Qual variável do teste de caminhada de 6 minutos é melhor determinante da atividade física moderada-a-vigorosa em indivíduos com DPOC: a distância percorrida ou o produto distância-saturação?
Data
2025-11-24
Autores
Santos, Amanda Pucca dos
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Resumo
O teste da caminhada de 6 minutos (TC6min) é muito comumente utilizado em todo o mundo na avaliação de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Para além disso, a distância percorrida no teste (DTC6min) é um importante preditor de mortalidade e se mostrou como um dos maiores determinantes do nível de atividade física na vida diária (AFVD) nessa população. Mais recentemente, uma nova variável derivada do TC6min tem sido proposta como útil na interpretação dos resultados do teste. Essa variável, o produto distância-saturação (DSP), considera não apenas a distância percorrida, mas também a saturação de oxigênio (SpO2) durante o teste. No entanto, ainda não se sabe se o DSP apresenta associação mais robusta com a principal variável da AFVD, o tempo gasto/dia em atividade física de intensidade moderada-a-vigorosa (AFMV), do que a DTC6min isoladamente. Objetivo: Comparar o DSP e a DTC6min enquanto determinantes do tempo diário em AFMV em indivíduos com DPOC estável. Métodos: Indivíduos com DPOC tiveram a AFVD (em especial o tempo gasto/dia em AFMV) avaliada ao longo de sete dias consecutivos por meio de um acelerômetro (ActiGraph wGT3X-BT). O TC6min foi realizado conforme as diretrizes internacionais, sendo o DSP calculado como DTC6min x menor SpO2 atingida durante o teste. Os desfechos secundários incluíram função pulmonar, força muscular, composição corporal, dispneia, qualidade de vida relacionada à saúde, estado de saúde geral e sintomas de ansiedade e depressão. Resultados: Foram estudados 56 indivíduos (27 homens; 69±6 anos; VEF1 48±20% do previsto). A média da DTC6min foi de 429±104 metros, da menor SpO2 foi de 87±4% e do DSP foi de 378±100. A mediana do tempo gasto/dia em AFMV foi de 6 [5–10] minutos, enquanto o tempo sedentário (TS) por dia foi de 530±133 minutos. O DSP apresentou correlações moderadas com tempo gasto/dia em AFMV em minutos (r = 0,53) e em % do dia (r = 0,52), TS/dia em minutos (r = -0,43) e em % do dia (r = -0,54), além de correlações com variáveis espirométricas (0,37 < r < 0,48), limitação por dispneia (r = -0,41) e sintomas depressivos (r = -0,34). A DTC6min mostrou correlações de magnitude similar ao DSP com tempo gasto/dia AFMV em minutos (r = 0,54) e em % do dia (r = 0,55), TS/dia em minutos (r = -0,39) e em % do dia (r = -0,54), limitação por dispneia e sintomas depressivos, além de correlações ligeiramente mais fracas com as variáveis espirométricas. Regressões lineares simples também mostraram valores similares de associação do DSP e DTC6min com o tempo gasto/dia em AFMV. Por fim, foram construídos dois modelos de regressão múltipla independentes. No modelo com o DSP, a variação do tempo gasto/dia em AFMV foi explicada pelo DSP (41%) e pelo VEF1 (9%), com R² do modelo = 0,50 (p<0,001). No modelo com a DTC6min, a variação do tempo gasto/dia em AFMV foi explicada pela DTC6min (40%) e pelo VEF1 (13%), com R² do modelo = 0,53 (p<0,001). Conclusão: Em indivíduos com DPOC estável, o tempo gasto/dia em AFMV pode ser explicado de forma similar pelo DSP e pela DTC6min. Esse é o primeiro estudo evidenciando o potencial do produto distância-saturação como determinante da inatividade física nessa população.
Descrição
Palavras-chave
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), Teste de caminhada de seis minutos, Atividade física, Saturação de oxigênio, Exercícios físicos