Seleção dos exercícios no treinamento resistido e adaptações de força e hipertrofia muscular

Data

2025-04-09

Autores

Oliveira, Witalo Kassiano Ferreira de

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Resumo

Os exercícios resistidos se diferem por vários aspectos, tais como: número de membros envolvidos (uni ou bilateral) ou de articulações participantes (multi ou monoarticular), comprimento em que o músculo alvo é treinado (alongado ou encurtado), entre outros. Entretanto, pouco se sabe se tais diferenças acarretam adaptações musculares distintas ou não. Portanto, o objetivo desta tese foi comparar os efeitos da seleção dos exercícios nas adaptações de força e hipertrofia muscular. Para tanto, cinco experimentos, caracterizados como ensaios clínicos aleatorizados com grupos em paralelo, foram conduzidos com mulheres jovens, a saber: (1) Comparação de dois exercícios que têm como músculos alvo os extensores de joelho: grupo agachamento (AGA) ou cadeira extensora (EXT); (2) Comparação de dois exercícios para flexores de cotovelo: grupo rosca inclinada (R-INC) ou rosca Scott (R-SCO); (3) Comparação de dois exercícios que têm como músculos alvo os flexores de tornozelo: grupo flexão plantar com joelhos estendidos (J-EST) ou flexão plantar com joelhos flexionados (J-FLEX); (4) Comparação de exercícios com participação de um ou dois membros que têm como músculos alvo os flexores de cotovelo, a saber: grupo rosca bíceps bilateral (R-BIL) ou rosca bíceps unilateral (R-UNI); (5) Comparação de exercícios com participação de um (unilateral) ou dois membros (bilateral) que têm como músculos alvo os extensores de joelho, a saber: grupo leg press 45 bilateral (LP-BIL) ou leg press 45 unilateral (LP-UNI). Em todos os experimentos as sessões de treinamento foram realizadas com frequência de duas (estudos AGA vs. EXT e R-INC vs. R-SCO) ou três vezes por semana (estudos J-EST vs. J-FLEX, LP-BIL vs. LP-UNI, R-BIL vs. R-UNI), em dias não consecutivos. Os desfechos primários analisados foram força dinâmica [testes de uma (1RM) e três repetições máximas (3RM)] e tamanho muscular (espessura muscular) dos músculos extensores de joelho (estudos AGA vs. EXT e LP-BIL vs. LP-UNI), flexores de cotovelo (estudos R-INC vs. R-FLEX e R-BIL vs. R-UNI) e flexores de tornozelo (estudo J-EST vs. J-FLEX). No experimento 1, uma maior hipertrofia muscular do reto femoral foi encontrada no grupo EXT nas regiões proximal (EXT = +11,4% vs. AGA = +2,0%, P < 0,001), média (EXT = +12,3% vs. AGA = +5,7%, P < 0,001) e distal (EXT = +17,5% vs. AGA = +7,9%, P < 0,001). Por outro lado, o grupo AGA apresentou maior hipertrofia da região distal do vasto lateral (AGA = +18,2% vs. EXT = +11,2%, P = 0,003) e um melhor desempenho no teste de 3RM no exercício agachamento (AGA = +46,7% vs. EXT = +21,3%, P < 0,001), sem diferenças entre os grupos no teste de 3RM no exercício cadeira extensora (AGA = +19,8% vs. EXT = +23,4%, P = 0,824). No experimento 2, o grupo R-INC apresentou maiores aumentos da região proximal dos flexores de cotovelo (R-INC = +11,2% vs. R-SCO = +8,3%, P = 0,009) e um desempenho superior no teste de 3RM no exercício rosca inclinada (R-INC = +30,6% vs. R-SCO = +23,7%, P = 0,027). Em contrapartida, o grupo R-SCO aumentou mais a região distal (R-SCO = +10,3% vs. R-INC = +6,4%, P = 0,001) e apresentou um desempenho superior no teste de 3RM no exercício rosca Scott (R-SCO = +51,5% vs. R-INC = +35,1%, P < 0,001). No experimento 3, uma maior hipertrofia do gastrocnêmio lateral (+17,8% vs. +12,0%, P = 0,036) e medial (+6,2% vs. +1,2%, P = 0,003) foi revelada no grupo J-EST. Por outro lado, o grupo J-FLEX alcançou um maior aumento de força muscular no teste de 3RM do que o grupo J-EST, no movimento de flexão plantar com joelhos flexionados (+28.6 vs. +10.5%, P < 0,001). Entretanto, não foi encontrada diferença significante entre os grupos no teste de 3RM, no movimento de flexão plantar com joelhos estendidos (J-EST = +26,8% vs. J-FLEX = +21,4%, P = 0,161). No experimento 4, um aumento significante do tamanho dos flexores de cotovelo foi identificado sem diferença entre os grupos R-BIL e R-UNI (P = 0,370). O aumento da força muscular no teste de 1RM unilateral do braço direito foi maior no grupo R-UNI (+34,8% vs. 22,7%, P = 0,006), sem diferença significante no teste de 1RM unilateral do braço esquerdo (+33,3% vs. +26,2%, P = 0,085) e 1RM bilateral (P = 0,551). No experimento 5, uma hipertrofia significante dos extensores de joelho foi verificada, sem diferença entre os grupos (P = 0,055). Um maior aumento de força muscular foi encontrado no grupo LP-UNI para o teste de 1RM unilateral, tanto do membro inferior direito (+40,2% vs. 30,3%, P = 0,001) quanto esquerdo (+43,7% vs. 30,9%, P < 0.001), sem diferença entre os grupos no teste de 1RM bilateral (P = 0,393). Nossos resultados sugerem que a seleção dos exercícios pode influenciar as adaptações de força e hipertrofia muscular em mulheres jovens, de modo que a tomada de decisão no momento da prescrição de exercícios deve ser pautada nos objetivos e nas necessidades da praticante

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Palavras-chave

Treinamento de força, Músculo, Hipertrofia regional, Espessura muscular, Ultrassonografia, Exercício resistido, Força muscular

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