01 - Doutorado - Ensino de Ciências e Educação Matemática
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Item A internet como recurso de consulta em provas de matemática(2026-03-23) Rocha, Fernanda Boa Sorte; Buriasco, Regina Luzia Corio de; Borssoi, Adriana Helena; Silva, Gabriel dos Santos e; Souza, Juliana Alves de; Ferreira, Pamela Emanueli Alves; Dantas, Sérgio CarrazedoResumo: Este trabalho teve como objetivo analisar aspectos do processo de avaliação da aprendizagem em uma situação na qual a consulta à Internet é permitida durante a resolução de tarefas de matemática, buscando compreender como esse recurso é mobilizado pelos estudantes e quais elementos configuram essa experiência avaliativa. Para isso, foi realizado um estudo qualitativo envolvendo a aplicação de uma tarefa matemática com consulta à Internet para cinco estudantes italianos, no âmbito do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, que resultou em produções escritas dos estudantes em papel, notas de observação e gravações de tela por meio do recurso disponível no Google Meet, que incluíram áudio, vídeo e o compartilhamento das telas dos estudantes durante o acesso à Internet. Inicialmente, foram realizadas leituras dos materiais com o intuito de conhecê-los em sua globalidade e identificar aspectos relevantes do processo avaliativo, permitindo a constituição de eixos analíticos relacionados às estratégias de busca e utilização das informações online, às formas de interpretação e adaptação das respostas encontradas, às expectativas dos estudantes acerca da avaliação, às interações com o professor e às condições estabelecidas para a realização da atividade. Esses eixos orientaram a análise das produções, possibilitando evidenciar que os fenômenos observados não se explicam apenas pelo acesso à Internet, uma vez que esse recurso não determina o processo avaliativo, mas integra um conjunto mais amplo de elementos que o configuram. Destacam-se o design das tarefas propostas, a orientação do professor, as ações dos estudantes e as normas avaliativas vigentes, que influenciam comportamentos e sentidos atribuídos à consulta. A análise evidencia que permitir a consulta à Internet não implica fragilizar o processo avaliativo, mas deslocar seu foco de uma perspectiva predominantemente somativa para uma perspectiva formativa, estando a serviço dos processos de ensino e de aprendizagemItem Educação matemática realística e teoria socioepistemológica da matemática educativa: um diálogo(2026-03-31) Marino, Darlini Ribeiro; Buriasco, Regina Luzia Corio de; Mendes, Marcele Tavares; Almeida, Lourdes Maria Werle de; Cury, Helena Noronha; Rodrigues, Paulo HenriqueEste trabalho apresenta uma configuração de um diálogo entre a Educação Matemática Realística (RME) e a Teoria Socioepistemológica da Matemática Educativa (TSME), no contexto das discussões contemporâneas da Educação Matemática. A pesquisa justifica-se pela identificação de uma ausência de interlocução sistemática na literatura: embora ambas as abordagens compartilhem uma crítica à concepção da matemática como corpo de verdades acabadas e descontextualizadas, não se encontram estudos que as coloquem em interlocução sistemática a partir de seus fundamentos epistemológicos. Essa interlocução revela-se necessária porque permite ampliar o horizonte analítico da Educação Matemática, articulando uma perspectiva didática orientada à reinvenção com uma perspectiva que problematiza a constituição social do conhecimento. O objetivo geral consiste em elaborar e analisar esse diálogo com base em quatro eixos analíticos: atividade humana, realidade, matematização e princípios estruturantes. Trata-se de uma investigação qualitativa de natureza teórica, interpretativa e especulativa, fundamentada nos eixos metodológicos de interpretar, argumentar e recontar (Martineau; Simard; Gauthier, 2001). O corpus constitui-se de textos das duas abordagens, examinados em movimento intertextual e organizados por meio de uma análise em rede, evitando correspondências lineares e privilegiando deslocamentos conceituais. Os resultados indicaram que o diálogo entre RME e TSME não conduziu a uma síntese integradora, mas evidenciou uma complementaridade crítica de focos analíticos: enquanto a RME estruturou uma organização didática orientada à reinvenção guiada e à matematização progressiva, a TSME problematizou os processos de constituição, legitimação e ressignificação social do conhecimento matemático. Esse diálogo configurou-se não como mera comparação descritiva entre as abordagens, mas como um movimento reflexivo que produziu aproximações, explicitou diferenças de ênfase e gerou deslocamentos conceituais, compreendidos como a ressignificação ou o reposicionamento de determinados conceitos à luz da articulação entre os referenciais. A articulação dos eixos possibilitou interpretar a aprendizagem simultaneamente como trajetória didática e como participação em práticas normativamente estruturadas, sugerindo que a atividade do estudante se constitui em sistemas de normas históricas e culturais, que a realidade produziu racionalidades contextualizadas e que a progressão conceitual se configurou como uma narrativa de ressignificações sucessivas. Conclui-se que a interlocução entre RME e TSME amplia o horizonte de reflexão para além da sala de aula, inserindo a prática de ensino-aprendizagem no espectro mais amplo da construção social do conhecimento, sem jamais perder de vista a possibilidade e a responsabilidade de guiá-la intencionalmente. A principal contribuição é a proposição de um quadro teórico que pode subsidiar novas investigações e reconfigurar a compreensão das relações entre ensino, cultura e produção de significados matemáticos, oferecendo ferramentas para uma educação matemática mais justa, crítica e humanaItem O domínio dos afetos no movimento de constituição da identidade profissional de futuros professores de matemática: uma investigação etnográfica(2026-02-12) Nagafuchi, Thiago; Cyrino, Márcia Cristina de Costa Trindade; Paula, Ênio Freire de; Santos, João Ricardo Viola dos; Barbosa, Línlya Natássia Sachs Camerlengo de; Miarka, RogerA presente tese tem o objetivo de compreender os afetos como um domínio do movimento de constituição da Identidade Profissional Docente (IPD) de Formação de Professores de Matemática. Para tanto, busca-se compreender os afetos como um processo relacional, discutir a subjetividade, a experiência, o tempo e o “devir professor” como elementos desse domínio, e a compreensão da articulação dos afetos no percurso formativo de quatro futuros professores de matemática (FPMat), bem como a influência do agenciamento do desejo nas tramas de devires dos interlocutores. O trabalho adota um formato híbrido, contendo uma seção monográfica e outra multipaper. O encaminhamento teórico-metodológico propõe uma aliança teórica, articulando a Educação Matemática com a Antropologia do Devir. A pesquisa é de cunho etnográfico longitudinal, acompanhando quatro interlocutores (Lucas, Ester, Carlos e Fernanda) ao longo de, pelo menos, três anos letivos. O campo de investigação é o “chão da sala de aula”, interpretado em sentido lato sensu (incluindo corredores, aplicativos de mensagem e outros espaços de interação). As informações foram obtidas por meio de diários de campo, vaivéns, diários de bordo e outros materiais escritos e digitais. Os resultados demonstram que os afetos são um domínio inextricável e central no movimento de constituição da IPD de FPMat, que é conceitualizado como um movimento complexo, dinâmico, temporal e experiencial. Os afetos são compreendidos como intensidades do agenciamento do desejo que transformam as subjetividades e funcionam como aceleradores ou freios no movimento de constituição da IPD. As narrativas dos FPMat evidenciam como os afetos tecem a relação entre vulnerabilidade (suspensão de certezas) e sentido de agência (capacidade de fazer escolhas e tomar decisões). Ser professor não é uma atividade mecânica, mas um processo de transformação contínua, em que o sujeito carrega o próprio corpo através da experiência e dos afetos. Sublinha-se a urgência de investigações que produzam informações capazes de auxiliar na construção de políticas públicas eficazes para a valorização e profissionalização docente. A compreensão do movimento de constituição da IPD deve ser transversal e crítica. Trata-se de um projeto ético e político em constante (re)invenção, no qual o currículo e as interações cotidianas devem promover uma formação com professores.Item Suporte didático em atividades de modelagem matemática(2025-12-09) Kowalek, Rosângela Maria; Almeida, Lourdes Maria Werle de; Pereira, Ana Lúcia; Sousa, Bárbara Nivalda Palharini Alvim; Dalto, Jader Otavio; Kato, Lilian AkemiA presente pesquisa é orientada pela questão “O que se pode dizer do papel do suporte didático em atividades de modelagem matemática”, em que se dirige o olhar às especificidades do suporte didático em atividades de modelagem matemática considerando o uso de andaimes em uma pesquisa empírica realizada com estudantes de curso de Licenciatura em Física. O relatório está organizado no formato multipaper, composto por três artigos. No primeiro artigo busca-se investigar como se configura a ação docente em contextos em que o suporte didático para subsidiar atividades de modelagem matemática inclui o uso de andaimes. Para isso, analisa-se a atuação do professor em duas atividades, revelando uma atuação que é, simultaneamente, estratégica e dinâmica, operando em três momentos: a elaboração ou seleção dos andaimes a serem oferecidos aos estudantes; a intervenção durante o desenvolvimento da atividade; e o momento posterior de análise da evolução dos estudantes para a estruturação de futuros andaimes. No segundo artigo busca-se compreender o papel da contingência para a autonomia dos estudantes no fazer modelagem matemática a partir do uso de andaimes. Evidencia-se a relação intrínseca entre a contingência do suporte e a promoção da autonomia, com os estudantes evoluindo de uma postura dependente a uma postura mais independente. No terceiro artigo busca-se indicativos de desenvolvimento metacognitivo dos estudantes em atividades de modelagem matemática mediadas pelo uso de andaimes. Os resultados indicam que à medida que o suporte didático que envolve o instrumento, a mediação docente e ação do estudante é articulado ao fazer modelagem matemática, subsidia-se o desenvolvimento metacognitivo. A partir dos artigos, pode-se inferir que o suporte didático atua como um agente triádico em atividades de modelagem matemática, envolvendo três elementos: as ações docentes, ações discentes e aspectos metacognitivos. A ação docente, neste contexto se torna estratégica e dinâmica diante da utilização do andaime; as ações discentes levam a autonomia do estudante, que é promovida pela retirada gradual do suporte; e, o desenvolvimento metacognitivo, que é fomentado pelas informações do andaime e favorece a autonomia dos estudantes acerca do fazer modelagem matemática. Em essência, do suporte confere estrutura à complexidade inerente da modelagem, torna o processo acessível a estudantes com pouca experiênciaItem Raciocínio geométrico na formação inicial de professores de matemática: ações formativas(2026-02-27) Cybulski, Fernanda Caroline; Cyrino, Márcia Cristina de Costa Trindade; Cabral, Joana Filipa Oliveira; Martins, Márcio André; Moran, Mariana; Ribeiro, Rogério Marques; Oliveira, Hélia Margarida Aparício Pintão deO raciocínio geométrico constitui uma temática emergente no campo da Educação Matemática, especialmente no que se refere às possibilidades de sua promoção na formação inicial de professores. Diante disso, esta tese busca responder: “Que características das ações formativas investigadas se mostram potenciais para mobilizar e promover o raciocínio geométrico?”. O objetivo principal é identificar e analisar aspectos desse raciocínio mobilizados por futuros professores de Matemática (FPM) a partir da participação em quatro ações formativas distintas. A pesquisa, de natureza qualitativa e interpretativa, foi realizada em três contextos formativos (um em Portugal e dois no Brasil), envolvendo 42 FPM. Os dados analisados foram obtidos por meio de observações, com gravações em áudio e vídeo das sessões formativas e anotações no diário de campo da investigadora-formadora, bem como a partir de recolha documental, com produções escritas dos FPM para as tarefas propostas. Os resultados revelam que as ações formativas têm elevado potencial para mobilizar dimensões cognitivas e pedagógicas do raciocínio geométrico. Na primeira ação, a elaboração coletiva de um esquema de relações de inclusão de quadriláteros permitiu superar julgamentos prototípicos e comparações dicotômicas. A segunda ação, focada em demonstrações por contradição no formato de esquema, evidenciou a compreensão da estrutura lógica desse método e a apresentação de justificativas axiomáticas e perceptivas. Na terceira ação, a análise de um incidente crítico a respeito de processos de validação em Geometria revelou um noticing condicional e avaliativo, frequentemente influenciado por um referencial baseado em déficits, ao interpretar modos empíricos e dedutivos de validação. Por fim, a construção da definição de polígono na perspectiva do Ensino Exploratório destacou o papel fundamental de “contraexemplos estratégicos” na geração de conflitos cognitivos e das intervenções da formadora na superação de desafios. A sistematização final, baseada na união de “definições parciais”, promoveu a precisão do vocabulário geométrico e o protagonismo discente. Conclui-se que ações pautadas em tarefas de alto nível de demanda cognitiva, representações não prototípicas e discussões coletivas mediadas pela intencionalidade docente são essenciais no processo formativo para mobilizar o raciocínio geométrico de FPM. Defende-se que vivenciar tais práticas na formação inicial permite que os FPM assumam uma postura política e pedagógica crítica frente a materiais curriculares e livros didáticos, consolidando o conhecimento geométrico como uma construção coletiva negociada.Item Experiências metacognitivas manifestadas por estudantes de cálculo diferencial I(2026-02-16) Juvanelli, Caio; Passos, Marinez Meneghello; Arruda, Sergio de Mello; Hermann, Wellington; Corrêa, Nancy Nazareth Gatzke; Dias, Mariana PassosEsta tese é referente a uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo foi analisar como estudantes de uma disciplina de Cálculo Diferencial I, do Ensino Superior, relatam seus processos de aprendizagem à luz das experiências metacognitivas. A pesquisa foi realizada com estudantes de um curso de Licenciatura em Matemática de uma universidade pública do estado do Paraná na disciplina de Cálculo I, no decorrer do primeiro ano letivo do ano de 2024, no primeiro semestre, no período de abril a agosto. Ao todo, foram aplicadas três avaliações pelo professor e para cada uma das três avaliações aplicados três questionários. Questionário 1 (Q1); Questionário 2 (Q2) e Questionário 3 (Q3), e no final da disciplina foi disponibilizado mais um Questionário Final (QF), que serão mais bem detalhados a seguir nesse texto. Ou seja, para cada avaliação (AV1, AV2 e AV3), os estudantes tinham três questionários de perguntas para responderem em relação à aprendizagem do conteúdo estudado para aquela avaliação. Cabe salientar que não foram realizadas intervenções nas aulas, nem observação direta. Os questionários foram disponibilizados via Google Forms para os estudantes e a análise foi realizada a partir dessas respostas. No início do ano letivo, a disciplina contava com 16 alunos. Os alunos que responderam a todos os questionários foram os alunos A2, A3, A5, A6, A7, A8, A9 e A10, por isso, optamos por empreender nosso processo analítico nas respostas desses oito estudantes. Para analisar as respostas desses alunos para os questionários, recorremos aos procedimentos da Análise Textual Discursiva (ATD). Apresentamos e discutimos os dados coletados ao longo das três avaliações da disciplina de Cálculo I, com o objetivo de mapear a percepção dos estudantes sobre seus próprios processos de aprendizagem. Para isso, utilizamos o aporte teórico sobre metacognição e as experiências metacognitivas, buscando compreender como os alunos monitoram sua aprendizagem em Cálculo I. Apresentamos categorias emergentes de totalidade, parcialidade e não aprendizagem, bem como os relatos sobre a realização das tarefas e listas de exercícios. A partir das análises, inferimos que a percepção de totalidade da aprendizagem é frequentemente validada pela categoria “Compreender”, que sinaliza e pela categoria “Conseguir aplicar”, que representa a segurança na transposição da teoria para a prática. Por outro lado, as experiências de parcialidade e não aprendizagem funcionaram como diagnósticos para esses estudantes. Categorias como “Dificuldade”, “Confusão” e “Decorar” atuaram como alertas, enquanto a “Falta de tempo” e o “Conteúdo extenso” surgiram como estimativas de esforço que justificaram lacunas na compreensão. Acreditamos que a trajetória destes oito alunos revelou que o processo de aprender Cálculo I emergiu da capacidade de interpretar as próprias experiências metacognitivas e transformá-las em ações reguladoras eficazes, permitindo que cada sujeito deixasse de ser um agente passivo para se tornar o gestor consciente da sua própria cognição.Item Aspectos do pensamento químico manifestados por licenciandos em aulas experimentais(2024-07-24) Almeida, Fernanda Garcia de; Broietti, Fabiele Cristiane Dias; Assai, Natany Dayani de Souza; Arrigo, Viviane; Fary, Bruna Adriane; Hernandes, Josiane LetíciaA inclusão da experimentação nas aulas de Química representa uma estratégia promissora para aprimorar a compreensão dos conceitos, possibilitando que os estudantes estabeleçam conexões entre conteúdos e práticas científicas. Por meio de atividades experimentais, pode-se enriquecer a experiência do aprendizado científico, além de estimular o desenvolvimento de habilidades cognitivas e do Pensamento Químico dos estudantes. No entanto, desenvolver aulas experimentais com tais características ainda é um desafio no campo da educação em Ciências. Nesse sentido, o presente trabalho teve como principal objetivo ampliar as discussões a respeito do Pensamento Químico na literatura brasileira e buscar evidências do Pensamento Químico manifestadas por estudantes em aulas experimentais. Este estudo foi realizado em uma disciplina ministrada para o último ano de um curso de Licenciatura em Química de uma universidade da região Sul do Brasil, ocorrendo parcialmente de forma remota e parcialmente de modo presencial em virtude da crise sanitária oriunda da pandemia do Coronavírus. A coleta de dados incluiu diversos documentos, como as respostas dos licenciandos às perguntas pré e pós-experimento, os roteiros experimentais elaborados pelos próprios licenciandos e as respostas deles às questões da autoscopia. A análise dos dados foi conduzida segundo os princípios da análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). A tese foi moldada no formato multipaper, sendo composta por quatro artigos. Mediante as investigações realizadas, compreendemos o Pensamento Químico como um processo no qual os estudantes utilizam seus conhecimentos em Química para analisar, discutir, refletir e propor explicações para diversos problemas. Percebemos que as Variáveis de Progresso podem ser consideradas indicadores do Pensamento Químico, uma vez que abordam questões essenciais que auxiliam os estudantes a mobilizarem o conhecimento químico na compreensão de fenômenos em diferentes áreas. As atividades desenvolvidas durante a disciplina foram alternativas eficazes para a realização de experimentos tanto no ensino remoto quanto no presencial. A análise de nossos dados revela o notável potencial das atividades experimentais para promover o desenvolvimento do Pensamento Químico, uma vez que os estudantes transitaram por diferentes Variáveis de Progresso. Evidenciamos ainda que as atividades foram eficazes na promoção do desenvolvimento de habilidades cognitivas de alta ordem. Identificamos uma correlação entre os níveis de habilidades cognitivas observados nas respostas dos licenciandos e os níveis cognitivos das perguntas apresentadas na atividade. Isso destaca a relevância de promover atividades com diversos graus de complexidade e o propósito de enriquecer as competências cognitivas dos alunos de maneira efetiva. Por fim, fundamentadas em nosso aporte teórico e nos dados obtidos, desenvolvemos um modelo que representa o Pensamento Químico. Este modelo pode servir como uma ferramenta para orientar os professores na elaboração de atividades que estimulem o desenvolvimento do Pensamento Químico.Item Argumentação e ações docentes argumentativas em aulas de química no ensino superior(2024-11-28) Macie, Belém Júrcia Violeta; Arruda, Sergio de Mello; Deixa, Geraldo Vernijo; Lucas, Lucken Bueno; Broietti, Fabiele Cristiane Dias; Passos, Marinez MeneghelloA pesquisa, cujos resultados trazemos nesta tese, busca analisar a argumentação e as ações docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique e assim responde à seguinte questão de pesquisa: o que se entende por argumentação, como ela é utilizada e como interpretar as ações docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique? A pesquisa seguiu caminhos de uma abordagem qualitativa em duas perspectivas de análise textual, sendo uma delas direcionada a dados teóricos e a outra para dados empíricos. Os materiais teóricos, mapeamento e revisão sistemática de literatura, forneceram pressupostos para compreender as informações empíricas oriundas de entrevista e observação direta, referentes ao levantamento de conhecimento e às aulas de cinco professores de Química, conforme se apresenta nos cinco artigos desta tese, em formato multipaper. Entre os principais indícios tem-se que os estudos a respeito da argumentação, geralmente, se concentram na argumentação de alunos da Educação Básica e poucos enfocam em ações docentes. As ações docentes analisadas em estudos de ação na Química foram, maioritariamente, em ambientes diferenciados de ensino, com a abordagem metodológica descritiva e a abordagem teórica orientada à formação de professores. Ademais, o professor que utiliza argumentação é um professor reflexivo e o faz em quatro planos de ação dentro do ciclo interativo de ações argumentativas, os planos pragmático, epistêmico, argumentativo e crítico-reflexivo. Os professores apresentaram um conceito de argumentação alinhado com as três perspectivas - lógica, retórica e dialética e, as três orientações de pesquisa sobre argumentação são: compreensão das condições do desenvolvimento da argumentação, avaliação da argumentação como ferramenta metodológica e habilidades argumentativas dos professores. Quatro professores (num total de cinco) consideraram a argumentação importante para o ensino de Química, tendo declarado o uso de trabalho independente, o debate e a pergunta, como estratégias adotadas. Entretanto, as concepções dos professores a respeito da argumentação influenciam no conceito para argumentação elaborado por eles, assim como no entendimento de como a argumentação pode ser usada em sala de aula. Evidenciamos sete categorias de ações docentes argumentativas: Apresentar, Questionar, Identificar, Valorizar, Ajuizar, Solicitar e Incentivar, dentre as quais Identificar, Incentivar e Questionar foram também observadas em outros estudos de ações docentes em Química. Os resultados revelaram que os professores têm maior facilidade em realizar ações que incitam a argumentação no plano pragmático (com total de 84 remissões), tais como: Incentivar, Solicitar, Questionar e Valorizar, em detrimento de ações que avaliam criticamente as informações debatidas em sala de aula, como a ação de Ajuizar do plano crítico-reflexivo (com 25 repetições). Como estudos futuros interessa-nos a categorização de ações discentes argumentativas, o entendimento da relação entre a argumentação e metacognição e a compreensão das conexões argumentativas evidenciadas entre ações dos professores e dos alunosItem Significado em atividades de modelagem matemática: uma abordagem multimodal(2026-06-23) Rocha, Robson Aparecido Ramos; Almeida, Lourdes Maria Werle de; Silva, Karina Alessandra Pessôa da; Surjus, Kassiana Schmidt; Veronez, Michele Regiane Dias; Mendes, Thiago FernandoEsta pesquisa tem como objetivo investigar como atividades de modelagem matemática mediadas pela multimodalidade promovem a construção de significado. Para isso, foram analisadas duas atividades de modelagem matemática, na disciplina de Matemática, com estudantes da terceira série do Ensino Médio de um colégio da rede estadual de ensino do estado do Paraná. Nossa investigação está pautada nos pressupostos teóricos da Modelagem Matemática na perspectiva da Educação Matemática, nos pressupostos teóricos relativos à semiótica, mais especificamente, no que diz respeito à multimodalidade e à construção de significado. A coleta de dados, o desenvolvimento da pesquisa e o encaminhamento da análise fundamentam a metodologia de pesquisa como qualitativa de cunho interpretativista. Os dados foram coletados por meio de registros entregues das produções escritas dos estudantes e gravações em áudio e vídeo das aulas. A análise dos dados seguiu as indicações da Análise Textual Discursiva. Os resultados mostraram que a modelagem matemática estruturada pelo professor em um ato de design, como um ambiente multimodal de aprendizagem, promove a construção de significado, permitindo que os estudantes, ao interagirem com esse ambiente, mobilizem ações cognitivas e se engajem em um processo ativo de designing e redesign, produzindo novos signos e novos significados. Evidenciou-se que a modelagem matemática no contexto educacional possibilitou a construção de significado para objetos matemáticos normativos e convencionados pela comunidade científica. Essa construção não ocorreu espontaneamente, ela foi mediada pela orquestração intencional do professor em um ato de design, em que diferentes modos e recursos semióticos, como vídeos, textos, imagens, experimentos, gestos, diagramas e falas, ofereceram affordances específicas para cada fase do desenvolvimento das atividades de modelagem matemática. As implicações pedagógicas desse cenário incluem a necessidade de o professor superar a hegemonia do modo verbal e escrito como única via legítima de acesso ao conhecimento matemático, adotando uma nova postura avaliativa; a urgência da formação inicial e continuada de professores para lidar com a diversidade semiótica; e o potencial da associação entre multimodalidade e modelagem matemática.Item Emoções de professores de matemática em início de docência e o movimento de constituição da identidade profissional(2024-09-06) Rodrigues, André Lima; Cyrino, Márcia Cristina de Costa Trindade; Oliveira, Andreia Maria Pereira de; Teixeira, Bruno Rodrigo; Oliveira, Julio Cezar Rodrigues de; Giraldo, Victor AugustoPesquisas sobre a formação de professores na perspectiva do movimento de constituição da identidade profissional docente (IPD) têm considerado as emoções de professores como um domínio deste movimento, e o início de docência (ID) como um período decisivo para a continuidade do professor de matemática (PMat) na profissão. Neste estudo pretende-se investigar experiências emocionais de PMat em ID no âmbito do movimento de constituição da IPD, e responder a que nexos podem ser estabelecidos entre experiências emocionais de PMat em ID e o movimento de constituição da IPD? Para tanto foi realizada uma pesquisa qualitativa, de cunho interpretativo, no contexto de um grupo de estudos online constituído pelo formador e cinco PMat em ID da região norte do Paraná. O objetivo do grupo era estudar, discutir e refletir sobre elementos da prática profissional do PMat em ID. Foram analisadas experiências emocionais desses PMat no ID e o movimento de constituição de sua IPD. Os resultados revelam experiências emocionais relativas às práticas pedagógicas associadas às ações de estudantes, ao conteúdo matemático e à própria aprendizagem, e relativas às condições de trabalho associadas às demandas profissionais e às relações interpessoais. Nelas, os PMat em ID mobilizaram emoções negativas e positivas, associadas às suas concepções, aos conhecimentos a respeito da profissão, ao autoconhecimento, à autonomia (vulnerabilidade e agência) e ao compromisso político, numa relação complexa de influências mútuas explicitadas a partir dos nexos identificados. Ações como dialogar com os alunos e colegas de trabalho, participar de processos de formação continuada, discutir e refletir sobre a organização e gestão da prática pedagógica, conscientizar-se de responsabilidades e limitações do professor, discutir a micropolítica da sala de aula, estudar matemática e outros aspectos relacionados à profissão, refletir sobre experiências compartilhadas pelos colegas e compartilhar práticas, conhecimentos, angústias e desafios foram identificadas como potenciais para o movimento de constituição da IP de PMat em ID e, mais especificamente, para colaborar no processo de agenciar suas experiências emocionais. Elas podem fomentar políticas públicas e espaços de formação continuada em que haja respeito mútuo e confiança entre os PMat em ID, de modo que sejam assistidos em suas decisões e se sintam confortáveis para compartilhar com os pares suas vulnerabilidades, valorizados em suas potencialidades e apoiados na profissãoItem Múltiplas representações no ensino fundamental: limites e possibilidades para a alfabetização científica(2026-06-30) Chaves, Rosana Cleia de Carvalho; Laburú, Carlos Eduardo; Rizzatti, Ivanise Maria; Faria, Renata Aparecida de; Vale, Adriana Carla de Oliveira Morais; Ramos, Ediane Sousa MirandaResumo: Esta tese investiga as possibilidades e os desafios da integração das Múltiplas Representações ao Ensino Investigativo para promover a Alfabetização Científica de estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental. Parte-se do pressuposto de que o Ensino de Ciências nos anos iniciais ainda é marcado pela predominância de abordagens transmissivas, que nem sempre favorecem o desenvolvimento do pensamento crítico, reflexivo e investigativo dos estudantes. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de propostas didáticas que ampliem as oportunidades de interpretação de fenômenos, articulação de diferentes linguagens representacionais e construção de significados de forma contextualizada. Embora as pesquisas sobre Múltiplas Representações no Ensino de Ciências tenham avançado nas últimas décadas, ainda são limitados os estudos que investigam sua articulação com o Ensino Investigativo para promover a Alfabetização Científica nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além disso, são escassas as investigações que integrem esses referenciais de maneira articulada, buscando compreender como a produção, a interpretação e a transição entre diferentes formas de representação podem contribuir para a construção do conhecimento científico das crianças. Esse cenário evidencia uma lacuna teórica e pedagógica que fundamenta a presente investigação. Para tanto, esta pesquisa trata-se de abordagem qualitativa, com procedimentos analíticos voltados à compreensão da construção conceitual dos estudantes acerca da temática da água, à luz dos Indicadores de Alfabetização Científica. O estudo foi desenvolvido por meio de uma Sequência de Ensino Investigativa integrada às Múltiplas Representações, aplicada a vinte e oito estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública da rede municipal de Boa Vista/RR. Para a análise dos dados, foram selecionados seis participantes, considerando os critérios de inclusão previamente estabelecidos na pesquisa. A produção dos dados envolveu a aplicação de questionários de pré e pós-teste, além da análise das produções dos estudantes e das interações estabelecidas durante o desenvolvimento das atividades investigativas. Os resultados evidenciaram que a integração das Múltiplas Representações potencializou a compreensão conceitual ao possibilitar que os estudantes interpretassem um mesmo fenômeno por meio de diferentes linguagens representacionais, favorecendo a mobilização de distintos modos de aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades relacionadas à interpretação, à argumentação, à comunicação e à articulação de ideias científicas. Desse modo, a articulação entre Múltiplas Representações e Ensino Investigativo configura uma abordagem promissora para o Ensino de Ciências ao favorecer a compreensão de conceitos científicos, fortalecer os Indicadores de Alfabetização Científica e promover o desenvolvimento de estudantes críticos, reflexivos e conscientes quanto ao uso sustentável dos recursos naturais. Portanto, esta pesquisa também amplia as discussões acerca da articulação entre esses referenciais teóricos, evidenciando seu potencial para qualificar as práticas pedagógicas no Ensino de Ciências e subsidiar a formação docente. Além disso, oferece subsídios teóricos e metodológicos para o desenvolvimento de novas investigações sobre o processo de Alfabetização Científica nos anos iniciais do Ensino FundamentalItem Um estudo sobre ações docentes de professores de física, química e ciências biológicas em aulas remotas do ensino superior(2025-09-23) Romanzini, Juliana; Arruda, Sergio de Mello; Passos, Angela Meneghello; Lima, João Paulo Camargo de; Rhea, Vanessa Cristina; Passos, Marinez MeneghelloA implantação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) exigiu dos docentes uma série de adaptações em suas práticas educacionais, e as ações realizadas por esses profissionais durante as aulas remotas resultaram em experiências que foram vivenciadas por cada um deles de forma singular. Esta tese de doutorado teve como propósito identificar e categorizar as ações docentes no contexto do Ensino Remoto no Ensino Superior, além de descrever a experiência vivida por um docente durante o Ensino Remoto Emergencial (ERE). A pesquisa baseou-se em gravações de aulas síncronas e assíncronas disponibilizadas por docentes de Física, Química e Ciências Biológicas de universidades do Paraná e de Santa Catarina, assim como na entrevista com um desses docentes. Os dados foram analisados por meio de duas metodologias: a Análise de Conteúdo, voltada às gravações, e o Método Fenomenológico Descritivo, aplicado à entrevista. A análise das aulas síncronas proporcionou a identificação de onze categorias de ação (Operacionaliza, Escreve, Explica, Lê, Apaga, Responde, Espera, Interrompe, Aponta, Pergunta e Escuta), ao passo que para as aulas assíncronas foram obtidas sete categorias de ações docentes (Operacionaliza, Escreve, Explica, Aponta, Lê, Apaga e Demonstra). Por sua vez, a entrevista com o docente D1, analisada fenomenologicamente, revelou unidades de significado que expressam a experiência desse docente no ensino remoto. O conjunto analítico formado pelas categorias de ações e a descrição da experiência de D1 nos permitiram conjecturar que a intenção do docente foi aproximar o formato remoto o quanto possível das aulas presenciais, buscando estratégias metodológicas e instrumentais para proporcionar aos estudantes as condições necessárias para isso. Notou-se também certo desconforto de D1 em relação ao trabalho remoto, que impactou inclusive em sua saúde física, e que o fez repensar a sua prática durante este períodoItem A criação dos focos da aprendizagem : uma análise por meio da teoria ator-rede(2024-02-28) Cher, Gabriela Gonzaga; Arruda, Sergio de Mello; Corrêa, Hugo Emmanuel da Rosa; Costa, Thiago Queiroz; Fejolo, Thomas Barbosa; Passos, Marinez MeneghelloEsta pesquisa tem caráter qualitativo e teórico, cujo objetivo centra-se em analisar o processo de criação de uma nova ideia, mais especificamente, de um instrumento de verificação de indícios de aprendizagem, denominado Focos da Aprendizagem, o qual foi criado pelo grupo de pesquisa Educação em Ciências e Matemática, vinculado à Universidade Estadual de Londrina (EDUCIM/UEL). Para isto, embasamo-nos nos pressupostos teóricos da Teoria Ator-Rede, principalmente nas obras de Bruno Latour. Para a organização dos dados, recorremos à Análise de Conteúdo como ferramenta metodológica. A partir da questão norteadora, “como ocorreu o processo de translação do referencial teórico-metodológico denominado Focos de Aprendizagem?”, buscamos descrever a performance dos Focos da Aprendizagem, durante o período de 2010 a 2019, identificar os actantes envolvidos na sua criação e seguir algumas inscrições, utilizando como fonte de dados as memórias do grupo EDUCIM, artigos, dissertações e teses produzidas pelo grupo. Emergiram da análise dos dados, dois tipos e dois subtipos de translação, sendo eles, respectivamente: expansão, transposição, testagem e consolidação de uma ideia. Além disso, foi possível identificar 21 actantes (pesquisadores) envolvidos no processo de translação e a produção de 34 inscrições (artigos, teses e dissertações). A criação dos Focos da Aprendizagem sob a perspectiva da Teoria Ator-Rede pôde ser descrita por meio das operações de translação, as quais envolveram a performance de várias entidades heterogêneas, o grupo de pesquisa, pesquisadores(as), inscrições e referências, por exemplo. As translações se revelaram processos fundamentais no processo de criação de novas ideias, portanto, de novos actantes. Já o rastreio das inscrições evidenciou uma rede de sustentação de artigos do grupo de pesquisa, que possibilitaram a circulação do referencial teórico-metodológico na rede sociotécnica. Esta, por sua vez, o grupo de pesquisa EDUCIM performou como um ator-rede, pois capacitou a performance dos pesquisadores por meio de momentos de argumentações e negociações de significados, os quais geraram os Focos da Aprendizagem. O grupo de pesquisa também se caracterizou por ser o nosso “laboratório de Ciências”, em que ocorreram os processos de translação. Concluímos que os Focos da Aprendizagem performam como um actante múltiplo, pois, de acordo com as associações que tece em cada tipo e/ou subtipo de translação, performa de maneira específica: ator-rede, mediador, inscritor, traço e, especificamente, para o grupo de pesquisa, como uma caixa-preta.Item Cada Joana com sua fogueira: branquitude, ciência e poder da mídia brasileira na cobertura do caso Joana D'arc Félix de Sousa(2025-02-27) Camargo, Susan Caroline; Oliveira, Moisés Alves de; Xavier, Claudia Regina; Takeda, Samilo; Rivelini-Silva, Angélica Cristina; Leal, Luana Pires VidaÉ preciso abandonar a ideia de que as questões raciais no Brasil são um problema exclusivamente do negro, afinal, o problema está na relação entre negros e brancos (Bento, 2022). Uma forma de questionar e subverter a individualidade quase tácita às pesquisas nessa temática, destacando as implicações coletivas das relações raciais, é operacionalizar o conceito de branquitude para explicar as realidades raciais em nosso país. Esse conceito, que se relaciona diretamente com a manutenção de privilégios da população branca, nos permite fugir das análises clássicas com foco no negro e desloca nossas lentes para examinar o branco e seus traços identitários. Adeptos à perspectiva dos Estudos Culturais, o objetivo desta tese foi analisar criticamente a cobertura da mídia em relação ao caso da professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa, nos valendo da proposta metodológica da Análise Crítica de Discurso de modalidade sociolinguística, articulada ao conceito de branquitude para analisar o poder exercido pela mídia hegemônica brasileira, a partir de seus discursos, suas estratégias e efeitos, principalmente ao representar e enunciar pessoas negras. Também procuramos problematizar o modo como a ciência foi utilizada pela mídia para balizar as violências raciais que atravessaram esse caso. De modo geral, a análise evidenciou que os discursos midiáticos hostilizaram e vilanizaram Joana, expressando receio de que sua situação prejudicasse a ciência brasileira. A mídia adotou uma narrativa onisciente e omitiu informações relevantes sobre a trajetória da professora. Os discursos reforçaram a ideia de que apenas certos sujeitos podem acessar a universidade e os espaços de produção de ciência, excluindo pessoas como Joana, uma mulher negra de origem humilde. A cobertura midiática também reproduziu hierarquias raciais e deslegitimou epistemologias negras, reforçando a hegemonia branca, naturalizando desigualdades, e invisibilizando as contribuições de pessoas negras em espaços historicamente ocupados por pessoas brancasItem Ações formativas para a formação continuada de professores que ensinam matemática nos anos iniciais, no contexto do ensino de geometria(2024-04-26) Lange, Taynara Cristina Gaffo Fraga; Cyrino, Márcia Cristina de Costa Trindade; Silva, Gabriel dos Santos e; Rodrigues, Renata Viviane Raffa; Grando, Regina Célia; Baldini, Loreni Aparecida FerreiraA geometria é uma área da Matemática que deveria ser introduzida desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, no entanto, a qualificação dos professores que lecionam nessa etapa de escolarização tem sido incipiente. Com isso, torna-se fundamental discutir ações que contribuam com a formação continuada de professores que ensinam matemática nos anos iniciais (PEMAI) no que se refere ao ensino de geometria. Na presente investigação foram investidos esforços em responder a seguinte questão: que elementos de ações formativas, no contexto de um grupo de estudos sobre geometria, podem promover a formação continuada de PEMAI? Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa de cunho interpretativo, que contou com a participação de quatro PEMAI que atuavam em escolas públicas municipais no estado do Paraná. Estes professores e a professora formadora constituíram um grupo de estudos sobre o ensino e a aprendizagem de geometria no período de março a setembro de 2022, totalizando 36 horas. O corpus de análise foi constituído pelas gravações em áudio das reuniões do grupo, pelas imagens de momentos da formação e da prática destes professores, pelas suas produções escritas e pelas anotações do diário de campo da formadora. As ações formativas desenvolvidas foram relativas à mobilização do raciocínio visuoespacial, às trajetórias de aprendizagem em relação às figuras planas, à utilização do Vaivém, às discussões sobre a análise e a resolução de tarefas de geometria, e ao relato e discussão de práticas docentes sobre o ensino de geometria. Foi possível observar que essas ações foram essenciais para a formação continuada de PEMAI no que tange à aprendizagem docente, ao ensino de geometria, ao movimento de constituição da identidade profissional e ao desenvolvimento das capacidades do noticing profissional. A partir da análise dessas ações foram identificados os seguintes elementos: Reflexões desencadeadas pelas ações da formadora; Discussões das tarefas propostas na formação e pelos professores em suas práticas; (re)conhecimento de perspectivas alternativas para o ensino de geometria; comunicação; e a aprendizagem docente. Esses elementos permitem inferir que os PEMAI (res)significaram suas práticas e suas concepções sobre a geometria e a matemática. Com isso, entende-se que a formação continuada de PEMAI para o ensino de geometria deve considerar os conteúdos relacionados às ações, e elementos que privilegiem o professor como protagonista deste processo, visando a compreensão de suas concepções, angústias, trajetórias profissionais, conhecimentos e expectativas.Item Um estudo das ações docentes formativas em um grupo de residência pedagógica de química(2025-03-28) Borges, Larissa Caroline da Silva; Broietti, Fabiele Cristiane Dias; Stanzani, Enio de Lorena; Silveira, Marcelo Pimentel da; Piratelo, Marcus Vinícius Martinez; Arruda, Sergio de MelloNesta tese, apresentamos um estudo das ações docentes formativas em um grupo de residência pedagógica de Química, que podem ser definidas como ações executadas por professores em diferentes configurações de ensino e de aprendizagem que têm como objetivo central a formação para a docência. O objetivo da investigação foi identificar e descrever as ações docentes formativas evidenciadas em encontros do grupo, buscando responder às seguintes questões: 1) Quais ações docentes formativas são evidenciadas em encontros síncronos da residência pedagógica em um subprojeto de Química? 2) Como podemos interpretar estas ações docentes formativas? Para isso, os procedimentos metodológicos adotados foram o acompanhamento dos encontros realizados por esse grupo de residência pedagógica ao longo de todo o edital do programa, de outubro de 2020 a março de 2022, ocorridos de forma remota, devido à pandemia de Covid-19. Os encontros englobaram diferentes atividades como oficinas temáticas, análise de documentos oficiais, estudo de referenciais teóricos, elaboração de planos de aula, regências remotas e discussão a respeito da participação em eventos da área. Por meio do acompanhamento detalhado dessas atividades, optamos por analisar seis diferentes encontros do grupo: dois deles em que foram discutidos referenciais da área de ensino e didática das ciências, dois em que se discutiu o planejamento de aulas e dois em que foram discutidas as regências desenvolvidas remotamente nas escolas. Dedicamo-nos à análise das ações executadas pela professora formadora, na tentativa de mapear as ações docentes formativas, classificando esse conjunto de ações. Como metodologia de análise e interpretação das informações obtidas, utilizamos os pressupostos da Análise de Conteúdo. Com relação aos resultados, identificamos 12 ações docentes formativas distintas: Agradece, Apresenta, Avalia, Discute, Distribui, Explica, Informa, Orienta, Pergunta, Reflete, Relembra e Responde. Essas ações, fundamentadas nas contribuições da literatura sobre aprendizagem e saberes docentes, orientaram a criação de um instrumento intitulado Dimensões Formativas da Docência, composto por seis dimensões, sendo elas: 1. Dimensão do saber disciplinar, 2. Dimensão do saber pedagógico, 3. Dimensão organizacional, 4. Dimensão da interação social, 5. Dimensão pessoal e 6. Dimensão da divulgação científica. A análise do agrupamento das ações e microações em cada dimensão, bem como o cotejo entre os encontros pertencentes a cada grupo, permitiu identificar tendências específicas. Nos encontros voltados para a Discussão de Referenciais da área de ensino e Didática das Ciências, destaca-se a predominância do Saber Disciplinar. Já nos encontros dedicados ao Planejamento de Aulas, as dimensões do Saber Pedagógico e a Dimensão Organizacional foram mais evidenciadas. Por sua vez, nos encontros de Discussão das Regências, a dimensão mais destacada foi a do Saber Pedagógico. Destacamos que o instrumento elaborado e aplicado para analisar os encontros demonstrou seu potencial como aliado nos processos de formação docente. Ele possibilita, por meio da observação das ações realizadas em sala de aula, identificar e caracterizar elementos específicos dessas açõesItem Um estudo das ações docentes e discentes na educação infantil e suas conexões(2025-07-16) Turke, Nathália Hernandes; Passos, Marinez Meneghello; Arruda, Sergio de Mello; Maistro, Virgínia Iara de Andrade; Dias, Mariana Passos; Carvalho, Diego FogaçaMuitas pesquisas ditam o que professores e alunos devem fazer em sala de aula, contudo, nessa investigação buscamos compreender o que estes, de fato, fazem, sem possuir a pretensão de prescrever como deveriam se comportar, bem como investigar as conexões entre ações docentes e discentes na Educação Infantil. Para iniciar as investigações foram levantados os seguintes questionamentos: o que professores/as e crianças da Educação Infantil fazem em sala de aula? Há relação entre as ações? Como se caracterizam essas relações? Partindo desses questionamentos, esta pesquisa teve como objetivos: descrever e categorizar as ações docentes e as ações discentes em duas aulas ministradas na Educação Infantil; verificar e analisar as conexões existentes entre ações docentes e ações discentes. Com o intuito de alcançar os objetivos propostos, investigamos duas aulas de duas docentes (PA e PJ) em uma turma de pré-escola, etapa final da Educação Infantil, em que estavam matriculadas crianças pequenas, com faixa etária entre 5 e 6 anos de idade, em uma escola municipal no Estado do Paraná. Os dados foram coletados por meio de áudios e vídeos e analisados por meio do método da Análise Textual Discursiva (ATD). Foram encontradas diversas ações realizadas, tanto pelas docentes como pelas crianças, descritas por meio de categorias divididas em macroações, ações e microações. Na aula de PA foram encontradas 03 macroações (cuidar, educar e interagir) para a professora e 04 (cuidar, educar, brincar e interagir) para as crianças. Na aula de PJ foram encontradas 04 macroações (cuidar, educar, brincar e interagir), tanto para a professora como para as crianças. No que tange às ações e microações, na aula de PA foram encontradas 16 ações e 28 microações para a professora e 10 ações e 21 microações para as crianças; na aula de PJ foram encontradas 18 ações e 28 microações para a professora e 10 ações e 18 microações para as crianças. Acerca das conexões entre ações docentes e discentes, na aula de PA ocorreram 35 conexões, das quais 30 foram conectivas e 05 dispersivas; e na aula de PJ ocorreram 30 conexões, das quais 23 foram conectivas e 07 dispersivas. Tendo em vista esses resultados, concluiu-se que as aulas investigadas podem ser entendidas como uma sequência de ações conectadas entre as professoras e as criançasItem Adoção de unidades de ensino potencialmente significativas para mecânica de fluidos contextualizadas historicamente e com relação a fenômenos de ciclones e cheias(2025-03-24) Mapatse, Gisela Francisco; Batista, Irinéa de Lourdes; Mendes, Gabriela Helena Geraldo Issa; Iachel, Gustavo; Carvalho, Marcelo Alves de; Andrade, Mariana Aparecida Bologna Soares deNo processo de ensino e de aprendizagem de Física são utilizadas estratégias didáticas diversificadas, sendo que as Unidades de Ensino Potencialmente Significativas constituem uma possível estratégia para a aprendizagem significativa da Mecânica de Fluidos. Porém, essas abordagens ainda são negligenciadas ou adotadas de forma pouco produtiva nas aulas de Física. Assim, o objetivo geral desta tese foi investigar a adaptação e aplicação de Unidades de Ensino Potencialmente Significativa enriquecidas e articuladas mediante uma contextualização histórica e com fenômenos de ciclones e cheias presentes no cotidiano de Moçambique, na formação inicial de professores de Física. Para a consecução desse objetivo foi desenvolvida uma investigação qualitativa envolvendo estudantes do curso de licenciatura em Ensino de Física, da Universidade Licungo, participantes de uma oficina de pesquisa que apresentou e desenvolveu uma abordagem didática com essas características. Os resultados obtidos revelaram dificuldades conceituais dos futuros professores de Física acerca das Unidades de Ensino Potencialmente Significativas mediante um Contextualização Histórica da Mecânica de Fluidos articulada aos fenômenos naturais, o que pode adiar a concretização desta estratégia metodológica em suas aulas. Constatou-se, ainda, que os futuros professores de Física apresentaram uma certa evolução positiva, com algumas noções a respeito das Unidades de Ensino Potencialmente Significativas, mas ainda poucos deles foram capazes de construir individualmente Mapas Conceituais de acordo com as características esperadas segundo a fundamentação. Esses resultados implicam a necessidade de aperfeiçoar a formação inicial de professores nesta temática e de organizar processos de formação continuada, junto não só aos professores em formação inicial e em serviço, como também aos formadores de professores e de gestores das escolas, com vista a conhecer e valorizar as Unidades de Ensino Potencialmente Significativas, tanto no componente conceitual, como na componente metodológica e didática. Seria ainda relevante, diante da riqueza de discussões e interesse dentre os participantes da pesquisa, que essa abordagem didática fosse explicitamente conhecida pelos currículos do Ensino Secundário e Superior de Moçambique, de modo a estimular a sua integração nas aulas de Física e a fomentar os diversos tipos de aprendizagens a ela associadaItem A educação ambiental e a sustentabilidade na formação de professores: um estudo em cursos de ciências biológicas na América Latina(2025-08-14) Maciel, Eloisa Antunes; Andrade, Mariana Aparecida Bologna Soares de; Lorencini Júnior, Álvaro; Fornazari, Valeria Brumato Regina; Lozano, Diana Lineth Parga; Almeida, Rosiléia Oliveira deNesta tese, realizamos uma investigação referente à inserção da Educação Ambiental (EA) e da sustentabilidade na formação inicial de professores de Ciências Biológicas de cinco universidades pertencentes a países da América Latina, como: Brasil, Argentina e Colômbia. Para tanto, partimos de uma análise de documentos institucionais, como: Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), Projeto Político Pedagógico e documentos relacionados à política de sustentabilidade, como também de projetos de ensino, pesquisa e extensão presentes nas instituições. Para a realização desse estudo foi elaborada uma análise das 11 dimensões de Ambientalização Curricular a luz das três Macrotendências de EA: Conservacionista, Pragmática e Crítica. Assim, no processo metodológico, realizamos uma pesquisa do tipo qualitativa, na qual fizemos uma análise por meio de documentos, questionários direcionados a estudantes e entrevistas semiestruturadas que foram aplicadas a docentes. Após a análise, constatamos que os indicadores de sustentabilidade relacionados à dimensão 1 de política de sustentabilidade e a Macrotendência Pragmática foram os mais evidenciados nos documentos e projetos das universidades investigadas. Essa predominância pode ser justificada pela ênfase dessas instituições em alinhar as suas práticas às exigências institucionais e normativas de sustentabilidade, refletindo compromissos explícitos com a integração de políticas ambientais e metas tangíveis. Além disso, a Macrotendência Pragmática, ao enfatizar resultados práticos e soluções aplicadas, mostra-se frequentemente compatível com a implementação de projetos voltados a demandas específicas, como eficiência no uso de recursos, redução de impactos ambientais e execução de atividades técnicas. Contudo, essa compatibilidade não deve ser entendida como uma “afinidade natural”, mas como reflexo de condicionantes institucionais e sociais que incentivam as universidades a priorizar ações de impacto imediato e mensurável. Diferentemente, a Macrotendência Crítica também envolve engajamento, mas em uma perspectiva de ativismo socioambiental de caráter político e emancipatório. Assim, a predominância de projetos orientados pela perspectiva pragmática nas universidades pode estar menos relacionada a uma vocação intrínseca e mais vinculada às formas de avaliação, financiamento e reconhecimento institucional que privilegiam resultados concretos e de curto prazo. Esses resultados indicam que a formação de professores de Ciências Biológicas nas universidades investigadas está sendo orientada por uma abordagem mais prática e instrumental em relação à EA e à sustentabilidade, limitando a reflexão crítica e a transformação social mais profunda, que são características da Macrotendência CríticaItem Trabalho de conclusão de curso por dois olhares: matriz do professor e matriz do saber(2025-09-09) Chicote, Rosalino Subtil; Passos, Marinez Meneghello; Corrêa, Hugo Emmanuel da Rosa; Levandovski, Ana Rita; Maulana, Gabriel Mulalia; Arruda, Sergio de MelloPara a materialização da pesquisa que resultou nesta tese, formulou-se a seguinte questão: Que aproximações e distanciamentos podem ser identificados entre o olhar dos professores (categorizado pela Matriz do Professor) e o olhar institucional (categorizado pela Matriz do Saber) no que concerne ao Saber para a pesquisa no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)? Os dados foram produzidos por meio de entrevistas reflexivas realizadas com seis professores que lecionavam a disciplina de TCC em 2023, no Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente da Universidade Rovuma, Província de Cabo Delgado, Moçambique. A análise seguiu os procedimentos da Análise Textual Discursiva, com suporte da Matriz do Professor. Como outra fonte de dados, utilizou-se o Plano Temático do TCC, examinado também com base na Análise Textual Discursiva, à luz da Matriz do Saber. Os resultados indicam que o olhar dos professores e o olhar institucional convergem quanto à necessidade da aprendizagem do professor sobre o ensino do TCC. Em relação à literatura, o olhar dos professores mostra convergência com a preocupação predominante dos docentes em torno do ensino, enquanto o olhar institucional confirma a ausência da dimensão pessoal e a determinação da aprendizagem docente. Contudo, o olhar dos professores, ao enfatizar a relação social com o ensino (2C), distancia-se do olhar institucional, que privilegia a relação epistêmica com a aprendizagem discente (1a). Nessa ênfase, tanto o olhar dos professores quanto o institucional afastam-se dos resultados recorrentes na literatura, ainda que por vias distintas. Concluímos, portanto, que existem aproximações, mas também significativos distanciamentos no que concerne ao Saber para a Pesquisa no TCC, tanto entre o olhar dos professores e o olhar institucional quanto destes em relação à literatura