Desenvolvimento e avaliação de prótese mamária externa produzida por manufatura aditiva para mulheres mastectomizadas

Data

2024-05-06

Autores

Leme, Juliane Cristina

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Resumo

O câncer de mama é um problema de saúde pública com maior incidência em mulheres, e uma das formas mais eficazes de tratamento é a cirurgia de retirada da mama, conhecida como mastectomia. A retirada da mama causa inúmeros problemas físicos e psicológicos, por isso a importância da cirurgia de reconstrução de mama. No entanto, muitas mulheres não realizam a reconstrução de mama imediata. O uso de próteses externas pode ser uma alternativa para a reabilitação após a mastectomia. Muitas próteses comerciais são utilizadas, no entanto, essas próteses não são feitas sob medida para cada paciente. Os objetivos do estudo foram: desenvolver um processo de produção de próteses externas de mama individualizadas e avaliar o efeito do uso dessas próteses durante repouso e marcha na postura vertebral e a satisfação das usuárias. A pesquisa realizada no Laboratório de Biomecânica Aplicada (LBA) do Centro de Educação Física e Esportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi dividida em duas fases: Fase 1, na qual foi realizado o desenvolvimento do processo e produção de prótese mamária por meio do método de digitalização por luz projetada e manufatura aditiva (impressão 3D), e Fase 2, na qual foi realizada a avaliação da postura vertebral com o uso de próteses mamárias individualizadas durante repouso e marcha e satisfação das usuárias. Participou da Fase 1 do estudo, uma mulher saudável, de 29 anos, 69 kg e 1,69 m. Na Fase 2 participaram 6 mulheres com idade entre 37 e 60 anos com mastectomia unilateral sem reconstrução de mama. Os resultados da Fase 1 geraram três protótipos de prótese e uma prótese definitiva. Para o protótipo 1 foi utilizado um molde sem contramolde, o que acarretou em uma prótese pesada (495 g) comparada às próteses tradicionais para mesmo tamanho de seio encontradas para venda. Para tentar solucionar essa questão, foi utilizado um contramolde com pinos geométricos para o protótipo 2, que apresentou massa de 393 g, uma redução de 20,6%. O protótipo 3 foi feito com o contramolde de volume orgânico central e apresentou massa de 355 g, redução de 28,3% comparado ao protótipo 1. Após análise desses protótipos, uma prótese definitiva com o contramolde de pinos geométricos foi produzida. Essa prótese apresenta pigmentação de mamilo e aréola e massa de 294 g, uma redução de 25,2% comparado ao protótipo 2. Na fase 2, os resultados demonstraram as seguintes massas para as próteses: Participante 1 - 898 g, participante 2 - 467 g, participante 3 - 320 g, participante 4 - 503 g, participante 5 - 929 g, e participante 6 - 537 g. A análise visual das próteses revelou que a pigmentação do silicone ainda é um desafio, exigindo novas técnicas de coloração e manipulação de cores. Foi possível observar que a maioria das próteses se ajusta bem ao tórax das participantes e o volume resultante parece ser semelhante ao do seio remanescente. Apenas a prótese da participante 5 apresentou um volume aparentemente maior do que a mama remanescente. Na análise da satisfação, constatou-se que, de forma geral, a maioria das mulheres ficou satisfeita com suas próteses. No entanto, aspectos como mobilidade, peso e sensação de calor ao usar a prótese precisam ser aprimorados em futuras pesquisas. Além disso, alterações na postura vertebral foram observadas tanto em condições estáticas quanto dinâmicas com o uso das próteses externas de mama individualizadas. Portanto, os resultados sugerem que o método permitiu a produção de uma prótese externa de mama individualizada, o que pode influenciar positivamente tanto no processo de reabilitação quanto nos aspectos emocionais associados à perda da mama, com potencial para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar de mulheres que foram submetidas à mastectomia

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Palavras-chave

Prótese de mama, Manufatura aditiva, Impressão 3D, Biomecânica, Coluna vertebral, Atividade física, Impressão tridimensional, Mastectomia, Reabilitação, Câncer de mama, Saúde pública

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