Klebsiella pneumoniae: 10 anos de estudo epidemiológico no hospital universitário de Londrina
Data
2026-02-27
Autores
Brito, Andressa Sulamita Siqueira Menezes de
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Resumo
Resumo: Klebsiella pneumoniae é um patógeno de elevada relevância clínica, frequentemente associado a infecções hospitalares graves, incluindo pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção do trato urinário relacionada a cateter vesical de demora e infecção da corrente sanguínea (ICS). Nas últimas décadas, observou-se aumento expressivo da resistência desse microrganismo aos carbapenêmicos e, mais recentemente, às polimixinas, restringindo de forma significativa as opções terapêuticas e contribuindo para desfechos clínicos desfavoráveis. Esse cenário foi agravado durante a pandemia de COVID-19, em razão do aumento das internações em unidades de terapia intensiva, do uso intensivo de antimicrobianos de amplo espectro e da maior exposição a procedimentos invasivos. Este estudo teve como objetivo caracterizar os aspectos epidemiológicos, clínicos, microbiológicos e moleculares das infecções da corrente sanguínea causadas por K. pneumoniae resistente a carbapenêmicos e polimixinas (CR/PR) em um hospital universitário do sul do Brasil, no período de 2015 a 2024, com ênfase no contexto pandêmico. Foram analisadas 13.172 amostras clínicas de K. pneumoniae isoladas no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná, das quais 868 foram provenientes de sangue periférico, considerando-se apenas o primeiro isolado por paciente. A identificação microbiológica e os testes de suscetibilidade foram realizados por meio do sistema automatizado VITEK2® (bioMérieux). A detecção de genes de carbapenemase foi realizada por reação em cadeia da polimerase (PCR), e os dados clínicos foram obtidos a partir do prontuário eletrônico MEDVIEW. As análises estatísticas foram conduzidas no software SPSS (versão 25.0), adotando-se p < 0,05 como nível de significância. Os resultados demonstraram aumento progressivo da densidade de incidência de isolados resistentes ao longo do período estudado, particularmente durante os anos da pandemia, além de elevada prevalência do gene blaKPC, identificado em 78% dos casos. Entre os pacientes com COVID-19, observaram-se maiores taxas de resistência fenotípica e genotípica, bem como associação com obesidade, hipertensão arterial sistêmica, maior gravidade clínica e necessidade de suporte invasivo. A análise de regressão logística identificou síndrome respiratória aguda grave e índice de massa corporal elevado como preditores independentes de infecção por cepas resistentes. Esses achados contribuem para o entendimento da dinâmica da resistência bacteriana em ambientes hospitalares de alta complexidade e reforçam a relevância da vigilância microbiológica contínua e de estratégias de controle da resistência antimicrobiana.
Descrição
Palavras-chave
Klebsiella pneumoniae, Infecções da Corrente Sanguínea, Resistência Microbiana a Medicamentos, COVID-19, Carbapenemases, Infecções hospitalares, Epidemiologia