A educação do corpo da mulher : um olhar processual para a formação de professoras no Brasil (1870-1970)

Data

2025-12-18

Autores

Cardozo, Mariana Montagnini

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Resumo

O acesso das mulheres ao curso de formação de professores no Brasil desenvolveu-se de forma gradual a partir da segunda metade do século XIX e do início do XX. Por meio da expansão da presença feminina nessas escolas de formação, que se tornaram um dos principais destinos daquelas que tinham a oportunidade de prosseguir os estudos, esses espaços configuraram-se, por um longo período, como figurações educativas predominantemente femininas e, como tal, desempenharam papel central na educação de mulheres. Considerando a relevância e a expressividade das escolas de formação de professores na história da educação feminina no Brasil, esta investigação buscou compreender como a educação do corpo da mulher está expressa e foi difundida pelos manuais educativos utilizados nos cursos de formação de professoras no período de 1870 a 1970. Por meio de uma análise temporalmente mais abrangente de suportes didáticos que englobam distintas áreas de conhecimento – tais como Maternidade e Puericultura, Educação Moral e Cívica, Etiqueta e Civilidade, Higiene e Biologia Educacional, Psicologia e Psicologia Educacional –, este estudo buscou identificar transformações na longa duração histórica no que tange à educação da mulher nas escolas de formação de professores. Para isso, utilizou-se como enfoque investigativo as alterações nas prescrições relacionadas aos padrões femininos de corporalidade e sensibilidade. Com centralidade na teoria de Norbert Elias, examinou-se como esse processo educativo abarcou a educação e a internalização de comportamentos, sentimentos, preferências, orientações e modos de conduta e costumes ligados às mudanças nos modelos aceitos e esperados de feminilidade produzidos e modificados no decurso histórico. A tese defende que os manuais educativos utilizados na história da formação de professoras no Brasil, foram responsáveis por disseminar perspectivas e prescrições específicas relacionadas à educação do corpo feminino, compondo um conjunto de códigos emocionais e comportamentais que foram produzidos, se consolidaram e foram transmitidos a essas mulheres em formação. Evidenciou-se como a naturalização de tais padrões de comportamento e emoções expressou uma complexa relação entre as condições sociogenéticas e psicogenéticas, bem como envolveu variações históricas e mudanças nos equilíbrios de poder entre os sexos no decorrer desse processo no Brasil. Ainda, observou-se perspectivas formativas divergentes e em tensão, nas quais discursos que valorizavam características atribuídas ao feminino, como submissão, abnegação, inferioridade intelectual, serenidade e um forte senso de responsabilidade doméstica, surgiram ao lado – e, por vezes, em conflito – do incentivo para que as mulheres se tornassem cada vez mais esclarecidas, preparadas e autocontroladas para desempenhar uma gama mais ampla de comportamentos e funções sociais do que aquelas prescritas pelos cânones tradicionais de feminilidade delineados inicialmente.

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Palavras-chave

Educação do Corpo, História da Formação de Professoras, Manuais Didáticos, Norbert Elias, Educação da Mulher, Professores - Formação, Mulheres - Educação

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