Beta-bloqueador carvedilol tem efeito citotóxico e induz estresse oxidativo em células de melanoma murino (B16-F10)
Data
2024-08-29
Autores
Silva, Isabela Chagas
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Resumo
Os ß-bloqueadores são medicamentos utilizados no tratamento de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Por conta da relação dos receptores beta (ß-AR) com a proliferação celular, esta classe farmacológica tem sido alvo de estudo no câncer. O atenolol, propranolol e carvedilol (CAR) são exemplos de ß-bloqueadores e seu principal mecanismo de ação é inibir a ação das catecolaminas, diminuindo a concentração de cAMP e consequentemente o estímulo da proliferação. O melanoma está no terceiro lugar em incidência entre os cânceres de pele e é o subtipo com pior prognóstico. Devido a sua agressividade é de suma importância a identificação de novos compostos para o seu tratamento. Por este motivo, os ß-bloqueadores precisam ser mais bem estudados neste tipo de câncer. Neste trabalho avaliamos o efeito citotóxico dos ß-bloqueadores destacando a atividade do CAR, o envolvimento do estresse oxidativo como possível mecanismo de ação. Para o melanoma utilizamos a linhagem de melanoma murino (B16-F10). Nesse estudo, as células B16-F10 e NIH-3T3 foram tratadas com CAR (1 a 50 µM), propranolol e atenolol (50 a 400 µM) durante 24 horas. Foram realizados os testes de viabilidade celular, parada de ciclo, diferenciação do tipo de morte, parâmetros de estresse oxidativo e imunocitoquímica. Dentre os três ß-bloqueadores utilizados, o CAR se demonstrou mais eficiente, causando diminuição da viabilidade de ambas as células em concentrações acima de 20 µM, inibição da formação de colônias, lesão e hiperpolarização mitocondrial, parada de ciclo celular na fase G0/G1, apoptose, aumento na produção de espécies reativas de oxigênio, alterações na produção de glutationa e aumento da marcação nuclear de 8-OHdG e Nrf2. Esses dados demonstram que mesmo que o CAR seja considerado uma molécula antioxidante, ele tem capacidade de gerar estresse oxidativo, causando diminuição da viabilidade celular, lesão mitocondrial, parada de ciclo e apoptose. Mais estudos são necessários para melhor elucidar a relação do CAR com estresse oxidativo. No entanto, esses dados demonstram que ele tem potencial para se tornar uma noda droga antitumoral, especialmente para o melanoma
Descrição
Palavras-chave
β-bloqueadores, Espécies reativas, Lesão celular, Apoptose, Parada de ciclo celular, Espécies reativas de oxigênio, Melanoma, Estresse oxidativo, Proliferação celular, Ciclo celular