Ecotoxicidade dos microplásticos (isolado e combinados com o cobre) em distintas espécies de animais dulcícolas
Data
2023-12-15
Autores
Roda, Jéssica Fernanda Bernardes
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Resumo
Os microplásticos (MP < 5 mm) são poluentes emergentes amplamente encontrados no ambiente aquático. Os rios são os principais responsáveis pelo transporte dos MPs do ambiente terrestre até os oceanos. Além de causar efeitos toxicológicos para organismos aquáticos, os MPs são capazes de adsorver outros xenobióticos, como o cobre (Cu), influenciando na biodisponibilidade e toxicidade do metal. Os efeitos dos poluentes podem variar de acordo com as características de cada espécie, além de variar quanto aos seus hábitos alimentares, sexo, tamanho e desenvolvimento ontogenético. Pensando nisso, para este estudo foram escolhidos três organismos modelos: i) embrião de Danio rerio; ii) o peixe neotropical Prochilodus lineatus, uma espécie com hábitos; iii) o bivalve Anodontites trapesialis, uma espécie nativa encontrada em bacias hidrográficas e tanques de pisciculturas próximos aos centros urbanos. Assim, objetivou-se com este trabalho avaliar os efeitos da exposição aguda (96 h) ao microplástico isolado e de sua associação ao cobre nos embriões de D. rerio, em juvenis de P. lineatus e no molusco A. trapesialis a partir da análise de múltiplos biomarcadores. As três espécies foram distribuídas em quatro grupos e expostas apenas à água desclorada (CTR) ou aos poluentes isolados (20 µg L-1 de MP e 10 µg L-1 de Cu) e em mistura (20 µg L-1 de MP+10 µg L-1 de Cu). Após as exposições, nos embriões foi observado a afinidade do MP ao córion embrionário e diminuição da frequência cardíaca (MP e MP+Cu), diminuição da taxa de eclosão e aumento da concentração de Cu nos tecidos (Cu e MP+Cu). A exposição do peixe P. lineatus acarretou no acúmulo de metal nas brânquias e no músculo (Cu e MP+Cu), alterações nos parâmetros hematológicos, iônicos e metabólicos (Cu e MP+Cu), alterações na atividade das defesas antioxidantes (Cu), aumento de danos oxidativos (MP+Cu) e genotóxicos (MP, Cu e MP+Cu). Já a exposição dos bivalves A. trapesialis resultou na alteração dos parâmetros iônicos (MP+Cu) e metabólicos (Cu e MP+Cu), alteração nas defesas antioxidantes não enzimáticas (MP+Cu), aumento de danos oxidativos (MP, Cu e MP+Cu) e danos no DNA (MP e MP+Cu) e neurotoxicidade (Cu e MP+Cu). As partículas de MPs apresentaram efeito toxicológico nos três organismos de água doce estudados. Ainda, o MP demonstrou potencial interação com o cobre, um metal presente no ambiente aquático e amplamente estudado na toxicologia. Os efeitos observados sugerem, predominantemente, uma possível interação sinérgica, resultando no aumento da toxicidade dos poluentes quando em mistura
Descrição
Palavras-chave
Biomarcadores, Anodontites trapesialis, Danio rerio, Prochilodus lineatus, Estresse oxidativo, Microplásticos, Cobre, Bioacumulação, Genotoxicidade, Biodisponibilidade, Xenobióticos, Prochilodus lineatus