Tenentismo às avessas: uma análise do processo de sua ressignificação política a partir de manuais didáticos (1937-1945)

Data

2026-02-26

Autores

Ramos, Eduardo Garcia

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Resumo

Um século se passou desde a eclosão de um conjunto de revoltas armadas promovidas pela jovem oficialidade do Exército, conhecidas como Tenentismo. Desde então, o objeto tem sido amplamente debatido pela Historiografia, levando em consideração sua influência sob os rumos tomados pela História do Brasil Republicano ao longo do século passado. Tal relevância não teria passado imune aos interesses das oligarquias dissidentes lideradas por Getúlio Vargas, para as quais interessavam utilizar do prestígio simbólico desses “tenentes” para legitimar o golpe de Estado de 1930, ao mesmo tempo em que esvaziariam o caráter contestador do movimento ao poder instituído durante o processo de homogeneização das Forças Armadas, rumo aos preparativos para o golpe que instalaria o Estado Novo, em 1937. Interessa para esta pesquisa, portanto, compreender de que forma o Tenentismo foi representado nos livros didáticos de História do Brasil destinados ao Ensino Secundário, durante o período do Estado Novo (1937-1945), identificando em suas narrativas, o processo de exclusão e ressignificação política do movimento. Entende-se aqui, a Escola enquanto instituição transmissora de valores culturais e políticos capazes de legitimar determinadas visões de mundo conforme interesses. Os livros didáticos são concebidos como importantes ferramentas na difusão dos ideais almejados pelo poder vigente, dado seu caráter abrangente na realidade escolar, devendo ser analisados à luz de suas representações e das políticas concebidas em seus arredores. Será utilizada como fonte a obra “História do Brasil para o Quarto Ano Ginasial”, de Joaquim Silva (1944). A metodologia empregada para este processo, consiste na Análise de Conteúdo, proposta por Laurence Bardin (1977), a fim de se estabelecer critérios de organicidade para identificar a maneira como os eventos em questão foram narrados, em conjunto com o contexto histórico no qual esses materiais foram elaborados, tais como as políticas educacionais de caráter centralizador vigentes a partir da década de 1930, articuladas às transformações pelas quais passou a disciplina de História durante o período. Como referenciais teóricos, serão utilizados os estudos de Arnaldo Pinto Junior (2010), Kênia Hilda Moreira (2011) e Wanessa Tag Wendt (2015), além de conceitos estabelecidos pela Didática da História, como o de Consciência Histórica, de Jörn Rüsen (2007), visando perceber a forma como o passado, através de operações mentais, é utilizado para orientar as ações no presente. A articulação desses conceitos para a arguição de materiais didáticos é feita a partir dos estudos de Ronaldo Cardoso Alves (2021) acerca da Didática da História, e de Alain Choppin (2004) sobre o Estado da Arte. Através dessa investigação, foi possível observar a veiculação de uma Consciência História Tradicional e Exemplar nas narrativas dos livros didáticos, além da maneira como o movimento tenentista foi representado pelos autores conforme os interesses varguistas

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Palavras-chave

Tenentismo, Estado Novo, Ensino de História, Livros Didáticos, Representações sociais, Consciência Histórica, Historiografia, Análise de Conteúdo

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