Fatores de risco e complicações pós-operatórias em pacientes admitidos na terapia intensiva
Data
2024-06-18
Autores
Sanches, Caroline Tolentino
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Resumo
Introdução: As complicações pós-operatórias estão comumente associadas ao aumento na morbimortalidade dos pacientes e podem levar ao surgimento de sequelas e à morte. Sabe-se que a mortalidade dos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva é variável, pois depende de fatores relacionados às características dos pacientes, gravidade e evolução da doença. O Projeto ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-operatória) surgiu com a finalidade de minimizar a ocorrência das complicações pós-operatórias, reduzir o tempo de internação e a mortalidade em pacientes cirúrgicos. Objetivo: Caracterizar as complicações pós-operatórias e os preditores de mortalidade em pacientes admitidos na UTI em pós-operatório imediato. Avaliar a adesão às recomendações do Projeto ACERTO. Métodos: Estudo longitudinal retrospectivo incluindo pacientes adultos submetidos a procedimentos cirúrgicos e admitidos em pós-operatório imediato em unidades de terapia intensiva de um hospital universitário de alta complexidade, no período de março a julho de 2022. Como fontes de dados para esta pesquisa, foram utilizados os prontuários dos pacientes e o sistema eletrônico de informações do hospital. As variáveis do estudo foram divididas em categorias, que correspondem desde o momento da internação até o desfecho hospitalar, e incluíram: variáveis sociodemográficas, clínicas, epidemiológicas, comorbidades, dados referentes ao período perioperatório, tais como características dos procedimentos cirúrgicos, condutas, complicações pós-operatórias e desfecho hospitalar. Os escores Simplified Acute Physiology Score 3 (SAPS 3) e Sequential Organ Failure Assesment (SOFA) foram calculados. Os resultados das variáveis contínuas foram descritos como média, desvio padrão (DP) ou mediana e intervalo interquartílico (ITQ), dependendo da distribuição dos dados. As variáveis categóricas foram analisadas com o teste de qui-quadrado e foram apresentados como frequência absoluta e relativa. A presença de associações entre potenciais fatores de risco foi apresentada como odds ratio (OR) não-ajustado e intervalo de confiança de 95% (IC 95%), obtidas por meio do modelo de regressão logística em modo Stepwise (análise multivariada). O nível de significância utilizado foi de 5%. Resultados: Foram analisados 202 pacientes, com mediana de idade de 67 anos (ITQ 55-74), predominância do sexo masculino (62,4%) e elevada prevalência de comorbidades (87,1%). A mortalidade hospitalar foi de 26,2%. As principais características dos procedimentos cirúrgicos foram cirurgias realizadas em caráter de urgência (52,5%), cirurgias de grande porte (69,3%) e limpas (38,6%). A anestesia geral foi a mais frequente (74,8%). Os procedimentos cirúrgicos mais frequentes foram as cirurgias do aparelho digestivo, órgãos anexos e parede abdominal (25,7%) seguidos pelas cirurgias do sistema nervoso central (20,3%) e cirurgias do aparelho geniturinário (13,9%). As complicações pós-operatórias ocorreram em 85,1% dos pacientes e as mais frequentes foram as cardiovasculares (53,4%), infecciosas (49,5%) e gastrointestinais (48,5%). A maioria das complicações foram associadas com o risco para morte, destacando-se as renais (OR 14,09) e do sistema de coagulação (OR 9,38). Quanto às recomendações do ACERTO, observou-se que o não cumprimento destas está relacionado com maior risco para o desenvolvimento de complicações. A realimentação precoce pós-operatória ocorreu em 34,2% dos casos e observou-se que quanto maior a demora no início da realimentação, maior foi o risco para o desenvolvimento de complicações. A profilaxia de náuseas e vômitos foi administrada em 61,9% dos pacientes no intraoperatório e 96% no pós-operatório, e a analgesia com opioides no pós-operatório foi associada com maior incidência de complicações (87,3%). A reposição volêmica não teve diferença entre os grupos. Na análise da regressão logística, o sexo feminino, cirurgia de urgência e a pontuação no SAPS 3 foram fatores de risco independentes para a morte. Conclusões: Houve alta incidência de complicações pós-operatórias, sendo as complicações renais e do sistema de coagulação as principais associadas ao risco de morte. A adesão às recomendações do ACERTO como a profilaxia de náuseas e vômitos e a realimentação precoce foram associadas com redução na frequência de complicações. Os fatores de risco para a morte encontrados foram sexo feminino, pontuação no SAPS 3 e cirurgias de urgência.
Descrição
Palavras-chave
Complicações pós-operatórias, Mortalidade hospitalar, Unidade de Terapia Intensiva, Protocolos Clínicos, Cirurgia, Fatores de risco, Prognóstico, Comorbidades