Efeito analgésico, anti-inflamatório e antioxidante da PDX na dor e inflamação induzidas por ânion superóxido em camundongos

Data

2024-08-09

Autores

Carneiro, Jessica Aparecida

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Resumo

As espécies reativas de oxigênio (ERO) são fundamentais para a inflamação. Contudo, a geração exacerbada excede a capacidade antioxidante do organismo, resultando em injúrias teciduais. O uso de moléculas antioxidantes demonstra que as ERO são componentes chave na fisiopatologia da dor inflamatória. Neste contexto, o superóxido de potássio (KO2), um doador de ânion superóxido, induz inflamação e dor. Os mediadores lipídicos pró-resolução (SPMs) são moléculas bioativas derivadas do ácido graxos ?-6 e ?-3 que promovem a resolução da inflamação. A Protectina DX (PDX) demonstra atividade anti-inflamatória, antioxidante, pró-resolutiva e analgésica em diversos modelos. Tendo em vista essas características, nosso objetivo foi avaliar o efeito analgésico, anti-inflamatório e antioxidante da PDX em modelo de dor e inflamação induzido por KO2 em camundongos. Camundongos Swiss ou LysM-eGFP machos foram tratados com PDX (1, 3 ou 10 ng) ou salina estéril via intraperitoneal (i.p.), 1h antes da injeção de KO2 (30 µg via intraplantar [i.pl.] ou 1 mg [i.p.]). Excepcionalmente, nos testes comportamentais de sensibilidade mecânica e térmica basal e de atividade locomotora, o estímulo não foi administrado. O teste de von Frey eletrônico e o teste manual de filamentos de von Frey foram utilizados para avaliar a hiperalgesia e alodinia mecânica, respectivamente. A hiperalgesia térmica foi determinada pelo método de placa quente e pelo teste de Hargreaves. As medidas experimentais foram feitas nos tempos 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7h após estímulo. A atividade locomotora foi avaliada por teste de rota-rod nos tempos 0, 0.5, 1, 3, 5 e 7h. A dor manifesta foi determinada pelo número de contorções abdominais; o número de sacudidas de pata e o tempo de lambida da pata; ao longo de 20 e 30 minutos após estímulo, respectivamente. O desbalanço na distribuição de peso corporal sobre as patas traseiras foi avaliado pelo static weight bearing nos tempos 0, 1, 3, 5 e 7h após estímulo. O recrutamento leucocitário foi avaliado a partir da coleta de amostras plantares 7h após estímulo, com análise em microscopia de luz (coloração em hematoxilina-eosina) e microscopia confocal (imunofluorescência). A produção de citocinas (IL-1ß e TNF-a) foi avaliada por ELISA, 4h após estímulo. O estresse oxidativo foi avaliado pelos ensaios colorimétricos de catalase (coleta 1h após estímulo), NBT, ABTS, FRAP e GSH (coleta 3h após estímulo). A ativação do canal TRPV1 e a ativação de neurônios DRG foram avaliadas em microscopia confocal, 5h após estímulo. O potencial efeito tóxico do tratamento agudo com PDX foi avaliado pelos ensaios de ALT, AST, ureia, creatinina e atividade da mieloperoxidase estomacal, 7h após estímulo. Como resultados, obtivemos que a PDX reduz os comportamentos de dor analisados (hiperalgesia, alodinia, dor manifesta e desbalanço na distribuição de peso corporal), sem alterar a sensibilidade e capacidade motora normal dos animais. Como mecanismo, demonstramos que a PDX inibe a ativação de TRPV1 e, consequentemente, do neurônio DRG, demonstrando um inédito mecanismo analgésico. Além disso, a PDX diminuiu os níveis de citocinas pró-inflamatórias (TNF-a e IL-1ß) e os níveis de ânion superóxido, além de aumentar a capacidade antioxidante tecidual, sem alterar os níveis plasmáticos de ALT, AST, creatinina e ureia, ou a atividade da mieloperoxidase estomacal. Desta forma, este estudo evidenciou a propriedade analgésica, anti inflamatória e antioxidante segura da PDX em modelo de dor e inflamação desencadeada por uma ERO, sugerindo este SPM como uma promissora alternativa terapêutica.

Descrição

Palavras-chave

Mediadores Lipídicos Pró-Resolução, Espécies Reativas de Oxigênio, Dor, Inflamação, Protectinas, Estresse oxidativo, Analgesia, Antioxidante, Modelo experimental

Citação