Empatia histórica e história difícil: uma abordagem em sala de aula com os quadrinhos O diário de Anne Frank e Maus
Data
2025-07-15
Autores
Martins, Giovana Maria Carvalho
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Resumo
Esta tese foi desenvolvida no âmbito do Doutorado em Educação na Universidade Estadual de Londrina, e trata-se de um percurso investigativo iniciado na graduação em História em 2012 com o uso de literatura e ensino de História, ampliado no Mestrado em Educação na mesma universidade, que abordou o uso de quadrinhos no ensino de História na esteira das discussões da Educação Histórica (Cainelli; Schmidt, 2012; Barca, 2012, Germinari, 2020). Esta pesquisa, no Doutorado, explorou como o ensino da História difícil (Borries, 2011) pode ser desenvolvido através do uso de quadrinhos, levando em consideração as discussões sobre o Novo Humanismo (Rüsen, 2015) e a necessidade de repensar o conceito de humanidade, sobretudo após o Holocausto. O objetivo foi entender como o ensino de História do Holocausto em aulas de História com jovens alunos do 9º ano do Ensino Fundamental através de histórias em quadrinhos pode gerar reflexões sobre a História difícil na esteira do Novo Humanismo através do conceito de empatia histórica. Histórias difíceis são aquelas que trazem traumas coletivos e individuais que permanecem além da temporalidade do acontecimento, sendo o Holocausto um exemplo primordial. Para tanto, desenvolvemos uma aula-oficina (Barca, 2004) com jovens do 9º ano na cidade de Londrina – Paraná no ano de 2023. A metodologia adotada inclui a análise das produções dos estudantes após a leitura das obras em questão e após a aula-oficina, que consistiram em atividades escritas, participação em uma roda de conversa e produção de um quadrinho com a temática da História difícil. Estas produções e todo o percurso teórico-metodológico foram analisados através da Teoria Fundamentada (Charmaz, 2009; Corbin,2017; Hutchinson, 1986) e da Análise de Conteúdo (Franco, 2005; Bardin, 2016). Os quadrinhos trabalhados foram selecionados por sua capacidade de combinar elementos visuais e textuais, o que, segundo Eisner (1989), exige habilidades interpretativas complexas dos leitores. O diário de Anne Frank em quadrinhos (Frank, 2018) é uma adaptação do famoso diário escrito por Anne Frank, enquanto Maus, de Art Spiegelman (2009), é uma graphic novel que relata a experiência de seu pai, um sobrevivente do Holocausto. Os resultados mostram que os alunos se identificam de maneiras diferentes com as duas obras, e essa diversidade de preferências ilustra como diferentes abordagens podem despertar curiosidade e empatia histórica de formas distintas. As conclusões indicam que tanto O Diário de Anne Frank quanto Maus, são eficazes em promover a empatia histórica e a compreensão histórica entre os alunos, além da compreensão da temática da História difícil. A pesquisa reafirma que a integração das histórias em quadrinhos no ensino de História difícil representa um caminho inovador para engajar os estudantes, pois os quadrinhos favorecem a empatia histórica ao promover identificação com a cultura histórica e reflexão crítica, consolidando-os como fonte significativa a ser explorada na Educação Histórica
Descrição
Palavras-chave
Educação histórica, História difícil, Empatia histórica, Histórias em quadrinhos, Holocausto, História - estudo e ensino, Holocausto judeu (1939-1945)