Bacteremia por Pseudomonas aeruginosa: perfil epidemiológico em hospital universitário de Londrina, no período de 2020 a 2025
Data
2026-03-27
Autores
Moreira, Maria Julia Onça
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Resumo
Pseudomonas aeruginosa possui uma elevada capacidade de adaptação ambiental e persistência em condições hospitalares, que favorecem a colonização de pacientes críticos e a disseminação do microrganismo em unidades de terapia intensiva (UTI). P. aeruginosa é responsável por causar infecções em diversos sítios anatômicos, destacando trato respiratório, trato urinário, corrente sanguínea (ICS) e pele e partes moles. As ICS por P. aeruginosa representam importante problema de saúde pública, sobretudo em ambiente hospitalar devido à elevada morbimortalidade, à capacidade desse patógeno de persistir em superfícies e dispositivos médicos e à sua notável habilidade de desenvolver resistência antimicrobiana. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar as características epidemiológicas e clínicas de isolados de P. aeruginosa provenientes de hemoculturas de pacientes internados no Hospital Universitário de Londrina, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. As hemoculturas foram realizadas no sistema BACTEC™ FX40, a identificação microbiológica e os testes de suscetibilidade foram realizados pelo sistema automatizado VITEK2® (bioMérieux). Os dados clínicos foram obtidos a partir do prontuário eletrônico MedView e Labhos. As análises estatísticas foram realizadas comparando o grupo de pacientes que foram a óbito e tiveram alta, pelo software SPSS (versão 25.0), adotando-se p < 0,05 como nível de significância. No período estudado, foram identificados 218 pacientes com ICS por P. aeruginosa, com 120 óbitos (55%), sendo a mortalidade maior no período de Covid-19 (61,7% vs. 38,3%). A média de idade foi semelhante entre os grupos (54±24 vs. 50±25), sem diferença significativa. Observou-se predomínio do sexo masculino entre os pacientes que evoluíram para óbito (52,5%). A internação em UTI (p<0,001; OR=2,90), o uso prévio de antimicrobianos (p=0,022; OR=2,03), procedimentos invasivos, como ventilação mecânica (OR=5,94) e sonda nasogástrica (OR=6,47) associaram-se ao óbito, assim como infecção de foco pulmonar (p=0,016; OR=1,98). O tempo médio de internação foi semelhante entre os grupos (46 dias) alta e óbito, com ampla variabilidade no tempo de internação. A densidade de incidência total aumentou de 0,26 (2020) para 0,35 episódios/1.000 pacientes-dia (2022), reduzindo para 0,16 em 2025, acompanhada por diminuição dos isolados resistentes de 0,12–0,14 para 0,04. Observou-se aumento da proporção de isolados sensíveis de 45,83% para 75%, com redução dos resistentes, que atingiram 25% em 2025. Entre os tratamentos, meropenem (p=0,004; OR=2,09) e polimixinas (p<0,001; OR=3,68) associaram-se a maior mortalidade, enquanto o cefepime apresentou efeito protetor (OR=0,31). Em conjunto, os achados reforçam a relevância da vigilância microbiológica contínua, do uso racional de antimicrobianos e da implementação de estratégias eficazes de controle de infecção para reduzir desfechos desfavoráveis em ICS por P. aeruginosa
Descrição
Palavras-chave
Infecção da corrente sanguínea, Carbapenêmicos, Resistência antimicrobiana, Meropenem, Epidemiologia, Agente antimicrobiano, Unidades de terapia intensiva