Impacto da doença renal crônica e da inflamação sistêmica sobre o metabolismo do ferro e alterações hemogasométricas em cães
Data
2025-05-14
Autores
Brandão, Mariza Dinah Manes
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Resumo
A anemia é uma ocorrência comum na doença renal crônica (DRC) e considerada multifatorial. Entre os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento, destaca-se a alteração no metabolismo do ferro. Condições inflamatórias alteram o metabolismo desse íon, induzindo a síntese de hepcidina, resultando em redução da sua disponibilidade sérica e consequente anemia. Além da anemia, a DRC causa outras alterações, como a redução da capacidade de excreção renal acarretando alterações ácido-base. A tese consiste nas alterações no metabolismo do ferro em cães com DRC e leptospirose em um contexto inflamatório. Adicionalmente, investiga-se as alterações na hemogasometria, comparando as abordagens, em cães com DRC. Estes achados foram compilados em três artigos. No primeiro, objetivou-se analisar e comparar as concentrações séricas de hepcidina, interleucina-6 (IL-6), eritropoetina (EPO) e parâmetros do metabolismo do ferro em 41 cães. Dos 17/41 cães eram sadios e 24/41 com DRC, estadiados em IRIS I:12 e IRIS II-IV:12. Realizou-se, hemograma, ureia, creatinina, alanina aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina, albumina, proteína totais, dimetilarginina simétrica (SDMA), ferro, capacidade total de ligação do ferro (TIBC), transferrina e índice de saturação de transferrina (IST%), eletrólitos, urinálise e relação proteína:creatinina urinária (UPC). As concentrações de hepcidina EPO, IL-6, ferritina foram mensuradas por método imunoenzimático. Os grupos de cães doentes apresentaram aumento da hepcidina sérica comparados aos saudáveis (p<0,001). Tal aumento precedeu a redução dos níveis séricos de EPO. Cães anêmicos com DRC apresentaram níveis séricos inferiores de ferro (p=0,018), TIBC (p=0,005), transferrina (p=0,004) e EPO (p=0,013) comparados aos não anêmicos com DRC. A hepcidina associou-se negativamente a contagem de hemácias (r=-0,341 p=0,048) e hemoglobina (r=-0,383 p=0,025). Conclui-se que assim como a EPO, a hepcidina também atua na patogenia na anemia da DRC em cães. O segundo artigo teve como objetivo avaliar as concentrações séricas de hepcidina e dos parâmetros do metabolismo do ferro em 13 cães anêmicos, azotêmicos e com diagnostico presuntivo de leptospirose e em 16 cães saudáveis. Realizou-se hemograma, urinálise, mensuração sérica de ureia, creatinina, proteína total, albumina, fósforo, eletrólitos, ferro, TIBC, transferrina e IST%. As concentrações de hepcidina e ferritina mensuradas por método imunoenzimático. Houve aumento significativo nos níveis séricos de ferritina no grupo doente em relação ao grupo controle (p=0,040). A correlação positiva entre a ferritina e a leucocitose por neutrofilia (r=0,389 p=0,045), sugeriu inflamação decorrente da lesão tecidual causada pelo agente. Contudo, não houve diferença significativa nas concentrações séricas de hepcidina entre os grupos avaliados (p=0,509). Os demais parâmetros relacionados ao metabolismo do ferro não apresentaram alterações que justificassem a anemia observada nos cães doentes. O terceiro artigo teve como objetivo caracterizar os desequilíbrios hídrico, eletrolítico e ácido-base além de comparar quantitativamente os desequilíbrios pelas abordagens tradicional e quantitativa da hemogasometria em cães com DRC. Avaliou-se 34 cães com diagnóstico clínico e laboratorial de DRC e azotemia e 10 cães saudáveis. A hipercalemia 76,4% (26/34), hipocloremia em 58,8% (20/34) e hiponatremia (52,9%) (18/34) foram as alterações eletrolíticas mais comuns. A acidose metabólica foi o distúrbio ácido-base mais comum em ambas as abordagens utilizadas. Já a alcalose metabólica foi detectada apenas pela abordagem quantitativa, que, por sua vez, conseguiu identificar um número maior de distúrbios ácido-base no total. Concluiu-se, que o metabolismo do ferro e a hepcidina sérica podem ser análises adicionais no diagnóstico de DRC em cães, assim como na medicina. A anemia em infecções é complexa e multifatorial. Isso pode explicar por que, mesmo com a presença de anemia em cães com leptospirose, nem sempre observamos alterações no metabolismo do ferro. A abordagem quantitativa identifica distúrbios ácidos-base que não seriam detectados pela abordagem tradicional, principalmente em casos complexos
Descrição
Palavras-chave
Hepcidina, Anemia, Leptospirose, Acidose metabólica, Cães, Doença renal crônica