Achados anátomo-patológicos e os impactos antrópicos em tartarugas marinhas no litoral do Paraná

Data

2024-08-08

Autores

Ribeiro, Camila Roberta da Silva

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Resumo

As tartarugas marinhas estão expostas a diversos impactos antrópicos durante todo o seu ciclo de vida, sendo que alguns destes podem afetar a saúde de suas populações. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi caracterizar os achados anatomopatológicos e níveis de contaminantes em espécimes de Chelonia mydas e achados anatomopatológicos em espécimes de Caretta caretta. A área de estudo compreendeu o litoral do Estado do Paraná. Os animais analisados foram encontrados encalhados na praia mortos ou provenientes de captura acidental, durante o período de 2015 a 2021, pela equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). O PMP-BS é um programa exigido pelo IBAMA para o processo de licenciamento ambiental da produção e escoamento de petróleo pela Petrobrás na Província do Pré-Sal da Bacia de Santos. Cada animal teve o comprimento curvilíneo da carapaça - CCC (cm), massa corporal - MC (kg) medidos e escore corporal avaliado. Foi realizada análise histopatológica e avaliados os níveis de contaminantes (elementos traço não essenciais - As, Cd, Hg e Pb) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs, peso seco; mg/kg-1) em fígados de espécimes de C. mydas. Os dados biológicos, histológicos e níveis de contaminantes foram obtidos por meio do banco de dados SIMBA (Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática). Foram colhidas amostras de diferentes órgãos para a análise histopatológica. Um modelo de regressão logística simples foi utilizado para verificar a relação entre achados histopatológicos, interações antrópicas e contaminantes. O primeiro estudo foi realizado com um total de 354 animais da espécie C. mydas. O CCC médio foi de 37,2 ± 6,2 cm (± DP) (26,4- 68,0) e a massa corporal foi de 6,19 ± 4,0 (± DP) (1,8-28,2). A interação com resíduos sólidos foi observada em 49,1% e captura acidental em 47,7% dos animais. As principais alterações encontradas foram degeneração hepática, congestão renal, pulmonar, hepática, cerebral e cardíaca, e infiltrado inflamatório granulomatoso, frequente na maioria dos órgãos. A análise estatística revelou associação significativa entre alterações circulatórias e captura acidental, e a presença de resíduos sólidos foi correlacionada com alterações inflamatórias e degenerativas. No segundo estudo foram analisados 86 espécimes de C. mydas. O critério de inclusão de animais neste estudo foi a colheita de amostras para histopatologia, HPAs e elementos traço não essenciais. O CCC médio foi de 36,0 ± 5,1 cm (± DP) (23,2 - 51,3 cm) e a massa corporal foi de 5,38 ± 2,18 kg (± DP) (1,72 - 13,8 kg). As principais alterações histológicas foram degeneração e congestão hepática, congestão e infiltrado granulomatoso pulmonar. Dentre os contaminantes, naftaleno foi o HPA mais frequente e Cd e As apresentaram os níveis mais elevados dos elementos traço. Cádmio apresentou mais associações significativas com os achados histopatológicos. Infiltrado inflamatório granulomatoso foi observado em diversos órgãos, sendo associado a contaminantes. No estudo com C. caretta o CCC observado foi de 67,3 cm ± 6,9 (49,4 – 81,5 cm). Evidências de interação antrópica foram registradas em 80% dos animais. As principais alterações histológicas registradas foram pneumonia intersticial, esplenite heterofílica, nefrite, endocardite, congestão, degeneração hidrópica hepática e renal. A obtenção de dados sobre os achados histopatológicos é essencial para avaliar o estado de saúde de populações de tartarugas marinhas, sendo uma estratégia valiosa que pode auxiliar na criação de ações mitigadoras e em futuros projetos de conservação das espécies

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Palavras-chave

Animais marinhos, Histopatologia, Conservação, Interação antropogênica, Ecossistema marinho, Tartaruga marinha - doenças, Efeitos antropogênicos

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