01 - Doutorado - Ciências da Reabilitação

URI Permanente para esta coleção

Navegar

Submissões Recentes

Agora exibindo 1 - 20 de 37
  • Item
    Análise cinemática dos membros inferiores e pelve de mulheres com síndrome da dor no grande trocânter em testes de step e marcha
    (2026-02-27) Cunha, Amanda Paula Ricardo Rodrigues da; Macedo, Christiane de Souza Guerino; Aguiar, Andreo Fernando; Oliveira, Márcio Rogério de; Saccol, Michele Forgiarini; Okazaki, Victor Hugo Alves; Moura, Felipe Arruda
    Resumo: Introdução: A Síndrome da Dor no Grande Trocânter (SDGT) é causa comum de dor lateral no quadril em mulheres de meia-idade ativas, e está associada às alterações biomecânicas angulares na pelve e quadril. Porém, não existem relatos sobre alterações cinemáticas de todo o membro inferior na realização de testes funcionais e na marcha. Objetivo: Investigar possíveis diferenças angulares da pelve, quadril, joelho e tornozelo em tarefas funcionais como descida de degrau e marcha em mulheres com e sem SDGT. Materiais e Métodos: A presente tese está dividida em dois estudos. No estudo 1 foram avaliadas 32 mulheres distribuídas em grupo SDGT (n=16) e grupo controle (n=16), e o estudo 2 foi composto por 24 mulheres distribuídas em grupo SDGT (n=12) e grupo controle (n=12). Todas as participantes preencheram o questionário de caracterização da amostra, a escala numérica de dor e o VISA Tendinopathy Questionnaire for Greater Trochanteric Pain Syndrome (VISA-G). Posteriormente, foram submetidas à análise cinemática do membro inferior durante os testes Lateral e Forward Step-Down (estudo 1) e durante a marcha (estudo 2). A captura de movimento foi realizada com um sistema OptiTrack® de oito câmeras (120 Hz), e marcadores retrorrefletivos foram posicionados em pontos de referência e grupos anatômicos. Os dados angulares da pelve, quadril, joelho e tornozelo foram calculados usando Visual3D e MATLAB. As comparações entre os grupos foram realizadas usando o teste de Mann-Whitney, e a análise temporal dos ângulos articulares por Statistical Parametric Mapping (SPM). Resultados: O estudo 1 apontou que durante os testes Lateral e Forward Step Down não houve diferenças significativas nos valores mínimo e máximo para variáveis angulares nas articulações da pelve, quadril, joelho e tornozelo entre os grupos (P > 0,05). No entanto, a análise por SPM revelou diferenças no desempenho entre os grupos, com maior flexão do quadril (63–87%; P < 0,01), rotação interna (45–55%; P < 0,01), aumento da flexão do joelho (80–100%; P < 0,01) e redução da dorsiflexão do tornozelo (23–100%; P < 0,01) no grupo GTPS. Durante o FSD, mulheres com GTPS apresentaram redução da inclinação pélvica anterior (0–100%; P < 0,01), maior rotação interna do quadril (58–95%; P < 0,01) e menor dorsiflexão do tornozelo (22–100%; P < 0,01). No estudo 2 a análise por SPM durante a marcha demonstrou que mulheres com SDGT apresentaram maior queda pélvica entre 1–12% e 81–100% do ciclo da marcha, e maior rotação interna do quadril entre 86–98%. Diferenças no joelho foram observadas, com maior flexão entre 72–89%, maior varo entre 14–67% e 85–100%, e maior rotação externa entre 42–54% e 87–99%. Conclusão: Mulheres com SDGT apresentaram alterações cinemáticas na pelve, quadril, joelho e tornozelo durante os testes em step. Também apresentaram alterações cinemáticas na pelve, quadril e joelho durante a marcha, sugerindo estratégias compensatórias
  • Item
    Influência da duração da ventilação mecânica e das estratégias ventilatórias no desenvolvimento da displasia broncopulmonar em prematuros extremos
    (2026-04-14) Escobar, Victoria Cristina; Probst, Vanessa Suziane; Azevedo, Vivian Mara Gonçalves de Oliveira; Proença, Mahara-Daian Garcia Lemes; Motta, Thais Jordão Perez Sant'Anna; Pereira, Silvana Alves
    Introdução: A displasia broncopulmonar (DBP) é uma importante complicação em recém-nascidos com idade gestacional inferior a 28 semanas. Apesar de sua fisiopatologia multifatorial, a exposição à ventilação mecânica invasiva constitui um dos principais determinantes da lesão pulmonar nessa população, especialmente considerando a vulnerabilidade do pulmão imaturo nas fases iniciais do desenvolvimento. Esta tese teve como objetivo analisar a associação entre estratégias ventilatórias e o desenvolvimento de DBP em prematuros extremos, com ênfase no impacto do tempo cumulativo de ventilação mecânica invasiva na gravidade da doença. Métodos: Foram realizados dois estudos complementares. Inicialmente, uma revisão narrativa da literatura foi conduzida com busca na base PubMed/MEDLINE entre janeiro de 2016 e janeiro de 2026, incluindo estudos originais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas que abordassem modalidades ventilatórias e desfechos respiratórios em recém-nascidos prematuros extremos. Em seguida, foi desenvolvido um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico, com dados clínicos prospectivamente inseridos no banco da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, envolvendo 17 centros. Foram inclusos 1075 recém-nascidos com idade gestacional =28 semanas, com diagnóstico de DBP e exposição à ventilação mecânica invasiva, que sobreviveram por mais de 28 dias. A curva Receiver Operating Characteristic (ROC) foi utilizada para identificar o ponto de corte do tempo em ventilação mecânica associado à DBP moderada/grave, seguida de regressão logística multivariada e validação interna. Resultados: A revisão narrativa demonstrou que estratégias ventilatórias protetoras voltadas à redução da exposição à ventilação mecânica invasiva são fundamentais para menores taxas de DBP. A ventilação não invasiva precoce, especialmente a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), reduz a necessidade de intubação e o tempo de ventilação invasiva, enquanto modalidades invasivas isoladas não demonstram benefício consistente na redução da incidência da doença. A ventilação com volume alvo reduz volutrauma, mas seu impacto sobre a DBP depende da exposição cumulativa ao longo do tempo. Outras modalidades avançadas, como a ventilação de alta frequência e assistência ventilatória ajustada neuralmente (NAVA) apresentam benefícios fisiológicos, mas carecem de evidência robusta quanto à redução da incidência da doença. No estudo multicêntrico, o ponto de corte de 33 dias ou mais de ventilação mecânica invasiva apresentou sensibilidade de 62%, especificidade de 86% e área sob a curva de 0,82 para discriminar DBP moderada/grave. A ventilação mecânica por =33 dias associou-se de forma independente à DBP moderada/grave (Odds Ratio [OR] 9,34; Intervalo de confiança [IC] 95% 6,35–13,75). A hipertensão pulmonar associou-se positivamente à gravidade (OR 2,33; IC 95% 1,31-4,15), enquanto maior peso ao nascimento (OR 0,997; IC 95% 0,996-0,998) apresentou efeito protetor. Na amostra de validação, 84,5% dos pacientes com DBP moderada/grave foram expostos à ventilação mecânica por =33 dias. Conclusão: A duração cumulativa da ventilação mecânica invasiva constitui marcador temporal independente e clinicamente relevante para identificação de prematuros extremos com maior risco de DBP moderada/grave. Os achados reforçam que a redução da incidência da DBP depende menos da escolha isolada de uma modalidade ventilatória e mais da adoção de estratégias precoces e integradas que minimizem a exposição prolongada ao suporte invasivo no pulmão imaturo.
  • Item
    Questionário de avaliação da qualidade de vida na gestação (QAQVG): construção e validação das propriedades psicométricas
    (2026-05-05) Mattos, Roberta Romaniolo de; Felcar, Josiane Marques; Sunemi, Mariana Maia de Oliveira; Pinto, Keli Regiane Tomeleri da Fonseca; Pereira, Gláucia Miranda Varella; Bernardy, Catia Campaner Ferrari
    Introdução: A avaliação da qualidade de vida (QV) no período gestacional é um componente essencial para a assistência pré-natal integral e humanizada. No entanto, na prática clínica, é observada uma carência de instrumentos específicos que captem as complexas nuances biopsicossociais e as alterações fisiológicas típicas do ciclo gravídico, levando os profissionais a recorrerem ao uso de ferramentas genéricas. Objetivo: Desenvolver e validar o Questionário de Avaliação da Qualidade de Vida em Gestantes (QAQVG). Método: Estudo metodológico conduzido em três fases complementares. A Fase 1 consistiu no desenvolvimento do questionário fundamentado por uma Revisão Sistemática da literatura, que buscou identificar os instrumentos mais utilizados, evidenciando lacunas que subdisiaram a construção dos domínios do QAQVG. A Fase 2 compreendeu a validação de conteúdo por um comitê de sete juízes especialistas, utilizando o Índice de Validade de Conteúdo (CVI) e o Coeficiente Kappa Modificado (??*). A Fase 3 consistiu em um estudo piloto com 46 gestantes (idade gestacional 29,5 ±5,2 anos), brancas (73,9%), renda familiar de 3 a 5 salários mínimos (45,7%), primigestas (56,5%), abrangendo diferentes trimestres gestacionais (mediana de 29,5 semanas, amplitude de 16 a 39 semanas), para análise da clareza, tempo de preenchimento e aplicabilidade. Para a fidedignidade, realizou-se o teste-reteste (n=20) com intervalo de 14 dias, utilizando o Alfa de Cronbach para consistência interna e o Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) para estabilidade temporal. A significância estatística foi estabelecida em 5%. Resultados: Na revisão sistemática foram incluidos 63 artigos, que demonstraram a predominância no uso de instrumentos genéricos na avaliação da QV na gestanção e a necessidade de métricas específicas. Foi elaborado questionário abordando os domínios psicológicos, social, físico, meio ambiente e financeiro/estresse, dividido em 3 blocos, cada qual contendo 23 questões. Na validação de conteúdo, o QAQVG obteve um Scale-Content Validity Index / Average Method (SCVI/ Ave) global de 0,99 e valores de Kappa entre 0,96 e 1,00, indicando concordância de excelência entre os especialistas. No estudo piloto, o instrumento demonstrou elevada aplicabilidade: 100% das participantes classificaram a compreensão como fácil ou muito fácil, com tempo médio de preenchimento entre 10 e 15 minutos. O perfil da amostra revelou predominância de mulheres casadas (89,1%), não tabagistas (100%) e com forte rede de apoio social (97,8%). As análises psicométricas revelaram consistência interna de excelência (Alfa de Cronbach = 0,924) e uma estabilidade temporal robusta (CCI = 0,848; IC 95%: 0,745 - 0,928; P<0,001). O domínio "Saúde e Sinais Físicos" apresentou maior variabilidade (4,1 ±0,9), sugerindo sensibilidade às flutuações fisiológicas da gestação. Conclusão: O QAQVG apresenta evidências sólidas de validade de conteúdo, fidedignidade e viabilidade clínica. Os resultados sugerem que o questionário possui potencial para transpor as limitações de ferramentas genéricas, permitindo identificação mais sensível de alterações na QV. Embora estudos com amostras mais robustas sejam recomendados para generalização, o QAQVG apresenta-se como uma ferramenta promissora para a qualificação da assistência prénatal e fundamentação de propostas terapêuticas assertivas.
  • Item
    Avaliação objetiva para classificação de caidores, confiabilidade e comparação do controle postural de tronco de indivíduos com e sem doença de Parkinson
    (2024-02-16) Araújo, Hayslenne Andressa Gonçalves de Oliveira; Santos, Suhaila Mahmoud Smaili; Fujisawa, Dirce Shizuko; Silva, Diego Orcioli da; Lopes, Edson Lavado; Moraes, Renato
    Introdução: A instabilidade postural e as alterações da marcha estão entre os principais sintomas da doença de Parkinson (DP), com repercussões motoras importantes, que impactam a capacidade funcional e autonomia dos indivíduos. É essencial que instrumentos acurados e específicos sejam desenvolvidos, confiáveis para oferecer a melhor avaliação possível e para guiar o manejo mais eficiente e com melhores resultados para essa população. Objetivos: Analisar o uso de tecnologias (sensores inerciais vestíveis e Wobble Chair) na avaliação funcional do controle postural e marcha de indivíduos com DP. Métodos: foram desenvolvidos três estudos com indivíduos com DP, um deles com comparação com controles saudáveis. No primeiro, foram utilizados sensores inerciais vestíveis e medidas clínicas para a classificação de caidores e não caidores entre uma amostra de 127 indivíduos com DP, submetidos a testes de marcha com e sem dupla tarefa cognitiva. As análises de ponto de corte para cada medida utilizada, bem como a combinação entre as medidas, foram realizadas por meio da área sob a curva receiver operating characteristic (ROC). No segundo estudo, foi analisada a confiabilidade do uso da Wobble Chair na avaliação do controle postural de tronco de 44 indivíduos com DP nas posições olhos abertos (OA), olhos fechados (OF) e sem apoio para os pés (SA), por meio de teste e reteste realizado com sete dias de intervalo, em duas tentativas de 30s cada entre elas. Foram extraídos os dados de área de centro de pressão (COP), amplitude e velocidade anteroposterior (AP) e mediolateral (ML) de cada posição. O terceiro estudo seguiu metodologia semelhante ao segundo, sem a realização do reteste e com adição de grupo controle saudável (n=45) pareado em idade e sexo ao grupo intervenção. Também foi adicionada a posição dupla tarefa (DT), realizada por meio do Stroop test. Resultados: no primeiro estudo, verificamos que a combinação de medidas clínicas (escala de eficácia de quedas e de congelamento da marcha) e medidas objetivas (ângulo da dorsiflexão e da rotação de tronco) é a melhor estratégia para classificação de caidores. No segundo estudo, observamos que a Wobble chair é confiável para a avaliação do controle postural de tronco na DP, especialmente se considerando o parâmetro velocidade e as posições OA e SA. Por fim, o terceiro estudo demonstrou comportamento de tronco semelhante entre pessoas com e sem DP, com diferença entre os grupos apenas quando retirado o apoio para os pés, e que ambos apresentaram mais dificuldade na realização de tarefas mais desafiadoras (DT e OF). Conclusão: Avaliações que combinam medidas clínicas e objetivas são essenciais para detectar anormalidades de marcha e controle postural de tronco na DP. Em especial, instrumentos objetivos confiáveis aumentam a acurácia diagnóstica e ajudam a guiar o tratamento, pois elucidam o comportamento destes desfechos desta população.
  • Item
    Comportamento sedentário em indivíduos com DPOC: pontos de corte preditores de mortalidade a longo prazo e perfil de pacientes respondedores a um programa de reabilitação voltado a reduzir o sedentarismo
    (2025-07-30) Martins, Laís Carolini Santin; Pitta, Fábio de Oliveira; Teixeira, Denilson de Castro; Ramos, Ercy Mara Cipulo; Mesquita, Rafael; Corso, Simone Dal
    Introdução: Apesar de haver diferentes pontos de corte para identificar sedentarismo em indivíduos com DPOC, não se sabe quais deles predizem de fato a mortalidade a longo prazo nessa população. Além disso, a redução do tempo sedentário (TS) é um alvo clínico importante para indivíduos com DPOC pois trata-se de um desfecho modificável com potencial benefícios; no entanto, não se conhece o perfil de pacientes que respondem positivamente a um programa de reabilitação pulmonar (RP) voltado especificamente para redução do comportamento sedentário. Portanto, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) identificar a utilidade e comparar três pontos de corte de comportamento sedentário (i.e., TS >8,5 horas/dia; >70% do tempo acordado gasto em comportamento sedentário; e <4300 passos/dia) como preditores de mortalidade por todas as causas em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC; e 2) identificar as características de pacientes que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP voltado especificamente à redução do TS. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. O primeiro investigou a associação dos três diferentes pontos de corte com a mortalidade em um follow-up de 12 anos em 92 indivíduos com DPOC estável. Já o segundo estudo incluiu 22 indivíduos que tiveram seu nível de sedentarismo e atividade física avaliado antes e após a realização de um programa multidimensional de RP especificamente focado na redução do TS, composto por três componentes principais: i) seções educativas com estratégias de mudança de comportamento; ii) uso de um dispositivo tecnológico portátil (“wearable”) que emitia um alerta vibrotátil e alertava o indivíduo a levantar-se e quebrar blocos de sedentarismo; e iii) treinamento físico de alta intensidade incluindo exercício aeróbico e fortaleciemento muscular. Para análise, os indivíduos foram classificados como respondedores ou não respondedores de acordo com a redução (ou não) do TS após o programa de RP. Resultados: No estudo 1, após a análise de curva ROC dos três pontos de corte, foram encontrados os seguintes valores: TS >8,5 horas/dia, área sob a curva (AUC) 0,632 (95% IC 0,510-0,754; P= 0,03), sensibilidade 41% e especificidade 71%; >70% de tempo acordado, AUC 0,602 (95%IC 0,478-0,727; P=0,10), sensibilidade e especifidade 29% e 81%, respectivamente; <4300 passos/dia, AUC 0,620 (95%IC 0,499-0,742; P=0,05), sensibilidade 58% e especificidade 65%. Porém quando comparados os valores de curva ROC, não foram encontradas diferenças significativas. Por outro lado, o ponto de corte TS >8,5 horas/dia foi um preditor independente de mortalidade (hazard ratio 1,23; 95%IC 1,021–1,589; P=0,02), ao contrário dos outros dois pontos de corte. No segundo estudo, quando os indivíduos foram classificados como respondedores (n=12) ou não-respondedores (n=10) com base na redução (ou não) do TS/dia pós-RP, a mudança pós-pré no TS/dia foi de -97±95min/dia e 86±82min/dia, respectivamente (P<0,001). Respondedores apresentavam maior TS/dia e menor tempo/dia em atividade física (AF) leve e número de passos/dia na avaliação pré-RP. A respeito das mudanças pós-pré RP, houve diferenças significativas entre respondedores e não-respondedores em tempo/dia em AF leve (26±46 vs -33±57 min/dia) e passos/dia (904 [537–2444] vs -615 [-3575–1288], respectivamente)(P=0,01 para ambos). Diminuição no TS/dia se correlacionou bem com aumento no tempo/dia em AF leve, tanto no grupo geral (r=-0,83) quanto nos respondedores (r=-0,66), mas não com o aumento no tempo/dia em AF moderada-a-vigorosa (AFMV)(r=-0,33 e -0,13, respectivamente). Regressão linear mostrou associação significativa entre mudanças no TS/dia e no tempo/dia em AF leve (R² ajustado=0,643; P<0,0001). Conclusões: Entre diferentes pontos de corte que indicam comportamento sedentário, TS >8,5 horas/dia foi o indicador independente mais forte do risco de mortalidade em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC, indicando um risco 23% maior em comparação com aqueles que apresentam TS <8,5 horas/dia. Além disso, indivíduos com DPOC que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP focado especificamente em reduzir o TS eram caracterizados por piores níveis basais de AF comparados aos não respondedores, enquanto a diminuição no TS/dia após o programa se associou fortemente ao aumento da AF leve, mas não da AFMV
  • Item
    O papel do sono em indivíduos com DPOC: implicações na sarcopenia e na relação entre fenótipos de sono e diferentes desfechos clínicos
    (2025-04-02) Dala Pola, Daniele Caroline; Pitta, Fábio de Oliveira; Vieira, Danielle Soares Rocha; Mendes, Liliane Patrícia de Souza; Andraus, Rodrigo Antonio Carvalho; Mendonça, Vanessa Amaral
    Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição essencialmente pulmonar, porém com muitas repercussões sistêmicas. A disfunção muscular periférica e os distúrbios do sono são algumas das manifestações extrapulmonares relevantes para o manejo da doença. A sarcopenia é a alteração muscular mais frequente nesses indivíduos e já foi previamente associada um declínio da função pulmonar, redução da capacidade de exercício e mortalidade, no entanto sua associação com o sono é pouco conhecida. Já a qualidade e/ou quantidade do sono já foi associada à redução da atividade física, maiores déficits de atenção e percepção dos sintomas noturnos em pesquisas prévias transversais; no entanto, esses estudos expressam o sono como um único desfecho, e não por fenótipos de sono. A análise por fenótipos ainda é pouco explorada na DPOC, e sua relação com desfechos clínicos da doença de forma prospectiva permanecem desconhecidos. Objetivos: Investigar a repercussão da sarcopenia no ciclo sono-vigília e a relação entre fenótipos de sono e diferentes desfechos clínicos em indivíduos com DPOC. Metodologia: No primeiro estudo, com design transversal, indivíduos com DPOC foram classificados quanto à presença ou não de sarcopenia avaliada pela força de preensão manual, comparando-se entre esses grupos as características do ciclo sono-vigília avaliado subjetivamente e objetivamente. No segundo estudo, os indivíduos com DPOC foram classificados em fenótipos de sono (sono curto, médio e longo), e por meio de uma coorte prospectiva, as mudanças na função pulmonar (espirometria), composição corporal (bioimpedância), atividade física na vida diária (Actigraph), força muscular periférica (dinamometria e contração isométrica voluntária máxima), dispneia, ansiedade e depressão (questionários) foram acompanhadas após 12 meses. Resultados: No primeiro estudo, foi mostrado que indivíduos com DPOC e sarcopenia apresentam menor tempo total de sono, eficiência do sono, tempo acordado após início do sono e maior fragmentação do sono quando comparados ao grupo sem sarcopenia. Adicionalmente, esses resultados piores foram mais pronunciados no sexo feminino do que no masculino. No segundo estudo, foi evidenciado que os indivíduos com DPOC classificados no fenótipo de sono curto apresentam piora da função pulmonar, aumento da dispneia, redução do tempo em atividade física leve, aumento do tempo sedentário e redução da força muscular periférica após 12 meses de acompanhamento. Especialmente o tempo sedentário apresentou piora mais acentuada no fenótipo de sono curto em comparação a indivíduos com fenótipo de sono médio ou longo. Conclusões: Os indivíduos com DPOC e sarcopenia apresentam redução da quantidade e qualidade do ciclo sono-vigília, além de alta fragmentação do sono quando comparados àqueles indivíduos com DPOC sem sarcopenia. O sono precisa ser incorporado como avaliação de rotina e foco de intervenção naqueles indivíduos com DPOC e presença de sarcopenia, especialmente nas mulheres. Além disso, a análise do sono por fenótipos, evidenciou que aqueles com fenótipo de sono curto apresentam piora em diversos desfechos clínicos relacionados à doença, e em especial no comportamento sedentário. A análise do sono por fenótipos se apresenta como uma estratégia útil para triagem e acompanhamento prospectivo dessa população.
  • Item
    Sono na doença de Parkinson: tradução e validação da versão brasileira da Parkinson’s disease sleep scale (PDSS-2) e efetividade da adição de dupla tarefa em um treino combinado de marcha e neuromodulação na qualidade do sono de indivíduos com doença em Parkinson
    (2025-02-04) Souza, Rogério José de; Smaili, Suhaila Mahmoud; Mesas, Arthur Eumann; Hazime, Fuad Ahmad; Kondo, Raquel Pastrello Hirata; Beretta, Victor Spiandor
    Introdução: Os distúrbios do sono são altamente prevalentes na doença de Parkinson (DP) e apresentam impacto negativo na progressão da doença e qualidade de vida. Apesar da sua importância, esses sintomas são frequentemente subnotificados e negligenciados no manejo da DP. Desta forma, instrumentos de avaliação específicos e estratégias de tratamento eficazes se fazem necessários para uma abordagem abrangente dos distúrbios do sono. Entre as estratégias não farmacológicas, destacam-se o exercício físico, neuromodulação e o treino cognitivo, que é um componente do treino de dupla tarefa (DT). Objetivos: Traduzir e validar a Parkinson’s disease sleep scale (PDSS-2/BR) para a população brasileira e verificar a efetividade da adição de DT a um treino combinado de marcha e neuromodulação na qualidade do sono em indivíduos com DP. Métodos: Foram desenvolvidos dois estudos. O primeiro, de tradução e validação da PDSS-2, foi dividido em duas fases: 1) Tradução e adaptação transcultural: composta por 30 indivíduos avaliados pela versão pré-teste da escala; 2) Validação: composta por 50 indivíduos avaliados pela PDSS-2/BR, índice de qualidade do sono de Pittsburgh (PSQI), Questionário da Doença de Parkinson-39 (PDQ39), Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS) e Escala de Classificação de Hoehn e Yahr. O PDSS-2/BR foi testado novamente sete dias depois. O segundo estudo foi um ensaio clínico randomizado controlado, cego, composto por 42 indivíduos, com DP leve a moderada e sem declínio cognitivo, alocados em dois grupos: 1) Grupo Experimental (GE; n = 22) que realizou treino de DT + treino de marcha em esteira + ETCC anódica e 2) Grupo Controle (GC; n = 20) que realizou treino de marcha em esteira + ETCC anódica. Foram realizadas 12 sessões de intervenção, com duração de 23 minutos, três vezes por semana. O treino de DT baseou-se na aplicação de um protocolo composto por 3 níveis, com 6 tarefas em cada nível e com evolução gradativa de complexidade. A corrente foi aplicada por 20 minutos no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, com intensidade de 2 mA, concomitante ao treino de marcha. Para avaliação da qualidade do sono foi utilizado a PDSS-2/BR, a PSQI e a Escala de sonolência de Epworth. As avaliações foram nos momentos pré-intervenção, pós-intervenção e follow up de 4 semanas. A ANOVA duas vias de medidas repetidas foi utilizada para comparação dos grupos de acordo com a intervenção, o tempo e a interação grupo vs tempo. Resultados: No primeiro estudo encontramos que a PDSS-2/BR alcançou mais de 90% de compreensão pelos indivíduos avaliados, além de uma boa consistência interna (Cronbach’s alpha=0.782) e excelente confiabilidade teste-reteste (ICCinter-rater=0.901; p=0.570; ICCintra-rater=0.905; p=0.116). No segundo estudo, houve melhora significante no sono (efeito tempo) em todos os domínios da PDSS-2 (sintomas motores noturnos – p=0,025; sintomas noturnos da DP – p=0,009; sono perturbado – p=0,006; total – p=0,001). Houve efeito do tempo para os domínios duração do sono (p=0,042) e disfunção diurna (p<0,001) da PSQI, além da sonolência diurna medida pela ESS (p=0,027). Não foram observadas diferenças entre os grupos e nem interação do tempo vs. grupo. Conclusão: A PDSS-2/BR é um instrumento confiável, preciso e válido para avaliar o sono de indivíduos brasileiros com DP. O acréscimo do treino de DT não promoveu benefícios adicionais na qualidade de sono em indivíduos com DP submetidos ao treino de marcha em esteira combinada com ETCC ativa
  • Item
    Inatividade física e tempo sedentário em indivíduos com insuficiência cardíaca: associação com doença renal crônica e com a mortalidade em 3 anos
    (2025-11-10) Dias, Karina Lourenço; Pitta, Fábio de Oliveira; Mendes, Renata Gonçalves; Mont’Alverne, Daniela Gardano Bucharles; Karsten, Marlus; Polito, Marcos Doederlein; Hernandes, Nidia Aparecida
    Introdução: Os desfechos de inatividade física e tempo sedentário estão em crescente investigação na literatura, inclusive em indivíduos com insuficiência cardíaca (IC). A associação da IC com certas comorbidades, como a doença renal crônica (DRC), já vem sendo estudada; no entanto, a associação do nível de atividade física na vida diária (AFVD) e da capacidade funcional de exercício com a presença de DRC associada à IC ainda não foi estudada em profundidade. Do mesmo modo, a implementação de pontos de corte para tempo sedentário e/ou inatividade física para predição de mortalidade também carece de evidências na população com IC. Objetivos: Considerando essas lacunas científicas, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) Comparar a capacidade funcional de exercício e o nível de AFVD entre indivíduos com IC com e sem DRC associada; e estudar a correlação da disfunção renal com os desfechos de capacidade funcional de exercício e AFVD; e 2) Investigar a associação do perfil de inatividade e tempo sedentário com a mortalidade em um seguimento de 3 anos em indivíduos com IC; e identificar potenciais pontos de corte para variáveis que indiquem risco aumentado de mortalidade. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. No estudo 1, a capacidade funcional de exercício foi avaliada através do teste da caminhada de 6 minutos (TC6min), e o nível de AFVD foi avaliado objetivamente pelo uso de um monitor de atividade física (AF) durante sete dias consecutivos. A presença de DRC foi identificada por uma taxa de filtração glomerular (TFG) <60mL/min/1,73m2, e os indivíduos foram agrupados considerando a coexistência de IC e DRC (G_DRC) ou não (G_nãoDRC). Já o estudo 2, os pacientes também realizaram avaliação da AFVD durante sete dias consecutivos utilizando um monitor de AF, e o estado vital foi determinado 3 anos após essa avaliação inicial. Demais desfechos avaliados incluíram variáveis antropométricas, classe funcional da IC e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), entre outros. Resultados: No estudo 1, foram avaliados 69 pacientes; o G_DRC (n=19) apresentou maior idade e pior TC6min do que o G_nãoDRC (n=50) (68±8anos vs 60±8anos, p=0,001; 389±99m vs 474±77m, p<0,001, respectivamente), além de um pior perfil de AFVD. A TFG se correlacionou moderadamente com idade (r= -0,53) e TC6min (r= 0,41), e fracamente com a o tempo/dia em atividades moderadas-a-vigorosas (AFMV) (r= 0,28) (p<0,05 para todas). Em regressão linear simples, a TFG se associou significativamente com TC6min (R² 0,15; p=0,001) e AFMV (R² 0,08; p=0,009). Em regressão múltipla, observou-se que 27% da variação na TFG foi explicada pela combinação de idade e TC6min, sem contribuição significativa da AFMV. No estudo 2, foram avaliados 57 indivíduos (54% homens, 64±10 anos, FEVE 49±26%). Onze indivíduos (19%) foram a óbito no período de 3 anos. Não-sobreviventes tinham maior tempo sedentário/dia (TS/dia)(p<0,05), sem diferença significativa nas outras variáveis de AFVD como tempo gasto/dia em AFMV e passos/dia. A área sob a curva ROC do ponto de corte de TS/dia>8,5 horas foi de 0,782 (p=0,004)(sensibilidade 82%; especificidade 60%). O teste de Qui-quadrado mostrou maior proporção de não-sobreviventes entre indivíduos com TS/dia acima desse ponto de corte. O TS/dia>8,5 horas foi um preditor independente de mortalidade no modelo regressão de Cox após o ajuste para a FEVE (hazard ratio 1,76 [IC 95% 1,101–2,815]; P =0,01). A análise de Kaplan-Meier mostrou grande diferença visual entre sobreviventes e não-sobreviventes em relação ao ponto de corte de TS/dia>8,5 horas (log rank=0,062). Conclusões: Indivíduos com IC + DRC apresentam pior TC6min e pior nível de AFVD do que os sem DRC. A redução na TFG é melhor associada à redução na capacidade funcional de exercício do que à inatividade física. Indivíduos com a combinação IC + DRC devem ser alvos prioritários de intervenções que visam o ganho de capacidade funcional de exercício. Além disso, diferentemente do tempo/dia em AFMV e passos/dia, o tempo sedentário/dia >8,5 horas se mostrou um preditor independente de mortalidade nessa amostra de indivíduos com IC. Uma hora adicional em tempo sedentário/dia além desse ponto de corte aumentou em 76% o risco de óbito nesses indivíduos
  • Item
    Efeitos da hidroterapia em balde sobre sinais vitais, necessidade de oxigênio, parâmetros comportamentais e tônus muscular em bebês prematuros com displasia broncopulmonar
    (2025-05-26) Soares, Darllyana de Sousa; Probst, Vanessa Suziane; Zani, Adriana Valongo; Monteiro, Karolinne Souza; Proença, Mahara-Daian Garcia Lemes; Pereira, Silvana Alves
    Introdução: A presente tese de doutorado foi elaborada com o intuito de contribuir com o conhecimento sobre os efeitos da hidroterapia em balde em recém-nascidos prematuros (RNP) com displasia broncopulmonar (DBP). Foi desenvolvido um ensaio clínico randomizado (ECR) que resultou em dois estudos. Objetivo: Avaliar os efeitos da hidroterapia em balde sobre sinais vitais, necessidade de uso de oxigênio (O2), parâmetros comportamentais e tônus muscular em RNP com DBP durante a internação na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Métodos: O ECR foi registrado no ClinicalTrials.gov e aprovado pelo Comitê de Ética da instituição. Vinte RNP com DBP foram randomizados em grupo intervenção (hidroterapia em balde - GHB) ou controle (fisioterapia convencional - GC). Foram submetidos a doze dias consecutivos de intervenção e dados do primeiro (D1), sexto (D6) e décimo segundo (D12) dias foram analisados. As variáveis frequência respiratória (FR), cardíaca (FC), saturação de oxigênio (SpO2), fração inspirada de oxigênio (FiO2), dor, esforço respiratório, sono e estado de vigília foram medidos antes, imediatamente após, 15, 30 e 60 minutos após a intervenção. A atividade elétrica dos músculos Serrátil Anterior (SA), Trapézio (TR), e Eretor da Espinha (EE) foi analisada por meio da eletromiografia de superfície (EMGs) antes e 30’ após a intervenção. Resultados: A análise intragrupo no GHB mostrou que a FiO2 diminuiu no D1 (30': P=0,03, 60': P=0,02), a FC diminuiu no D6 (60': P=0,004). No D12, a FR reduziu (15',30' e 60': P<0,03 para todos) e a SpO2 aumentou (imediatamente após: P= 0,0003). As comparações intergrupos favoreceram o GHB para a SpO2 (P=0,03; tamanho do efeito (ES)=0,99) e FiO2 (P<0,02; ES>0,47) no D1, e alterações na FC no D6 (P<0,04; ES>0,9) e D12 (P=0,009; ES=0,61). Nenhuma diferença significativa intra ou intergrupos foi encontrada em relação à dor, esforço respiratório, sono ou vigília (p > 0,05 para todos). Para a análise da EMG, os dados de 18 RNP foram analisados. Observou-se maior tônus muscular para o EE no GHB em comparação ao GC nas banda 30 GHB 107 [89 -152] V versus GC 85 [14 – 46] V; p=0,03 e banda 42 GHB 105 [71-160] V versus GC 79 [55 -103] V; p=0,02 e menor tônus muscular para o SA no GHB em comparação ao GC na banda 180 GHB 66 [45 -109] V versus GC 85 [83-127] V; p=0,04. Também houve diferença significativa na FiO2 no D1, com redução para o GHB -4 [-6 a 0]% em comparação ao GC 0 [0 a 0.5]%; p=0,04. Conclusão: A presente tese demonstra que a hidroterapia em balde configura-se como um recurso terapêutico não farmacológico eficaz, promovendo melhorias na FC, FR e SpO2, além de reduzir a demanda de oxigênio e estimular a atividade elétrica muscular em bebês prematuros com DBP. Por não causar efeitos adversos e por manter parâmetros comportamentais dentro dos padrões de normalidade, a hidroterapia em balde destaca-se como uma opção segura e promissora para a reabilitação respiratória desses bebês no ambiente hospitalar
  • Item
    Elaboração e validação de um protocolo internacional de hidroterapia neonatal utilizando o método Delphi
    (2025-05-08) Camargo, Marcia Larissa Cavallari; Probst, Vanessa Suziane; Zani, Adriana Valongo; Montemezzo, Dayane; Monteiro, Karolinne Souza; Proença, Mahara-Daian Garcia Lemes
    Introdução: A Hidroterapia na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal é um método seguro, simples e eficaz, que proporciona alívio da dor, melhora do sono, das variáveis fisiológicas, do relaxamento muscular e da alimentação, além de reduzir o estresse e aumentar o tempo em estado de alerta tranquilo, favorecendo o crescimento e o ganho de peso dos bebês. Apesar dos benefícios descritos na literatura, há variações nos métodos de aplicação da técnica entre os estudos. Objetivo: Elaborar e validar um protocolo internacional de hidroterapia neonatal utilizando o método Delphi modificado. Método: A pesquisa foi dividida em três etapas distintas, sendo estas: 1) revisão sistemática da literatura sobre a hidroterapia neonatal; 2) elaboração de um protocolo por meio da análise dos dados encontrados na revisão sistemática da literatura e 3) validação de um protocolo internacional de hidroterapia neonatal utilizando o método Delphi modificado. Resultados: A revisão sistemática levantou 3979 estudos, sendo 12 incluídos. Destes, 9 (75%) analisaram a saturação de oxigênio (SpO2) e a frequência cardíaca (FC), 8 (67%) a frequência respiratória (FR), 5 (42%) a dor e 4 (33%) o estado comportamental. Dados de 3 estudos, envolvendo 88 bebês, foram meta-analisados para a SpO2 e a FC. Foi encontrado aumento da SpO2 (diferença média (DM): 1,97; intervalo de confiança (IC)95%: 1,044-2,905; p<0,001) e diminuição da FC (DM: -6,16; IC95%: -16,32-4,00; p=0,2349) nos bebês após hidroterapia neonatal, em comparação ao grupo controle. Os estudos também observaram um estado mais relaxado, menor FR, menos dor e ganho de peso nos bebês após hidroterapia. Com base nos 12 artigos incluídos na revisão sistemática, foi desenvolvido um protocolo de hidroterapia neonatal, contendo oito itens (1-indicações, 2-pré-requisitos, 3-contraindicações, 4-equipamentos e materiais, 5-técnica, 6-atividades terapêuticas, 7-critérios para interrupção da hidroterapia neonatal, 8-duração e frequência), cada um acompanhado de suas respectivas descrições. Especialistas em terapia neonatal participaram de duas rodadas Delphi e validaram o protocolo via questionário elaborado no googleforms. Na primeira fase Delphi, vinte e oito especialistas avaliaram o protocolo de hidroterapia neonatal com oito itens e o nível de concordância entre os avaliadores, por meio do índice de validade de conteúdo (IVC), variou de 57- 89%. Na segunda fase Delphi, vinte e cinco especialistas avaliaram os oito itens reformulados e o protocolo de hidroterapia neonatal demonstrou excelente concordância com níveis iguais ou acima de 84% (IVC=0,84) e atingiu um percentual total de 100% (IVC=1,0) em dois itens. Conclusão: Recém-nascidos hospitalizados se beneficiam da hidroterapia neonatal com aumento da SpO2, diminuição da FC e FR, ganho de peso, alívio da dor e melhora na regulação comportamental. A meta-análise fornece evidências estatísticas que apoiam os efeitos positivos da hidroterapia neonatal sobre a SpO2. Um protocolo internacional de hidroterapia neonatal prático e padronizado foi desenvolvido baseado em evidências e validado por avaliadores/especialistas multidisciplinares e de diferentes centros por meio do método Delphi modificado com excelentes níveis de concordância. O protocolo elaborado visa oferecer aos terapeutas neonatais uma estrutura confiável para implementar a hidroterapia neonatal de maneira eficaz nas unidades de terapia intensiva neonatais.
  • Item
    Caracterização fenotípica e molecular de determinantes de resistência e formação de biofilme em isolados de Acinetobacter spp
    (2023-03-17) Fávaro, Larissa dos Santos.; Venancio, Emerson José; Perugini, Márcia Regina Eches; Amarante, Marla Karine; Cano, Barbara Gionco; Petroli, Suelen Balero de Paula; Carrara, Floristher Elaine
    Nos últimos anos, espécies de Acinetobacter não-baumannii (NBA) têm se destacado como importantes patógenos responsáveis por infecções relacionadas a assistência à saúde, assim como A. baumannii, a espécie clinicamente mais relevante do gênero. O objetivo deste estudo foi caracterizar os determinantes de resistência aos antimicrobianos e fatores de virulência de isolados clínicos de Acinetobacter spp. recuperados de pacientes atendidos no Hospital Universitário de Londrina (HU) num período de dez anos (2006-2016). Um total de 750 isolados de Acinetobacter spp., não repetidos, foram incluídos no estudo, sendo 738 pertencentes ao complexo A. calcoaceticus-A. baumannii e 12 NBA. A análise genotípica revelou que A. baumannii foi a espécie mais comumente isolada (98,4%), seguida por A. bereziniae (0,8%), A. haemolyticus (0,1%) e A. colistiniresistens (0,1%). Os isolados apresentaram altas taxas de resistência para a maioria dos antimicrobianos avaliados, incluindo os carbapenêmicos. Os genes codificadores de carbapenem-hydrolyzing class D beta-lactamases (CHDL) adquiridos mais comumente identificados foram: blaOXA-23-like (89,2%) seguido por blaOXA143-like (1,2%) e blaOXA58-like (0,8%). O gene blaOXA-58 foi detectado em cinco isolados de A. bereziniae e um de A. colistiniresistens (Ac 505/15), classificados como produtores de biofilme. A tipagem molecular destes isolados por enterobacterial repetitive intergenic consensus-polymerase chain reaction (ERIC-PCR) identificou quatro grupos genéticos (I-IV), sendo três agrupamentos individuais (I, II e III), e um (grupo IV) composto por três isolados de A. bereziniae relacionados clonalmente. A análise do contexto genético revelou que todos os isolados apresentaram ISAba3 a jusante do gene blaOXA-58, e os três isolados com ISAba1, ISAba3 e ISAba125-?ISAba3 a montante foram classificados como multirresistentes. Adicionalmente, as análises de bioinformática do sequenciamento do genoma total do isolado Ac505/15 (grupo I) revelaram a presença de genes codificadores de resistência à beta-lactâmicos, aminoglicosídeos, fenicóis, sulfonamidas e macrolídeos, bem como, várias famílias de sistemas de efluxo, ilhas genômicas, sequências de inserção e genes de virulência. Neste estudo, demonstrou-se que a resistência aos carbapenêmicos em Acinetobacter spp. no HU parece ser atribuída à presença de genes codificadores de CHDL. Além disso, destaca-se a necessidade da identificação correta das espécies de Acinetobacter e da vigilância epidemiológica a fim de evitar a disseminação de determinantes de resistência, e virulência entre patógenos hospitalares relevantes.
  • Item
    Efetividade e percepções sobre um protocolo de telerreabilitação em indivíduos com doença de Parkinson durante a pandemia da COVID-19 no Brasil: série de casos prospectiva e estudo qualitativo
    (2023-04-06) Barboza, Natália Mariano; Santos, Suhaila Mahmoud Smaili; Fujisawa, Dirce Shizuko; Christofoletti, Gustavo; Molin, Larissa Laskovski Dal; Garanhani, Mara Lúcia
    Devido à pandemia da COVID-19, mudanças se fizeram necessárias no campo da fisioterapia, exigindo novos modelos de cuidado em saúde, como por exemplo, a telerreabilitação. Objetivo: Foram elaborados dois trabalhos independentes com objetivos de (1) investigar a efetividade de um programa de telerreabilitação na qualidade de vida, ansiedade, depressão, medo de cair, cognição, funcionalidade e nos sinais e sintomas relacionados às atividades de vida diária de indivíduos com doença de Parkinson (DP) e (2) compreender o significado da experiência de indivíduos que convivem com a DP a respeito de um protocolo de telerreabilitação. Método: Trata-se de uma série de casos prospectiva envolvendo 40 pacientes com DP de leve a moderada, recrutados de um ambulatório especializado em fisioterapia neurofuncional, antes tratados presencialmente. O estudo foi composto por: 1) Averiguação, por meio de ligações telefônicas, da possibilidade dos participantes integrarem um programa de telerreabilitação. 2) Treinamento para uso das tecnologias necessárias para participação no programa. 3) Avaliação pré e pós-intervenção por meio dos instrumentos: Parkinson Disease Questionnaire (PDQ-39), Hospital Anxiety Depression Scale (HADS), Falls Efficacy Scale (FES-I), fluência verbal (FV), Five Times Sit-to-Stand (5TSTS), MSD – Unified Parkinson ´s Disease Rating Scale II (MDS-UPDRS II). 4) Protocolo de intervenção remota composto por 20 sessões semanais de fisioterapia síncronas, materiais gráficos e vídeos contendo exercícios físicos e cognitivos, palestras educativas e outras atividades. 5) Análise qualitativa a respeito das percepções dos indivíduos sobre a telerreabilitação, por meio de entrevistas guiadas por um roteiro semiestruturado e viabilizadas por ligações telefônicas gravadas, posteriormente transcritas, categorizadas e analisadas, com base nos princípios da fenomenologia de acordo com os pressupostos de Martins e Bicudo. Resultados: Os indivíduos apresentaram melhora na funcionalidade avaliada pelo 5TSTS e cognição avaliada pelo teste de FV após a realização do protocolo. Da análise qualitativa emergiram quatro temas: 1) Expectativas relativas à fisioterapia por meio da telerreabilitação durante a pandemia; 2) Vivências do novo cotidiano; 3) Percepções sobre si em frente ao programa de telerreabilitação proposto; 4) Um olhar sobre o protocolo. Conclusão: O protocolo de telerreabilitação foi efetivo para resultados funcionais motores (5TSTS) e cognitivos (FV) e para a manutenção dos demais desfechos avaliados. A apreensão e o medo se fizeram presente na implantação do protocolo, no entanto, a experiência prévia com a fisioterapia presencial e a equipe permitiram sentimentos de felicidade, contentamento, acolhimento e satisfação com a possibilidade de retorno às atividades. Os indivíduos participaram ativamente do programa com compromisso e corresponsabilidade, no entanto, a falta de contato, equipamentos limitados e a constante preocupação com a segurança e individualidade dos participantes devem ser ressaltadas.
  • Item
    Dyspnea in focus: Insights on assessment
    (2023-03-31) Belo, Letícia Fernandes; Pitta, Fabio de Oliveira; Paes, Thais Rebeca; Rodrigues, Antenor Luiz Lima; Camilo, Carlos Augusto Marçal; Hernandes, Nidia Aparecida
    Dyspnea is a limiting symptom in several populations, and one of the main symptoms reported by individuals with chronic obstructive pulmonary disease (COPD). The progression of dyspnea correlates with disease progression. In early stages of COPD, the complaint of dyspnea is more common during exertion, while in severe stages the subjects report a limitant sensation sometimes even at rest. In addition, dyspnea leads to impaired quality of life and hindered performance in activities of daily living. Concomitantly, a reduction in the level of physical activity in daily life increases the risk of death. In recent years there has been growing interest in the study of all facets of this symptom. However, there are still several gaps in the literature to be addressed, especially with regard to the physiological mechanisms that trigger dyspnea during exertion and its evaluation methods. Objectives: This thesis has the aim of contributing to the scientific evidence related to the dyspnea assessment specifically by: 1) comparing the clinical and physiological variables of individuals with and without COPD who stop exercising due to dyspnea versus others symptoms; and 2) making available a multidimensional tool for dyspnea assessment for Portuguese-speaking individuals with COPD. Methodology: Two original studies were developed: (1) The first study discriminated the proportion of individuals with and without COPD according to their reason to stop the exercise. Furthermore, the physiological responses at the peak of the exercise were verified and compared between groups, as well as their pulmonary function and clinical data; (2) In the second study, the translation, validation and reproducibility of the Portuguese version of the Multidimensional Dyspnea Profile (MDP) were proposed. Results: Study (1) demonstrated that, independently of COPD diagnosis, individuals who stop exercising due to dyspnea present changes such as hyperinflation and restriction of lung volumes, even with preserved exercise capacity, compared to individuals who stop for another reason. Study (2) showed that the Portuguese version of the MDP is a valid and reproducible tool for assessing this symptom in individuals with COPD. Conclusions: The two scientific articles contained in this thesis add novel information to the available literature on dyspnea in individuals with COPD. Rregardless of lung function, age and BMI, individuals who stop exercise due to dyspnea have greater lung restrictions than individuals who stop exercise for other reasons. Moreover, dyspnea can now be confidently assessed multidimensionally in Brazilian individuals with COPD.
  • Item
    Associação entre fadiga e sintomas não motores e motores na doença de Parkinson
    (2023-03-31) Terra, Marcelle Brandão; Santos, Suhaila Mahmoud Smaili; Christofoletti, Gustavo; Vitório, Rodrigo; Andrade, Suellen Marinho; Probst, Vanessa Suziane
    Introdução: A doença de Parkinson (DP) é uma desordem neurodegenerativa, caracterizada pela perda dos neurônios dopaminérgicos da substância negra compacta do mesencéfalo. Hoje sabe-se que a doença engloba tanto sintomas motores, como a bradicinesia, tremor, rigidez, alterações posturais e da marcha, assim como sintomas não motores, entre eles as alterações do sono, do humor, problemas urinários, disfunções na fala, disfagia, hiposmia, constipação, comprometimento cognitivo, distúrbios autonômicos e fadiga. O quadro de sintomas não motores é muito relevante e tem impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos. A fadiga é um sintoma muito prevalente na doença, atingindo até 50% dos indivíduos e que pode ser muito incapacitante. Apesar de sua importância no contexto da DP, ainda é um sintoma insuficientemente estudado na literatura. Objetivos: o nosso estudo almejou verificar a associação entre a fadiga com: características demográficas (sexo, idade, tempo de diagnóstico, escolaridade, índice de massa corporal - IMC, dose de medicamento dopaminérgico), clínicas (ansiedade e depressão, cognição, estadiamento da doença – escala de Hoehn Yahr - HY) e com o equilíbrio, sintomas motores e sintomas não motores da doença. Metodologia: Primeiramente, categorizamos nossa amostra em dois grupos: “fadiga” e “não fadiga”, com objetivo de os comparar em relação as variáveis citadas. Foram desenvolvidas duas pesquisas: (1) no primeiro estudo, realizamos análise de correlação, para verificar a relação entre o desfecho equilíbrio, avaliado por meio da plataforma de força, e a fadiga, avaliada por meio da Parkinson Fatigue Scale (PFS). Além disso, comparamos os grupos “com fadiga” e “sem fadiga” nas variáveis demográficas, sinais e sintomas da DP e equilíbrio; (2) no segundo estudo, investigamos a associação entre a fadiga, avaliada de forma subjetiva por meio da PFS, e os dados demográficos, estadiamento da doença, ansiedade e depressão, cognição e os sintomas não motores e motores da doença (Movement Disorder Society – Unified Parkinson’s disease Rating Scale). Foi também realizada a comparação entre os grupos (“fadiga” e “não fadiga”), nas variáveis citadas. Resultados: no primeiro estudo, verificamos que não houve correlação entre as variáveis de fadiga e os parâmetros de controle postural (área do centro de pressão dos pés, velocidade e amplitude) e que não houve diferença entre os grupos “low-fatigue” e “high-fatigue”. No segundo estudo, verificamos que o grupo “fadiga” apresentou: maior pontuação na escala de HY, maior severidade dos sintomas não motores e motores relacionados às atividades de vida diária, mais complicações motoras e maior ansiedade e depressão. De acordo com os modelos de análise de regressão, nossos resultados apontam que a fadiga se associa a menor dose diária equivalente de levodopa e ao aumento do: IMC, ansiedade e depressão, sintomas não motores das experiências da vida diária. Conclusão: De acordo com os achados dos dois estudos que compõem esta tese, a fadiga esta´ mais relacionada aos sintomas na~o motores, quando comparado ao comprometimento motor em si. Estes resultados reforc¸am a importa^ncia de uma abordagem sistematizada dos sintomas na~o motores na DP.
  • Item
    Impacto da oclusão vascular parcial na dor, capacidade funcional, força, ativação muscular do quadríceps e controle postural de mulheres com e sem dor patelofemoral
    (2023-12-14) Ferreira, Daiene Cristina; Macedo, Christiane de Souza Guerino; Rodrigues, Aryane Flauzino Machado; Almeida, Gabriel Peixoto Leão; Oliveira, Márcio Rogério de; Andraus, Rodrigo Antônio Carvalho
    Introdução: O uso da oclusão vascular parcial (OVP) aumentou consideravelmente nos últimos anos, tanto em indivíduos saudáveis como na reabilitação de pacientes com disfunções musculoesqueléticas. Entretanto, poucos estudos avaliaram o efeito da OVP na dor patelofemoral, e os parâmetros de aplicação e protocolos de intervenção com OVP ainda não estão bem estabelecidos. Objetivo: Verificar o impacto da OVP do quadríceps na dor, capacidade funcional, força, ativação muscular do quadríceps e controle postural de mulheres com e sem dor patelofemoral. Métodos e Resultados: Foram realizados dois estudos. O primeiro estudo avaliou 14 mulheres, sem queixas álgicas ou disfunções musculoesqueléticas, com e sem OVP, nos desfechos força muscular do quadríceps por dinamometria digital portátil, ativação muscular do quadríceps por eletromiografia de superfície, controle postural em apoio unipodal, com agachamento unipodal e na subida-descida de degraus com plataforma de força. Os resultados mostram que o uso da OVP não apontou diferenças de força e ativação muscular, mas melhorou a velocidade da oscilação anteroposterior do controle postural em apoio unipodal. Foi estabelecida correlação moderada e inversa entre força muscular e as variáveis do controle postural na subida de degraus durante o uso da OVP (r = -0,5), e no grupo sem OVP observou-se correlação de moderada a forte no exercício de mini agachamento e na descida de escada (-0,5 < r > -0,7). Concluiu-se que a OVP não prejudicou a força, ativação muscular do quadríceps ou o controle postural de mulheres saudáveis. O segundo estudo foi um ensaio clínico aleatorizado e cego, com mulheres com dor patelofemoral submetidas à dois protocolos de intervenção. O grupo de fortalecimento do quadríceps com carga externa (20 % do peso corporal) realizou 12 atendimentos, por seis semanas. O grupo com OVP realizou o mesmo protocolo de exercícios sem carga externa e com OVP no quadríceps. Os desfechos foram dor na realização dos exercícios (Escala Visual Análoga - EVA), dor na última semana (EVA), capacidade funcional (Anterior Knee Pain Scale - AKPS e Lysholm Knee Scoring Scale - Lyshom), controle postural em atividades de subida e descida de degrau (plataforma de força), ativação muscular (eletromiografia de superfície) e força muscular (dinamômetro portátil). O mesmo avaliador cego coletou os dados na linha de base, após o tratamento e com quatro semanas de follow-up. Os resultados mostram que a dor na última semana não foi diferente entre os grupos no baseline, após o tratamento e no follow-up (P>0,05), e que os dois grupos melhoraram significativamente (P<0,05; d>1). Entretanto, somente o grupo submetido à carga externa apresentou menor dor no follow-up. Para a dor durante os exercícios não houve diferença entre os grupos (P=0,79). Em relação à capacidade funcional, não foi estabelecida diferenças entre os grupos (P>0,05) na AKPS ou Lysholm, e ambos os grupos melhoraram de forma significativa após o tratamento e no follow-up (P<0,05; d>1). Para o controle postural não foi estabelecida diferença entre os grupos, mas somente o grupo com carga externa melhorou a oscilação do centro de pressão (COP) na subida (P<0,01) e descida (P=0,005) da escada após o tratamento. Os resultados da ativação muscular foram inconclusivos, e os grupos foram semelhantes no baseline e no momento após os tratamentos. Entretanto, no follow-up, o grupo com carga externa apresentou menor recrutamento do reto femoral (P<0,004) e o grupo OVP menor recrutamento do vasto medial obliquo (P<0,05). Para a força muscular do quadríceps não foi estabelecida diferenças entre os grupos nos momentos avaliados. Mas, somente o grupo com carga externa apresentou maiores valores no pós-tratamento (P=0,009) e manteve essa melhora no follow-up (P<0,001). Conclusão: Pode-se concluir que exercícios com OVP não tiveram alterações do controle postural, força e ativação muscular, e que os dois tratamentos desenvolvidos para mulheres com DPF, por meio de exercícios com OVP ou com carga externa de 20% do peso corporal, foram semelhantes para os resultados de dor, capacidade funcional, controle postural e força muscular. Como contribuição clínica, o uso da OVP apresenta os mesmos resultados de exercícios com carga adicional externa de 20% e podem ser mais uma opção de escolha do fisioterapeuta.
  • Item
    Dor, funcionalidade, resistência muscular e controle postural de mulheres com síndrome de dor no grande trocânter e efeito do fortalecimento dos músculos do quadril e do core
    (2023-04-17) Marcioli, Marieli Araujo Rossoni; Macedo, Christiane de Souza Guerino; Andraus, Rodrigo Antonio Carvalho; Oliveira, Marcio Rogerio de; Siqueira, Claudia Patrícia Cardoso Martins; Facci, Ligia Maria
    Introdução: Apesar de ser a causa mais comum de dor lateral no quadril e possuir alta incidência, ainda não há um consenso sobre as melhores opções de tratamentos conservadores para a Síndrome de Dor no Grande Trocânter (SDGT). Objetivo: Avaliar as diferenças de capacidade funcional e controle postural entre mulheres com e sem SDGT; e os efeitos do fortalecimento dos músculos do quadril e do core sobre a dor, capacidade funcional e controle postural em mulheres com SDGT. Métodos e resultados: Foram desenvolvidos dois estudos. O primeiro estudo estabeleceu as alterações funcionais e o controle postural durante o apoio unipodal semi-estático e dinâmico (com mini agachamentos) em 36 mulheres sedentárias. Destas, 18 tinham diagnóstico de SDGT (grupo dor - GD) e 18 sem queixas álgicas (grupo controle - GC). Todas responderam ao questionário Victorian Institute of Sports Assessment for Gluteal Tendinopathy (VISA-G) para análise da capacidade funcional relacionada a dor lateral do quadril, e foram submetidas à avaliação do controle postural na plataforma de força. Os resultados mostraram que GD apresentou alto índice de dor, por 10 meses e baixa capacidade funcional. Na análise do controle postural semi-estático, GD mostrou piores resultados para a área de oscilação do centro de pressão (COP) e maior amplitude de oscilação médio-lateral. Na avaliação dinâmica, os resultados da amplitude médio-lateral e velocidade antero-posterior foram maiores no GD, mas o COP foi pior no GC. O segundo estudo, caracterizado como ensaio clínico randomizado, comparou os efeitos de dois protocolos de exercícios: um com fortalecimentos dos músculos do quadril (G1, N=12) e outro com fortalecimentos dos músculos do quadril e dos músculos do core (G2, N=12), desenvolvidos por 4 semanas (2 vezes por semana). Todas as participantes foram avaliadas no início da pesquisa, logo após o término do protocolo e 12 semanas depois (follow up). Foram avaliadas a dor (Escala Visual Analógica de dor – EVA), capacidade funcional (Questionário Visa-G.Br), controle postural (semi-estático e dinâmico, pela plataforma de força) e a resistência do core (testes funcionais Prone Bridge Test (PBT) e Supine Bridge Test (SBT)). Os resultados demonstraram que inicialmente os dois grupos apresentavam dor moderada, que diminuíram após as intervenções e permaneceram menores no follow up, com forte tamanho de efeito e com diferenças entre os tempos de análises, porém sem diferença entre os grupos. A capacidade funcional melhorou para os dois grupos após a intervenção e após o follow up, sem diferenças entre os grupos, e com efeito fraco. Os dois grupos melhoraram o tempo de permanência na PBT, porém sem diferenças entre os grupos e os tempos; entretanto, o G2 apresentou efeito forte para o desempenho. Para o SBT, G2 foi melhor nos momentos após a intervenção e no follow up, porém estabeleceu pequeno tamanho de efeito do tratamento. A análise do controle postural não mostrou diferença entre os grupos e tempos avaliados, com efeitos moderados na área do COP no controle postural semi-estatico e dinâmico. Conclusão: Mulheres com SDGT apresentaram baixa capacidade funcional e pior controle postural semi-estático e dinâmico. Além disso, exercícios para o quadril e para o core diminuem, de forma semelhante, a dor, melhoram a capacidade funcional e a resistência do core, sem efeitos sobre o controle postural semi-estático e dinâmico.
  • Item
    Efetividade da estimulação transcraniana por corrente contínua combinada à fisioterapia na marcha e equilíbrio de indivíduos com doença de Parkinson : ensaio clínico randomizado
    (2023-05-11) Bueno, Maria Eduarda Brandão; Smaili, Suhaila Mahmoud; Moura, Felipe Arruda; Machado, Daniel Gomes da Silva; Lindquist, Ana Raquel Rodrigues; Probst, Vanessa Suziane
    Introdução: Devido a heterogeneidade dos estudos envolvendo a utilização da estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) em indivíduos com doença de Parkinson (DP), ainda não está claro se a ETCC melhora a função motora nessa população, bem como se o tratamento combinado da ETCC com fisioterapia é superior ao tratamento da ETCC ou da fisioterapia isoladamente. Objetivo: Verificar a efetividade da ETCC combinada à fisioterapia na melhora da marcha e equilíbrio de indivÍduos com DP. Metodologia: Foram realizados dois ensaios clínicos randomizados, com os grupos alocados da seguinte forma: 1) No primeiro estudo, em que foi verificado o efeito agudo da ETCC associado a fisioterapia, 50 indivíduos foram alocados em quatro grupos (ETCC ativa aplicada em Cz + fisioterapia; ETCC ativa aplicada em C3-Cz-C4 + fisioterapia; ETCC sham + fisioterapia; e Palestra educacional + fisioterapia). Foi realizada uma única sessão de intervenção conforme a distribuição dos grupos, e a corrente foi aplicada por 20 minutos com intensidade de 2Ma. 2) No segundo estudo, foram realizadas dez sessões de intervenção, com 42 individuos randomizados em três diferentes grupos (ETCC ativa aplicada em C3-Cz-C4 + fisioterapia; ETCC sham + fisioterapia; Palestra educacional + fisioterapia). A corrente foi aplicada por 20 minutos com intensidade de 2Ma. Os dois estudos apresentaram protoloco de avaliação semelhante, com análise de marcha e equilíbrio realizadas por meio de sistema 3D de análise de movimento. Na análise biomecânica da marcha, foram realizadas três condições: marcha normal, marcha com dupla tarefa e marcha com obstáculo. Para a análise do equilíbrio, foram utilizadas as seguintes posições: Romberg com olhos abertos e olhos fechados, e Tandem com olhos abertos e olhos fechados. No primeiro estudo, as avaliações foram realizadas em três momentos: pré-intervenção, pós-intervenção (imediatamente após o término da intervenção) e follow-up (24 horas após o término da intervenção). Já no segundo estudo, as avaliações foram realizadas em dois momentos: pré-intervenção e pós-intervenção (um dia após o término das dez sessões). Resultados: Nos dois estudos não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes para todas as variáveis de marcha e equilíbrio quando considerada a interação tempo (pré-intervenção, pós-intervenção e follow-up) vs. grupo (ETCC real, ETCC sham ou Educação). Conclusão: Não foi verificado efeito agudo após aplicação de uma sessão de ETCC ativa sobre áreas motoras combinada à fisioterapia na melhora da marcha e equilíbrio de indivíduos com DP, quando comparada com ETCC sham ou palestra educacional. Adicionalmente, não foi verificado efeito adicional da ETCC a longo prazo após aplicação de um protocolo de dez sessões combinadas à fisioterapia nestes mesmos desfechos.
  • Item
    Novos aspectos da atividade física na vida diária e capacidade de exercício na DPOC : gasto energético andando por minuto e relação com a aderência a um programa de treinamento físico
    (2021-02-21) Brito, Igor Lopes de; Pitta, Fábio de Oliveira; Furlanetto, Karina Couto; Rodrigues, Antenor Luiz Lima; Sant’Anna, Thaís Jordão Perez; Lorenzo, Valéria Amorim Pires Di
    Introdução: A presente tese de doutorado teve como objetivo geral contribuir cientificamente com uma nova perspectiva relativa ao nível de atividade física da vida diária (AFVD) em indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e compreender aspectos que influenciam na aderência a um programa de treinamento físico nessa população. Dessa forma, dois estudos foram desenvolvidos e são apresentados nesta tese, que tiveram como objetivos: estudo 1) descrever e comparar gasto energético (GE)/minuto caminhando e em diferentes posturas corporais em indivíduos com DPOC; e investigar se o GE/minuto caminhando é um preditor da classificação desses indivíduos como fisicamente ativos ou inativos de acordo com a classificação do American College of Sports Medicine (ACSM); e estudo 2) verificar se completar um programa de treinamento físico de alta intensidade em indivíduos com DPOC estável se associa aos quadrantes propostos no mapa conceitual de Koolen et al., a saber: capacidade de exercício (CE) e atividade física (AF) preservadas (em inglês: can do, do do); CE preservada e AF comprometida (can do, don’t do); CE comprometida e AF preservada (can’t do, do do); e CE e AF comprometidas (can’t do, don’t do). Métodos: No estudo (1) foi realizada uma avaliação objetiva da AFVD com dois monitores de atividade física, um que avalia as posições corporais e atividades, e o outro que avalia o gasto energético minuto-a-minuto. Os dois aparelhos foram sincronizados para avaliar o gasto energético em cada posição e atividade corporal. Em seguida os pacientes foram classificados como ativos e inativos fisicamente de acordo com as recomendações do ACSM. No estudo (2) os indivíduos com DPOC foram separados de acordo com os quadrantes que levam em consideração capacidade de exercício e atividade física da vida diária preservada ou comprometida, e realizaram um programa de treinamento físico de alta intensidade de 12 semanas. Ao final do programa foi observado se cada indivíduo de cada quadrante completou o protocolo proposto de treinamento físico. Resultados: O estudo (1) mostrou que o GE/minuto andando foi maior no grupo de indivíduos fisicamente ativos em relação aos inativos (2,8 [2,4 – 3,4] vs 2,4 [2,2 – 2,6] kcal/min; P<0,05) e que o gasto energético durante a caminhada é um preditor independente para a classificação como fisicamente ativo de acordo com o ACSM. O estudo mostrou também que o aumento de 1 quilocaloria/minuto andando aumenta 18 vezes a chance de o indivíduo ser classificado com ativo. Já o estudo (2) mostrou que o grupo que apresenta CE e AFVD preservadas na avaliação basal tem menor proporção de indivíduos que completam o programa de treinamento físico (58%) em relação aos grupos com apenas AFVD comprometida (80%), apenas CE comprometida (70%) e CE+AFVD comprometidas (78%) (V Cramer = 0,19; P=0,002). Conclusão: Os artigos científicos apresentados nesta tese mostraram que: 1) o gasto energético por minuto andando é um preditor significativo da classificação dos indivíduos com DPOC como fisicamente ativos, independente do tempo dispendido para a atividade; e 2) capacidade de exercício e nível de atividade física preservados ao início de um programa de reabilitação pulmonar são fatores associados com a falta de aderência em um programa de treinamento físico em indivíduos com DPOC.
  • Item
    Avaliação das atividades de vida diária em pacientes com DPOC : revisão, avaliação crítica e aprimoramento das ferramentas disponíveis na literatura
    (2021-06-16) Paes, Thaís Rebeca; Hernandes, Nidia Aparecida; Pitta, Fabio; Corso, Simone Dal; Motta, Thais Jordão Perez Sant Anna; Rodrigues, Antenor Luiz Lima
    Introdução: A presente tese de doutorado teve como objetivo geral contribuir cientificamente para o aprimoramento das ferramentas utilizadas na avaliação das atividades de vida diária (AVDs) em indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Dessa forma, os objetivos dos estudos que compõem a presente tese foram: 1) desenvolver um mapa conceitual das AVDs para indivíduos com DPOC, identificar e avaliar criticamente as ferramentas que avaliam AVDs disponíveis e verificar se as ferramentas abordam os temas encontrados no mapa conceitual; 2) Revisar sistematicamente os protocolos objetivos disponíveis para a avaliação de AVDs em indivíduos com DPOC, assim como as propriedades de medida testadas de cada protocolo; 3) Determinar a mínima diferença detectável (MDD) do desempenho funcional de indivíduos com DPOC avaliado por meio do Londrina ADL Protocol (LAP); 4) Desenvolver uma forma de classificação do desempenho funcional avaliado pelo LAP considerando, além de seu principal desfecho (i.e., tempo de execução), os sintomas percebidos, o estresse cardiovascular e a saturação periférica de oxigênio (SpO2). Métodos: Quatro estudos foram desenvolvidos e são apresentados nesta tese. No primeiro estudo foram realizadas entrevistas com indivíduos com DPOC cujo objetivo foi identificar o que é relevante e importante em relação à realização das AVDs para, então, desenvolver um mapa conceitual e verificar se o que foi apontado pelos indivíduos é abordado nas ferramentas de avaliação de AVDs disponíveis na literatura vigente. No segundo estudo, conduziu-se uma revisão sistemática para a identificação dos testes objetivos de avaliação das AVDs em DPOC disponíveis na literatura e a verificação de suas propriedades de medida. O terceiro estudo, o método baseado na distribuição dos dados foi utilizado para determinar a MDD do LAP. No último estudo, foi realizada uma análise de clusters para dividir os indivíduos com DPOC em grupos e, na sequência, utilizou-se uma árvore de decisão para classificar os indivíduos nesses grupos utilizando-se o tempo de execução do LAP, a variação dos sintomas, das variáveis de estresse cardiovascular e da saturação periférica de oxigênio (SpO2). Resultados: Os temas relevantes para a realização das AVDs identificados no mapa conceitual foram: limitação durante as AVDs; tipo de atividade; participação na vida diária; e barreiras e facilitadores. Dentre as ferramentas disponíveis, a maioria aborda a limitação durante as AVDs e o tipo de atividade; algumas ferramentas avaliam a participação na vida diária e poucas avaliam as barreiras e os facilitadores. Somente as ferramentas: Activities of Daily Living Questionnaire by Odgen et al (ADLQ); Manchester Respiratory Activities of Daily Living Questionnaire (MRADL); Pulmonary Functional Status Scale (PFSS) versão longa e curta avaliaram os quatro temas. Na revisão sistemática, foram encontrados cinco testes que avaliam objetivamente o desempenho nas AVDs, sendo que somente três são considerados confiáveis e válidos (Glittre ADL Test, MFTE e LAP), e somente um (Glittre ADL Test) teve sua responsividade testada e confirmada na população de indivíduos com DPOC. A MDD do LAP, estimada por meio do método baseado na distribuição dos dados, varia entre 19 e 30 segundos. Por fim, a amostra de indivíduos com DPOC estudada foi dividida em quatro clusters, sendo identificado que a fadiga referida, o tempo de execução e a frequência cardíaca podem ser usados para classificar o grau de limitação funcional dos indivíduos nos quatro grupos: Grupo 1, que gasta mais tempo para realizar o LAP e com mais dispneia; Grupo 2, que gasta mais tempo para realizar o LAP com mais dispneia e fadiga; Grupo 3, que realiza o LAP em menos tempo e sem sintomas; e Grupo 4, que realiza o LAP em menos tempo, com poucos sintomas e com maior estresse cardiovascular . Conclusão: Os artigos científicos apresentados nesta tese mostraram que: 1) A Limitação durante as AVDs, o tipo de atividade, a participação na vida diária e as barreiras e facilitadores são os temas relevantes para os indivíduos com DPOC, e poucas são as ferramentas que avaliam os quatro temas; 2) Cinco teste objetivos de avaliação de AVDs foram encontrados, sendo que somente três são confiáveis e válidos e somente o Glittre ADL Test teve sua responsividade testada e confirmada na população; 3) A MDD do desempenho funcional avaliado pelo LAP varia entre 19 e 30 segundo; 4) Os indivíduos com DPOC podem ser classificados em quatro grupos, complementando a avaliação e facilitando a intrepretação dos resultados do teste. Isso porque, alguns pacientes podem realizar o LAP com tempo similar, porém parte deles pode apresentar esforço físico e experimentar mais sintomas do que outros.
  • Item
    Funcionalidade em adultos vítimas de queimaduras internados em um centro de tratamento especializado
    (2021-08-17) Itakussu, Edna Yukimi; Hernandes, Nidia Aparecida; Trelha, Celita Salmaso; Pitta, Fábio; Mantoani, Leandro Cruz; Reche, Gianna Kelren Waldrich Bisca
    Introdução: Queimaduras graves podem desencadear injúrias locais e sistêmicas que repercutem nos mais diversos órgãos e sistemas do corpo humano e os sobreviventes frequentemente vivenciam consideráveis problemas que afetam amplas dimensões da funcionalidade. Instrumentos capazes de identificar as dificuldades funcionais enfrentadas tornam-se cada vez mais necessários para medir os resultados das intervenções terapêuticas e avaliar as progressões individuais de cada sobrevivente. Atualmente, não há um consenso na literatura que forneça a ferramenta mais adequada para este fim. Uma padronização dos métodos de avaliação da funcionalidade após uma queimadura seria de grande valia para os profissionais que trabalham com esta população. O primeiro objetivo desta tese foi investigar os instrumentos (questionários ou testes objetivos) utilizados para avaliar a funcionalidade em adultos após uma lesão por queimadura; identificar as características e as propriedades de medidas desses instrumentos e avaliar sua utilidade clínica. O segundo objetivo foi traduzir, adaptar transculturalmente, validar, verificar a confiabilidade e a responsividade e estimar a mudança mínima detectável (MMD) do questionário Upper Extremity Functional Index (UEFI) para o português do Brasil. Métodos: A revisão sistemática foi registrada no PROSPERO (CRD42016048065) e conduzida pelo protocolo guiado pelo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) Statement, e a pesquisa foi conduzida por três autores em seis bases de dados eletrônicas. Estudos nos quais as propriedades de medida foram mensuradas, foram submetidos a uma avaliação de qualidade através do Consensus-based Standards for the Selection of Health Status Measurement Instrument (COSMIN) checklist. Para a avaliação da utilidade clínica de cada instrumento encontrado, foram utilizados os critérios de Tyson e Connell que avaliaram: o tempo de administração, análise e interpretação do instrumento, custo e a necessidade de equipamentos especiais e treinamento para seu uso ou aplicação. O estudo da tradução e análise das propriedades psicométricas do UEFI foi realizado no Centro de Tratamento de Queimaduras (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina. O processo de tradução e adaptação transcultural foi baseado em recomendações internacionais, divididas em cinco etapas: tradução, síntese e revisão das traduções por um comitê de especialistas, retro tradução, avaliação pelo autor do instrumento original e pré-teste. As propriedades psicométricas foram testadas em dois momentos importantes e distintos: na alta hospitalar e no primeiro retorno ambulatorial ao CTQ. Para a avaliação da validação de constructo, o coeficiente de correlação de Spearman foi calculado entre os escores do UEFI e dos escores do ‘domínio função’ do Burn Specific Health Scale Brief Brazil (BSHS-B-Br); para a confiabilidade intra e inter examinadores o Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) e o a de Cronbach foram calculados. A responsividade foi calculada pelo tamanho do efeito ou effect size através do Cohen d e do Standardized Response Mean (SRM). E finalmente a MMD foi estimada pelo método baseado na distribuição: 1) 0,5 vezes o desvio padrão (DP) da medida da baseline; 2) empirical rule effect size; 3) Cohen d effect size; 4) Standard Error of Measurement (SEM). Resultados: A revisão sistemática encontrou 34 estudos que avaliaram a funcionalidade ou função de membros superiores e inferiores em adultos após uma queimadura. Dezenove ferramentas foram encontradas, sendo doze questionários e sete testes objetivos; as propriedades psicométricas dos instrumentos foram pouco estudadas, ou seja, apenas nove deles tiveram algumas de suas propriedades avaliadas, desses, quatro obtiveram boa pontuação quando avaliamos a qualidade do estudo via COSMIN. Apenas um instrumento não apresentou escore suficiente para ser considerado de boa utilidade clínica. No segundo estudo, uma amostra de 131 adultos que sofreram queimaduras e ficaram internados no CTQ de Londrina foram avaliados. Encontrou-se uma forte correlação entre o UEFI-Br e o BSHS-B-Br (domínio função), valores excelentes de ICC e do a de Cronbach foram encontrados, portanto a confiabilidade intra e inter avaliador do UEFI-Br foram consideradas excelentes. A responsividade do instrumento foi considerada moderada e a MMD variou de 11 a 13 pontos nos dois momentos. Conclusão: A presente revisão sistemática demonstrou que apesar de terem sido utilizados muitos instrumentos para a avaliação da funcionalidade, poucos foram validados para esta população específica; além disso, não há um consenso sobre qual é a melhor ferramenta para este fim. Há uma necessidade de maiores estudos para validá-los e compará-los entre si, para encontrar um que melhor avalie a funcionalidade após uma injúria por queimadura. No segundo estudo concluímos que o UEFI-Br mostrou ser uma ferramenta válida, confiável, responsiva e capaz de detectar uma mudança ao longo do tempo. O estudo mostrou que o uso do UEFI-Br é uma boa escolha quando o objetivo é medir a limitação de atividade dos membros superiores e mudança na funcionalidade em adultos brasileiros vítimas de queimaduras.