A inserção da mulher negra na ciência: escrevivências enfrentando o racismo e o sexismo institucionais/estruturais no Brasil

Data

2026-04-22

Autores

Barbosa, Ana Paula

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Resumo

Resumo: Neste estudo priorizamos a luta pela participação e inserção das mulheres na ciência, tendo como ponto de partida as contribuições de Lélia Gonzalez, que ao fazer uso da interseccionalidade entre raça, gênero e classe, observou que a mulher negra, desde o período “pós-abolição” ocupa um lugar de subalternidade, petrificando-a como um objeto que poderia ser usado e depois descartado, no contexto do persistente mito da “democracia racial”. Neste contexto, o problema de pesquisa é analisar sociologicamente o processo desigual de inserção da mulher negra na ciência e as lutas pela ocupação desses espaços, enfrentando o racismo e o sexismo institucionais/estruturais no Brasil. Para isso, tomar como principal universo de análise: as pautas das três primeiras edições do “Encontro Nacional das Mulheres Negras” (1988, 1991 e 1997) e as contribuições de Lélia González. Nesse sentido, o objetivo geral é analisar sociologicamente o processo desigual de inserção da mulher negra na ciência e as lutas pela ocupação desses espaços, enfrentando o racismo e o sexismo institucionais/estruturais no Brasil. Os objetivos específicos são: a) estudar como o racismo e o sexismo institucionais/estruturais se manifestam no campo da ciência no Brasil, demonstrando-os por meio de dados estatísticos coletados por órgãos de referência; b) verificar, em âmbito nacional, que propostas das três primeiras edições do “Encontro Nacional das Mulheres Negras” possuem relações diretas e indiretas com as atuais lutas do Movimento Negro pela inserção da mulher negra na ciência e na pesquisa; c) analisar especificamente em que políticas ou programas nacionais tais propostas foram colocadas em prática no Brasil, pelos atuais Ministérios: da Igualdade Racial; da educação; das Mulheres; da Gestão e Inovação; da Cultura; do Empreendedorismo; dos Povos Indígenas; da Ciência, Tecnologia e Inovação; e dos Direitos Humanos; d) refletir sobre as contribuições que as precursoras cientistas e pesquisadoras mulheres negras brasileiras, de diferentes áreas do conhecimento, com destaque para a área das Ciências Humanas, trouxeram às atuais formas de combate ao racismo e sexismo na ciência. A metodologia da pesquisa pauta-se no estudo bibliográfico e documental, bem como o relato das experiências e vivências enquanto cientista social e pesquisadora negra, fazendo uso da Escrevivência, cunhada por Conceição Evaristo. Como resultado, esta pesquisa traz sua relevância no contexto atual, por entendermos que o processo de inserção das mulheres negras na ciência se dá a partir do momento em que invertermos a lógica do paradigma racista e sexista hegemônicos, trazendo para o centro do debate toda a crítica, a representatividade, a liderança, a intelectualidade e os conhecimentos epistêmicos produzidos pelas feministas negras, como forma de luta, resistência e empoderamento destas mulheres

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Palavras-chave

Racismo, Sexismo, Escrevivência, Mulheres negras, Ciência, Negras, Mulheres na ciência

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