Ventres insubmissos: costurando histórias e reimaginando possibilidades de saúde na maternidade de mulheres negras pelo SUS
Data
2025-02-24
Autores
Lopes, Julia Gindre Soreano
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Resumo
Esta pesquisa investigou como o determinante raça/etnia atravessa as experiências de parto, gestação e puerpério de mulheres negras no Sistema Único de Saúde - SUS, bem como as estratégias de resistência por elas adotadas diante das violências vivenciadas. Em um contexto marcado por desigualdades sociais, raciais e de gênero, o SUS representa um avanço significativo no campo da saúde coletiva. No entanto, o acesso e a qualidade da assistência permanecem desiguais entre mulheres negras e brancas. Para que o SUS cumpra efetivamente seus princípios, é fundamental identificar as barreiras que se interpõem entre os serviços de saúde e a população. Entre essas barreiras, destaca-se a necessidade de compreender os efeitos das vivências sociais e subjetivas de mulheres negras no ciclo gravídico-puerperal. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, fundamentada pelo método das constelações de aprendizagem. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com três mulheres negras que vivenciaram o parto, a gestação e o puerpério pelo SUS nos últimos cinco anos. A pesquisa buscou compreender as particularidades do nascimento negro no SUS, bem como as práticas de cuidado e assistência em saúde direcionadas a gestantes e puérperas negras, reconhecendo raça, classe e gênero como eixos estruturantes do processo saúde/doença. Conclui-se que a raça é um determinante central no cuidado em saúde de mulheres negras que se tornam mães sob o acompanhamento do SUS. A racialidade intensifica a vivência de violência obstétrica, negligência e negação de acesso, tornando essas experiências mais frequentes e prováveis entre mulheres negras. Apesar disso, as mulheres negras seguem construindo formas de resistência e possibilidades de existência. Entre as principais estratégias de resistência identificadas estão a coletividade e o fortalecimento através do poder de autodefinição
Descrição
Palavras-chave
Desigualdade Racial em Saúde, Sistema Único de Saúde (SUS), Gestação, Parto - Mulheres negras, Puerpério, Assistência em saúde - Gestantes negras, Gravidez - Aspectos psicológicos, Puerpério, Saúde mental, Serviços de saúde - Racismo