Inteligência artificial generativa no ensino de química: percepções de docentes da área frente a participação das novas tecnologias no desenvolvimento de suas aulas
Data
2026-03-18
Autores
Meirelles, Luís Eduardo Peres
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Resumo
O atual cenário educacional é marcado pela rápida inserção das Inteligências Artificiais Generativas (IAGs), exigindo novas posturas frente ao processo de ensino e aprendizagem, especialmente no Ensino de Química, área que demanda altos níveis de abstração. Diante da precarização do trabalho docente, da escassez de tempo e das pressões por inovação tecnológica, emerge uma complexa tensão sobre como essas ferramentas são, de fato, apropriadas na prática escolar diária. Para investigar esta problemática, este estudo de natureza qualitativa e exploratório-descritiva teve como objetivo analisar as percepções de professores de Química do Ensino Médio sobre a integração das IAGs no planejamento e desenvolvimento de suas aulas. A pesquisa consistiu em um Estudo de Caso Múltiplo, no qual os dados foram construídos por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro docentes de um colégio estadual de Londrina-PR e interpretados via Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que as percepções docentes oscilam em uma tensão dialética entre vertentes de usos das IAs, os conceitos autorais desta pesquisa: a escola da automação e a escola do aprimoramento. Constatou-se que os professores utilizam as IAGs taticamente como ferramentas de automação (próteses cognitivas) para garantir a sobrevivência logística frente à sobrecarga de trabalho, embora rejeitem a plataformização imposta verticalmente. Simultaneamente, diagnosticam que, entre os estudantes, a tecnologia tem atuado como uma "muleta" que atrofia o raciocínio lógico. Por outro lado, o estudo demonstrou que o aprimoramento pedagógico é viável por meio de uma "pedagogia do refino", porém estritamente condicionado ao nível de "imunidade epistemológica" de cada docente para detectar alucinações algorítmicas. Conclui-se que a comunidade escolar não apresenta prontidão estrutural para uma implementação institucional das IAGs. Recomenda-se a formulação de políticas públicas focadas no letramento algorítmico e no acesso equitativo para mitigar o risco de aprofundamento das desigualdades educacionais. Por fim, a pesquisa reafirma a relevância insubstituível do professor, evidenciando que a eficácia das ferramentas de IA exige o conhecimento disciplinar e a expertise humana como pré-requisitos fundamentais para a sua validação
Descrição
Palavras-chave
Inteligência artificial, Inteligência artificial generativa, Ensino de Química, Percepções docentes, Ferramentas digitais no ensino, Química - Estudo e ensino, Trabalho docente, Tecnologias digitais, Formação de professores, Ensino médio, Análise de Conteúdo