Formação humana na perspectiva libertadora: uma análise do documento orientador da reforma curricular do ensino básico da Guiné-Bissau

Data

2025-02-25

Autores

Dju, Antonio Oliveira

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Resumo

Este estudo analisa o conceito de formação humana no novo currículo nacional de educação básica da Guiné-Bissau, à luz da filosofia educacional libertadora de Paulo Freire. A adoção de uma perspectiva de formação humana libertadora, fundamentada em valores ancestrais, tem incentivado os países africanos a perseguirem sua reafirmação por meio do reconhecimento ontológico-epistêmico. No centro desta investigação está a questão: Como o Documento Orientador da Reforma Curricular da Educação Básica aborda a formação humana libertadora, considerando a ancestralidade e as tradições culturais guineenses, especialmente no contexto das políticas educacionais adotadas desde a Proclamação da Independência? Essa questão direciona a atenção para os fundamentos filosóficos de uma abordagem de formação humana que promova práticas educacionais que se resistem e afastem de legados opressivos, dominadores e coloniais. O objetivo desta pesquisa é avaliar como o novo documento curricular para a educação básica na Guiné-Bissau incorpora a formação humana libertadora, com ênfase na valorização da alteridade cultural, do patrimônio ancestral e das tradições culturais dos povos guineenses. A pesquisa constatou que o sistema educacional herdado pela Guiné-Bissau está marcado por uma tradição colonial e anti-ancestral, que distorce as experiências existenciais de seu povo. A crítica ao impacto distorcivo da educação eurocêntrica, com seu caráter dominador e colonizador, torna necessário repensar a formação humana por meio de uma abordagem epistêmico-libertadora. A análise buscou compreender a integração das línguas locais e dos conhecimentos nativos no currículo, em consonância com as teorias epistemológicas emergentes. Defende-se uma perspectiva libertadora que valorize a diversidade cultural e fortalece os vínculos com as raízes ancestrais, alinhando-se com as experiências vividas pelos povos locais. O estudo adota uma metodologia qualitativa baseada em pesquisa documental, utilizando a análise documental como técnica principal. A abordagem de análise documental é embasada pela análise crítica proposta por Cellard (2012) para examinar os dados coletados. A partir de uma avaliação do cenário da educação básica na Guiné-Bissau, a hipótese de trabalho sugere que o documento curricular carece de um arcabouço pedagógico robusto para transformar a educação básica de modo a refletir uma formação humana libertadora enraizada nas realidades vividas pelos guineenses. Essa deficiência decorre da ausência de uma orientação filosófica que trate essas questões de maneira contextualizada e cultural. A formação humana, tal como concebida neste contexto, é um processo dinâmico e contínuo, em contraste com uma visão estática da humanidade. A ancestralidade serve como pilar fundamental para essa abordagem educacional, enfatizando que a formação humana deve cultivar valores derivados do patrimônio cultural. A partir de uma perspectiva libertadora, a formação humana incorpora as experiências culturais das pessoas, promovendo uma conscientização que as permite se reconhecer como seres conscientes dentro de contextos opressivos e coloniais. Isso inclui uma reflexão crítica sobre seus comportamentos e padrões de pensamento que reproduzem estruturas coloniais, reconhecendo sua humanidade por meio do princípio do ubuntu e identificando-se como pessoas engajadas em um processo contínuo de transformação, moldadas pela memória coletiva e pela mistida

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Palavras-chave

Formação Humana, Nova Educação Básica Guineense, Experiência, Ancestralidade, Educação Libertadora, Freire, Paulo - 1921-1997, Educação - Guiné-Bissau - filosofia, Currículos - mudança - Guiné-Bissau

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