Análise das variantes genéticas rs1800896, rs1800871 e rs1800872 do gene IL10 e sua correlação com a suscetibilidade à infecção pelo HPV e desenvolvimento de câncer cervical

Data

2025-04-16

Autores

Silva, Pamella Rodrigues da

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Resumo

A interleucina 10 (IL-10) é uma citocina anti-inflamatória e imunossupressora que regula a resposta inflamatória e a imunidade celular contra infecções virais, incluindo o Papilomavírus Humano (HPV). Alterações na expressão e secreção da IL-10, potencialmente causadas por variantes de nucleotídeo único (SNVs) na região promotora do gene IL10, influenciam a persistência viral e a progressão para lesões intraepiteliais escamosas e câncer cervical. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação dos alelos, genótipos e haplótipos das SNVs rs1800896 (-1082 A>G), rs1800871 (-819 C>T) e rs1800872 (-592 C>A) do gene IL10 com a infecção pelo HPV, o desenvolvimento de lesões intraepiteliais escamosas e câncer cervical em mulheres atendidas por serviços públicos de saúde no Paraná, Brasil. Trata-se de um estudo caso-controle, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina (CAAE 38937520.2.0000.5231). Foram incluídas 438 mulheres no estudo, agrupadas de acordo com a presença (n=257) ou ausência (n=181) de infecção por HPV. O grupo infectado foi subdividido conforme o grau da lesão cervical: sem lesão (n=91), lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LIEBG) (n=25), lesão intraepitelial escamosa de alto grau (LIEAG) (n=72) e câncer cervical (n=69). Foram coletadas amostras de sangue periférico para genotipagem das variantes genéticas de IL10 por PCR em Tempo Real, e amostras cervicais para detecção de HPV por PCR convencional. As análises estatísticas foram conduzidas no software SPSS 25.0 (p<0,05), e a inferência haplotípica foi realizada pelo programa PHASE. Os resultados mostraram que o alelo G da variante rs1800896 esteve associado a um efeito protetor contra a infecção por HPV no modelo dominante (AA vs AG+GG; OR = 0,646, IC95%: 0,439–0,950; p = 0,026). Em contrapartida, o alelo T da rs1800871, no modelo dominante (CC vs CT+TT), esteve associado a maior suscetibilidade (OR = 2,056, IC95%: 1,388–3,045; p < 0,001), assim como os genótipos CA+AA da rs1800872 (OR = 2,056, IC95%: 1,388–3,045; p < 0,001). A análise haplotípica indicou que o haplótipo ATA esteve significativamente associado à infecção por HPV quando presente em mulheres homozigotas (ATA/ATA: OR = 2,238, IC95%: 1,155–4,339; p = 0,017) e em combinação com outros haplótipos (ATA/others: OR = 1,807, IC95%: 1,202–2,718; p = 0,004). Já o haplótipo GCC apresentou efeito protetor contra a infecção por HPV em mulheres heterozigotas para o haplótipo (GCC/others: OR = 0,628, IC95%: 0,420–0,940; p = 0,024). No entanto, após ajuste por fatores de confusão em modelos de regressão logística, essas associações com lesões e câncer não se mantiveram estatisticamente significativas (p>0,05). Este é o primeiro estudo a avaliar a associação entre variantes e haplótipos do gene IL10 com a infecção por HPV em uma coorte da população brasileira. Nossos achados sugerem que variantes genéticas do gene IL10 podem influenciar a suscetibilidade à infecção por HPV, apontando os haplótipos como potenciais biomarcadores de risco. Apesar de não se associarem de forma independente à progressão para lesões ou câncer, essas variantes podem exercer papel relevante na carcinogênese quando combinadas a outros fatores predisponentes

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Palavras-chave

Interleucina-10, Variante genética, Câncer cervical, Haplótipo de IL10, Variantes de nucleotídeo único, Papilomavírus humano (HPV), Lesões intraepiteliais escamosas

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