Projetos em disputa na política de formação dos professores pedagogos no Brasil: múltiplas abordagens e enfoques para o curso de Pedagogia

Data

2026-03-02

Autores

Rufato, Gláucia Botan

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Resumo

Resumo: A pesquisa tem como objeto de estudo as redes políticas que tencionam e medeiam a elaboração das políticas de formação de professores, em especial, dos pedagogos no Brasil. A pesquisa foi desenvolvida na linha Perspectivas Filosóficas, Históricas, Políticas e Culturais da Educação e está vinculada ao Grupo de Pesquisa: Estado, Políticas Públicas e Gestão da Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Londrina. Tem como objetivo geral: compreender a construção das políticas de formação dos professores e pedagogos no Brasil, analisando os grupos que as influenciam e suas propostas, com destaque para os períodos de 2015 a 2024, a fim de identificar como as diferentes concepções de formação docente influenciam as diretrizes curriculares, os modelos pedagógicos e as práticas formativas adotadas. Os objetivos específicos são quatro: 1) analisar o contexto das políticas neoliberais e as redes políticas e suas implicações para a formação dos professores pedagogos; 2) descrever os antecedentes históricos do curso de Pedagogia no Brasil (1939-2006), a fim de compreender as propostas para o curso e para a formação do pedagogo durante seus primeiros anos de implantação; 3) apresentar e discutir como os grupos empresariais e financeiros interferem na elaboração das políticas educacionais para a formação dos pedagogos brasileiros; 4) realizar uma análise crítica sobre as propostas de formação de professores e pedagogos (2015-2024), a fim de compreender os diferentes projetos em disputa para a formação docente. As questões que compõem o problema da pesquisa são: ‘Qual o projeto de formação do pedagogo que está se delineando a partir dos últimos textos legais para as políticas de formação de professores? A que tipos de disputas concorrenciais/ou empresariais ele serve? Quem são os sujeitos que estão interferindo historicamente no conteúdo da formação de professores no Brasil?’. Adotamos como parte da investigação a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental, tendo como premissa a abordagem qualitativa. As análises são fundamentadas na concepção de redes políticas de Stephen Ball como instrumento conceitual e analítico para o desvelamento das relações de poder em torno das disputas econômicas no campo educacional, que se constitui em um método que nos permite analisar as relações das políticas educacionais de acordo como elas se dão atualmente, respeitando a complexidade da interação dos atores envolvidos na rede, sob diferentes formas de atuação em diferentes momentos. Do ponto de vista epistemológico, a análise também se ancora no referencial teórico de Antônio Gramsci, especialmente na compreensão das disputas hegemônicas que atravessam o campo educacional e a formulação das políticas públicas, a partir das categorias de hegemonia e Estado ampliado. A partir dos dados coletados, mapearam-se duas grandes redes políticas que participam e atuam na produção das políticas de formação de professores, as quais agregam um conjunto de agentes públicos e privados atuantes no processo: Rede Política Educacional e Rede Política Empresarial. Nossa hipótese é de que existem diferentes redes políticas em disputa que permeiam os . projetos de formação de professores, cujas determinações, contradições e tensionamentos se materializam nas políticas de formação dos pedagogos brasileiros. A tese defendida é de que, no contexto de crise do capital, as políticas de formação do pedagogo configuram-se como um campo de disputa entre distintos projetos de educação e de sociedade. De um lado, observa-se a consolidação de um projeto formativo orientado pela lógica da produtividade, voltado para o mercado, de educação conservadora, acrítica, aliada aos interesses de grupos sociais hegemônicos representados por grupos empresariais e financeiros, como o Movimento Todos pela Educação, o Movimento pela Base, que visam o desenvolvimento econômico do capitalismo e, para isso, esvaziam, cada vez mais, o conteúdo crítico, político e emancipador do currículo de formação docente. De outro lado, diferentes sujeitos coletivos e entidades acadêmico-científicas, como a Anfope, Anped, Forundir, Andes, Anpae, mobilizam-se em um movimento de resistência propositiva, disputando os rumos das políticas de formação de professores e defendendo um projeto de educação pública comprometido com a formação crítica, democrática e socialmente referenciada, orientado por princípios emancipatórios e progressistas

Descrição

Palavras-chave

Formação de pedagogos, Projetos em disputa, Redes políticas, Resolução CNE/CP nº 2/2015, Resolução CNE/CP nº 2/2019, Resolução CNE/CP nº 1/2020, Resolução CNE/CP n ° 4/2024

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