Efeitos de um programa de exercícios supervisionado associado a exercícios domiciliares multimodais em indivíduos pós-hospitalização por COVID-19

Data

2024-04-01

Autores

Maluf, Jordana Cordeiro

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Resumo

Introdução: A COVID-19 é uma infecção viral que atinge principalmente o sistema respiratório, sendo que a gravidade da doença varia individualmente. As sequelas pós-infecção incluem danos neuropsicológicos, físicos e funcionais. Indivíduos com sintomas persistentes após a recuperação da COVID-19 são encaminhados para reabilitação, mas a melhor abordagem ainda não foi estabelecida. A fisioterapia tem o papel de amenizar e tratar estas sequelas, por meio da reabilitação, sendo que o melhor protocolo de tratamento fisioterapêutico ainda não foi estabelecido. Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi analisar os efeitos e a viabilidade de um treinamento de resistência e força de alta intensidade supervisionado ambulatorialmente de 8 semanas associado a exercícios domiciliares multimodais, sobre desfechos físicos e funcionais, níveis de ansiedade e depressão e qualidade de vida em indivíduos pós-hospitalização por COVID-19. Metodologia: Estudo não-randomizado com amostragem de conveniência, adultos de ambos os sexos relatando fraqueza muscular, dispneia, e/ou fadiga após a hospitalização COVID-19, com limitações significativas. Os dados foram coletados entre junho a dezembro de 2021. O programa de exercícios incluiu a combinação de um treinamento resistido de alta intensidade e força, supervisionado de 8 semanas (duas vezes por semana ambulatorialmente) e um treinamento domiciliar multimodal (uma vez por semana). Os seguintes desfechos foram avaliados antes (pré) e imediatamente após (pós) o programa de treinamento: função pulmonar (espirometria), capacidade de exercício (teste de caminhada de 6 minutos - TC6), capacidade funcional (sentar para levantar - STS-1min e Escala Funcional Pós-COVID - PCFS), força muscular (preensão manual - FPM e máxima de uma repetição - 1RM de cinco grupos musculares), qualidade de vida (Short Form Health Survey - SF-36) e níveis de ansiedade e depressão (Hospital Anxiety and Depression Scale - HADS). A viabilidade foi alcançada se 50% da amostra completou 90% das sessões do programa. Resultados: De um total de 101 indivíduos interessados no projeto, 46 iniciaram os testes de avaliação, 33 indivíduos deram continuidade e iniciaram o programa de treinamento, destes 22 concluíram todo o programa (idade média de 45±5 anos; 68% do sexo masculino). Após a intervenção, houve melhora da função pulmonar CVF(% pred) pré 74,5[61-79] vs pós 84,5[75-102], FEV1(L) pré 2,59[2,22-3,08] vs pós 3,44[2,39-3,7]litros, FEV1(% pred) pré 77,77±15,34 vs pós 92,27±16,17, do condicionamento físico TC6 pré 490±122 vs pós 582±95m e STS 1min pré 19[14-23] vs pós 26[23-30] repetições, da força muscular 1RM peitoral pré 18±10 vs pós 31±15Kg, grande dorsal pré 26[19-33] vs pós 36[23-45]Kg, tríceps braquial pré 17±6 vs pós 26±11Kg, bíceps braquial pré 15±7 vs pós 22±8Kg, quadríceps pré 24±12 vs pós 36±13Kg e FPM pré 34±15 vs pós 41±13Kg, HADS total pré 13±8 vs pós 10±7 pontos, PCFS pré 3[2-3] vs pós 1[0-2] pontos; p<0.05 para todos. Observaram-se tamanhos de efeito médio a grande para os principais resultados. A viabilidade foi alcançada, pois 66% dos participantes completaram 90% das sessões do programa. Conclusão: O treinamento supervisionado de resistência e força de alta intensidade associado ao exercício domiciliar multimodal apresenta viabilidade e melhorou a capacidade de exercício, a funcionalidade, a força muscular, os sintomas de ansiedade e a qualidade de vida em indivíduos pós-hospitalização devido à COVID-19.

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Palavras-chave

COVID-19, Hospitalização, Treinamento resistido, Assistência Ambulatorial, Fisioterapia, Exercício físico, Treinamento de força, Capacidade funcional, Qualidade de vida

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