Corpos que escrevem, identidades que resistem: a velhice feminina em Elvira Vigna e Maria Valéria Rezende
Data
2025-12-16
Autores
Camargo, Maria Isadora Rosolen
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Resumo
A literatura de autoria feminina na contemporaneidade tem se ocupado da diversidade de perfis femininos. No entanto, a figura da mulher envelhecida ainda parece ser pouco explorada (SHOWALTER, 1994). A própria literatura, enquanto arte e reflexo social, por vezes reforça, mas tensiona esse apagamento. A presente pesquisa busca refletir sobre a construção da subjetividade feminina na velhice, analisando os romances Nada a dizer (2010), de Elvira Vigna, e Quarenta dias (2014), de Maria Valéria Rezende. A investigação ancora-se em uma perspectiva da crítica feminista, com base nos estudos de Simone de Beauvoir (1970) e Elaine Showalter (1994), considerando as representações da mulher e suas experiências no processo de envelhecimento. As personagens são examinadas à luz da escrita de si, da memória e do trauma, e suas trajetórias evidenciam formas de resistência, desconstrução de estereótipos e reconstrução identitária. As obras analisadas tensionam o lugar social da mulher mais velha, ao mesmo tempo em que resgatam sua complexidade subjetiva e dialogam com a literatura contemporânea em sua pluralidade formal e temática, marcada pela fragmentação narrativa, pela voz feminina e pela problematização do sujeito contemporâneo. Considera-se a relação entre literatura e sociedade, com base em autores como Karl Erik Schøllhammer (2009) e Regina Dalcastagnè (2005). Ao fim, propõe-se uma reflexão sobre a importância de ampliar o espaço da representação das mulheres mais velhas na literatura, reconhecendo o valor de suas experiências e vozes para a sociedade e para o pensamento crítico contemporâneo
Descrição
Palavras-chave
Crítica literária feminista, Literatura de autoria feminina, Representações da velhice em personagens femininas, Elvira Vigna, Maria Valéria Rezende, Literatura brasileira contemporânea, Autoria feminina, Envelhecimento, Crítica feminista, Memória, Trauma, Escrita