Currículo em análise: representatividade de questões étnico-raciais e de gênero nos cursos de licenciatura em ciências biológicas no Paraná

Data

2026-03-06

Autores

Conti, Júlia Faria

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Resumo

Esta dissertação tem como objetivo analisar como as temáticas étnico-raciais e de gênero estão incorporadas nos currículos prescritos e praticados dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas das instituições públicas do Paraná. Fundamentada em uma abordagem qualitativa de natureza interpretativa, a pesquisa adotou como procedimentos metodológicos a análise documental das matrizes curriculares e dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de 20 cursos pertencentes a 10 instituições públicas, bem como a aplicação de questionários a 16 docentes que lecionam disciplinas relacionadas às temáticas investigadas. Para o tratamento dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo de Bardin (2016) adaptada. Os resultados evidenciam uma presença significativa, porém assimétrica, das discussões étnico-raciais e de gênero nos currículos. Todos os cursos analisados possuem ao menos uma disciplina obrigatória voltada à Educação para as Relações Étnico-Raciais, evidenciando a influência direta do amparo legal das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Em contrapartida, seis dos vinte cursos não apresentam componentes curriculares obrigatórios que abordem a temática de gênero, o que revela sua institucionalização ainda frágil, periférica e pouco consolidada na formação inicial docente. A análise documental identificou 54 disciplinas que tratam dessas temáticas, com predominância de abordagens relacionadas à “Cultura Afro-Brasileira” e a “Direitos Humanos e Diversidade”. Discussões mais densas e estruturantes, como “decolonialidade”, “interseccionalidade”, “gênero e sexualidade”, aparecem de forma pontual, fragmentada e pouco sistematizada, o que limita a construção de uma formação crítica e integrada. A investigação junto aos docentes revelou fragilidades estruturais na formação profissional. A maioria dos participantes afirmou não ter recebido preparo adequado durante a graduação para abordar tais questões, e uma parcela significativa relatou não ter buscado ou não ter tido acesso a formações continuadas. Entre os principais desafios apontados destacam-se a resistência e o desconforto de parte dos discentes — frequentemente associados a discursos conservadores, preconceitos e crenças religiosas —, a insuficiência de apoio institucional e as dificuldades pedagógicas para tratar temas considerados sensíveis no contexto da formação científica. No âmbito das práticas pedagógicas, observou-se a adoção predominante de estratégias contextualizadoras, com inserção das discussões em perspectivas históricas, sociais e científicas, por meio de textos, debates e recursos audiovisuais, embora ainda seja limitada a utilização de metodologias ativas, projetos interdisciplinares e abordagens integradas ao currículo. Apesar dos avanços legais e da ampliação da visibilidade das temáticas étnico-raciais e de gênero, persistem desafios para a consolidação de uma formação docente comprometida com a equidade e a justiça social, evidenciando a necessidade de reestruturação curricular e de investimentos em formação docente crítica e decolonial, voltada a uma educação científica inclusiva, antirracista e antissexista

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Palavras-chave

Currículo, Ensino de Biologia, Formação de professores, Relações Étnico-Raciais e de Gênero, Biologia - Estudo e ensino

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