Pedagogia dos multiletramentos: ecos do diálogo entre teoria e prática no currículo paulista

Data

2026-02-25

Autores

Santos, Daiane Eloisa dos

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Resumo

O presente estudo estabelece como objetivo geral analisar o diálogo entre as bases teóricas da Pedagogia dos Multiletramentos (PdM) e sua didatização no Currículo Paulista (documentos prescritivos), nos materiais didáticos (como o Currículo em Ação e o MAPPA) e nas ações de formação continuada para professores de Língua Portuguesa. A hipótese sustenta que, embora o currículo oficial paulista valide a PdM em termos conceituais, ocorre uma falha na sua "pedagogização", resultando em materiais que não sistematizam adequadamente os movimentos didáticos propostos pelo Grupo de Nova Londres (1996). A ancoragem teórica fundamenta-se na Linguística Aplicada, nos estudos dos letramentos e multiletramentos de Kleiman (1995, 2007), Kleiman e Sito (2016), Rojo e Moura (2012), Rojo (2013), Rojo e Barbosa (2015, 2019), Ribeiro (2020), Pinheiro (2016, 2017), Kalantzis; Cope e Pinheiro (2020), Barbosa (2021), Tílio (2021), na teoria curricular de Sacristán (2017) e na Linguística Textual, pelo conceito de intertextualidade por copresença de Piègay-Gros (1996), divulgado por Cavalcante (2012). Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso etnográfico de natureza qualitativa (André, 2023), abrangendo a análise documental de currículos e materiais didáticos, além da geração de dados por meio de questionários aplicados aos docentes de língua portuguesa da Diretoria de Ensino de Piraju (Secretaria da Educação do estado de São Paulo), cujos resultados foram interpretados via Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), de forma articulada com a Linguística Textual. Os resultados apontam que a transposição didática da PdM nos materiais oficiais apresenta inconsistência entre teoria e prática, o que se comprova pelas atividades dos mediadores curriculares (materiais didáticos produzidos e distribuídos pela rede de ensino) que frequentemente privilegiam o texto verbal em detrimento da multimodalidade e não consideram intencionalmente e estrategicamente os quatro movimentos pedagógicos sugeridos pelo GNL (1996) – prática situada, instrução explícita, enquadramento crítico e prática transformada – como partes constitutivas do processo de design, o que escamoteia o trabalho com os multiletramentos, que têm raízes na perspectiva sociocultural e crítica dos Estudos do Letramento. O papel de designers atribuído a professores e alunos no currículo prescrito é silenciado no sistema curricular paulista, visto que o currículo apresentado aparenta privilegiar as habilidades e competências prescritas por um viés mais técnico, enquanto as análises do currículo moldado revelam que a compreensão desse papel pelos docentes está em processo gradual de construção

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Palavras-chave

Pedagogia dos Multiletramentos, Currículo Paulista, Formação Continuada, Língua Portuguesa, Intertextualidade, Multiletramentos, Língua portuguesa, Currículo paulista, Linguística aplicada, Linguística textual, Formação de professores, Multimodalidade, Prática pedagógica

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