Governança como prática: governança e participação cidadã em cidades inteligentes à luz da ontologia do lugar de Schatzki
Data
2025-11-06
Autores
Cezar, Natasha de Araujo
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Resumo
Esta dissertação investiga criticamente o fenômeno das cidades inteligentes, partindo da premissa de que, apesar de prometerem eficiência por meio da tecnologia, elas frequentemente reforçam estruturas tecnocráticas e marginalizam a participação cidadã. O estudo buscou compreender como as práticas sociais constroem a governança nesses contextos, tomando a cidade de Londrina/PR — classificada como inteligente em rankings nacionais — como estudo de caso. A pesquisa foi fundamentada na Teoria das Práticas Sociais de Theodore Schatzki, onde entende a vida social como um emaranhado de “práticas” (atividades organizadas) e “arranjos materiais” (tecnologias, infraestruturas). Esse arcabouço permitiu analisar a governança não como uma estrutura fixa, mas como um processo dinâmico e em constante construção. Para avaliar a participação do cidadão, se utilizou a “escada da participação cidadã” de Arnstein, na qual classifica os níveis de envolvimento, da mera simbologia até o controle efetivo. Metodologicamente, o trabalho adotou uma abordagem qualitativa, com coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas, análise documental e observação participante. A análise revelou um cenário de contradições. Embora Londrina possua uma estrutura formal de governança que articula poder público, setor privado e academia, os cidadãos são tratados principalmente como usuários finais e não como coprodutores ativos da cidade. A retórica da “cidade centrada no cidadão” não se materializa em práticas inclusivas. Portanto, a pesquisa conclui que a inteligência de uma cidade não é um atributo meramente técnico, porém uma qualidade relacional e política, constantemente negociada e contestada nas malhas de suas práticas e arranjos materiais. A principal contribuição do estudo foi articular de forma inovadora a ontologia de Schatzki com o campo crítico das cidades inteligentes, oferecendo uma lente analítica para desvendar a governança como um fenômeno em constante (re)configuração
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Palavras-chave
Schatzki, Governança, Participação cidadã, Cidades inteligentes, Práticas sociais, Tecnocracia, Planejamento urbano, Tecnologias digitais