Da atenção básica a uma rede de cuidados paliativos
Data
2025-05-27
Autores
Zampar, Beatriz
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Resumo
Cuidados paliativos são compreendidos como uma modalidade de cuidado voltada ao alívio do sofrimento e à promoção de conforto e qualidade de vida a pessoas que convivem com doenças que ameaçam a continuidade da vida, bem como às suas famílias, considerando todas as dimensões do sofrimento humano: física, emocional, social-familiar e espiritual. Esta tese tem como objetivo mapear a construção de uma rede de cuidados paliativos a partir da Atenção Básica (AB), no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), situando-se em uma experiência no município de Londrina/PR. A pesquisa está fundamentada nos referenciais da micropolítica do cuidado e do trabalho em saúde, especialmente nas contribuições de Emerson Merhy, Laura Feuerwerker, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari e Baruch Espinosa. Esse percurso se fez por meio da cartografia, acompanhando processos vivos de produção do cuidado, captando o vivido, o sensível e o singular que atravessa os sujeitos implicados na construção de uma rede viva. O cuidado paliativo é analisado como uma prática ética, coletiva e situada, que tensiona regimes de verdade instituídos pela racionalidade biomédica e abre espaço para novas formas de viver, cuidar e resistir. Nesse contexto, propõe-se o conceito de cuidado total como prática que ultrapassa o atendimento das dimensões da dor total, ao integrar uma postura radical de reconhecimento da vida em sua integralidade — articulando escuta, vínculo, desejo, espiritualidade, política, território e redes vivas, especialmente diante da finitude. A análise inclui registros de encontros com usuários, trabalhadores, gestores e estudantes; os movimentos de construção de coletivos; a articulação da rede por meio de um grupo de trabalho intersetorial; a implementação de um programa municipal e as estratégias de educação permanente. Evidenciam-se os desafios políticos, institucionais e subjetivos que atravessam a consolidação de uma política pública de cuidados paliativos a partir da Atenção Básica, bem como a potência dos encontros e das tecnologias leves como disparadoras de novos modos de produzir cuidado. O foco está na cartografia dos territórios produzidos, desfeitos e refeitos nos processos de adoecer e de morrer — e na possibilidade de continuar existindo, resistindo e cuidando enquanto há vida, e de ressignificar o que existe depois dela para quem fica.
Descrição
Palavras-chave
Cuidados paliativos, Atenção básica, Estratégia saúde da família, Cuidados culturalmente competentes, Cuidado centrado no paciente, Cartografia, Atenção à saúde, Sistema Único de Saúde, Políticas públicas