01 - Doutorado - Ciências da Reabilitação
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Navegando 01 - Doutorado - Ciências da Reabilitação por Assunto "Atividade física"
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Item Comportamento sedentário em indivíduos com DPOC: pontos de corte preditores de mortalidade a longo prazo e perfil de pacientes respondedores a um programa de reabilitação voltado a reduzir o sedentarismo(2025-07-30) Martins, Laís Carolini Santin; Pitta, Fábio de Oliveira; Teixeira, Denilson de Castro; Ramos, Ercy Mara Cipulo; Mesquita, Rafael; Corso, Simone DalIntrodução: Apesar de haver diferentes pontos de corte para identificar sedentarismo em indivíduos com DPOC, não se sabe quais deles predizem de fato a mortalidade a longo prazo nessa população. Além disso, a redução do tempo sedentário (TS) é um alvo clínico importante para indivíduos com DPOC pois trata-se de um desfecho modificável com potencial benefícios; no entanto, não se conhece o perfil de pacientes que respondem positivamente a um programa de reabilitação pulmonar (RP) voltado especificamente para redução do comportamento sedentário. Portanto, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) identificar a utilidade e comparar três pontos de corte de comportamento sedentário (i.e., TS >8,5 horas/dia; >70% do tempo acordado gasto em comportamento sedentário; e <4300 passos/dia) como preditores de mortalidade por todas as causas em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC; e 2) identificar as características de pacientes que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP voltado especificamente à redução do TS. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. O primeiro investigou a associação dos três diferentes pontos de corte com a mortalidade em um follow-up de 12 anos em 92 indivíduos com DPOC estável. Já o segundo estudo incluiu 22 indivíduos que tiveram seu nível de sedentarismo e atividade física avaliado antes e após a realização de um programa multidimensional de RP especificamente focado na redução do TS, composto por três componentes principais: i) seções educativas com estratégias de mudança de comportamento; ii) uso de um dispositivo tecnológico portátil (“wearable”) que emitia um alerta vibrotátil e alertava o indivíduo a levantar-se e quebrar blocos de sedentarismo; e iii) treinamento físico de alta intensidade incluindo exercício aeróbico e fortaleciemento muscular. Para análise, os indivíduos foram classificados como respondedores ou não respondedores de acordo com a redução (ou não) do TS após o programa de RP. Resultados: No estudo 1, após a análise de curva ROC dos três pontos de corte, foram encontrados os seguintes valores: TS >8,5 horas/dia, área sob a curva (AUC) 0,632 (95% IC 0,510-0,754; P= 0,03), sensibilidade 41% e especificidade 71%; >70% de tempo acordado, AUC 0,602 (95%IC 0,478-0,727; P=0,10), sensibilidade e especifidade 29% e 81%, respectivamente; <4300 passos/dia, AUC 0,620 (95%IC 0,499-0,742; P=0,05), sensibilidade 58% e especificidade 65%. Porém quando comparados os valores de curva ROC, não foram encontradas diferenças significativas. Por outro lado, o ponto de corte TS >8,5 horas/dia foi um preditor independente de mortalidade (hazard ratio 1,23; 95%IC 1,021–1,589; P=0,02), ao contrário dos outros dois pontos de corte. No segundo estudo, quando os indivíduos foram classificados como respondedores (n=12) ou não-respondedores (n=10) com base na redução (ou não) do TS/dia pós-RP, a mudança pós-pré no TS/dia foi de -97±95min/dia e 86±82min/dia, respectivamente (P<0,001). Respondedores apresentavam maior TS/dia e menor tempo/dia em atividade física (AF) leve e número de passos/dia na avaliação pré-RP. A respeito das mudanças pós-pré RP, houve diferenças significativas entre respondedores e não-respondedores em tempo/dia em AF leve (26±46 vs -33±57 min/dia) e passos/dia (904 [537–2444] vs -615 [-3575–1288], respectivamente)(P=0,01 para ambos). Diminuição no TS/dia se correlacionou bem com aumento no tempo/dia em AF leve, tanto no grupo geral (r=-0,83) quanto nos respondedores (r=-0,66), mas não com o aumento no tempo/dia em AF moderada-a-vigorosa (AFMV)(r=-0,33 e -0,13, respectivamente). Regressão linear mostrou associação significativa entre mudanças no TS/dia e no tempo/dia em AF leve (R² ajustado=0,643; P<0,0001). Conclusões: Entre diferentes pontos de corte que indicam comportamento sedentário, TS >8,5 horas/dia foi o indicador independente mais forte do risco de mortalidade em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC, indicando um risco 23% maior em comparação com aqueles que apresentam TS <8,5 horas/dia. Além disso, indivíduos com DPOC que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP focado especificamente em reduzir o TS eram caracterizados por piores níveis basais de AF comparados aos não respondedores, enquanto a diminuição no TS/dia após o programa se associou fortemente ao aumento da AF leve, mas não da AFMVItem Inatividade física e tempo sedentário em indivíduos com insuficiência cardíaca: associação com doença renal crônica e com a mortalidade em 3 anos(2025-11-10) Dias, Karina Lourenço; Pitta, Fábio de Oliveira; Mendes, Renata Gonçalves; Mont’Alverne, Daniela Gardano Bucharles; Karsten, Marlus; Polito, Marcos Doederlein; Hernandes, Nidia AparecidaIntrodução: Os desfechos de inatividade física e tempo sedentário estão em crescente investigação na literatura, inclusive em indivíduos com insuficiência cardíaca (IC). A associação da IC com certas comorbidades, como a doença renal crônica (DRC), já vem sendo estudada; no entanto, a associação do nível de atividade física na vida diária (AFVD) e da capacidade funcional de exercício com a presença de DRC associada à IC ainda não foi estudada em profundidade. Do mesmo modo, a implementação de pontos de corte para tempo sedentário e/ou inatividade física para predição de mortalidade também carece de evidências na população com IC. Objetivos: Considerando essas lacunas científicas, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) Comparar a capacidade funcional de exercício e o nível de AFVD entre indivíduos com IC com e sem DRC associada; e estudar a correlação da disfunção renal com os desfechos de capacidade funcional de exercício e AFVD; e 2) Investigar a associação do perfil de inatividade e tempo sedentário com a mortalidade em um seguimento de 3 anos em indivíduos com IC; e identificar potenciais pontos de corte para variáveis que indiquem risco aumentado de mortalidade. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. No estudo 1, a capacidade funcional de exercício foi avaliada através do teste da caminhada de 6 minutos (TC6min), e o nível de AFVD foi avaliado objetivamente pelo uso de um monitor de atividade física (AF) durante sete dias consecutivos. A presença de DRC foi identificada por uma taxa de filtração glomerular (TFG) <60mL/min/1,73m2, e os indivíduos foram agrupados considerando a coexistência de IC e DRC (G_DRC) ou não (G_nãoDRC). Já o estudo 2, os pacientes também realizaram avaliação da AFVD durante sete dias consecutivos utilizando um monitor de AF, e o estado vital foi determinado 3 anos após essa avaliação inicial. Demais desfechos avaliados incluíram variáveis antropométricas, classe funcional da IC e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), entre outros. Resultados: No estudo 1, foram avaliados 69 pacientes; o G_DRC (n=19) apresentou maior idade e pior TC6min do que o G_nãoDRC (n=50) (68±8anos vs 60±8anos, p=0,001; 389±99m vs 474±77m, p<0,001, respectivamente), além de um pior perfil de AFVD. A TFG se correlacionou moderadamente com idade (r= -0,53) e TC6min (r= 0,41), e fracamente com a o tempo/dia em atividades moderadas-a-vigorosas (AFMV) (r= 0,28) (p<0,05 para todas). Em regressão linear simples, a TFG se associou significativamente com TC6min (R² 0,15; p=0,001) e AFMV (R² 0,08; p=0,009). Em regressão múltipla, observou-se que 27% da variação na TFG foi explicada pela combinação de idade e TC6min, sem contribuição significativa da AFMV. No estudo 2, foram avaliados 57 indivíduos (54% homens, 64±10 anos, FEVE 49±26%). Onze indivíduos (19%) foram a óbito no período de 3 anos. Não-sobreviventes tinham maior tempo sedentário/dia (TS/dia)(p<0,05), sem diferença significativa nas outras variáveis de AFVD como tempo gasto/dia em AFMV e passos/dia. A área sob a curva ROC do ponto de corte de TS/dia>8,5 horas foi de 0,782 (p=0,004)(sensibilidade 82%; especificidade 60%). O teste de Qui-quadrado mostrou maior proporção de não-sobreviventes entre indivíduos com TS/dia acima desse ponto de corte. O TS/dia>8,5 horas foi um preditor independente de mortalidade no modelo regressão de Cox após o ajuste para a FEVE (hazard ratio 1,76 [IC 95% 1,101–2,815]; P =0,01). A análise de Kaplan-Meier mostrou grande diferença visual entre sobreviventes e não-sobreviventes em relação ao ponto de corte de TS/dia>8,5 horas (log rank=0,062). Conclusões: Indivíduos com IC + DRC apresentam pior TC6min e pior nível de AFVD do que os sem DRC. A redução na TFG é melhor associada à redução na capacidade funcional de exercício do que à inatividade física. Indivíduos com a combinação IC + DRC devem ser alvos prioritários de intervenções que visam o ganho de capacidade funcional de exercício. Além disso, diferentemente do tempo/dia em AFMV e passos/dia, o tempo sedentário/dia >8,5 horas se mostrou um preditor independente de mortalidade nessa amostra de indivíduos com IC. Uma hora adicional em tempo sedentário/dia além desse ponto de corte aumentou em 76% o risco de óbito nesses indivíduos