Inatividade física e tempo sedentário em indivíduos com insuficiência cardíaca: associação com doença renal crônica e com a mortalidade em 3 anos
Data
2025-11-10
Autores
Dias, Karina Lourenço
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Resumo
Introdução: Os desfechos de inatividade física e tempo sedentário estão em crescente investigação na literatura, inclusive em indivíduos com insuficiência cardíaca (IC). A associação da IC com certas comorbidades, como a doença renal crônica (DRC), já vem sendo estudada; no entanto, a associação do nível de atividade física na vida diária (AFVD) e da capacidade funcional de exercício com a presença de DRC associada à IC ainda não foi estudada em profundidade. Do mesmo modo, a implementação de pontos de corte para tempo sedentário e/ou inatividade física para predição de mortalidade também carece de evidências na população com IC. Objetivos: Considerando essas lacunas científicas, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) Comparar a capacidade funcional de exercício e o nível de AFVD entre indivíduos com IC com e sem DRC associada; e estudar a correlação da disfunção renal com os desfechos de capacidade funcional de exercício e AFVD; e 2) Investigar a associação do perfil de inatividade e tempo sedentário com a mortalidade em um seguimento de 3 anos em indivíduos com IC; e identificar potenciais pontos de corte para variáveis que indiquem risco aumentado de mortalidade. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. No estudo 1, a capacidade funcional de exercício foi avaliada através do teste da caminhada de 6 minutos (TC6min), e o nível de AFVD foi avaliado objetivamente pelo uso de um monitor de atividade física (AF) durante sete dias consecutivos. A presença de DRC foi identificada por uma taxa de filtração glomerular (TFG) <60mL/min/1,73m2, e os indivíduos foram agrupados considerando a coexistência de IC e DRC (G_DRC) ou não (G_nãoDRC). Já o estudo 2, os pacientes também realizaram avaliação da AFVD durante sete dias consecutivos utilizando um monitor de AF, e o estado vital foi determinado 3 anos após essa avaliação inicial. Demais desfechos avaliados incluíram variáveis antropométricas, classe funcional da IC e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), entre outros. Resultados: No estudo 1, foram avaliados 69 pacientes; o G_DRC (n=19) apresentou maior idade e pior TC6min do que o G_nãoDRC (n=50) (68±8anos vs 60±8anos, p=0,001; 389±99m vs 474±77m, p<0,001, respectivamente), além de um pior perfil de AFVD. A TFG se correlacionou moderadamente com idade (r= -0,53) e TC6min (r= 0,41), e fracamente com a o tempo/dia em atividades moderadas-a-vigorosas (AFMV) (r= 0,28) (p<0,05 para todas). Em regressão linear simples, a TFG se associou significativamente com TC6min (R² 0,15; p=0,001) e AFMV (R² 0,08; p=0,009). Em regressão múltipla, observou-se que 27% da variação na TFG foi explicada pela combinação de idade e TC6min, sem contribuição significativa da AFMV. No estudo 2, foram avaliados 57 indivíduos (54% homens, 64±10 anos, FEVE 49±26%). Onze indivíduos (19%) foram a óbito no período de 3 anos. Não-sobreviventes tinham maior tempo sedentário/dia (TS/dia)(p<0,05), sem diferença significativa nas outras variáveis de AFVD como tempo gasto/dia em AFMV e passos/dia. A área sob a curva ROC do ponto de corte de TS/dia>8,5 horas foi de 0,782 (p=0,004)(sensibilidade 82%; especificidade 60%). O teste de Qui-quadrado mostrou maior proporção de não-sobreviventes entre indivíduos com TS/dia acima desse ponto de corte. O TS/dia>8,5 horas foi um preditor independente de mortalidade no modelo regressão de Cox após o ajuste para a FEVE (hazard ratio 1,76 [IC 95% 1,101–2,815]; P =0,01). A análise de Kaplan-Meier mostrou grande diferença visual entre sobreviventes e não-sobreviventes em relação ao ponto de corte de TS/dia>8,5 horas (log rank=0,062). Conclusões: Indivíduos com IC + DRC apresentam pior TC6min e pior nível de AFVD do que os sem DRC. A redução na TFG é melhor associada à redução na capacidade funcional de exercício do que à inatividade física. Indivíduos com a combinação IC + DRC devem ser alvos prioritários de intervenções que visam o ganho de capacidade funcional de exercício. Além disso, diferentemente do tempo/dia em AFMV e passos/dia, o tempo sedentário/dia >8,5 horas se mostrou um preditor independente de mortalidade nessa amostra de indivíduos com IC. Uma hora adicional em tempo sedentário/dia além desse ponto de corte aumentou em 76% o risco de óbito nesses indivíduos
Descrição
Palavras-chave
Insuficiência cardíaca, Atividade motora, Comorbidade, Comportamento sedentário, Mortalidade, Sedentarismo, Doença renal crônica, Atividade física