Educação em saúde e cascata do cuidado em HIV/AIDS: fatores associados aos desfechos do cuidado em um serviço especializado no Paraná
Data
2025-12-11
Autores
Monteiro, Ana Carolina Souza de Lima
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Resumo
Introdução: A cascata do cuidado às pessoas que vivem com HIV/Aids constitui uma estratégia central para monitorar a continuidade assistencial e os desfechos do tratamento. Entretanto, permanecem escassos os estudos regionais que integrem determinantes sociodemográficos, comportamentais e clínicos aos desfechos da cascata, bem como que avaliem intervenções educativas. Objetivo: Analisar a cascata do cuidado contínuo de PVHA, à luz da vigilância em saúde e dos determinantes sociais da saúde, e verificar a associação entre fatores sociodemográficos, comportamentais e clínicos e os desfechos da cascata (retenção no cuidado, dispensação regular de antirretrovirais e supressão viral), bem como a intervenção educativa em saúde sobre a supressão viral sustentada. Método: Desenvolveram-se dois estudos transversais analíticos em um serviço de assistência especializada do Paraná. O estudo I incluiu 493 indivíduos vinculados ao serviço entre 2020 e 2022. O Estudo II avaliou 377 pessoas em seguimento clínico e analisou a supressão viral em função da exposição ao “Material Educativo sobre HIV”. Os dados sociodemográficos, comportamentais e clínicos foram obtidos de prontuários e sistemas de informação do Ministério da Saúde. O estudo I empregou a regressão de Poisson com variância robusta (Razão de Prevalência) e estudo II empregou a regressão logística hierárquica (Razão de Chances). CAAE: 30299820.3.0000.5231. Resultados: No estudo I, observou-se um perfil majoritariamente masculino, jovem, branco, com escolaridade superior a oito anos e elevada proporção de homens que fazem sexo com homens. A retenção no cuidado foi elevada (95%), porém apenas 81% mantiveram dispensação regular de antirretrovirais; destes, 89% atingiram supressão viral, resultando em supressão global de 69% entre todos os vinculados ao serviço. A maioria dos preditores não manteve associação independente com os desfechos, porém autodeclarar-se homossexual/bissexual esteve associado à maior prevalência de dispensação regular de terapia antirretroviral, enquanto a menor escolaridade permaneceu associada à menor prevalência de supressão viral. No estudo II, 33,9% da amostra foi exposta à intervenção educativa. Observou-se na amostra que 83% mantiveram dispensação regular de terapia antirretroviral e 89,4% alcançaram supressão viral sustentada. Entre os expostos à intervenção educativa, a supressão foi de 91,8% e 88,1% entre os não expostos. A intervenção não apresentou associação estatisticamente significativa; porém, a escolaridade superior a oito anos (OR= 2,97; IC95% 1,31–6,76) e a raça não branca (OR= 2,91; IC95% 1,25–6,76) aumentaram as chances de supressão viral sustentada. Conclusão: A cascata do cuidado contínuo apresentou desempenho próximo às metas 95–95–95, com lacunas na continuidade da terapia antirretroviral. Desigualdades sociais influenciaram os desfechos, e a educação em saúde, mediada por tecnologia educativa – “Material Educativo sobre HIV”, demonstrou potencial para fortalecer o engajamento terapêutico e a supressão viral, reforçando o papel estratégico da enfermagem na promoção do cuidado contínuo e na redução das iniquidades em HIV.
Descrição
Palavras-chave
Sobreviventes de longo prazo ao HIV, Educação em saúde, Determinantes sociais da saúde, Enfermagem em saúde pública