Influência da suplementação de quercetina sobre parâmetros metabólicos, inflamatórios e estado redox em pacientes com doença de Crohn

Data

2026-03-18

Autores

Arceni, Beatriz Suellen

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Resumo

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica caracterizada por inflamação persistente da mucosa intestinal, alterações metabólicas e aumento do estresse oxidativo, decorrente da produção excessiva de espécies reativas de oxigênio. Apesar dos avanços terapêuticos, uma parcela significativa dos pacientes apresenta resposta inadequada ou perda de eficácia ao tratamento convencional, o que tem estimulado a investigação de estratégias terapêuticas complementares capazes de atuar em mecanismos adicionais da fisiopatologia da doença, como o estresse oxidativo (EO). Nesse contexto, a quercetina, um flavonoide amplamente presente em alimentos de origem vegetal, tem despertado interesse devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O objetivo geral desta tese foi de avaliar a influência da suplementação de quercetina na modulação dos marcadores metabólicos, inflamatórios e do estresse oxidativo em pacientes com doença de Crohn. Para isso, os resultados foram organizados em dois artigos científicos. O primeiro artigo consistiu em uma revisão sistemática que avaliou os efeitos da quercetina na DII, abordando estudos experimentais e clínicos disponíveis nos ultimos 10 anos. O segundo artigo correspondeu a um ensaio clínico cego por conveniencia e placebo-controlado, no qual 46 pacientes com DC foram alocados para receber suplementação com quercetina (n = 22) ou placebo (n = 24) por oito semanas, com análise de marcadores metabólicos, inflamatórios e de estresse oxidativo (EO). A revisão sistemática demonstrou que a quercetina apresenta potencial efeito antioxidante e anti-inflamatório, evidenciado principalmente em estudos experimentais, com redução de citocinas pró-inflamatórias como TNF-a; IL-1ß; IL-6 e INF-?, atenuação do dano oxidativo e preservação da integridade da mucosa intestinal. Entretanto, a revisão também evidenciou a escassez de estudos clínicos em humanos e a heterogeneidade metodológica dos trabalhos disponíveis, reforçando a necessidade de ensaios clínicos bem delineados. No ensaio clínico, embora alterações tenham sido observadas em ambos os grupos, a análise de delta revelou diferenças significativas entre o grupo quercetina e o grupo placebo, com aumento de produtos avançados de oxidação proteica no grupo placebo (p = 0,045) e ativação de componentes do sistema antioxidante no grupo suplementado com quercetina, especialmente do sistema glutationa, evidenciada pelo aumento da glutationa total (p = 0,008) e da glutationa reduzida (p = 0,002). Adicionalmente, análises de correlação no grupo quercetina indicaram associações significativas entre marcadores metabólicos, inflamatórios e parâmetros antioxidantes, sugerindo modulação do equilíbrio redox sistêmico. Em conjunto, os resultados desta tese indicam que a quercetina pode contribuir para a modulação do EO em pacientes com DC, especialmente por meio do fortalecimento de sistemas antioxidantes endógenos, como o sistema glutationa. Embora não tenham sido observadas diferenças clínicas marcantes em curto prazo, os achados reforçam o potencial da quercetina como estratégia adjuvante no manejo da doença e apontam para a necessidade de estudos futuros com maior duração e amostras mais amplas para a consolidação de seus efeitos clínicos

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Palavras-chave

Doença de Crohn, Quercetina, Estresse oxidativo, Inflamação intestinal, Quercetina - doença de Crohn, Quercetina - estresse oxidativo

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