Análise cinemática da marcha e a comparação das estratégias utilizadas por indivíduos com doença de Parkinson e seus controles durante diferentes demandas funcionais: um estudo transversal de caso-controle

Data

2025-09-08

Autores

Anjos, Amanda Lima Nogueira dos

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Resumo

Introdução: Os comprometimentos da marcha são um dos aspectos mais desafiadores do dia-a-dia dos indivíduos com doença de Parkinson (DP). Muitos estudos, utilizando uma variedade de instrumentos, tentaram descrever quais são os principais parâmetros para compreender o desempenho da marcha nessa população. No entanto, esses instrumentos são limitados e não fornecem informações tridimensionais mais aprofundadas. Objetivo: avaliar e comparar as características cinemáticas da marcha em velocidade autos selecionada, marcha com dupla tarefa, marcha com obstáculo e durante o turning em indivíduos com DP e seus controles. Método: trata-se de um estudo transversal do tipo caso-controle, composto por 120indivíduos, sendo 60 indivíduos com DP (GDP) de leve a moderada, caracterizados pela Escala Unificada da doença de Parkinson (MDS-UPDRS) e pela Escala de Hoehne Yahr Modificada (H&Y) e 60 indivíduos controle (GC), pareados quanto a idade e sexo. A avaliação cognitiva foi realizada pelo Miniexame do Estado Mental (MEEM) e, para a análise cinemática da marcha, os participantes foram submetidos a quatro demandas funcionais: marcha em velocidade autos selecionada, marcha com dupla tarefa (DT), marcha obstáculo e durante o turning. Para a comparação das variáveis cinemáticas da marcha durante as diferentes demandas funcionais entre o GDP e o grupo controle (GC) foi utilizado o teste de Mann-Whitney. A comparação intragrupo entre as variáveis da marcha em velocidade autos selecionada e marcha com DT foi realizada pelo teste de Wilcoxon. Os dados das séries temporais dos ângulos do quadril, joelho e tornozelo do ciclo da marcha foram analisados pelo mapeamento paramétrico estatístico (SPM). A significância estatística adotada foi de p<0,05.Resultados: durante a marcha em velocidade autos selecionada foram observadas redução no comprimento do passo 1 (p= 0,009) e 2 (p<0,001; d= -0,45),cadência (p= 0,046) e velocidade média (p<0,001; d= -0,47), além de maiores valores de amplitude médio lateral (p=0,038), ângulo mínimo de joelho (p<0,001; d= 0,38),ângulo mínimo (p<0,001; d= 0,44) e máximo de tornozelo (p=0,002) no GDP em comparação ao GC. Na marcha com DT, o GDP apresentou redução do comprimento do passo 2 (p<0,001; d= -0,41), amplitude vertical (p= 0,004) e velocidade média (p=0,002), e maiores valores de ângulo mínimo de joelho (p=0,007) e quadril (p=0,022),ângulo mínimo (p<0,001; d=0,42) e máximo de tornozelo (p=0,002). A análise intragrupo dessas tarefas revelou que, diante de uma DT, o GDP apresentou redução do comprimento do passo 1 (p=0,001), e 2 (p=0,030), cadência (p<0,001), velocidade média (p< 0,001) e amplitude vertical (p=0,025), bem como aumento do ângulo mínimo de joelho (p=0,001). O GC apresentou redução nas mesmas variáveis (exceto comprimento do passo 2), somado ao aumento da largura do passo (p=0,023) e amplitude médio lateral (p=0,007) durante a marcha com DT. Dificuldades adicionais foram observadas em tarefas mais complexas, como durante a marcha com obstáculo, em que o GDP apresentou redução do comprimento do passo 1 (p=0,001;d= -0,37) e 2 (p=0,011), na distância depois do obstáculo (p=0,004), distância do centro de massa (p<0,001; d= -0,31) e velocidade média (p<0,001; d= -0,41), além de maiores valores de ângulo mínimo (p=0,001; d= 0,36) e máximo de quadril (p<0,001;d= 0,50) e máximo de tornozelo (p=0,011). Enquanto que durante o turning todas as variáveis analisadas apresentaram redução no GDP em comparação ao GC, exceto a cadência e a velocidade média no turning. A análise do SPM revelou redução dos movimentos do quadril e tornozelo durante todo o ciclo da marcha, e do joelho, principalmente durante a fase de balanço do GDP em comparação ao GC. Conclusão: os indivíduos com DP apresentam menor velocidade e menor comprimento do passo em comparação ao GC, além de diminuição dos movimentos de quadril, joelho e tornozelo. Essas características se tornam mais pronunciadas de acordo com a complexidade. A redução dos movimentos do quadril foi observada ao longo de praticamente todo o ciclo durante as três tarefas analisadas pelo SPM. No joelho, essa redução concentrou-se sobretudo na fase de balanço, enquanto no tornozelo foi observado maior plantiflexão em todo o ciclo. Estas evidências são importantes para o estabelecimento de planos terapêuticos eficazes para o manejo da marcha na DP

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Palavras-chave

Parkinson, Doença de, Idosos, Análise da marcha, Análise espaço-temporal, Série temporal, Marcha humana

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