Associação entre o tempo de tela e a percepção de saúde em estudantes do ensino médio: análise por indicadores individuais e perfis de risco comportamental e psicossocial

Data

2026-07-29

Autores

Ramos, João Lucas Marques

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Resumo

Contextualização: A adolescência é marcada por mudanças biológicas, psicológicas e sociais que podem influenciar a saúde atual e futura. Nesse período, o elevado tempo de tela e a percepção de saúde (PS), enquanto indicador global da condição de saúde, constituem aspectos relevantes para compreender vulnerabilidades entre escolares. Investigar o tempo de tela mentalmente passivo (TT MP) em conjunto com indicadores individuais e perfis de risco comportamental e psicossocial pode contribuir para identificar grupos prioritários para ações de promoção da saúde. Objetivo: Examinar as associações entre o TT MP e a PS negativa em estudantes do Ensino Médio, considerando indicadores sociodemográficos e antropométricos, bem como perfis de risco comportamental e psicossocial. Métodos: Estudo observacional analítico, transversal, conduzido com 1.067 estudantes do 1º ao 3º ano do Ensino Médio da rede pública urbana de Londrina (PR). As informações sociodemográficas, TT, PS, comportamentos de risco e indicadores psicossociais foram obtidas por autorrelato, enquanto as medidas antropométricas foram aferidas por equipe treinada. A PS foi avaliada por pergunta única e categorizada em positiva ou negativa. O TT foi classificado em mentalmente ativo e mentalmente passivo. O risco comportamental foi definido pelo acúmulo de consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas, e o risco psicossocial pelo acúmulo de sintomatologia depressiva ou ansiosa elevada e diagnóstico clínico. As associações foram estimadas por regressão de Poisson com variância robusta, em modelos brutos e ajustados. Foi usado o SPSS 30.0, adotandose significância de 5%. Resultados: Os estudantes tinham média de idade de 16,64±0,93 anos, sendo 53,7% do sexo feminino. Na análise por indicadores individuais, o TT MP =5h/dia associou-se à maior prevalência de PS negativa na análise bruta (RP=1,36; IC95%: 1,14–1,62; p<0,001), mas essa associação foi atenuada após ajuste por sexo, nível socioeconômico e adiposidade central (RP=1,17; IC95%: 0,98–1,39; p=0,080). Sexo feminino, menor nível socioeconômico e maior risco de adiposidade central permaneceram associados à maior prevalência de PS negativa. Na análise por perfis de risco, meninas apresentaram maiores indicadores de sintomatologia depressiva, ansiosa e alto risco psicossocial (60,6%). O TT MP =5h/dia associou-se à PS negativa apenas na análise bruta (RP=1,42; IC95%: 1,15– 1,75), sem manutenção após ajuste. No modelo final, sexo feminino (RP=1,75; IC95%: 1,41–2,17; p<0,001), alto risco psicossocial (RP=1,77; IC95%: 1,45–2,16; p<0,001) e acúmulo de dois ou três comportamentos de risco (RP=1,26; IC95%: 1,03–1,55; p=0,024) permaneceram associados ao desfecho. Conclusão: A associação entre TT MP e PS negativa foi observada nas análises brutas, mas não se manteve após os ajustes. A PS negativa mostrou-se mais consistentemente associada a sexo feminino, menor nível socioeconômico, adiposidade central, alto risco psicossocial e acúmulo de comportamentos de risco, indicando que a saúde percebida dos adolescentes parece refletir um conjunto mais amplo de vulnerabilidades individuais, comportamentais e psicossociais do que a exposição ao TT MP isoladamente

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Palavras-chave

Adolescentes, Saúde mental, Comportamentos de risco à saúde, Tempo de tela

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