Empreendedorismo, inovação e a subordinação da universidade pública à racionalidade neoliberal: o caso da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Data

2026-05-14

Autores

Silva, Givaldo Alves da

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Resumo

Resumo: Esta tese analisa o processo de adesão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ao paradigma da universidade empreendedora, tomando a Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) como mediação empírica privilegiada para compreender como as políticas de inovação reconfiguram a universidade pública. Sustenta-se que esse processo não se reduz à modernização administrativa nem ao simples estímulo à inovação, mas integra um movimento mais amplo de subsunção da produção de conhecimento à racionalidade neoliberal e às exigências da acumulação contemporânea. Nessa dinâmica, a universidade é progressivamente reposicionada como infraestrutura pública de apoio à valorização privada, mediante proteção da propriedade intelectual, transferência de tecnologia, incubação de empresas, parcerias com o setor produtivo e inserção subordinada em cadeias globais de valor. A pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando análise documental, entrevistas semiestruturadas e triangulação com evidências descritivas relativas a acordos, propriedade intelectual, incubação, transferência tecnológica e contratação de infraestrutura e serviços digitais. Restrições de acesso a entrevistas e a dados sistematizados da agência exigiram ajustes metodológicos, mas também revelaram dimensões constitutivas do próprio objeto, especialmente no que se refere às mediações institucionais e a dificuldades com relação ao acesso à informação. Os resultados indicam que a Aintec atua como instância de mediação por meio da qual a UEL internaliza e operacionaliza diretrizes do paradigma da universidade empreendedora, convertendo-as em rotinas, contratos, métricas e formas de gestão. Conclui-se que tal adesão aprofunda a subordinação da universidade pública às necessidades de competitividade e inovação mercantilizável, desloca custos e riscos da inovação das empresas para a universidade e para o trabalho acadêmico, intensifica a precarização e a intensificação da lógica concorrencial no interior do trabalho científico e participa de um processo de acumulação por espoliação, na medida em que capacidades, conhecimentos, infraestrutura e fundos públicos passam a ser apropriados, direta ou indiretamente, por circuitos privados de valorização

Descrição

Palavras-chave

Universidade empreendedora, Neoliberalismo, Inovação, Cadeias globais de valor, Aintec, Inovação tecnológica, Universidade Estadual de Londrina, Transferência de tecnologia, Propriedade intelectual, Ensino superior, Trabalho acadêmico

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