Mulheres em resistência: constituição da subjetividade de vítimas de violência doméstica
Data
2026-02-24
Autores
Redondo, Íris Ribeiro Gomes
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Resumo
Esta pesquisa analisa relatos de mulheres vítimas de violência doméstica, a fim de verificar como as relações de poder-saber se articulam nesse contexto. O corpus é composto por enunciados extraídos do documentário “Elas que lutam” (Balbino et. al, 2020), disponível no Youtube, no qual vítimas de violência doméstica compartilham suas experiências. A análise se fundamenta nos estudos de gênero e nos estudos discursivos foucaultianos para que possamos abordar, por uma perspectiva histórica, social e econômica, a constituição dos papéis de gênero estruturados pelo sistema patriarcal. Além disso, a partir desse aporte teórico, mobilizamos conceitos discutidos por Foucault (1979, 1987, 2004, 2005, 2018, 2025), como corpo, discurso, poder-saber, resistência, verdade, subjetividade e ética, com o objetivo de refletir sobre os efeitos de sentidos dos enunciados. Além disso, articulamos os conceitos de ressubjetivação e dessubjetivação, por uma perspectiva foucaultiana, discutidos pelo analista de discurso Milanez (2021). Os objetivos específicos são: a) compreender o processo de constituição da subjetividade da mulher violentada, passando pela dessubjetivação e pela ressubjetivação; b) analisar como a articulação da resistência das mulheres produz relações outras de poder; c) verificar como se articula a verdade enquanto ferramenta de poder para a produção de discursos das vítimas. Sob essa perspectiva, esperamos concluir que o ato de relatar suas experiências é uma forma de articulação de resistência que engendra novas relações de poder, constituindo nos sujeitos sobreviventes uma subjetividade ética
Descrição
Palavras-chave
Mulheres, Papéis de gênero, Resistência, Análise do discurso, Estudos de gênero, Subjetividade, Patriarcado