Educação matemática realística e teoria socioepistemológica da matemática educativa: um diálogo

dc.contributor.advisorBuriasco, Regina Luzia Corio de
dc.contributor.authorMarino, Darlini Ribeiro
dc.contributor.bancaMendes, Marcele Tavares
dc.contributor.bancaAlmeida, Lourdes Maria Werle de
dc.contributor.bancaCury, Helena Noronha
dc.contributor.bancaRodrigues, Paulo Henrique
dc.coverage.extent145 p.
dc.coverage.spatialLondrina
dc.date.accessioned2026-08-31T17:52:39Z
dc.date.available2026-08-31T17:52:39Z
dc.date.issued2026-03-31
dc.description.abstractEste trabalho apresenta uma configuração de um diálogo entre a Educação Matemática Realística (RME) e a Teoria Socioepistemológica da Matemática Educativa (TSME), no contexto das discussões contemporâneas da Educação Matemática. A pesquisa justifica-se pela identificação de uma ausência de interlocução sistemática na literatura: embora ambas as abordagens compartilhem uma crítica à concepção da matemática como corpo de verdades acabadas e descontextualizadas, não se encontram estudos que as coloquem em interlocução sistemática a partir de seus fundamentos epistemológicos. Essa interlocução revela-se necessária porque permite ampliar o horizonte analítico da Educação Matemática, articulando uma perspectiva didática orientada à reinvenção com uma perspectiva que problematiza a constituição social do conhecimento. O objetivo geral consiste em elaborar e analisar esse diálogo com base em quatro eixos analíticos: atividade humana, realidade, matematização e princípios estruturantes. Trata-se de uma investigação qualitativa de natureza teórica, interpretativa e especulativa, fundamentada nos eixos metodológicos de interpretar, argumentar e recontar (Martineau; Simard; Gauthier, 2001). O corpus constitui-se de textos das duas abordagens, examinados em movimento intertextual e organizados por meio de uma análise em rede, evitando correspondências lineares e privilegiando deslocamentos conceituais. Os resultados indicaram que o diálogo entre RME e TSME não conduziu a uma síntese integradora, mas evidenciou uma complementaridade crítica de focos analíticos: enquanto a RME estruturou uma organização didática orientada à reinvenção guiada e à matematização progressiva, a TSME problematizou os processos de constituição, legitimação e ressignificação social do conhecimento matemático. Esse diálogo configurou-se não como mera comparação descritiva entre as abordagens, mas como um movimento reflexivo que produziu aproximações, explicitou diferenças de ênfase e gerou deslocamentos conceituais, compreendidos como a ressignificação ou o reposicionamento de determinados conceitos à luz da articulação entre os referenciais. A articulação dos eixos possibilitou interpretar a aprendizagem simultaneamente como trajetória didática e como participação em práticas normativamente estruturadas, sugerindo que a atividade do estudante se constitui em sistemas de normas históricas e culturais, que a realidade produziu racionalidades contextualizadas e que a progressão conceitual se configurou como uma narrativa de ressignificações sucessivas. Conclui-se que a interlocução entre RME e TSME amplia o horizonte de reflexão para além da sala de aula, inserindo a prática de ensino-aprendizagem no espectro mais amplo da construção social do conhecimento, sem jamais perder de vista a possibilidade e a responsabilidade de guiá-la intencionalmente. A principal contribuição é a proposição de um quadro teórico que pode subsidiar novas investigações e reconfigurar a compreensão das relações entre ensino, cultura e produção de significados matemáticos, oferecendo ferramentas para uma educação matemática mais justa, crítica e humana
dc.description.abstractother1This work presents a configuration of a dialogue between Realistic Mathematics Education (RME) and the Socioepistemological Theory of Mathematics Education (STME), within the context of contemporary discussions in Mathematics Education. The study is justified by the identification of an absence of systematic interlocution in the literature: although both approaches share a critique of the conception of mathematics as a body of finished and decontextualized truths, no studies were found that place them in systematic interlocution based on their epistemological foundations. This interlocution proves necessary because it allows for the expansion of the analytical horizon of Mathematics Education, articulating a didactical perspective oriented toward reinvention with a perspective that problematizes the social constitution of knowledge. The general objective consists in elaborating and analyzing this dialogue based on four analytical axes: human activity, reality, mathematization, and structuring principles. This is a qualitative investigation of a theoretical, interpretative, and speculative nature, grounded in the methodological axes of interpreting, arguing, and recounting (Martineau; Simard; Gauthier, 2001). The corpus consists of texts from both approaches, examined through an intertextual movement and organized by means of a network analysis, avoiding linear correspondences and privileging conceptual shifts. The results indicated that the dialogue between RME and STME did not lead to an integrative synthesis, but rather evidenced a critical complementarity of analytical focuses: while RME structured a didactical organization oriented toward guided reinvention and progressive mathematization, STME problematized the processes of constitution, legitimation, and social resignification of mathematical knowledge. This dialogue configured itself not as a mere descriptive comparison between the approaches, but as a reflexive movement that produced approximations, made differences in emphasis explicit, and generated conceptual shifts — understood as the resignification or repositioning of certain concepts in light of the articulation between the theoretical frameworks. The articulation of the axes made it possible to interpret learning simultaneously as a didactical trajectory and as participation in normatively structured practices, suggesting that students' activity is constituted within systems of historical and cultural norms, that reality produced contextualized rationalities, and that conceptual progression configured itself as a narrative of successive resignifications. It is concluded that the interlocution between RME and STME broadens the horizon of reflection beyond the classroom, situating teaching and learning practices within the broader spectrum of the social construction of knowledge, while preserving the possibility and responsibility of intentionally guiding such processes. The main contribution is the proposition of a theoretical framework capable of supporting further investigations and reconfiguring the understanding of the relationships among teaching, culture, and the production of mathematical meaning, offering tools for a more just, critical, and humane mathematics education
dc.identifier.urihttps://repositorio.uel.br/handle/123456789/19832
dc.language.isopor
dc.relation.departamentCCE - Departamento de Matemática
dc.relation.institutionnameUniversidade Estadual de Londrina - UEL
dc.relation.ppgnamePrograma de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática
dc.subjectEducação matemática realística
dc.subjectTeoria socioepistemológica da matemática educativa
dc.subjectDiálogo
dc.subjectAtividade humana
dc.subjectMatematização
dc.subjectEnsino de matemática
dc.subjectRealidade
dc.subject.capesCiências Exatas e da Terra - Matemática
dc.subject.cnpqCiências Exatas e da Terra - Matemática
dc.subject.keywordsRealistic mathematics education
dc.subject.keywordsSocioepistemological theory of mathematics education
dc.subject.keywordsDialogue
dc.subject.keywordsHuman activity
dc.subject.keywordsMathematization
dc.subject.keywordsTeaching Mathematics
dc.subject.keywordsReality
dc.titleEducação matemática realística e teoria socioepistemológica da matemática educativa: um diálogo
dc.title.alternativeRealistic mathematics education and the socioepistemological theory mathematics education: a dialogue
dc.typeTese
dcterms.educationLevelDoutorado
dcterms.provenanceCentro de Ciências Exatas

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