Hemodinâmica testicular em touros jovens e sua relação com o perímetro escrotal
Data
2025-02-27
Autores
Bronoski, Lukas Gaudencio
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Resumo
Atualmente a utilização de touros em monta natural é a principal forma de reprodução em bovinos no Brasil, embora as biotecnologias reprodutivas estejam crescendo nos últimos anos. Para que a utilização dos touros ocorra com sucesso é imprescindível que esses animais estejam aptos à reprodução. Para a produção de espermatozoides viáveis acontecer é necessário uma série de fatores, entre eles a adequada termorregulação testicular, em especial nos locais com temperaturas desafiadoras a esses animais. O melhor entendimento dos mecanismos de termorregulação testicular é essencial para otimizar e possibilitar a utilização de touros em regiões de clima quente. Dessa forma, o presente estudo avaliou a hemodinâmica testicular de touros da raça Nelore com diferentes perímetros escrotais e com idade entre 14 e 18 meses e verificar as diferenças entre os grupos de maior e menor perímetro escrotal. O experimento foi realizado em Londrina – PR, com coletas mensais nos meses de janeiro a março de 2024. A amostra geral foi composta por 48 touros da raça Nelore, com idade entre 14 e 18 meses, dos quais foram estabelecidos, após medição do perímetro escrotal, dois grupos experimentais: G1 - composto pelos 12 animais com maior perímetro escrotal (média de 39,2 ± 2,8 cm); e, G2 – composto pelos 12 animais com menor perímetro escrotal (média de 29,6 ± 2,9 cm). Com auxílio da ultrassonografia Doppler pulsado foram coletadas as informações de velocidade média, velocidade de pico sistólico, velocidade de pico diastólico, índice de pulsatilidade e o índice de resistividade referente à artéria supra testicular para os grupos experimentais. Foi realizada também a correlação de Pearson entre as variáveis mensuradas. A velocidade média foi de 15,37 ± 3,88 cm/s, sendo maior nos animais com maior perímetro escrotal (16,96 ± 3,9 cm/s) em comparação com os de menor perímetro (13,78 ± 3,1 cm/s) (p < 0,001). A velocidade de pico sistólico também foi superior nos animais com maior perímetro escrotal (21,9 ± 5,1 cm/s vs. 19,6 ± 4,7 cm/s, p = 0,038). Os índices de pulsatilidade e resistividade foram menores nos touros com maior perímetro escrotal (0,45 ± 0,18 vs. 0,61 ± 0,21, p < 0,001; e 0,49 ± 0,15 vs. 0,57 ± 0,13, p = 0,019, respectivamente). Assim através dos resultados foi possível observar diferenças dos parâmetros mensurados entre os dois grupos de animais (animais com maior perímetro e menor perímetro escrotal) Além disso, foi observada uma alta correlação positiva entre o perímetro escrotal e o fluxo sanguíneo testicular, indicando que touros com maior perímetro escrotal possuem melhor perfusão sanguínea testicular e potencialmente maior eficiência reprodutiva. Conclui-se que a ultrassonografia Doppler pulsado é uma ferramenta eficaz para avaliar a hemodinâmica testicular em touros Nelore jovens, demonstrando que animais com maior perímetro escrotal apresentam melhor perfusão sanguínea testicular, o que pode estar relacionado à maior eficiência na termorregulação e na produção espermática
Descrição
Palavras-chave
Andrologia veterinária, Bovinos, Doppler, Ultrassonografia, Testículos, Espermatozóides