Comportamento sedentário em indivíduos com DPOC: pontos de corte preditores de mortalidade a longo prazo e perfil de pacientes respondedores a um programa de reabilitação voltado a reduzir o sedentarismo
Data
2025-07-30
Autores
Martins, Laís Carolini Santin
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Resumo
Introdução: Apesar de haver diferentes pontos de corte para identificar sedentarismo em indivíduos com DPOC, não se sabe quais deles predizem de fato a mortalidade a longo prazo nessa população. Além disso, a redução do tempo sedentário (TS) é um alvo clínico importante para indivíduos com DPOC pois trata-se de um desfecho modificável com potencial benefícios; no entanto, não se conhece o perfil de pacientes que respondem positivamente a um programa de reabilitação pulmonar (RP) voltado especificamente para redução do comportamento sedentário. Portanto, a presente tese de doutorado foi desenvolvida com dois objetivos principais: 1) identificar a utilidade e comparar três pontos de corte de comportamento sedentário (i.e., TS >8,5 horas/dia; >70% do tempo acordado gasto em comportamento sedentário; e <4300 passos/dia) como preditores de mortalidade por todas as causas em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC; e 2) identificar as características de pacientes que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP voltado especificamente à redução do TS. Métodos: Com base nesses objetivos, dois estudos originais foram conduzidos. O primeiro investigou a associação dos três diferentes pontos de corte com a mortalidade em um follow-up de 12 anos em 92 indivíduos com DPOC estável. Já o segundo estudo incluiu 22 indivíduos que tiveram seu nível de sedentarismo e atividade física avaliado antes e após a realização de um programa multidimensional de RP especificamente focado na redução do TS, composto por três componentes principais: i) seções educativas com estratégias de mudança de comportamento; ii) uso de um dispositivo tecnológico portátil (“wearable”) que emitia um alerta vibrotátil e alertava o indivíduo a levantar-se e quebrar blocos de sedentarismo; e iii) treinamento físico de alta intensidade incluindo exercício aeróbico e fortaleciemento muscular. Para análise, os indivíduos foram classificados como respondedores ou não respondedores de acordo com a redução (ou não) do TS após o programa de RP. Resultados: No estudo 1, após a análise de curva ROC dos três pontos de corte, foram encontrados os seguintes valores: TS >8,5 horas/dia, área sob a curva (AUC) 0,632 (95% IC 0,510-0,754; P= 0,03), sensibilidade 41% e especificidade 71%; >70% de tempo acordado, AUC 0,602 (95%IC 0,478-0,727; P=0,10), sensibilidade e especifidade 29% e 81%, respectivamente; <4300 passos/dia, AUC 0,620 (95%IC 0,499-0,742; P=0,05), sensibilidade 58% e especificidade 65%. Porém quando comparados os valores de curva ROC, não foram encontradas diferenças significativas. Por outro lado, o ponto de corte TS >8,5 horas/dia foi um preditor independente de mortalidade (hazard ratio 1,23; 95%IC 1,021–1,589; P=0,02), ao contrário dos outros dois pontos de corte. No segundo estudo, quando os indivíduos foram classificados como respondedores (n=12) ou não-respondedores (n=10) com base na redução (ou não) do TS/dia pós-RP, a mudança pós-pré no TS/dia foi de -97±95min/dia e 86±82min/dia, respectivamente (P<0,001). Respondedores apresentavam maior TS/dia e menor tempo/dia em atividade física (AF) leve e número de passos/dia na avaliação pré-RP. A respeito das mudanças pós-pré RP, houve diferenças significativas entre respondedores e não-respondedores em tempo/dia em AF leve (26±46 vs -33±57 min/dia) e passos/dia (904 [537–2444] vs -615 [-3575–1288], respectivamente)(P=0,01 para ambos). Diminuição no TS/dia se correlacionou bem com aumento no tempo/dia em AF leve, tanto no grupo geral (r=-0,83) quanto nos respondedores (r=-0,66), mas não com o aumento no tempo/dia em AF moderada-a-vigorosa (AFMV)(r=-0,33 e -0,13, respectivamente). Regressão linear mostrou associação significativa entre mudanças no TS/dia e no tempo/dia em AF leve (R² ajustado=0,643; P<0,0001). Conclusões: Entre diferentes pontos de corte que indicam comportamento sedentário, TS >8,5 horas/dia foi o indicador independente mais forte do risco de mortalidade em um seguimento de 12 anos em indivíduos com DPOC, indicando um risco 23% maior em comparação com aqueles que apresentam TS <8,5 horas/dia. Além disso, indivíduos com DPOC que respondem positivamente a um programa multidimensional de RP focado especificamente em reduzir o TS eram caracterizados por piores níveis basais de AF comparados aos não respondedores, enquanto a diminuição no TS/dia após o programa se associou fortemente ao aumento da AF leve, mas não da AFMV
Descrição
Palavras-chave
Doença pulmonar obstrutiva crônica, Comportamento sedentário, Atividade física, Exercício físico, Mortalidade