Adesão ao tratamento por pais de crianças autistas: uma perspectiva analítico-comportamental

Data

2025-09-22

Autores

Garcia, Rafaela Glaser

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Resumo

Resumo: A intervenção intensiva e precoce é reconhecida como essencial para o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Contudo, no contexto brasileiro, a escassez de profissionais qualificados e os elevados custos das terapias configuram barreiras significativas para a maioria das famílias. Diante desse cenário, a capacitação de pais e cuidadores como agentes interventores tem sido proposta como estratégia viável, ampliando o tempo de exposição das crianças às contingências terapêuticas e promovendo a autonomia familiar. No entanto, a efetividade dessa abordagem está condicionada à adesão dos pais às capacitações e à implementação do tratamento. Neste contexto, a presente pesquisa foi estruturada em dois estudos articulados. O Estudo 1 consistiu em uma revisão de escopo com o objetivo de identificar, sistematizar e analisar os procedimentos descritos na literatura científica para promover a adesão parental ao tratamento de crianças com TEA. Foram selecionados 10 artigos, publicados entre 2019 e 2023, nas bases EMBASE e PsycINFO, seguindo as diretrizes do protocolo PRISMA®. A análise qualitativa do conteúdo revelou uma carência de uniformidade conceitual quanto ao termo “adesão” e a ausência de procedimentos sistematizados para promovê-la ou avaliá-la. Apesar da recorrência do tema, observou-se uma lacuna quanto à sua consideração como um comportamento operante passível de ser desenvolvido, mantido ou fortalecido por contingências ambientais específicas. Com base nesses achados, o Estudo 2 objetiva derivar, a partir da Programação de Condições para Desenvolvimento de Comportamentos (PCDC), uma definição funcional e operante do comportamento de aderir dos pais ao tratamento analítico-comportamental de seus filhos com TEA. O estudo utilizou como fontes de dados os artigos analisados no Estudo 1. Para a derivação do comportamento de aderir dos pais, foi realizada a análise em seis etapa dos trechos dos artigos da revisão de escopo, com o objetivo de identificar e derivar os comportamentos relevantes com base na pergunta “o que pais de crianças com TEA precisam fazer para aderirem ao tratamento de seus filhos?”. Como resultado, foram identificadas 24 classes de comportamentos complexos para que haja a adesão de pais, relacionadas a diferentes dimensões da adesão, incluindo desde o comportamento direto dos pais com seus filhos, as dificuldades que os pais enfrentam no tratamento, o manejo do estresse dos pais, condições antecedentes que aumentam a possibilidade dos pais estarem disponíveis para o treinamento, e o comportamento de responder ao contato dos profissionais. Salienta-se que a Análise do Comportamento possui o conhecimento e a tecnologia para identificar a implementar contingências para o desenvolvimento e a manutenção da adesão dos pais à terapia de seus filhos, cabendo, portanto, ao analista do comportamento tomar para si a responsabilidade de incluir no escopo do seu trabalho também esta dimensão do trabalho com crianças e pais

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Palavras-chave

TEA, Adesão parental, ABA, PCDC, Capacitação de pais, Análise do comportamento aplicada, Transtorno do espectro autista, Pais de crianças autistas, Cooperação e adesão ao tratamento

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