Práticas autoritárias na polícia militar do Paraná (2018-2022) e sua representação na grande mídia: a questão do inimigo interno

Data

2026-07-01

Autores

Furlaneto, Matias Soares

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Resumo

O presente trabalho analisa, se valendo como base teórica o marxismo e a escola althusseriana, as práticas autoritárias da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), que flertam com o neofascismo, no contexto do governo estadual de Ratinho Junior, período que compreende também a campanha eleitoral de 2018 e o término do governo Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022. O estudo parte da hipótese de que tais práticas se manifestam tanto no plano da ação policial concreta, como também pela representação da grande mídia, que atua como aparelho ideológico na legitimação da violência estatal e na reprodução da noção do “inimigo interno”. Essa categoria, historicamente forjada pela Doutrina de Segurança Nacional, constitui o fio condutor da pesquisa, permitindo observar continuidades entre a repressão aberta da ditadura militar e a criminalização velada de sujeitos sociais no contexto contemporâneo. O recorte territorial se justifica pelos elevados índices históricos de violência policial no Paraná e pela relevância política do estado no fortalecimento de setores bolsonaristas. Em seguida, analisa-se como o avanço do neoliberalismo, aliado à ascensão do bolsonarismo e da extrema-direita, reatualizou essa lógica, intensificando práticas racistas e seletivas de repressão voltadas contra pobres, negros, movimentos sociais e coletivos estudantis. No núcleo empírico, são examinadas práticas da PM-PR em articulação com a cobertura de portais digitais de grande alcance regional (RPC, Rede Massa e RIC Paraná), a partir de análise discursiva de conteúdos noticiosos que utilizam termos como “confronto”, “bandido” ou “suspeito”. Argumenta-se que a mídia não apenas descreve fatos, mas participa ativamente da produção de sentidos que naturalizam a violência policial, ocultam sua seletividade e reforçam hierarquias sociais e raciais. A pesquisa argumenta, assim, que as práticas autoritárias da PM-PR, que flertam com o neofascismo, no PR, entre 2018 e 2022, não podem ser compreendidas isoladas da mídia

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Palavras-chave

Força policial, Inimigo interno, Fascismo, Grande mídia, Violência policial, Bolsonarismo, Marxismo, Paraná Polícia Militar

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