Cada Joana com sua fogueira: branquitude, ciência e poder da mídia brasileira na cobertura do caso Joana D'arc Félix de Sousa
Data
2025-02-27
Autores
Camargo, Susan Caroline
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Resumo
É preciso abandonar a ideia de que as questões raciais no Brasil são um problema exclusivamente do negro, afinal, o problema está na relação entre negros e brancos (Bento, 2022). Uma forma de questionar e subverter a individualidade quase tácita às pesquisas nessa temática, destacando as implicações coletivas das relações raciais, é operacionalizar o conceito de branquitude para explicar as realidades raciais em nosso país. Esse conceito, que se relaciona diretamente com a manutenção de privilégios da população branca, nos permite fugir das análises clássicas com foco no negro e desloca nossas lentes para examinar o branco e seus traços identitários. Adeptos à perspectiva dos Estudos Culturais, o objetivo desta tese foi analisar criticamente a cobertura da mídia em relação ao caso da professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa, nos valendo da proposta metodológica da Análise Crítica de Discurso de modalidade sociolinguística, articulada ao conceito de branquitude para analisar o poder exercido pela mídia hegemônica brasileira, a partir de seus discursos, suas estratégias e efeitos, principalmente ao representar e enunciar pessoas negras. Também procuramos problematizar o modo como a ciência foi utilizada pela mídia para balizar as violências raciais que atravessaram esse caso. De modo geral, a análise evidenciou que os discursos midiáticos hostilizaram e vilanizaram Joana, expressando receio de que sua situação prejudicasse a ciência brasileira. A mídia adotou uma narrativa onisciente e omitiu informações relevantes sobre a trajetória da professora. Os discursos reforçaram a ideia de que apenas certos sujeitos podem acessar a universidade e os espaços de produção de ciência, excluindo pessoas como Joana, uma mulher negra de origem humilde. A cobertura midiática também reproduziu hierarquias raciais e deslegitimou epistemologias negras, reforçando a hegemonia branca, naturalizando desigualdades, e invisibilizando as contribuições de pessoas negras em espaços historicamente ocupados por pessoas brancas
Descrição
Palavras-chave
Análise de mídia, Abuso de poder da mídia, Caso Joana D’Arc Félix de Sousa, Imprensa brasileira, Ciência contra-hegemônica, Souza, Joana D'arc Félix de - 1963 -, Ciência, Imprensa - Brasil, Cientistas negras - cobertura jornalística