFR têm sido associadas tanto à vulnerabilidade ao Transtorno Depressivo Maior (TDM) quanto à resistência ao tratamento, com potenciais implicações terapêuticas. OBJETIVOS: Este estudo investigou a associação entre as variantes genéticas do MTHFR 677C>T (rs1801133) e 1298A>C (rs1801131) e a DRT, focando em como a redução prevista da atividade enzimática afeta marcadores de gravidade clínica, a funcionalidade e resposta ao tratamento. Além de revisar a literatura e analisar fatores psicossociais como experiências adversas na infância (ACEs) e adesão ao tratamento, a pesquisa realizou a adaptação e validação para o português da escala Massachusetts General Hospital Antidepressant Treatment Response Questionnaire (MGH-ATRQ). Por fim, o trabalho avaliou o potencial translacional de um programa educacional baseado no modelo Training of Trainers (ToT) para capacitar profissionais de saúde em mecanismos epigenéticos e interações gene-ambiente no TDM. MÉTODOS: O primeiro estudo consistiu em uma revisão sistemática conduzida de acordo com as diretrizes do PRISMA, com o objetivo de investigar a associação entre variantes do MTHFR (677C>T e 1298A>C) e DRT. O segundo estudo teve delineamento metodológico e realizou a validação do MGH-ATRQ para o português em uma amostra de 156 pacientes com TDM. As propriedades psicométricas do instrumento foram avaliadas por meio de análises de concordância, sensibilidade, especificidade e acurácia. O terceiro estudo adotou um delineamento observacional transversal, com 78 pacientes adultos com TDM, a fim de investigar a associação entre atividade enzimática predita da MTHFR, gravidade clínica, resistência ao tratamento, funcionalidade e ACEs. As análises estatísticas incluíram testes comparativos e modelos de regressão. O quarto estudo apresentou o desenvolvimento e a avaliação de um módulo educacional baseado no modelo ToT, com metodologias ativas e aprendizagem baseada em casos (CBL), para capacitar 47 profissionais de saúde a compreender a interação entre fatores genéticos, epigenéticos e ambientais no TDM. RESULTADOS: Os resultados foram apresentados e discutidos em um artigo de revisão sistemática e três artigos originais. No primeiro artigo, sete estudos atenderam aos critérios de inclusão, e os resultados indicam uma possível ligação entre as variantes do MTHFR 677C>T e 1298A>C e um risco aumentado de DRT. A variabilidade nos desenhos dos estudos, nas definições de DRT e em fatores de confusão contribuem para as inconsistências nos resultados. No segundo artigo, o MGH-ATRQ classificou com precisão os indivíduos como portadores de DRT em comparação com os critérios clínicos padrão, demonstrando sensibilidade de 88,89% e especificidade de 97,56%. Os casos de DRT apresentaram maior gravidade depressiva, maior comprometimento funcional, menor adesão à medicação e maiores taxas de experiências adversas na infância. No terceiro artigo, 78 pacientes com atividade enzimática prevista de MTHFR reduzida (=50%) apresentaram maior gravidade dos sintomas depressivos (HDRS-17: 12,1 ± 6,8 vs 9,1 ± 5,0; p = 0,04), maior frequência de episódios depressivos (=3 episódios: 86,2% vs 63,3%; p = 0,04), mais tentativas de suicídio (24,1% vs 6,1%; p = 0,03) e maior uso de antipsicóticos como adjuvantes (27,6% vs 8,2%; p = 0,04). O comprometimento funcional nos domínios de trabalho/escola, social e familiar foi significativamente pior no grupo com baixa atividade ( p = 0,05). Pontuações mais altas de ACEs foram associadas a maior gravidade do TDM em todos os subgrupos, particularmente entre pacientes com atividade reduzida de MTHFR e DRT. No quarto artigo, resultados qualitativos indicaram que os participantes desenvolveram uma compreensão mais ampla do TDM. Os relatos sugeriram maior sensibilidade a apresentações clínicas não específicas, e maior consciência de como a história de vida e os fatores contextuais podem contribuir para a vulnerabilidade ao TDM. CONCLUSÕES: Embora as evidências sugiram um papel para as variantes do MTHFR na DRT, a heterogeneidade entre os estudos limita conclusões definitivas. Pesquisas futuras devem padronizar as definições de DRT, controlar os fatores de confusão e explorar a integração de testes genéticos na prática clínica. A versão brasileira do MGH-ATRQ é um instrumento válido para detectar pacientes com DRT e pode ser uma ferramenta útil tanto no contexto clínico quanto em protocolos de pesquisa. Amostras maiores e mais diversas serão importantes em estudos futuros para confirmar ainda mais a robustez psicométrica e a validade externa da versão brasileira do MGH-ATRQ. A estratificação funcional baseada na atividade prevista da MTHFR pode ajudar a identificar subgrupos clinicamente vulneráveis e refinar a avaliação prognóstica no TDM. Estratégias educacionais baseadas em ToT e CBL podem apoiar a disseminação do conhecimento epigenético entre profissionais de saúde e promover sua aplicação na prática. LIMITAÇÕES: Uma limitação significativa da revisão sistemática é a ausência de uma meta-análise, devido à heterogeneidade entre os estudos. Em nosso estudo, a definição de DRT baseou-se apenas em resposta farmacológica, excluindo estratégias de psicoterapia ou neuromodulação. Os participantes foram recrutados em clínicas psiquiátricas privadas, o que pode limitar a generalização dos resultados para outras populações. No relato de experiência educacional, a ausência de uma avaliação do conhecimento prévio dos participantes limitou a capacidade de quantificar os ganhos de aprendizagem. Além disso, os resultados educacionais podem estar sujeitos a viés de relato. Por fim, a sustentabilidade e o impacto a longo prazo da disseminação do conhecimento não foram avaliados sistematicamente, com tal recomendação para estudos futuros.Item Avaliação de desfechos em longo prazo em pacientes crítico crônicos sobreviventes de internação em unidade de terapia intensiva:qualidade de vida, dependência funcional e sintomas psicológicos(2025-08-27) Festti, Josiane; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Carrilho, Alexandre José Faria; Mezzaroba, Ana Luiza; Carrilho, Cláudia Maria Dantas de Maio; Almeida, Sílvio Henrique Maia deIntrodução: Os avanços tecnológicos na Medicina Intensiva reduziram as taxas de mortalidade hospitalar, o que resultou no surgimento dos pacientes crítico crônicos, que necessitam de internações prolongadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e podem apresentar dependência funcional e sintomas psicológicos, com impacto na sobrevida e qualidade de vida após alta da UTI. Objetivos: Avaliar mortalidade e qualidade de vida, dependência funcional e sintomas psicológicos de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático do doente crítico crônico após alta da UTI a longo prazo. Métodos: Estudo de coorte prospectivo com pacientes crítico crônicos sobreviventes após internação em UTI. Paciente crítico crônico foi definido como: 8 ou mais dias de UTI e uma condição de elegibilidade: ventilação mecânica (VM), traqueostomia, sepse, feridas complexas e falência de órgãos. Na entrevista hospitalar, de forma retrospectiva, o estado de saúde basal foi avaliado com os instrumentos EQ-5D-3L, SF-36, Escala de Rankin, Índice de Barthel e Escala HADS. Nas entrevistas telefônicas após alta da UTI aos 3 e 6 meses foram aplicados: EQ-5D-3L, SF-36, Escala de Rankin, Índice de Barthel, Escala HADS e Escala IES. Aos 3 anos foi verificado o estado vital e aplicado o questionário EQ-5D-3L para avaliação da qualidade de vida a longo prazo. Resultados: Foram incluídos 130 pacientes que responderam ao questionário basal. As entrevistas telefônicas foram realizadas com 44 pacientes aos 3 meses, 29 aos 6 meses e 66 aos 3 anos. A mediana de idade foi de 60,5 anos (ITQ 42-70). Critérios de elegibilidade de paciente crítico crônico foram: VM 80,7%, traqueostomia 33,8%, sepse 86,2%, feridas complexas 11,5% e falência de órgãos 20,8%. Houve piora da qualidade de vida, da funcionalidade e aumento dos sintomas psicológicos principalmente aos 3 meses após alta da UTI. Aos 6 meses houve tendência a melhora porém sem retorno aos valores basais, com persistência da queda da qualidade de vida aos 3 anos. Os resultados apresentaram diferença estatisticamente significativa nos questionários aplicados: na avaliação da qualidade de vida para o questionário EQ-5D-3L nos itens mobilidade (p<0,0001), cuidados pessoais (p=0,0067), atividades habituais (p<0,0001) e no SF-36 nos domínios capacidade funcional (p=0,00042), limitação por aspectos físicos (p=0,01704), saúde metal (p=0,04641), aspectos sociais (p= 0,0019) e saúde geral (p=0,0128); para avaliação de dependência funcional e incapacidades para a Escala Rankin (p=0,0003) e para o Índice de Barthel (p=0,00091); para avaliação dos sintomas psicológicos na escala HADS depressão (p=0,00932) e na escala IES de avaliação de estresse pós traumático (p=0,0476). A curva de sobrevida de Kaplan Meier apresentou queda acentuada nos primeiros 100 dias com 80 % sobrevida, após 1 ano ficou próxima de 65% e estabilizou em 55% aos 1200 dias, sendo que 57 pacientes evoluíram a óbito. A mediana de idade dos sobreviventes foi de 48 anos (ITQ 33,5-68) e dos óbitos 68 anos (ITQ 59-74) (p<0,0001). Na análise multivariada as variáveis independentemente associadas ao óbito foram idade (OR:1,0473; IC95%:1,0188-1,0765; p=0,0008) e número de comorbidades (OR: 1,5905; IC95%:1,1100-2,2791; p=0,0044). O Índice de Barthel foi fator de proteção para o óbito (OR: 0,9777, IC95%:0,9602-0,9955; p=0,0141). Conclusões: Pacientes crítico crônicos apresentaram grande impacto negativo na sobrevida e na qualidade de vida após a alta da UTI, com piores escores aos três meses após a alta. Idade e número de comorbidades foram associadas ao óbito. Reabilitação funcional e acompanhamento multiprofissional são indicados no seguimentoItem Impacto de infecções relacionadas à assistência à saúde no prognóstico do paciente crítico crônico em um hospital universitário brasileiro(2025-05-28) Paula, Raquel Bergamasco e; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Carrilho, Alexandre José Faria de; Carrilho, Cláudia Maria Dantas de Maio; Kerbauy, Gilselena; Tanita, Marcos ToshiyukiIntrodução: O avanço tecnológico na terapia intensiva, que permitiu o aumento na sobrevida do doente crítico, proporcionou também o crescimento de uma população marcada pela persistência de disfunções orgânicas e pela dependência de suporte artificial de vida. A doença crítica crônica (DCC) é caracterizada pela síndrome da inflamação, imunossupressão e catabolismo persistentes (PICS), frequentemente associada a episódios de sepse no âmbito hospitalar e ao aumento da resistência antimicrobiana. Objetivo: Descrever a evolução clínica dos pacientes internados por oito dias ou mais em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Londrina destacando, nos episódios de sepse, o sítio de infecção, agente etiológico e perfil de resistência antimicrobiana. Métodos: Estudo longitudinal retrospectivo que analisou todos os pacientes adultos internados em uma UTI geral de doentes agudos nos períodos de julho de 2022 a junho de 2023. Foram analisados dados demográficos, escores Simplified Acute Physiology Score 3 (SAPS3) e Sequential Organ Failure Assessment (SOFA) na admissão, presença de sepse, sítio de infecção e microrganismos associados, perfil de resistência antimicrobiana, necessidade de readmissão, decisão de cuidados paliativos (CP), tempo de permanência hospitalar e na UTI e mortalidade. Resultados: Dos 792 pacientes incluídos, 166 (20,9%) permaneceram internados na UTI durante oito dias ou mais. A presença de choque séptico no primeiro dia de internação ocorreu em 60,2%. A taxa de mortalidade na UTI foi de 33,7%, e hospitalar de 50%. A mediana do tempo de internação hospitalar foi 26 dias (17-43). Dentre os pacientes com DCC, 12% receberam indicação de CP. O modelo de regressão logística identificou as variáveis SAPS3, choque séptico na admissão e após a alta da UTI e múltiplas infecções diagnosticadas durante a internação hospitalar como preditoras de mortalidade hospitalar. Foram diagnosticados 362 episódios de infecção. Pneumonia Associada a Ventilação Mecânica (PAV), Infecção do Trato Urinário (ITU) e Infecção de Corrente Sanguínea (ICS) foram os sítios mais prevalentes (40%, 20,7% e 19,6% respectivamente). Bactérias do grupo ESKAPE (Enterococcus spp, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobactérias) foram responsáveis por 57% de todas as amostras positivas, com aumento progressivo de resistência ao longo do período de internação e predomínio de resistência aos carbapenêmicos. Conclusões: Fatores relacionados ao comprometimento orgânico na admissão da UTI e presença de sepse e choque séptico durante a internação e após a alta da UTI, além de múltiplas infecções, foram preditores de mortalidade hospitalar. Bactérias multirresistentes do grupo ESKAPE foram encontradas desde a admissão, e o perfil de sensibilidade antimicrobiana evidenciou crescente aumento da resistência no decorrer do estudoItem Análise das variantes genéticas rs10157379 e rs10754558 do NLRP3 na suscetibilidade e atividade da artrite reumatoide(2025-03-12) Bruniera, Beatriz Neves; Reiche, Edna Maria Vissoci; Coral, Carlos Eduardo; Lozovoy, Marcell Alysson Batista; Oliveira, Sayonara Rangel de; Veiga, Tatiana Mayumi; Simão, Andréa Name ColadoIntrodução: A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune crônica caracterizada por inflamação e danos articulares, com um forte componente genético influenciando sua fisiopatologia. O inflamassoma NLRP3 está envolvido na resposta imune e suas variantes genéticas têm sido associadas a várias condições inflamatórias. No entanto, o papel das variantes NLRP3 na suscetibilidade à AR, atividade da doença, autoanticorpos e biomarcadores inflamatórios permanece obscuro. Objetivos: Investigar a associação entre as variantes NLRP3 rs10754558 e rs10157379 e a suscetibilidade à AR, atividade da doença, fator reumatoide (FR), antipeptídeos citrulinados cíclicos (anti-CCP) e biomarcadores inflamatórios. Material e Métodos: Este estudo incluiu 225 pacientes com AR e 158 controles. O diagnóstico de AR foi baseado nos critérios estabelecidos pelo American College of Reumatology (ACR) e European League Against Rheumatism (EULAR). A atividade da doença foi avaliada usando o Disease Activity Score (DAS)28 com a velocidade de hemossedimentação (VHS) e categorizada em remissão/mínima DAS28 VHS < 2,6 e moderada/grave DAS28 VHS =2,6. FR e proteína C-reativa sérica (PCR) foram medidos usando turbidimetria, autoanticorpos anti-CCP foram medidos usando imunoensaio de micropartículas de quimioluminescência, VHS e glóbulos brancos foram determinados por método automatizado. As variantes NLRP3 rs10754558 C>G e rs10157379 C>T foram determinadas usando DNA genômico e reação em cadeia da polimerase em tempo real. Os biomarcadores inflamatórios foram: razão neutrófilo/linfócito (NLR), razão plaquetas/linfócitos (PLR), razão leucócitos/hemoglobina (WHR) e razão linfócitos/CRP (LCR). A análise estatística foi realizada usando testes qui-quadrado para frequências de genótipos. Os modelos genéticos incluíram modelos codominante, recessivo, dominante e overdominante. Mann-Whitney e Kruskal-Wallis foram usados para a análise de associação entre genótipos e variáveis de desfecho. Valores de p<0,05 foram considerados significativos. Resultados: Pacientes com AR e controles não diferiram quanto à etnia, sexo e tabagismo. Pacientes com AR eram mais velhos que os controles, tinham maior frequência de uso de terapia medicamentosa anti-hipertensiva, hipertensão e síndrome metabólica. A maioria dos pacientes (76,4%) apresentou atividade da doença < 2,6. A maioria deles apresentou soropositividade para os autoanticorpos FR (50,2%) e anti-CCP (59,1%); para ambos os autoanticorpos FR e anti-CCP (67,1%) e não apresentaram sintomas extra-articulares (88,4%). As distribuições dos genótipos de rs10754558 (CC, CG, GG) e rs10157379 (CC, CT, TT) não diferiram significativamente entre pacientes com AR e controles nos modelos codominante, recessive, dominante ou overdominante (todos p>0,05). Para a variante rs10754558, não foi encontrada diferença significativa entre os genótipos e atividade da doença; para a variante rs10157379, o genótipo TT, no modelo recessivo, mostrou uma chance 2,96 vezes maior de apresentar atividade da doença. Além disso, o genótipo TC, em modelos codominante e overdominante, mostrou proteção contra a atividade da doença, com aproximadamente 3,57 e 2,77 vezes mais chances de estar em remissão, respectivamente. Não foi observada associação entre as duas variantes NLRP3 e autoanticorpos RF e anti-CCP. Para a variante rs10754558, foi encontrado que os genótipos CC e CG apresentam uma razão LCR aproximadamente 3 vezes maior que o genótipo GG, ou seja, pacientes portadores do genótipo GG apresentaram valores de PCR maiores que a contagem de linfócitos. Para o rs10157379, pacientes portadores do genótipo TT apresentaram WHR maior que aqueles portadores do genótipo TC. Conclusão: Em conjunto, os resultados indicam que as variantes genéticas NLRP3 rs10754558 e rs10157379 avaliadas no estudo não estão associadas à suscetibilidade à AR. No entanto, o genótipo TT da variante rs10157379, no modelo recessivo, apresentou 2,96 vezes mais chances de apresentar atividade da doença e o genótipo TC, nos modelos codominante e superdominante, apresentou 3,57 e 2,77 vezes mais chances de estar em remissão da AR. Os genótipos CC e CG da variante rs10754558 foram associados a maior LCR do que o genótipo GG; pacientes portadores do genótipo GG apresentaram valores de PCR mais altos do que a contagem de linfócitos. Para a variante rs10157379, foi demonstrado que pacientes portadores do genótipo TT apresentaram maior WHR do que aqueles com o genótipo TC. No entanto, ambas as variantes NLRP3 não foram associadas com FR e anti-CCP. Portanto, embora as variantes NLRP3 rs10754558 e rs10157379 não estejam envolvidas na suscetibilidade à AR, estas variantes parecem desempenhar um papel central na modulação da resposta inflamatória nesta doença. Mais pesquisas são necessárias para explorar o papel de outros fatores genéticos e ambientais na patogênese da ARItem Survey nacional sobre o preparo dos hospitais frente a desastres naturais(2025-03-19) Guimarães, Percival Vitorino; Grion, Cíntia Magalhães Carvalho; Martins, Eleine Aparecida Penha; Fornazieri, Marco Aurélio; Tanita, Marcos Toshiyuki; Almeida, Sílvio Henrique Maia deIntrodução: Os desastres, sejam naturais ou artificiais, causam impactos significativos nas sociedades. Enquanto desastres artificiais, como acidentes industriais, são frequentemente resultados de falhas humanas e urbanização desordenada, os desastres naturais resultam de fenômenos geológicos e climáticos. Pandemias, como a COVID-19, representam um tipo único de desastre devido à sua ampla disseminação e complexidade, com impacto profundo na saúde pública, a economia e a estrutura social. O colapso de sistemas de saúde durante a COVID-19 expôs a necessidade de reorganização hospitalar, aumento de leitos de UTI e de capacitação de profissionais para lidar com emergências em larga escala. Objetivo: Avaliar o preparo do sistema de saúde nacional frente a pandemia e comparar a capacidade de enfrentamento e recuperação entre instituições públicas e privadas. Metodologia: Estudo transversal com coleta de dados por meio de questionários estruturados, aplicados a profissionais de saúde que atuaram em serviços de urgência, emergência e terapia intensiva durante a pandemia. Amostragem de conveniência dos profissionais convidados a participar por uma rede de pesquisa nacional brasileira, AMIBnet (rede de pesquisa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira) via plataforma da própria da rede. O questionário, estruturado segundo o método Delphi, incluiu 44 questões divididas em quatro seções, cobrindo desde a caracterização do participante e da instituição até as práticas durante e após a pandemia. Os dados foram coletados pela plataforma SurveyMonkey®. A análise dos dados coletados foi realizada em duas partes. Na primeira, o estudo buscou analisar a percepção dos profissionais quanto à experiência e capacitação, segurança do paciente, estrutura física, recursos humanos, logística de serviços, planejamento na pandemia, resposta institucional de recursos humanos e provisão de insumos. Para este objetivo, os participantes do estudo foram divididos em três grupos de acordo com a similaridade das características demográficas informadas (idade, gênero, nível de educação, experiência profissional, local de trabalho, tipo de instituição e hospital universitário). Este agrupamento (clustering) dos participantes foi realizado através do algoritmo K-means. Para a segunda etapa, a disponibilidade de equipamentos, insumos, recursos tecnológicos e o quantitativo de leitos de enfermaria e UTI antes, durante e após a pandemia foram explorados. Os dados foram analisados de acordo com o tipo de hospital (privado, filantrópico ou público) onde cada participante exercia seu trabalho na maior parte do tempo. Os dados foram apresentados como frequência relativa e foram analisados com o teste de chi-quadrado. O nível de significância utilizado foi de 5%. Resultados: A maioria dos profissionais atua em UTI. A maioria dos profissionais concordou quanto à existência de um planejamento estratégico prévio adequado para desastres. A maioria dos profissionais concordou que houve necessidade de substituir medicações sedativas e vasopressores, o que sugere uma percepção coletiva de escassez desses insumos. Dentre os isolamentos, a maioria dos profissionais relatou que os pacientes foram alojados em coortes abertas. Houve disparidades significativas na alocação de recursos com relação a disponibilidade de equipamentos essenciais entre instituições de saúde privadas, filantrópicas e públicas. A falta de Equipamentos de Proteção Individual(EPIs) foi o insumo com maior frequência de percepção entre os grupos. Quanto a expansão da oferta de leitos, os grupos perceberam positivamente a expansão dos leitos, contudo, apesar da expansão, alguns profissionais sentiram que a capacidade aumentada não foi completamente ideal para a demanda. Durante a pandemia houve expansão de leitos, sendo que as instituições privadas tinham maior frequência de unidades com oferta de leitos de Terapia Intensiva com numero igual ou menor a 10 leitos e entre 11 e 30 leitos e as instituições públicas apresentaram maior frequência de unidades com oferta de leitos de Terapia Intensiva superior 100 leitos. Após a pandemia, as instituições públicas preservaram a quantidade de unidades com quantidade superior a 100 leitos além de um incremento de 23,7% na quantidade de leitos, entre 31-50 na Terapia Intensiva. Quanto aos leitos de enfermaria as instituições públicas mantiveram um incremento de 21,7% nas unidades com mais de 200 leitos de enfermaria, ou seja, as instituições públicas mantiveram um número maior de leitos, tanto de enfermaria quanto de UTI em relação as instituições privadas e filantrópicas. Conclusão: Este estudo observou que houve uma resposta positiva do SUS frente a pandemia, onde apesar das instituições privadas e filantrópicas terem acesso mais rápido a recursos materiais e de insumo, o planejamento emergencial teve impacto robusto na ampliação do número de leitos de enfermaria e UTI nas instituições publicas e a manutenção de um percentual maior que 20% do total desses leitos no pós pandemia. Tal fato contribui para o entendimento das diferenças na capacidade de resposta entre instituições de saúde no Brasil e sugere recomendações para o fortalecimento da estrutura hospitalar, visando aumentar a resiliência frente a eventos de grande escala.Item Efeito terapêutico das formulações tópicas contendo resolvina D2 ou 17(R) - resolvina D1 em camundongos sem pelo expostos à radiação UVB(2024-04-12) Pinto, Ingrid Caroline; Casagrande, Rúbia; Schutz, Ana Carla Zarpelon; Camilios, Josiane Alessandra Vignoli; Martinez, Renata Micheli; Georgetti, Sandra ReginaA radiação ultravioleta B (UVB) é o principal fator que agride a barreira cutânea e desencadeia o fotoenvelhecimento e carcinogênese a longo prazo. A produção exacerbada de espécies reativas de oxigênio (EROs) em conjunto com a resposta inflamatória geram danos teciduais preocupantes. Diante disso, novas substâncias com atuação nos mecanismos resultantes da exposição à radiação UVB são alvos de investigações. O ácido docosahexaenoico (DHA), derivado do ômega-3, pode ser convertido em resolvinas como a resolvina D2 (RvD2) e 17(R)- resolvina D1 (17(R)-RvD1) na presença de aspirina. Esses dois mediadores lipídicos pró-resolução apresentam evidências sobre a atividade terapêutica, entretanto, até o momento a eficácia dos mesmos não foi avaliada em formulação tópica contra o modelo de lesão cutânea induzida pela radiação UVB. As resolvinas participam do processo resolutivo da inflamação, ativando mecanismos de reparo tecidual e restringindo a infiltração de células imunitárias. No estudo atual, as formulações tópicas contendo RvD2 ou 17(R)-RvD1 foram testadas em camundongos sem pelos expostos à radiação UVB e a pele do dorso foi coletada para avaliar parâmetros inflamatórios e oxidativos. A administração tópica de RvD2 (3,0 ng) limitou a inflamação ao reduzir o edema de pele, atividade da mieloperoxidase (MPO) e metaloproteinase-9 (MMP-9), degradação do colágeno, espessamento epidérmico, apoptose dos queratinócitos, número de mastócitos, produção de citocinas anti-inflamatórias IL-10 e TGF-ß e pró-inflamatória IL-1ß e expressão do RNAm para ciclooxigenase-2 (COX-2). A melhora da capacidade antioxidante após RvD2 foi constatada pela manutenção dos níveis de glutationa, catalase e eliminação do radical 2,2’ azinobis (3-etilbenzotiazolina-6-ácido sulfônico) (ABTS), expressão do RNAm aumentada para o fator nuclear [derivado eritróide-2] tipo 2 (Nrf2) e reduzida para a subunidade gp91phox e IL-1ß, além da diminuição da produção de ânion superóxido e hidroperóxidos lipídicos. A formulação tópica contendo 17(R)-RvD1 (2,7 ng) também obteve ação antioxidante através da melhora de todos os ensaios oxidativos citados anteriormente com adição do teste avaliando o poder antioxidante redutor de ferro (FRAP). Adicionalmente, o dano inflamatório foi atenuado com o tratamento de 17(R)-RvD1, diminuindo o edema cutâneo, MPO e MMP-9, componentes da avaliação histopatológica e da produção da citocina pró-inflamatória IL-1ß. Em conclusão, duas novas formas terapêuticas foram efetivas em controlar os processos lesivos induzidos pela radiação UVB, contribuindo com o desenvolvimento de futuros fármacos.Item Stem cell progenitors of the olfactory epithelium: role of horizontal basal cells in the maintenance of neurogenesis in vitro(2025-02-27) Gameiro, Juliana Gutschow; Fornazieri, Marco Aurélio; Schwob, James E; Holbrook, Eric H; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Araújo, Eduardo José Almeida de; Lin, BrianBackground: The sense of smell is essential for human survival and well-being, influencing both sensory perception and psychological health. The olfactory epithelium (OE), which detects odorants through olfactory sensory neurons (OSNs), is continuously exposed to the external environment, making it highly susceptible to damage. Despite this vulnerability, the OE exhibits lifelong neurogenesis, primarily driven by two stem cell populations: globose basal cells (GBCs) and horizontal basal cells (HBCs). Due to the OE’s deep anatomical location and individual variability, in vivo studies pose challenges, highlighting the need for in vitro models to advance olfactory regeneration research. However, a reliable in vitro system that accurately mimics the OE’s cellular organization and microenvironment remains lacking. Objectives: This study aimed to develop a novel organoid culture method for the OE and utilize it to investigate the role of the olfactory niche in neurogenesis. Additionally, a literature review was conducted to clarify misconceptions regarding olfactory stem cells. Methods & Results: Mouse OE tissue was harvested, dissociated, and cultured in a chemically defined medium that promoted organoid formation. Immunofluorescence staining and single-cell sequencing confirmed that the organoids recapitulated in vivo neurogenesis and contained HBCs, GBCs, and immature OSNs. Lineage tracing revealed that while HBCs were present in most organoids, they remained largely quiescent. Fluorescence-activated cell sorting (FACS) to obtain HBCs or GBCs for isolated or mixed cultures demonstrated that HBCs were essential for organoid formation. Further analysis revealed that this dependency was primarily mediated through direct cell contact, with a lesser contribution from soluble factors. The literature review provided a comprehensive distinction between olfactory stem cell types, addressing common misclassifications. Conclusion: This thesis work establishes a three-dimensional OE organoid model that closely replicates in vivo neurogenesis while preserving key stem cell populations. Findings emphasize the essential role of HBCs in maintaining the organoid niche and supporting neurogenesis despite their predominantly quiescent state. This model provides a valuable platform for future research on olfactory regeneration and stem cell dynamicsItem Identificação precoce de caquexia e sarcopenia no câncer colorretal: potencial de biomarcadores salivares e avaliação da força muscular na predição de desfechos clínicos(2026-07-07) Godinho, Loriane Rodrigues de Lima Costa; Deminice, Rafael; Pitta, Fábio de Oliveira; Hernandes, Nidia Aparecida; Miola, Thais Manfrinato; Santos, Livia Alves AmaralIntrodução: O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias de maior incidência e mortalidade global. O prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes estão associados a complicações sistêmicas como a sarcopenia, caracterizada pela perda de força, massa e função muscular, e a caquexia, uma síndrome multifatorial de comprometimento progressivo, tais condições são frequentemente subdiagnosticadas devido à escassez de métodos diagnósticos acessíveis e padronizados. Objetivos: Identificar e validar biomarcadores salivares para detecção precoce de caquexia relacionada ao CCR, utilizando uma abordagem que integra análise metabolômica e parâmetros clínicos, além de avaliar a concordância de três métodos de avaliação de força muscular para o diagnóstico de sarcopenia em idosos com câncer colorretal e sua associação com o prognóstico de morbidade e mortalidade. Metodologia: Para a identificação de biomarcadores de caquexia, realizou-se um estudo transversal com 39 pacientes com CCR (20 caquéticos e 19 não caquéticos), submetidos à análise metabolômica salivar por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS), seguida de validação experimental. Para a avaliação da sarcopenia, conduziu-se uma coorte prospectiva com 71 idosos com CCR submetidos a tratamento cirúrgico. A sarcopenia foi diagnosticada e comparada utilizando-se três critérios de avaliação de força muscular: força de preensão manual (FPM) pelo critério europeu (FPM/EWGSOP2), FPM pelos pontos de corte brasileiros (FPM/ELSI-Br) e o teste de sentar e levantar da cadeira de cinco repetições (TSLC). Resultados: A análise metabolômica identificou oito metabólitos diferencialmente expressos, significativamente subexpressos nos pacientes caquéticos. Quatro aminoácidos apresentaram acurácia diagnóstica isolada (AUC > 0,8): valina, fenilalanina, leucina e isoleucina. A combinação dos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs: leucina, isoleucina e valina) demonstrou forte potencial diagnóstico (AUC = 0,8294). A coorte exploratória confirmou a redução de isoleucina, leucina, valina e do pool total de BCAAs na saliva de pacientes caquéticos, correlacionando-se negativamente com o tamanho do tumor. Na comparação dos métodos de avaliação de força muscular, observou-se que a prevalência de sarcopenia variou significativamente conforme o critério adotado: 34% por FPM/EWGSOP2, 69% por TSLC e 75% por FPM/ELSI-Br. Independentemente do critério, a sarcopenia esteve associada a piores desfechos pós-operatórios, como maior tempo de internação hospitalar, maior taxa de readmissão em 30 dias e maior tempo em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O óbito em 90 dias, ocorrido em 12,7% da amostra, foi significativamente associado aos diagnósticos estabelecidos pelos critérios FPM/EWGSOP2 e TSLC. Conclusão: Nossos achados demonstram que os BCAAs salivares e a fenilalanina podem atuar como biomarcadores não invasivos promissores para detecção precoce da caquexia associada ao CCR. Paralelamente, embora a prevalência de sarcopenia seja sensível ao critério de força muscular escolhido, sua identificação por qualquer um dos métodos constitui um preditor robusto de pior prognóstico clínico.Item Maresina 2 protege a pele contra danos inflamatórios e oxidativos causados pela radiação UVB em camundongos sem pelo(2024-04-22) Rodrigues, Camilla Carolina Arriero; Casagrande, Rubia; Baracat, Marcela Maria; Bertozzi, Mariana Marques; Carvalho, Fabiana Testa Moura de; Franciosi, AneliseA pele é o maior órgão do corpo humano em termos de extensão e a primeira barreira do corpo aos fatores externos. Dentre estes, destaca-se a exposição à radiação UVB, que pode provocar aumento de radicais livres, inflamação da pele, podendo levar ao desenvolvimento de câncer e envelhecimento precoce. Neste contexto, os mediadores lipídicos encontrados endogenamente são de grande importância, pois possuem ação anti-inflamatória/pró-resolução. Entre os mediadores lipídicos, destaca-se o Maresina 2 (MaR2), um lipídeo pró-resolução derivado do ácido graxo ômega-3 endógeno, o ácido docosahexaenóico (DHA), que demonstrou eliminar radicais livres e inibir a inflamação. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a eficácia do MaR2 intraperitoneal (IP) ou incorporado em uma formulação tópica (FTcMaR2) contra danos cutâneos induzidos pela radiação UVB em camundongos. Para induzir dano cutâneo, camundongos pelados da linhagem HRS/J (CEUA número 148/2016, processo nº 11146.2016.97) foram expostos a uma dose aguda de irradiação UVB de 4,14 J/cm2, e amostras de pele dorsal foram coletadas para avaliação de a resposta inflamatória e o estresse oxidativo por meio de testes de edema cutâneo, atividade/secreção de metaloproteinase-9, capacidade antioxidante global (FRAP), níveis de antioxidantes endógenos glutationa reduzida (GSH) e catalase (CAT), produção de ânion superóxido e hidroperóxidos lipídicos e exame histopatológico avaliação com hematoxilina eosina (H&E), azul de toluidina e tricrômico de Masson. Assim, os animais foram submetidos a tratamentos com MaR2 nas doses de 1, 3 e 10 ng/animal. A dose de 10ng/animal mostrou-se mais eficaz nos parâmetros testados, a mesma dose foi inserida na formulação tópica. Os resultados in vivo mostraram que tanto o tratamento IP quanto o FTcMaR2 reduziram a inflamação da pele, reduzindo o edema cutâneo, a atividade da metaloproteinase-9 (MMP-9), a apoptose de queratinócitos, o espessamento epidérmico e o número de mastócitos. e a degradação das fibras de colágeno em comparação aos grupos controle. A mesma comparação foi realizada para determinar o efeito contra o estresse oxidativo induzido pela radiação UVB e constatou-se que tanto MaR2 IP quanto TFcMaR2 mantiveram os níveis de redução férrica (FRAP), atividade de GSH e CAT em níveis básicos, e também diminuíram a produção de LOOH e O2-Assim, os resultados sugerem que os tratamentos foram um poderoso aliado na prevenção/resolução da inflamação cutânea e na inibição do stress oxidativo induzido pela radiação UVBItem Atividade e mecanismos de mediadores lipídicos pró-resolução em modelos de artrite séptica induzida por Staphylococcus aureus e endometriose em camundongos(2024-03-26) Oliveira, Fernanda Soares Rasquel de; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Bertozzi, Mariana Marques; Artero, Nayara Anitelli; Santos, Telma Saraiva dos; Zaninelli, Tiago HenriqueA artrite séptica é uma doença caracterizada pela inflamação articular causada frequentemente pela bactéria gram-positiva Staphylococcus aureus. Após a colonização do líquido sinovial, há um intenso processo inflamatório que resulta na formação de edema, sensibilização neuronal e destruição do tecido articular. Já a endometriose é uma doença dependente de estrógeno, que cursa com dor abdominal debilitante, e afeta até 10% das mulheres em idade reprodutiva. O processo inflamatório exacerbado, alta inervação e angiogênese característicos das lesões endometrióticas são raízes para os principais sintomas. Para ambas as doenças, existe uma necessidade de alternativas terapêuticas eficazes com menos efeitos colaterais. Os mediadores lipídicos pró-resolução Maresina 1 (MaR1), Maresina 2 (MaR2) e Resolvina D2 (RvD2) são moléculas endógenas que contribuem para o controle da infecção e resolução da inflamação. Neste trabalho, avaliamos os efeitos da MaR1 e RvD2 em um modelo murino de artrite séptica, e da MaR2 em modelo de endometriose em camundongos. Para o modelo de artrite séptica, animais foram infectados com S. aureus (ATCC 6538) e tradados com MaR1 ou RvD2. O efeito do tratamento foi avaliado pela hiperalgesia mecânica, edema, desconforto articular, score clínico, destruição tecidual, migração leucocitária e controle da infecção. Em cultura celular, avaliamos a produção de citocinas e capacidade bactericida de macrófagos derivados da medula óssea (BMDM) infectados e tratados com MaR1 ou RvD2. Os resultados demonstram que os tratamentos com MaR1 ou RvD2 foram eficazes em reduzir a dor articular, edema, desconforto, destruição tecidual, e melhoraram o score clínico. Além disso, a migração de leucócitos e controle da proliferação bacteriana foram amenizados. O tratamento com MaR1 ou RvD2 aumentou a capacidade bactericida de macrófagos, reduzindo a produção de IL-1ß e TNF-a. Em conjunto, estes resultados demonstram que os mediadores pró-resolução MaR1 e RvD2 controlam a inflamação resultante da infecção por S. aureus, sem favorecer a proliferação bacteriana. Para avaliar o efeito do tratamento com MaR2 no modelo de endometriose, avaliamos a hiperalgesia mecânica, mudanças na preferência térmica (como indicativo de desconforto abdominal) e comportamentos de dor manifesta. Observamos também alterações de tamanho e características microscópicas das lesões endometrióticas, tipos celulares que compõe a lesão e a formação de fibrose. Foi feita análise da expressão de mRNA (bulk RNAseq), e níveis de citocinas pró-inflamatórias foram mensurados. O tratamento com MaR2 reduziu a hiperalgesia mecânica, dor espontânea, desconforto abdominal, tamanho das lesões e a área de fibrose. Células da cavidade peritoneal, microambiente das lesões, apresentaram expressão reduzida de mediadores inflamatórios após o tratamento com MaR2. O perfil de citocinas e quimiocinas na lesão, assim como a migração de leucócitos e a expressão de receptor de estrógeno a (ERa) foram atenuados no grupo tratado com MaR2. Diante dos resultados observados, podemos concluir que estes lipídios possuem potencial terapêutico no tratamento tanto de doenças infecciosas, como a artrite séptica, quanto em contextos estéreis como a endometrioseItem Lactobacillus casei cell wall extract (LCWE)-induced murine vasculitis: long-term evaluation of disease progression and potential benefits of treatment with specialized pro-resolving lipids(2024-03-20) Pereira, Ana Paula Lombardi; Verri Júnior, Waldiceu Aparecido; Rivas, Magali Noval; Crother, Timothy; Santos, Jéssica Cristina dos; Domiciano, Talita Perdigão; Cryens, Brecht; Hohmann, Miriam Sayuri Nagashima; Arditi, MosheA doença de Kawasaki (KD) é uma síndrome que causa vasculite sistêmica em crianças afetando principalmente as artérias coronárias resultando na formação de aneurismas. Apesar do tratamento com imunoglobulina ser eficiente em reduzir a incidência de aneurismas nas artérias coronárias (CAAs), uma parte dos pacientes não respondem ao tratamento e apresentam maiores riscos de desenvolver CAA. Estudos demonstram que crianças com histórico de KD também apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações cardiovasculares ao longo dos anos, porém, os mecanismos que contribuem para esses eventos tardios ainda não são inteiramente conhecidos. Sabe-se que a inflamação é um fator crucial no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A descoberta de uma nova classe de mediadores lipídicos pro-resolução (SPMs) produzidos de forma endógena, foram identificados como elementos cruciais na regulação da resposta inflamatória. Desta forma, os objetivos do presente trabalho foram investigar as alterações histopatológicas do modelo murino de vasculite induzida por LCWE e revisar o potencial papel cardioprotetor dos SPMs no contexto de doença cardiovasculares em estudos murinos disponíveis na literatura. Além disso, investigamos se o tratamento com SPMs poderia reduzir a inflamação no tecido cardíaco no modelo murino de vasculite induzido por LCWE. Os resultados demonstram que o modelo de vasculite induzido por LCWE induz inflamação severa e lesão cardiovascular com remodelamento e fibrose no tecido cardíaco ao longo do tempo replicando os achados observados em pacientes com KD. O tratamento com SPMs foi capaz de diminuir a inflamação nos vasos do coração no mesmo modelo murino de vasculite durante a fase aguda da doençaItem Impacto do isolamento social no nível de atividade física diária e na saúde de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) durante a pandemia de COVID-19(2024-03-22) Fontana, Andréa Daiane; Pitta, Fábio de Oliveira; Motta, Thaís Jordão Perez Sant’Anna; Reis, Luis Felipe da Fonseca; Florian, Juliessa; Mantoani, Leandro Cruz; Hermandes, Nidia AparecidaIntrodução: Mudanças no nível de atividade física da vida diária (AFDV) podem ter ocorrido em indivíduos com doença pulomonar obstrutiva crônica (DPOC) no período da pandemia de COVID-19 devido à necessidade de isolamento social. É possível hipotetizar que essas mudanças estão associadas com diferentes aspectos de saúde e socioeconômicos. Além disso, não se sabe se esses indivíduos melhoraram seu nível de AFVD após o fim do isolamento social. Objetivos: identificar aspectos associados com o comportamento sedentário e inatividade física em indivíduos com DPOC estável sem histórico autorrelatado ou sintomas de COVID-19 no pico da pandemia causada pelo Sars-Cov-2; investigar mudanças no nível de AFVD e na saúde durante e após o fim do isolamento social; e identificar aspectos associados à mudança no nível de AFVD. Métodos: indivíduos com DPOC sem história autorrelatada ou sintomas de COVID-19 foram submetidos no auge da pandemia de COVID-19 e imediatamente após o fim do isolamento social às seguintes avaliações: medidas antropométricas, nível de AFVD, dispneia, estado funcional, sintomas de ansiedade e depressão, qualidade de vida (QV) e sono. Também foram coletadas informações sobre sintomas respiratórios e exacerbações da DPOC, atividade profissional, reabilitação pulmonar prévia, mudança percebida na frequência de atividades físicas gerais e daquelas realizadas na residência, e percepção de segurança para caminhar durante o isolamento social. Resultados: Estudo 1: no período de isolamento social, indivíduos não- sedentários (i.e., < 8,5h/dia em atividades <1,5 MET) apresentaram melhor pontuação para capacidade funcional do que sedentários (65 [38-73] vs 33 [20-63] pontos; P=0,01) enquanto indivíduos fisicamente ativos (i.e, > 150 min/semana em atividades >3 MET) apresentaram melhor pontuação para função física e social do que os fisicamente inativos (100 [100-100] vs 50 [25-100] pontos; P=0,049 e 100 [100-100] vs 75 [69-100] pontos; P=0,022, respectivamente) (todos componentes de QV). Ter atividade profissional e trabalhar fora de casa associaram-se com comportamento não-sedentário (X2=5,93; P=0,025 e X2=7,03; P=0,009, respectivamente). Ter realizado reabilitação pulmonar previamente associou-se com menos insegurança (X2=5,30; P=0,027) e melhor percepção de piora dos sintomas respiratórios (X2=7,97; P=0,012). Estudo 2: Após o fim do isolamento social, o tempo gasto em comportamento sedentário diminuiu (-46 [-96 - -6] min/dia) e houve melhora na dificuldade autorrelatada para realizar atividade física, dispneia, estado funcional (autocuidado), distúrbios do sono e QV (atividades) (P<0,05 para todos). No entanto a eficiência do sono piorou (-9 [-12 - -6]%; P<0,05). Os indivíduos que reduziram seu tempo sedentário, comparados com os que não reduziram, tinham maior renda familiar, maior número de residentes no domicílio, melhor estado físico, emocional e social, e menos disfunção diurna relacionada a sonolência e ânimo durante o isolamento social (P<0,05 para todos). A redução no tempo sedentário foi moderadamente correlacionada com melhor estado funcional (atividades domésticas), QV (saúde geral), ansiedade e latência do sono (- 0,47 < r < 0,52; P<0,05 para todos) após o fim do isolamento social. Os indivíduos que não tiveram exacerbação da DPOC apresentaram mudança mais acentuada na quantidade de AFVD (P=0,017). Conclusões: no auge da pandemia de COVID-19, não-sedentarismo associou-se com capacidade funcional e atividade laboral; estilo de vida ativo com função física e social; e ter realizado reabilitação prévia com melhor reconhecimento de piora dos sintomas e menos insegurança. A redução no tempo sedentário e a melhora da AFVD após o fim do isolamento social se associaram com estado socioeconômico, estado funcional e mental, sono, QV e não ocorrência de exacerbaçãoItem Impacto de doenças inflamatórias crônicas na saúde reprodutiva e no desenvolvimento da prole de ratos Wistar: uma perspectiva de diabetes mellitus e periodontite(2024-01-22) Zeffa, Aline Campos; Salles, Maria José Sparça; Reiche, Edna Maria Vissoci; Moreira, Estefânia Gastaldello; Ramos, Solange de Paula; Seixas, Gabriela FleuryA periodontite e o diabetes mellitus são condições crônicas inflamatórias que afetam a saúde sistêmica e reprodutiva. Neste sentido, dois estudos experimentais independentes foram realizados, respectivamente, com os seguintes objetivos: (i) investigar as possíveis associações entre a doença periodontal, alterações nos órgãos sexuais masculinos, desempenho sexual e desenvolvimento intrauterino da prole; (ii) investigar os possíveis efeitos protetores do ß-Cariofileno em parâmetros fisiológicos, reprodutivos e ósseos em ratos Wistar com diabetes induzida experimentalmente com aloxana. No primeiro estudo, a periodontite foi induzida em ratos Wistar. Após 14 dias de indução da lesão periodontal, os ratos foram mantidos por mais 54 dias, correspondendo a um ciclo completo da espermatogênese. Após esse período, os ratos do grupo periodontite (GP, n = 12) e do grupo controle (GC, n = 12) foram colocados para acasalar com fêmeas saudáveis (GF, n = 48). O acasalamento foi mantido por um período de 10 dias, que corresponde a dois ciclos estrais da fêmea, e posteriormente os machos foram submetidos à eutanásia, laparotomia, coleta de sangue para dosagem de testosterona e remoção e análise dos órgãos reprodutores. Da mesma forma, após 20 dias de prenhez, as fêmeas foram submetidas a eutanásia, laparotomia e histerectomia para avaliar o desenvolvimento intrauterino e a presença de malformações congênitas na prole. No segundo estudo, foram utilizados ratos Wistar machos (n = 40), divididos em quatro grupos: o primeiro grupo foi o da indução do diabetes por aloxana (GD), o segundo foi o controle de tratamento que recebeu 200 mg/kg de ß-cariofileno (Gß-C), o terceiro foi o da indução do diabetes por aloxana que recebeu tratamento com 200 mg/kg de ß-cariofileno (GDTß-C) e o quarto grupo foi o grupo controle que recebeu água destilada (GC). Os machos foram mantidos separados das fêmeas por 54 dias, correspondentes a um ciclo completo da espermatogênese. Após o acasalamento, os machos foram submetidos à eutanásia, laparotomia, coleta de sangue para dosagem de testosterona e remoção e análise dos órgãos reprodutores. Após 20 dias de prenhez, as fêmeas foram submetidas à eutanásia, laparotomia e histerectomia para avaliar o desenvolvimento intrauterino e a presença de malformações congênitas na prole. Testes estatísticos incluíram ANOVA one-way, Kruskal-Wallis e o teste exato de Fisher, com um nível de significância de 5%. Como resultados no primeiro trabalho o GP apresentou redução no peso corporal, aumento no peso dos órgãos: coração e pulmões quando comparados ao GC. Em relação aos parâmetros reprodutivos, no grupo GP, foi observada diminuição na contagem das células de Sertoli (GC = 23,55 ± 2,41; GP = 15,57 ± 3,13, P < 0.0001) e Leydig (GC = 25,67 ± 3,50; GP = 19,72 ± 5,47, P = 0,02), além de uma considerável diminuição na dosagem de testosterona (GC = 681 ng/dL [422-1009]; GP = 112 ng/dL [48-200], P = 0,0002). No grupo GP, observaram-se alterações histológicas nos testículos como intrusão de células do epitélio germinativo para o lúmen, presença de vacúolo nos túbulos seminíferos e espaços intersticiais. Houve um aumento significativo das alterações morfológicas nas caudas dos espermatozoides (P < 0,0001). Os efeitos significativos da periodontite no desenvolvimento intrauterino incluíram redução no peso da placenta, do feto e do útero, aumento no número de reabsorções, além de alterações vasculares nos fetos (GP = 21%, P < 0,0001; n = 268). Quanto ao segundo trabalho os animais do grupo GD apresentaram notável perda de peso em comparação com os outros grupos. Além disso, houve evidências de danos morfológicos significativos nos tecidos reprodutivos, incluindo os testículos, epidídimos e a vesícula seminal. A análise histológica revelou uma redução acentuada no escore de Johnsen, bem como na quantidade de células de Sertoli e Leydig, sugerindo uma deterioração na função reprodutiva nesse grupo. Por outro lado, o grupo submetido ao tratamento com ß-cariofileno (GDTß-C) demonstrou efeitos protetores notáveis. Houve um ganho de peso significativo, melhora na performance reprodutiva e preservação da morfologia das células germinativas. Além disso, a densidade óssea foi aumentada no grupo GDTß-C. A análise histológica dos testículos revelou uma possível melhora nos parâmetros reprodutivos, indicada pelo aumento do escore de Johnsen e da preservação das células de Sertoli e Leydig no grupo GDTß-C. Da mesma forma, os espermatozoides no grupo GDTß-C exibiram progresso na direção do desenvolvimento morfológico normal em comparação com o grupo GD. A taxa de prenhez também aumentou para 69% no grupo GDTß-C, destacando os potenciais efeitos benéficos do ß-cariofileno na performance reprodutiva. Desta forma, podemos concluir que tanto a periodontite quanto o diabetes podem ter efeitos adversos na performance reprodutiva masculina e no desenvolvimento da prole. Contudo, o tratamento do diabetes com ß-cariofileno mostrou potencial terapêutico, protegendo contra os efeitos negativos dos vários parâmetros avaliadosItem Fotobiomodulação como terapia adjuvante para distúrbios olfativos em pós-COVID-19 e rinite alérgica: evidências de ensaios clínicos randomizados(2025-08-18) Oliveira, Patrícia Costa; Fornazieri, Marco Aurélio; Voegels, Richard Louis; Casella, Antonio Marcelo Barbante; Sestario, Camila Salvador; Garcia, Ellen Cristine DuarteA Terapia de Fotobiomodulação (TFBM) é uma abordagem não invasiva que utiliza fótons do espectro vermelho ao infravermelho para modular processos biológicos, apresentando propriedades anti-inflamatórias e regenerativas. Este estudo investigou a eficácia da TFBM como tratamento adjuvante para distúrbios olfativos em pacientes pós-COVID-19 e em indivíduos com Rinite Alérgica (RA). No primeiro estudo, foi realizado um ensaio clínico randomizado, controlado por placebo, que recrutou 81 pacientes com distúrbios olfativos após infecção por SARS-CoV-2 (1 a 12 meses). Os participantes foram alocados aleatoriamente em três grupos: controle, exposição à luz vermelha e exposição à luz infravermelha. A TFBM foi aplicada duas vezes por semana durante cinco semanas, associada ao uso de prednisolona (40 mg por cinco dias) e treinamento olfativo por 90 dias a partir do primeiro dia de aplicação do laser. Os desfechos avaliados incluíram os escores do Teste de Identificação de Cheiros da Universidade da Pensilvânia (UPSIT®) e escores subjetivos de quimiossensação, coletados antes da primeira sessão e três meses após. Os resultados mostraram que os pacientes submetidos à PBMT infravermelha apresentaram uma melhora significativa nos escores do UPSIT® (+4,6 pontos, IC 95%: 1,5 – 7,8, p=0,004) e uma tendência positiva nos escores subjetivos de olfato. As taxas de resposta foram de 26,1% (IC 95%: 6,7-45,5) no grupo controle, 43,5% (IC 95%: 21,6-65,4) no grupo vermelho e 68% (IC 95%: 48,3-87,7) no grupo infravermelho. Não foram relatados eventos adversos significativos. No segundo estudo, também um ensaio clínico randomizado e controlado por placebo, 62 pacientes com RA foram avaliados. Os participantes receberam PBMT duas vezes por semana, totalizando 8 sessões em um mês. O grupo controle consistiu em 29 pacientes que utilizaram um dispositivo não emissor de luz, enquanto 33 pacientes no grupo de terapia a laser foram tratados com um protocolo de 6 J de luz vermelha e infravermelha administrada de forma intranasal, além de 1 J de luz infravermelha aplicada externamente ao nariz. Avaliações objetivas, psicofísicas e subjetivas da obstrução nasal e da função olfativa foram realizadas antes e após o tratamento. Os resultados indicaram melhorias significativas em diversos parâmetros nasais e respiratórios, com o pico de fluxo nasal inspiratório (PFNI) mostrando melhora significativa (p < 0,001) e a Escala de Avaliação de Sintomas de Obstrução Nasal (NOSE) apresentando uma melhoria notável (p = 0,048). O Teste de Avaliação de Controle da Rinite (RCAT) também refletiu uma melhora significativa dos sintomas na última semana (p = 0,035), enquanto o UPSIT® não mostrou alteração significativa na função olfativa (p = 0,251). Os dados sugerem que a TFBM, especialmente no comprimento de onda infravermelho, é uma opção segura e eficaz no tratamento de distúrbios olfativos pós-COVID-19 quando combinada com corticosteroides sistêmicos por cinco dias e 90 dias de treinamento olfativo. Além disso, a TFBM se apresenta como uma alternativa terapêutica promissora para pacientes com RA, oferecendo uma opção viável para aqueles que não toleram medicamentos convencionaisItem Efeitos da periodontite na gestação, desenvolvimento fetal e pós-natal em filhotes de ratas Wistar(2024-01-22) Sestario, Camila Salvador; Salles, Maria José Sparça; Reiche, Edna Maria Vissoci; Nakazato, Gerson; Zortéa Júnior, Alberto João; Cerqueira, Kelly Regina MichelettiA periodontite é uma inflamação crônica em resposta ao acúmulo e não remoção da placa bacteriana que provoca a destruição dos tecidos periodontais de suporte e tem impactos sistêmicos. Na gestação, as flutuações hormonais aumentam os efeitos inflamatórios, tornando as gestantes mais suscetíveis à periodontite. Este estudo investigou os efeitos da periodontite no desenvolvimento intrauterino e embriofetal de ratas Wistar. No primeiro estudo, a periodontite foi induzida em 15 ratas no grupo doença periodontal induzida (DPI) por meio do uso de ligadura com fio de algodão nº 40 nos primeiros molares superiores. Após 14 dias, os grupos DPI e C (grupo controle, n=15) foram acasalados com machos saudáveis. Após 20 dias, as ratas foram submetidas a eutanásia, laparotomia e histerectomia para avaliar o desenvolvimento intrauterino, incluindo o número de reabsorções, perda pós-implantação, taxa de reabsorção e viabilidade fetal. Além disso, foram examinadas as malformações congênitas ósseas e viscerais na prole. No segundo estudo, ratas prenhes foram divididas em dois grupos, o grupo C e o grupo DPI (n=12). A periodontite foi induzida nos primeiros molares superiores 14 dias antes do acasalamento. O parto ocorreu ao 21º dia de gestação, e quatro filhotes de cada ninhada foram avaliados por 30 dias para verificar o desenvolvimento físico, motor, reflexivo e a erupção dos incisivos. As alterações nos primeiros molares e no tecido ósseo alveolar foram avaliadas em animais de 30 dias usando microtomografia e análise histopatológica. Os dados paramétricos foram analisados pelo teste t de Student e os não paramétricos pelo teste de Mann-Whitney, com um nível de significância de 5%. Os resultados do primeiro estudo revelaram um aumento do número de reabsorções (p=0,0003), perdas pós-implantação (p=0,0002) e redução da viabilidade fetal (p=0,0002) nos fetos do grupo DPI quando comparados aos do grupo C. Os fetos do grupo DPI apresentaram peso (p= < 0,0001) e tamanho (p= < 0,0001) inferiores ao grupo C. O grupo DPI apresentou hematomas (7,0%) e alteração de forma e/ou ausência nos ossos do esterno (12,6%) e ausência de costelas (11,6%). No segundo estudo, não houve diferenças no ganho de peso corporal materno (p>0,05), porém o grupo DPI apresentou menor número de filhotes vivos em relação a C (p=0,03). Os filhotes do grupo DPI apresentaram diminuição de peso (p<0,0001), comprimento (p<0,0001), atraso no crescimento de pelos (p= 0,01) e erupção dos dentes incisivos (0,001). Os filhotes do grupo DPI apresentaram atraso no endireitamento postural (p=0,01) na marcha adulta (p=0,01) e na geotaxia negativa (p=0,01). Não foram observadas anomalias de desenvolvimento nos primeiros molares superiores. No entanto, grupo DPI apresentou diminuição no número de trabéculas ósseas (p=0,02) e aumento na distância entre as trabéculas (p= 0,007). Não houve correlação entre o baixo peso e o atraso nos marcadores físicos e reflexológicos, indicando independência dessas variáveis. Sua relação parece estar associada à Doença Periodontal Induzida (DPI). Os resultados indicam que o surgimento da periodontite na gravidez está ligado a reduções na viabilidade fetal, baixo peso ao nascer, e o desenvolvimento de malformações ósseas e hemorragia perinatal. A periodontite gestacional pode ter impactos importantes na saúde dos filhotes, afetando seu desenvolvimento físico, habilidades motoras, erupção dentária, e a estrutura óssea maxilar.Item O critério de pouca ou nenhuma atividade física moderada vigorosa: prevalências globais, desigualdades de gênero e correlatos macroeconômicos e sociais entre adolescentes.(2025-02-21) Araujo, Raphael Henrique de Oliveira; Silva, Danilo Rodrigues Pereira da; Varela, Andrea Ramirez; Wendt, Andrea Tuchtenhagen; Silva, Diego Augusto Santos; Jesus, Gilmar Mercês deIntrodução: A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adolescentes pratiquem, em média, 60 minutos diários de atividade física moderada-vigorosa (AFMV). No entanto, benefícios à saúde podem ser obtidos mesmo com níveis de AFMV abaixo das recomendações. Apesar disso, estudos de vigilância têm focado quase que exclusivamente em critérios baseados nas recomendações da OMS, o que invisibiliza os grupos mais necessitados, bem como adia discussões sobre desigualdades que podem ter início no acesso à prática de atividade física. Objetivo: Investigar a prevalência global de atividade física entre adolescentes, possíveis desigualdades de gênero e associações com indicadores macroeconômicos e sociais. Métodos: Foram analisados 146 inquéritos nacionais (adolescentes de 11 a 19 anos). O critério de =60 minutos por dia de AFMV em menos do que um dia por semana foi utilizado para classificar os adolescentes com “pouca ou nenhuma AFMV”. Já a prática de =60 minutos por dia de AFMV durante sete dias por semana foi utilizada como critério para classificar aqueles que alcançavam as recomendações de atividade física da OMS. Informações sobre atividade física, gênero e idade foram autorrelatados, enquanto as informações macroeconômicas e sociais (IDH, GII e GINI) foram coletadas a partir de sites oficiais. A análise estatística incluiu frequências relativas e razões de prevalência (RP), com seus respectivos Intervalos de Confiança de 95% (IC95%). Modelos de meta-análise foram empregados para as estimativas harmonizadas. As relações dos indicadores macroeconômicos e sociais com a prevalência e as desigualdades em atividade física foram exploradas por meio do coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: A prevalência de alguma atividade física foi de ~80%, sendo mais elevada entre países da América do Norte e Europa & Ásia Central (94%) em relação às demais regiões (<77%). Desigualdades de gênero foram consistentes entre os países analisados. Maiores prevalências de atividade física (ambos os critérios) foram notadas entre países com melhores indicadores macroeconômicos e sociais. Enquanto maiores desigualdades de gênero em alguma AFMV foram notadas entre países com IDH, GII e GINI menos favoráveis, direções opostas foram notadas quando o cumprimento com as recomendações foram o desfecho. Conclusão: Dois a cada dez adolescentes não realizam ao menos 60 minutos de AFMV em nenhum dia na semana, sendo os cenários menos favoráveis observados em países do Sul Global. A desigualdade de gênero é um problema consistente, especialmente entre os adolescentes mais velhos. Enquanto as prevalências de atividade física tendem a ser mais elevadas entre países com melhores indicadores macroeconômicos e sociais, a relação entre esses indicadores e a prática de atividade física parece variar de acordo com o critério utilizado para classificação da atividade física.