Resiliência em enfermeiros docentes das universidades estaduais do Paraná
Data
2026-03-19
Autores
Lima, Maria Julia de
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Resumo
A resiliência no trabalho é compreendida como um fenômeno multidimensional e dinâmico, relacionado à capacidade de mobilizar recursos pessoais e contextuais para enfrentar adversidades, manter o equilíbrio psicossocial e sustentar o desempenho em ambientes ocupacionais exigentes. No ensino superior em Enfermagem, a intensificação do trabalho docente, a elevada carga administrativa e acadêmica, a responsabilização por resultados e as demandas emocionais inerentes ao cuidar e ensinar, podem repercutir na saúde mental. Apesar da relevância do tema, observa-se lacuna na literatura nacional quanto à mensuração de níveis de resiliência em enfermeiros docentes e sua associação com características sociodemográficas e laborais em universidades públicas estaduais. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar o nível de resiliência no trabalho de enfermeiros docentes dos cursos de graduação em Enfermagem das Universidades Estaduais do Paraná e associá-lo ao perfil sociodemográfico e ocupacional desses trabalhadores. Trata-se de estudo quantitativo, transversal, analítico e descritivo, realizado em todas as universidades estaduais do Paraná, com 109 enfermeiros docentes. A coleta de dados ocorreu de março a junho de 2025, mediante formulário eletrônico, sendo questionário sociodemográfico/ocupacional e a Escala de Resiliência no Trabalho (RAW Scale–Brasil), composta por 25 itens (0–6) distribuídos em sete domínios: Vivendo autenticamente, Encontrando sua vocação, Mantendo o equilíbrio, Administrando o estresse, Interagindo cooperativamente, Mantendo-se saudável e Construindo redes. Os escores por domínio foram obtidos pela soma dos itens e padronizados para 0–100, com classificação categórica em muito baixo, baixo, abaixo da média, médio, alto e muito alto; quanto maior o escore, maior a resiliência. A confiabilidade interna global foi estimada por alfa de Cronbach e ômega de McDonald. A normalidade foi verificada por Kolmogorov–Smirnov com correção de Lilliefors, e as comparações entre grupos utilizaram Mann–Whitney U (com tamanho de efeito r de Rosenthal). Para identificar fatores associados a maior resiliência, empregou-se regressão logística binária (OR; IC95%), adotando-se p<0,05. Os resultados do escore global evidenciaram distribuição percentual: muito baixo 2,8%; baixo 11,0%; abaixo da média 13,8%; médio 36,5%; alto 17,4%; muito alto 16,5%. Nos domínios, observou-se predomínio da categoria “médio”, com diferentes perfis de distribuição: Vivendo autenticamente (médio 38,5%; alto 24,8%; muito alto 14,7%), Encontrando sua vocação (médio 39,4%; muito alto 18,3%; alto 17,4%), Mantendo o equilíbrio (médio 33,9%; alto 20,2%; baixo 16,5%), Administrando o estresse (médio 42,2%; muito alto 18,3%), Interagindo cooperativamente (médio 45,0%; alto 16,5%), Mantendo-se saudável (médio 28,4%; muito alto 20,2%; abaixo da média 20,2%) e Construindo redes (médio 30,3%; alto 27,5%; baixo 21,1%). Na regressão logística, mostraram associação com maior resiliência: tempo de graduação =20 anos (OR=3,6; p=0,036), orientar mestrado (OR=6,6; p=0,011) e orientar doutorado (OR=5,4; p=0,025). Conclui-se que a resiliência entre enfermeiros docentes apresenta predominância de níveis médios a elevados, com heterogeneidade entre dimensões e associação com características acadêmico-profissionais
Descrição
Palavras-chave
Resiliência, Enfermeiro, Docentes, Saúde mental, Universidades, Docente de Enfermagem - resiliência, Trabalho docente - resiliência